sexta-feira, 29 de maio de 2026

Da crítica ambiental ao misticismo, Strigah estreia com álbum "Zoetia"

Fotos: _jmiguelr_ (divulgação)

A cena do metal nacional ganha um novo e robusto capítulo com a estreia oficial da banda paulistana Strigah. Chegando às plataformas de streaming pelo selo Coffinjoe Records, o quarteto lança Zoetia, um trabalho de fôlego que consolida a identidade do grupo em uma intersecção ambiciosa entre metal moderno, prog, industrial e música experimental.

O título do disco é um neologismo que sintetiza a proposta conceitual do projeto: a junção de zoe (vida) e goetia (feitiço). Esse "feitiço da vida" se traduz em um repertório denso, guiado pela tensão constante entre a revolta contra o colapso moderno, a defesa ecológica e a busca por uma conexão espiritual profunda.

A Strigah é formada por Kaio Felipe (vocal), Samanta Tica (baixo), Eleonardo de Paula (bateria) e Matheus Figueredo (guitarra).

Musicalmente, Zoetia foge do previsível. O álbum desafia o ouvinte com estruturas complexas repletas de grooves, polirritmias e quebras de tempo, mas sem abrir mão do equilíbrio: há espaço generoso para passagens melódicas, vozes ecoadas e atmosferas profundas que potencializam o peso de cada composição.

De acordo com os integrantes, o trabalho foi desenhado sob uma lógica própria, voltado para quem busca um metal autêntico e fora dos moldes tradicionais. O ecletismo da banda se reflete em suas influências declaradas, que vão do peso internacional de Meshuggah, Fear Factory e Deftones, à efervescência de nomes do underground nacional, como Deafkids e Última Theoria.

Tratado sobre ambientes

Mais do que uma coleção de faixas isoladas, as letras funcionam como um tratado que investiga cinco frentes: o ambiente natural, a cidade hostil, o espaço virtual, o íntimo do sujeito e o território espiritual.

As composições se destacam pelo forte teor político, filosófico e místico. O grupo bebe de fontes que vão do gnosticismo e da cabala judaica a citações diretas de grandes lideranças indígenas brasileiras, como Ailton Krenak e Davi Kopenawa.

Dentre as músicas de destaca, “A Propriedade é Roubo” abre o debate sobre o latifúndio e a exploração da terra, homenageando defensores da floresta como Bruno Pereira, Dom Phillips e Dorothy Stang.

Em “Xamanismo Urbano”, há uma forte crítica anticolonial, que conecta o agronegócio e a destruição da Amazônia ao distanciamento humano da ancestralidade.

“Espírito da Cidade” retrata o cenário urbano caótico, através de imagens de repressão policial, controle e violência de classe.
A música “Florestas Digitais” analisa a alienação da vida mediada por teles, redes e o esgotamento do tempo.

Produção

O refinamento técnico de Zoetia conta com mixagem e masterização assinadas por Yukio Hara, arte de capa por Jennifer Erny e fotografias do grupo feitas por Chev. Os conteúdos audiovisuais levam o selo da RageBox Prod.

Celebrando este momento de afirmação artística, a Strigah já se prepara para levar o novo repertório aos palcos. A banda fará um show de apresentação de Zoetia no Hot Pub, em Santo André (SP). A performance será gravada ao vivo e se transformará em um videoclipe oficial, com lançamento previsto para o final de julho.

Arte de capa: @j.3rny

O álbum Zoetia já está disponível em todas as plataformas digitais e pode ser acessado pelo link oficial da banda: found.ee/strigah_zoetia.

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