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| Fotos: _jmiguelr_ (divulgação) |
A cena do metal nacional ganha um novo e robusto capítulo com a estreia oficial da banda paulistana Strigah. Chegando às plataformas de streaming pelo selo Coffinjoe Records, o quarteto lança Zoetia, um trabalho de fôlego que consolida a identidade do grupo em uma intersecção ambiciosa entre metal moderno, prog, industrial e música experimental.
O título do disco é um neologismo que sintetiza a proposta
conceitual do projeto: a junção de zoe (vida) e goetia (feitiço).
Esse "feitiço da vida" se traduz em um repertório denso, guiado pela
tensão constante entre a revolta contra o colapso moderno, a defesa ecológica e
a busca por uma conexão espiritual profunda.
A Strigah é formada por Kaio Felipe (vocal), Samanta Tica
(baixo), Eleonardo de Paula (bateria) e Matheus Figueredo (guitarra).
Musicalmente, Zoetia foge do previsível. O álbum
desafia o ouvinte com estruturas complexas repletas de grooves, polirritmias e
quebras de tempo, mas sem abrir mão do equilíbrio: há espaço generoso para
passagens melódicas, vozes ecoadas e atmosferas profundas que potencializam o
peso de cada composição.
De acordo com os integrantes, o trabalho foi desenhado sob
uma lógica própria, voltado para quem busca um metal autêntico e fora dos
moldes tradicionais. O ecletismo da banda se reflete em suas influências
declaradas, que vão do peso internacional de Meshuggah, Fear Factory
e Deftones, à efervescência de nomes do underground nacional, como Deafkids
e Última Theoria.
Tratado sobre ambientes
Mais do que uma coleção de faixas isoladas, as letras
funcionam como um tratado que investiga cinco frentes: o ambiente natural, a
cidade hostil, o espaço virtual, o íntimo do sujeito e o território espiritual.
As composições se destacam
pelo forte teor político, filosófico e místico. O grupo bebe de fontes que vão
do gnosticismo e da cabala judaica a citações diretas de grandes lideranças
indígenas brasileiras, como Ailton Krenak e Davi Kopenawa.
Dentre as músicas de destaca, “A Propriedade é Roubo” abre o debate sobre o
latifúndio e a exploração da terra, homenageando defensores da floresta como
Bruno Pereira, Dom Phillips e Dorothy Stang.
Em “Xamanismo Urbano”, há uma
forte crítica anticolonial, que conecta o agronegócio e a destruição da
Amazônia ao distanciamento humano da ancestralidade.
“Espírito da Cidade” retrata o cenário urbano caótico,
através de imagens de repressão policial, controle e violência de classe.
A música “Florestas Digitais” analisa a alienação da vida mediada por teles,
redes e o esgotamento do tempo.
Produção
O refinamento técnico de Zoetia conta com mixagem e
masterização assinadas por Yukio Hara, arte de capa por Jennifer Erny e
fotografias do grupo feitas por Chev. Os conteúdos audiovisuais levam o selo da
RageBox Prod.
Celebrando este momento de afirmação artística, a Strigah já
se prepara para levar o novo repertório aos palcos. A banda fará um show de
apresentação de Zoetia no Hot Pub, em Santo André (SP). A performance
será gravada ao vivo e se transformará em um videoclipe oficial, com lançamento
previsto para o final de julho.
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| Arte de capa: @j.3rny |
O álbum Zoetia já está disponível em todas as plataformas digitais e pode ser acessado pelo link oficial da banda: found.ee/strigah_zoetia.
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