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| Foto: divulgação |
Prestes a lançar álbum de estreia, quarteto paulistano funde a distorção do Indie com o balanço da MPB e faz do single "Timidez" um manifesto contra o isolamento afetivo
Entre a pressa do asfalto e a busca por uma escuta genuína, a banda Anônimos Anônimos marca território em prol do afeto. Preparando terreno para a estreia do primeiro álbum, "Acabou Sorrire" - que sai do forno em cerca de 30 dias, pelo selo Forever Vacation Record -, o grupo lança o single de "Timidez".
Projeto assinado pelo produtor Alexandre Capilé - figura carimbada da Sugar Kane -, no Estúdio Costella, o disco é um ensaio de antropofagia moderna. Em 9 faixas, o indie rock não pede licença para se sentar à mesa com o samba e a MPB. Resultado: uma sonoridade híbrida, que reconhece o peso da guitarra, sem abrir mão do suingue brasileiro.
Manifesto
Mais que entretenimento, "Timidez" é um serviço de utilidade pública emocional, num mundo acelerado e de conexões superficiais. A letra é um convite ao recomeço, ao estender a mão a quem tem um traço de personalidade constantemente silenciado pela mega exposição contemporânea: a timidez deixa de ser uma característica para se tornar uma metáfora de tudo que trava por dentro.
A sensibilidade da composição ganha contornos de realidade nua no videoclipe. Abandonando os roteiros engessados, a banda optou pelo inesperado: registrou, de forma documental e sem aviso prévio, as reações do público, durante uma apresentação. A câmera flagra a vulnerabilidade, o acanhamento e a beleza do encontro espontâneo, transformando o espectador em coautor da obra.
Novas vozes
Musicalmente, "Timidez" é o cartão de visitas perfeito para a proposta de "Acabou Sorrire" - que remete o ouvinte mais atento à "Acabou Chorare", dos Novos Baianos. É a faixa que melhor sintetiza o flerte do grupo com a tradição da Música Popular Brasileira, sem perder a crueza do rock and roll. A novidade fica por conta do revezamento nos vocais: o guitarrista Henrique Almeida divide o microfone com Flávio Particelli, proporcionando um jogo de timbres que dá à canção uma dinâmica solar e necessária.
Com lançamento previsto para o início de maio, o disco não é apenas uma coleção de canções; trata-se do registro de uma trajetória que amadureceu entre ensaios e reflexões sobre a saúde do espírito. Em tempos de sorrisos plásticos, a Anônimos Anônimos lembra que, às vezes, é preciso admitir que "acabou sorrire" para que um riso mais verdadeiro possa, enfim, começar.

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