sexta-feira, 8 de maio de 2026

Elton John é a música que preenche a dor

Foto: reprodução/YouTube

 

 Por Marcos Vinicius Cabral 
A primeira vez que ouvi Elton John foi com Little Jeannie, em 1980. Eu tinha entre sete e oito anos, idade em que a gente ainda não entende direito o mundo, mas já começa a guardar para sempre certas emoções sem perceber. 

A belíssima canção tocava o tempo inteiro no rádio, atravessando as tardes frias de Nova Friburgo, entrando pela janela de casa, misturando-se ao cheiro do café e às conversas simples da família. 

Meu tio Baiano gostava dela.

E talvez tenha sido ali, sem que eu soubesse, que a música começou a construir dentro de mim uma espécie de abrigo invisível contra o tempo.

Na adolescência, fui descobrindo que Elton John não era apenas um cantor popular. Havia algo de profundamente humano em suas músicas. 

Canções como Goodbye Yellow Brick Road parecia falar sobre abandonar ilusões; I Guess That's Why They Call It the Blues carregava a tristeza elegante das despedidas; Sad Songs (Say So Much) me ensinava que algumas dores só a música consegue compreender; Nikita tinha a solidão das paixões impossíveis; e Sacrifice parecia escrita para adultos que aprenderam tarde demais o preço do amor.

As pessoas falavam muito dos óculos extravagantes, dos chapéus absurdos, do brilho espalhado pelos palcos. Mas aquilo tudo era pequeno perto do homem chamado Reginald Kenneth Dwight. Porque por trás do espetáculo existia alguém capaz de transformar fragilidade em arte. E poucos artistas tiveram coragem de mostrar tanto do próprio coração como ele.

Mas foi Empty Garden (Hey Hey Johnny) que mudou completamente a forma como eu enxergava Elton John. Não era apenas uma música. 

Era uma ferida aberta cantando. 

Era um homem tentando conversar com o silêncio deixado pela morte do amigo John Lennon. Quando ouvi aquela canção pela primeira vez, senti algo diferente. 

Como se Elton estivesse perguntando ao mundo inteiro por que certas pessoas precisam partir cedo demais. Como se ele soubesse que nunca mais existiria outro igual.

E a verdade é que a morte de John Lennon mudou o mundo.

Mudou porque matou não apenas um músico, mas uma esperança. Em 8 de dezembro de 1980, quando Lennon foi assassinado com cinco tiros por Mark Chapman, parecia que alguém havia apagado uma luz que iluminava milhões de pessoas desde os anos de 1960. 

O mundo perdeu parte da inocência naquele dia. A música perdeu um dos seus maiores poetas. E muitos de nós descobrimos, da pior maneira, que até os homens que pareciam eternos podiam cair diante da violência absurda da realidade.

Elton John sentiu aquilo como quem perde um irmão. E talvez Empty Garden seja tão dolorosa justamente porque não tenta esconder a dor. Não existe raiva exagerada na canção. 

Existem um vazio e uma saudade até hoje.

Existe aquele silêncio terrível que fica quando alguém amado desaparece e o mundo continua seguindo normalmente, como se nada tivesse acontecido.

Desde então, comecei a perceber que as grandes músicas não envelhecem porque elas falam das perdas que todos carregamos. E Elton John sempre soube cantar perdas como poucos.

A única vez que tive a chance de vê-lo ao vivo foi em 1995, na Gávea. Eu finalmente iria assistir de perto ao artista que acompanhava minha vida desde a infância. 

Mas no mesmo dia precisei viajar para Nova Friburgo, minha terra natal, para batizar Maicon, meu saudoso afilhado. 

Só que o destino resolveu ser cruel de uma forma quase impossível de explicar: o padre não apareceu. 

Não houve batizado. 

Não houve show. 

Voltei cantarolando várias vezes Sacrifice de Nova Friburgo a São Gonçalo como se estivesse no show na Gávea.

E até hoje essa lembrança me machuca de um jeito estranho, porque perdi duas coisas importantes no mesmo dia: a oportunidade de ver um ídolo e um momento que jamais voltaria com alguém que hoje já não está mais aqui.

Talvez seja isso que Elton John sempre tenha entendido tão bem: a vida é feita de ausências. 

Algumas chegam devagar.

Outras arrancam pedaços inteiros da gente de uma só vez.

Mesmo assim, seguimos ouvindo música.

Porque certas canções fazem mais do que tocar nossos ouvidos. Elas seguram nossa memória pelas mãos. 

Elas devolvem pessoas que o tempo levou e fazem um menino de sete anos voltar a ouvir rádio dentro de casa. 

Fazem um homem lembrar do tio Baiano. Fazem um afilhado continuar vivo dentro da saudade. E fazem um artista chamado Elton John permanecer eterno, não pelos óculos ou pelos palcos, mas porque soube transformar a dor humana em algo que nunca morre.

***

Marcos Vinicius Cabral:

Formado em Comunicação Social pela Anhanguera, campus Niterói, é jornalista com passagens pelo O São Gonçalo, A Tribuna, Coluna do Fla e o POVO. Rubro-negro desde o nascimento é, ao lado de Sergio Pugliese, autor do livro sobre o Leandro, ex-lateral do Flamengo e da seleção brasileira.

Hibizco deságua anos de estrada em álbum de estreia

Fotos: Natalia Penteado/divulgação



Do "Róque" à intensidade. Porto Alegre sempre teve uma relação visceral com as guitarras, e o trio Hibizco acaba de adicionar um capítulo robusto a essa cronologia. Chega às plataformas nesta sexta (8) o aguardado De Te Mostrar Intenso, o primeiro álbum cheio da banda formada em 2018. Com dez faixas inéditas, o registro é mais do que uma estreia: é um expurgo de vivências que transita entre o amadurecimento e o caos das relações contemporâneas.

O título, extraído de um verso da canção de abertura "Vontade Surreal", serve como uma tese para o trabalho. "Tudo foi vivido intensamente", resume o integrante Yan Dezoito. O álbum abandona a aura puramente solar do EP anterior, Hits de Estreia, para mergulhar em uma sonoridade que a própria banda apelidou carinhosamente de "róque-romance".

Curadoria

Chegar ao corte final de dez músicas não foi tarefa simples. O trio — composto hoje por Raquel Pianta, Yan Dezoito e Fran Goya — debruçou-se sobre um catálogo de quase 60 composições, acumuladas ao longo dos anos.

"Iniciamos o processo com vontade de mostrar tudo de melhor que podemos fazer, mas a temática foi se desenhando individualmente. Selecionamos essas dez num leque de quase 60, inclusive músicas que já tocávamos ao vivo e ficaram de fora para garantir a unidade", revela a vocalista e guitarrista Raquel Pianta.



Essa unidade se traduz em um rock cantado estritamente em português, que bebe de fontes diversas: da energia emo da Fresno e do Paramore, ao balanço do Skank e Lagum, sem ignorar o vigor de Pitty e o indie do Wolf Alice.

Cenário

A capital gaúcha não é apenas o berço da banda, mas uma personagem do disco. A faixa "Azul Roxo" é uma ode ao Bar Ocidente, templo da noite porto-alegrense. Não por acaso, a casa foi escolhida para o show de lançamento oficial, no dia 14 de maio (quinta-feira), com a participação da banda Projeto Hare.

As letras expandem o conceito de relacionamento. O disco pulsa desejo e saudade, com uma dose de protesto cotidiano. "Já Tava Nem Aí" é Um desabafo sobre o desgaste emocional e o trabalho mal remunerado. "Ninguém Viu" critica as interações sociais rasas.

Amadurecimento 



De Te Mostrar Intenso captura a Hibizco em um momento de metamorfose. O álbum marca a despedida do baterista original, Guilherme Boll (que gravou as faixas) e a consolidação da baixista Fran Goya.

"Vejo esse disco como a nova fase da banda, ele diz muito sobre a seriedade com que estamos levando o projeto", afirma Fran, destacando que o trabalho coletivo permitiu que cada integrante imprimisse sua identidade técnica no resultado final.

A produção técnica leva a assinatura de Edo Portugal, no Superlua Studio (Porto Alegre), e ganha camadas extras com as percussões de Julia Pianta, reforçando o tempero brasileiro que a banda faz questão de manter no seu DNA.

O álbum está disponível em todas as plataformas de streaming (via Tratore) e o show de lançamento será no dia14 de maio, quinta, no Bar Ocidente, em Porto Alegre (RS). 

Morre Luiz Carlini, a guitarra que libertou o rock brasileiro

 

Fotos: reprodução/redes sociais


O último acorde do capitão da Pompeia. O rock brasileiro perdeu, nesta quinta-feira (7), o homem que deu voz melódica às cordas de aço e transformou o gênero em uma linguagem autenticamente nacional. Luiz Carlini, ícone da guitarra, compositor e diretor musical, faleceu aos 73 anos no Hospital Metropolitano, em São Paulo. A notícia, que deixa um vácuo na história da nossa música, foi confirmada por seu filho, Roy Carlini, e posteriormente oficializada pela família, em nota, nas redes sociais.

Carlini estava em plena atividade, acompanhando a turnê "50 Anos-Luz", de Guilherme Arantes, quando foi interrompido por um quadro infeccioso em abril. Sua partida encerra um ciclo iniciado no bairro da Pompeia, o "Liverpool brasileiro", de onde ele saiu para moldar a sonoridade de uma era.

Estrelato

Nascido em 1952, Carlini não apenas assistiu à revolução; ele a calibrou. Começou como roadie dos Mutantes, observando de perto o experimentalismo de Sergio Dias. Mas foi em 1973, ao fundar a banda Tutti Frutti, que ele encontrou sua missão: ser a espinha dorsal da fase mais visceral de Rita Lee.

Ao lado da Rainha do Rock, lapidou obras-primas como Fruto Proibido (1975), considerado por muitos a certidão de nascimento do rock brasileiro moderno; Entradas e Bandeiras (1976), onde sua guitarra ditava o ritmo da liberdade pós-tropicalista.

Mais do que um instrumentista, Carlini foi o artesão por trás de hinos. É dele a assinatura composicional em clássicos como "Agora Só Falta Você" e "Que Loucura".

"Ovelha Negra"


Se o rock brasileiro tivesse um DNA sonoro, ele estaria nos minutos finais de "Ovelha Negra". O solo de guitarra mais icônico do país — e talvez o mais analisado por acadêmicos e fãs —, quase não existiu.

Reza a lenda (confirmada pelo próprio músico no documentário sobre sua vida) que Carlini sonhou com a melodia. A produção da época considerava a balada finalizada, mas Luiz insistiu. Com uma Gibson Les Paul Deluxe de 1968, comprada por acaso nas ruas do Rio de Janeiro, ele gravou o solo em um único take.

Legado

A versatilidade de Carlini o levou a colaborar com gigantes como Erasmo Carlos e a integrar o Camisa de Vênus, nos anos 90. Sua relevância foi selada em 2012, quando a Rolling Stone Brasil o elegeu um dos 30 maiores guitarristas da história do país.

Recentemente, em 2023, sua trajetória foi imortalizada no documentário "Luiz Carlini – Guitarrista de Rock". No filme, nomes como Pepeu Gomes, Frejat e Andreas Kisser prestam reverência ao homem que fez a ponte entre a psicodelia dos anos 60 e o hard rock que dominaria as décadas seguintes.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Guilherme Lamas lança 'Pilar' em homenagem às raízes e à inovação

 

Fotos: Rafael Scucuglia/divulgação

O violão como Alicerce. Instrumento de 7 cordas, alma de gêneros fundamentais da música brasileira, ele ganha novos contornos pelas mãos do músico e compositor Guilherme Lamas. Com lançamento marcado para o dia 20 de junho nas plataformas digitais, o álbum Pilar marca o quinto trabalho da carreira do artista e traz uma proposta que une o rigor acadêmico à espontaneidade popular.

Doutor em música pela Unicamp e formado pelo Conservatório de Tatuí, Lamas apresenta uma sonoridade que transita entre as cordas de náilon e as de aço — estas últimas, uma raridade na cena instrumental brasileira. O projeto conta com o patrocínio do Fundo de Investimentos Culturais de Campinas (FICC 2024).


Afeto 

O título do álbum é carregado de simbolismo. Inspirado em uma composição homônima feita para sua mãe, o nomePilar sugere a ideia de sustentação e apoio, conceito reforçado pelo mestre Paulo Bellinati. Estruturado em 11 faixas, o disco apresenta três suítes autorais inéditas — termo clássico aplicado aqui ao contexto popular — e releituras de clássicos de Tom Jobim e Toninho Horta.

A produção reflete a identidade campineira do músico, contando com a participação de sete instrumentistas, sendo cinco deles da região. O trabalho consolida o violão de 7 cordas, não apenas como acompanhamento, mas como protagonista absoluto.

"Pilar remete justamente à ideia de sustentação e apoio, que minha mãe sempre me deu", recorda-se Guilherme Lamas.

Maratona 

Antes da estreia oficial, o público poderá acompanhar uma série de eventos virtuais e presenciais. A partir de 13 de maio, Lamas inicia um ciclo de lives em seu canal no YouTube, abordando desde produção musical até arranjos para violão solo.

Agenda

23 de maio: show de pré-lançamento na Casa de Cultura Aquarela (Grátis).

03 de junho: show solo virtual, antecipando composições do álbum.

11 de junho: grande show de lançamento, no Teatro Castro Mendes, em Campinas.

Theatro Municipal de Niterói recebe homenagem à identidade feminina

Fotos: divulgação 

Mulher brasileira, em primeiro lugar. No próximo dia 16 de maio (sábado), às 17h, o palco do Theatro Municipal de Niterói será cenário de um concerto que promete transcender a música clássica tradicional. O espetáculo "As Marias do Brasil", sob a regência da maestra Waleska Araújo, propõe uma imersão sensorial nas histórias, na resiliência e na diversidade das mulheres brasileiras. 

Com direção artística de Gustavo Fernandes, a apresentação de 70 minutos é uma verdadeira expedição sonora. O repertório atravessa as cinco regiões do país, costurando as batidas das periferias cariocas, com as texturas das paisagens amazônicas. A proposta rompe as barreiras do formato erudito, ao fundir ritmos populares à música de câmara.

Segundo a maestra Waleska, o objetivo é transformar cada canção em uma janela para identidades que merecem visibilidade. É a música instrumental, servindo como tributo à força feminina que molda a cultura nacional.

 Transformação

                                        

 O concerto é realizado pela Orquestra Filarmônica Metropolitana (OFM), braço do Instituto dos Sonhos, sediado em São Gonçalo. A OFM é reconhecida pela excelência artística, ao reunir músicos de destaque da região metropolitana e serrana do Rio. Atua, também, em teatros, praças e comunidades, para formar novas plateias, com foco especial em compositores e repertórios fluminenses.

 Serviço 


O espetáculo tem classificação livre e espera atrair um público de 400 pessoas. É um convite para quem busca na arte uma forma de reflexão e conexão com as raízes brasileiras.

 Concerto "As Marias do Brasil" 

 Quando: 16 de maio (sábado), às 17h

 Onde: Theatro Municipal de Niterói

 Classificação: Livre



Itaipava sedia residência internacional inédita de música eletrônica

 

Colours in the Dark. Foto: divulgação 

Laboratório de beats. Entre os dias 11 e 15 (de segunda a sexta próximos), a tranquilidade da Serra Fluminense será o pano de fundo para uma iniciativa pioneira na América Latina. O selo brasileiro Sleep Tales, referência global em wellness audio, promove o Sleep Tales Music Lab, a primeira residência artística do continente, dedicada exclusivamente à pesquisa e experimentação de beats.

O projeto reúne nove artistas — cinco brasileiros e quatro estrangeiros —, em uma imersão criativa em Itaipava. O objetivo é transformar o isolamento natural em combustível para a produção de música instrumental e eletrônica, conectando a sonoridade nacional à cena global.

Inovação 

Bela Band. Foto: divulgação 

Diferente das produções tradicionais, o Music Lab adota uma estética vibrante e orgânica. Uma casa na serra foi convertida em um "estúdio vivo", onde a tecnologia portátil se mistura a instrumentos acústicos e sons da própria natureza.

A curadoria aposta na fusão de gêneros como Jazz e Ambient, Hip Hop Instrumental, Downtempo e Texturas Contemporâneas Brasileiras. 

Serra

A escolha de Itaipava não é por acaso. Além do silêncio necessário para a concentração, a região carrega o DNA da música brasileira, tendo sido refúgio de ícones como Tom Jobim. O ambiente favorece workshops, sessões de escuta coletiva e a formação de grupos de criação que buscam mais do que apenas música, mas uma nova "reflexão estética".

A coreografia do afeto: Felipe Antunes lança "Dança do Universo"

 


Após três indicações ao Latin Grammy com o grupo Vitrola Sintética e uma consolidada carreira como diretor musical no teatro, o cantor e compositor Felipe Antunes apresenta seu novo álbum solo: Dança do Universo. O trabalho não é apenas uma coleção de canções, mas um percurso narrativo que investiga como os encontros cotidianos e a coletividade moldam a experiência humana nas grandes cidades.

O disco sucede o elogiado Embarcação e marca um deslocamento temático. Se no trabalho anterior o mar era a metáfora para as crises, aqui o foco está no asfalto, no corpo e no movimento. Com forte influência da MPB e do samba, Antunes propõe o que chama de "escuta compartilhada", transformando vivências íntimas em um manifesto sobre resistência e tempo.

Política e poesia

O álbum se destaca pela profundidade lírica, equilibrando o existencialismo com o protesto social. Na faixa-foco "Quem Tem Vida", o artista faz uma homenagem àqueles que cuidam da existência, questionando a intolerância. Já em "Eu Me Vingo da Tristeza", Antunes musicaliza a obra do poeta Oswaldo de Camargo, transformando o samba em uma ferramenta de alegria política.

Outro ponto alto é a faixa "O Tempo Uma Espiral", que dialoga com o conceito de "tempo espiralar", da pesquisadora Leda Maria Martins, propondo uma visão não linear da história e da vida.

Conexões

A trajetória de Felipe Antunes sempre foi marcada pela porosidade entre as artes. Atualmente à frente da direção musical da peça "Lia Lia" — estrelada por Bete Coelho e Camila Pitanga —, o músico traz essa bagagem dramatúrgica para o disco. A vocação para o diálogo também se reflete na faixa "Di Dia Ó Di Noti / De Dia, De Noite", que promove um encontro linguístico e cultural entre o Brasil e a Guiné-Bissau.

Realizado com apoio do ProAC/PNAB, Dança do Universo já está disponível em todas as plataformas digitais.

Claudio Salles une o orgânico ao IA em novo clipe: "Tribo de Jah"

 

Divulgação 

O cenário musical de Niterói ganha um novo marco de inovação nesta sexta-feira (8). O músico e videomaker Claudio Salles lança no YouTube o videoclipe de "Tribo de Jah", single que integra seu álbum, Depois do Caos. A obra é um exercício de contraste: enquanto o áudio celebra a instrumentação analógica, o visual mergulha no hiper-realismo da Inteligência Artificial.

O projeto se destaca pelo modelo 100% independente. Salles assume o controle total da cadeia produtiva, atuando como compositor, vocalista, diretor e editor. Ao dominar ferramentas de IA para criar cenários complexos e um avatar hiper-realista de si mesmo, o artista elimina intermediários e garante fidelidade absoluta à sua visão original.

Dualidade

Com raízes no rock e na MPB, a faixa prioriza a performance humana, ao incluir um time de peso: Cláudio Infante (bateria; Marcelo Martins (sax); Marlon Sette (trombone; além de arranjos de base de Igo Santiago e os metais de Daniel Cahon. 

Contrastando com o "suor" analógico da gravação, o clipe utiliza tecnologias de ponta para criar transições vertiginosas e universos virtuais impossíveis de serem reproduzidos em filmagens tradicionais.  

"A música traz a textura do analógico; o vídeo é a exploração das ferramentas do nosso tempo. É o ápice da produção independente", afirma Salles.

Serviço

Lançamento: Videoclipe "Tribo de Jah"


Data: 8 de maio de 2026

Onde assistir: [Canal Oficial no YouTube]

Onde ouvir: Já disponível em todas as plataformas de streaming via [Spotify].


quarta-feira, 6 de maio de 2026

Barra de São João vira a capital do Jazz e do Blues em maio

 

Fotos: divulgação 

Acordes que Impulsionam. Entre os dias 15 e 17 de maio (de sexta a domingo), o distrito de Barra de São João (RJ) será o epicentro de um dos encontros musicais mais aguardados do estado. A região recebe uma etapa do Circuito Sesc Jazz & Blues 2026, trazendo uma curadoria que une o virtuosismo brasileiro ao peso de vozes internacionais, tudo com acesso gratuito ao público.

O festival ocupará espaços icônicos com o Palco Pôr do Sol e o Palco Beirario, transformando a paisagem natural em um cenário de imersão sonora. A programação completa, que já pode ser conferida no perfil do Instagram do @sindicomercio_ro, destaca-se pela diversidade de estilos e pela qualidade técnica dos artistas selecionados.

Vitrine

O line-up deste ano promove encontros memoráveis. Entre os destaques nacionais, o gaitista Gabriel Grossi e a parceria entre Jefferson Gonçalves & Bittencourt Duo prometem apresentações intensas. A música instrumental ganha força com Dudu Lima, acompanhado por um time de mestres: Carlos Malta, Márcio Bahia e Leandro Scio.

O tempero internacional fica por conta das divas Laretha Weathersby e Tia Carroll, que trazem a autenticidade do blues norte-americano para as margens do Rio São João. O festival ainda conta com o quarteto de Mark Lambert, a energia da banda Jamz, além de Back in Blues, Cris Crochemore e o grupo Banzeiro.


O Circuito Sesc Jazz & Blues é realizado pelo Sesc RJ, com apoio do Sindicomércio e da Prefeitura de Casimiro de Abreu, sob a batuta da Azul Produções.

PROGRAMAÇÃO

15 a 17 de maio de 2026

Dia 15

Palco Beirario – a partir das 20h:

    * DJ Breno

    * Dudu Lima convida Carlos Malta, Márcio Bahia e Leandro Scio

    * Tia Carroll & Igor Prado

Dia 16

* Palco Pôr do Sol – a partir das 15h:

    * Banzeiro

    * Gabriel Grossi Trio – “Re Disc Over”

* Palco Beirario – a partir das 20h:

    * Mark Lambert Quartet – “Beatles em Jazz”

    * Laretha Weathersby & Bruno Marques Band

    * Cris Crochemore

Dia 17

* Palco Pôr do Sol – a partir das 15h:

    * DJ Breno

    * Jefferson Gonçalves & Bittencourt Duo

* Palco Beirario – a partir das 20h:

    * Back in Blues

    * Jamz

Bernardo Aguiar funde som e imagem em primeiro álbum solo

 

Foto: Daniel Lobo/divulgação 

Após três décadas de estrada e colaborações com gigantes da música brasileira e internacional, o percussionista e produtor Bernardo Aguiar dá um passo definitivo em sua trajetória autoral. No próximo dia 15 (sexta-feira), o artista lança Káminhos Benaguiá, um projeto que subverte a lógica tradicional da indústria, ao apresentar uma obra integralmente audiovisual, onde música e estética visual nascem de um mesmo DNA.

Conhecido por sua atuação de 20 anos no grupo Pife Muderno e parcerias com nomes como Guinga e Hermeto Pascoal, Aguiar assume em seu primeiro disco solo o papel de "arquiteto musical". Inspirado pela sinestesia de gênios como Naná Vasconcelos e Tom Jobim, ele não apenas compõe e toca, mas também assina a direção visual, edição e mixagem do projeto.

Narrativa

Em Káminhos Benaguiá, a percussão deixa de ser o acompanhamento para se tornar o eixo central. Ela dita não só o ritmo sonoro, mas também os cortes de câmera e as texturas das imagens. O trabalho é composto por "faixas audiovisuais" — e não apenas videoclipes — que incorporam sons da natureza, captados em expedições à Amazônia, criando uma experiência imersiva que flerta com o cinema.

"A música nasce do mundo, e não só do instrumento", afirma Bernardo, que buscou criar um universo onde o som sugere cor e a imagem reorganiza a escuta.


Conexões


O álbum reflete a versatilidade de um artista que transita entre as baterias das escolas de samba cariocas e o jazz contemporâneo. A lista de colaboradores é um capítulo à parte: na cena brasileira, colaborou com Carlos Malta, Silvério Pontes, Antonio Neves e Aline Paes. Lá fora, o intercâmbio estético ganha força com a participação de Michael League e Chris Bullock, integrantes da banda vencedora do Grammy Snarky Puppy.

Disponível no YouTube a partir de meados de maio, o projeto convida o público à escuta atenta, combatendo o consumo fragmentado da era digital. Com Káminhos Benaguiá, Bernardo Aguiar reafirma seu papel como um dos produtores mais inventivos da música brasileira atual, posicionando a percussão no epicentro da criação contemporânea.

Musical celebra Dalva de Oliveira e o legado de Renato Borghi em São Paulo

 

Fotos: João Caldas/divulgação 

Se estivesse viva, Dalva de Oliveira celebraria seu aniversário nesta quarta-feira (6). Mas o presente quem recebe é o público paulistano: o musical "Minha Estrela Dalva" segue em temporada no Teatro do SESI-SP, na Avenida Paulista, com entrada franca. O espetáculo é uma ode à mulher que a história batizou de "Rouxinol Brasileiro", mas que o tempo revelou como um dos maiores símbolos de resistência feminina da nossa cultura.

Escrito e estrelado por Renato Borghi, o musical não apenas narra a trajetória da Rainha do Rádio, mas celebra a relação pessoal e mística entre o ator — que completa 89 anos — e sua diva. Através da voz de Soraya Ravenle, o palco revive a potência de uma artista que navegava entre o contralto e o soprano, com uma facilidade impressionante, tornando-se o alicerce para vozes como Elis Regina, Ângela Maria e Gal Costa.

Força

O espetáculo revisita clássicos imortais como Ave Maria e Que Será, mergulhando na crueza da mulher por trás do mito. Dalva foi uma força da natureza, em uma época em que a liberdade custava caro. "Eu não tenho dono", o mantra que atravessa a peça, resume a postura de uma artista que transformou o linchamento público e as dores do amor, em beleza pura, abrindo caminhos em uma sociedade que tentava silenciá-la.

O jogo cênico proposto por Borghi e pelo diretor Elias Andreato coloca o Renato de hoje frente a frente com sua versão jovem (vivida por Elcio Nogueira Seixas), enquanto Ravenle "convoca" Dalva, fugindo da imitação para alcançar a alma da mulher que desafiou o moralismo com a garganta em chamas.

Conexão

Com sete músicos ao vivo e a participação de Ivan Vellame, a montagem traça o percurso de Borghi: do menino de seis anos fascinado pela vitrola ao artista consagrado que se tornou confidente da estrela, pouco antes de sua partida. É um "delírio documentado", que une o glamour da era de ouro do rádio ao teatro político e visceral.

SERVIÇO


"Minha Estrela Dalva”

Temporada: Até 12 de julho.

Onde: Teatro do SESI-SP (Centro Cultural Fiesp – Av. Paulista, 1313).

Sessões: Quinta a sábado, às 20h; domingos, às 19h.

Ingressos: ENTRADA GRATUITA (reservas pelo site [sesisp.org.br/eventos](http://www.sesisp.org.br/eventos)).

Acessibilidade: Libras e audiodescrição em todas as sessões de sábado e domingo.

Duração: 90 minutos | Classificação: 14 anos.

Elton John é a música que preenche a dor

Foto: reprodução/YouTube    Por Marcos Vinicius Cabral  A primeira vez que ouvi Elton John foi com Little Jeannie, em 1980. Eu tinha entre s...