sábado, 1 de agosto de 2026

Biografia resgata legado de Mario Travassos para a cultura de Niterói

Obra de Pedro de Luna será lançada na quinta (6), no Cine Arte UFF, reunindo literatura, cinema e homenagens ao músico 


Foto: reprodução/redes sociais

O Cine Arte UFF, em Niterói, será o palco do lançamento do livro “Mariestro: um tributo ao gigante Mario Travassos”, na próxima quinta-feira (6), das 19h às 22h. Escrita pelo jornalista e biógrafo Pedro de Luna, a publicação celebra a trajetória e a vasta produção artística do músico e artista plástico, cumprindo, também, um papel de denúncia social, ao resgatar a verdade sobre as circunstâncias de sua morte prematura, na Clínica da Gávea, Zona Sul do Rio.

O evento, com entrada franca, vai além da sessão de autógrafos. A programação cultural conta com a exibição do documentário “Amor e Luz” (2020), dirigido por Chico Serra Grande, que reconstrói os caminhos de Mario, ao longo de 35 minutos, a partir de acervos de áudio e vídeo, registrados pelo próprio artista e por seus parceiros de bandas e projetos musicais. Na mesma noite, o público também poderá conferir na grande tela do cinema a projeção dos videoclipes “Amor e Luz” e “Então chegou o Natal”, que marcam os últimos trabalhos audiovisuais finalizados pelo homenageado.

Justiça

A iniciativa de eternizar a história de Mario partiu de sua mãe, Luisa Travassos — viúva do ex-vice-prefeito de Niterói, Eduardo Travassos (falecido em 2015). Movida pelo desejo de contrapor as versões iniciais divulgadas na época do falecimento do filho, ela convidou Pedro de Luna para liderar a pesquisa e a redação do livro.

Conhecido por biografar grandes ícones da música e da política brasileira — como as bandas Planet Hemp e Mundo Livre S/A, além do deputado Chico Alencar —, Luna manteve uma amizade pessoal com Travassos, desde a década de 1990.

Tragédia

Como pano de fundo histórico para a obra está o trágico caso ocorrido em 13 de julho de 2017, quando Mario Travassos morreu, aos 39 anos, na Clínica da Gávea. Ele havia se internado voluntariamente na noite anterior, para tratar de insônia e problemas respiratórios. Ao tentar sair no dia seguinte, acabou contido com violência por funcionários.

A investigação da Divisão de Homicídios do Rio de Janeiro, concluída em março de 2018, provou que a versão de complicações naturais não se sustentava: o laudo pericial constatou agressões, dentes quebrados, fraturas no crânio e asfixia. O caso culminou no indiciamento de um enfermeiro e de um técnico de enfermagem por homicídio culposo, além de dois funcionários por falso testemunho e obstrução das investigações.


Serviço



  • Livro: “Mariestro: um tributo ao gigante Mario Travassos” (Ilustre Editora, 104 páginas), de Pedro de Luna.
  • Data e Horário: Quinta-feira, 6 de agosto, das 19h às 22h.
  • Local: Hall do Cine Arte UFF — Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí, Niterói/RJ.
  • Entrada: Franca (Sessão de autógrafos e exibição do documentário e clipes).

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Social Distortion volta ao Brasil após 16 anos

Lenda do punk californiano se apresenta em São Paulo e Curitiba em novembro com a turnê do aclamado álbum Born to Kill


Foto: divulgação

O jejum acabou. 16 anos de espera chegam ao fim em novembro. A produtora Solid Music confirmou o retorno da lendária banda norte-americana Social Distortion ao Brasil, para duas apresentações históricas: dia 14 de novembro, no Vibra, em São Paulo, e no dia 15, na Live, em Curitiba. Os ingressos começam a ser vendidos nesta terça-feira (28), pela plataforma 101 Tickets.

Diferentemente de uma simples turnê nostálgica, o quarteto liderado por Mike Ness desembarca no país em plena forma. O grupo divulga Born to Kill, lançado em maio, pela Epitaph Records — seu primeiro trabalho de inéditas, em 15 anos. Aclamado pela crítica internacional como um dos grandes lançamentos do rock em 2026, o álbum reafirma a assinatura única da banda: a fusão visceral do punk rock de Orange County com blues, country e rockabilly.

Lançado originalmente em 1978, o Social Distortion construiu um legado ímpar ao lado de clássicos como "Story of My Life", "Ball and Chain" e a icônica versão de "Ring of Fire". Agora, os fãs brasileiros finalmente poderão ver de perto o reencontro entre a voz marcante de Ness e as guitarras afiadas que moldaram gerações.


  • São Paulo (SP)
    • 📅 Data: 14 de novembro de 2026
    • 📍 Local: Vibra (Av. das Nações Unidas, 17955)
    • 🎟️ Vendas: 101tickets.com.br
  • Curitiba (PR)
    • 📅 Data: 15 de novembro de 2026
    • 📍 Local: Live (Rua Itajubá, 143)
    • 🎟️ Vendas: 101tickets.com.br

 

Rio das Ostras recebe maratona musical e gastronômica gratuita neste fim de semana

 

Dinho Oliveira. Foto: divulgação

A Lagoa do Iriry promete se transformar no grande ponto de encontro de Rio das Ostras, entre os dias 30 de julho e 2 de agosto. A 2ª edição do Festival Gastronômico reúne o melhor da culinária regional com uma maratona de shows gratuitos, celebrando a cultura e o turismo local, em um ambiente pensado para toda a família.

Com uma curadoria que valoriza talentos da região, a programação musical se divide entre as tardes e noites do evento. A abertura, na quinta-feira (30), fica por conta do pop rock do The Crocodiles, às 19h, seguido por Robson Farah, às 21h. Na sexta-feira (31), Dinho Oliveira e Tibi sobem ao palco nos mesmos horários.

The Crocodiles. Foto: divulgação.

O fim de semana chega com maratona ampliada. O sábado (01/08) começa cedo, às 11h, sob o comando do DJ Tássio Duarte, e segue com apresentações de Cláudia Falcão, Lu Oliveira e o encerramento de Luan Schuenckel, às 22h. No domingo (02/08), a despedida traz nomes como Jac Esteves, o projeto Segundo Set Instrumental, Sérgio Meireles & Vintage Waves e o show da banda Black Doze, que fecha o festival.

Segundo o produtor do evento, Paulo Moreira, a proposta é integrar boa comida, música de qualidade e o cenário natural da lagoa em uma experiência completa para moradores e visitantes.

🌊 2º FESTIVAL GASTRONÔMICO DE RIO DAS OSTRAS │

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📍 Local: Lagoa do Iriry (Rio das Ostras/RJ) │

📅 Data: 30/07 a 02/08 (Quinta a Domingo) │

🎟️ Ingresso: Catraca livre (Entrada Gratuita) │

🏢 Realização: Núcleo Gourmet | Sindicomércio | │

│ Like Produtora

A arte sobrevive ao fogo


Paulinho Moska realiza show com violões resgatados de incêndio do Museu Nacional

Fotos: divulgação

Acorde das cinzas. O incêndio que devastou o Museu Nacional em 2018 levou consigo séculos de história, mas não conseguiu silenciar a capacidade humana de reinvenção. Nos dias 1º e 2 de agosto, sábado e domingo, o cantor e compositor Paulinho Moska sobe ao palco do Teatro Nelson Rodrigues, na CAIXA Cultural RJ, para provar exatamente isso. Com o espetáculo "Os Violões Fênix do Museu Nacional", o artista transforma os vestígios de uma tragédia nacional, em poesia pura.

A premissa do show é simbólica: Moska dará voz a dois violões forjados a partir de madeiras de mais de duzentos anos, resgatadas diretamente dos escombros do museu. A alquimia foi feita pelo subtenente dos bombeiros e luthier Davi Lopes, que, após atuar no combate às chamas, decidiu que aquelas madeiras — que já haviam sido árvores e móveis históricos — teriam uma terceira vida: a de instrumentos musicais.

O espetáculo propõe uma imersão completa. Antes dos primeiros acordes, o público assistirá a 15 minutos do documentário "Fênix – O Voo de Davi", que narra a epopeia da construção dos instrumentos e conta com a música "Tudo Novo de Novo", de Moska, como fio condutor.



Logo após, o cantor assume o palco para revisitar seus mais de 30 anos de carreira. Com o auxílio de microfones de alta definição para captar a acústica centenária da madeira sobrevivente, Moska desfilará sucessos como "Último Dia", "A Seta e o Alvo" e "A Idade do Céu". O repertório ainda guarda uma surpresa: a interpretação de "A Dor Traz o Presente", clássico de Pixinguinha que ganhou letra inédita escrita pelo próprio Moska.

Mais do que um simples concerto de MPB, a apresentação é um testamento sonoro da resiliência. Nas palavras do artista, a noite representa “uma grande metáfora da vida, que precisa ser transformada e renovada em seu sentido.”

PAULINHO MOSKA

Os Violões Fênix do Museu Nacional

📅 1º e 2 de agosto (Sáb e Dom) | 18h

📍 Teatro Nelson Rodrigues (Av. Rep. do Paraguai, 230 - Centro)

🎟️ Ingressos: R$ 15 a R$ 40

🤟 Libras: Sessão de 1º/08

🔞 Classificação: 14 anos

 

domingo, 26 de julho de 2026

HEADSPAWN antecipa novo EP e anuncia primeira turnê europeia

Foto por Renata Luna (@renata_luna_). Divulgação

 


Resistência e evolução. O trio paraibano HEADSPAWN abriu um capítulo decisivo em sua trajetória. Prestes a lançar o conceitual EP Samsara (previsto para 7 de agosto), a banda divulgou o single e lyric video de "Hive Of Ghouls", faixa que aprofunda uma sonoridade mais densa e madura, mesclando Heavy, Groove, Sludge e Doom Metal a uma atmosfera introspectiva.

Produtora do novo trabalho, a obra propõe uma imersão conceitual pelas dores humanas ao longo de cinco faixas. Em "Hive Of Ghouls", o foco recai sobre a desumanização e a perda da individualidade frente às pressões da sociedade moderna. "É uma música sobre perder a humanidade justamente por tentar sobreviver em um ambiente que rejeita qualquer forma de individualidade", resume o vocalista e guitarrista Alf Cantalice.



Além do avanço musical, o grupo formado por Alf, J.P. Cordeiro (baixo) e Marconi Jr. (bateria) celebra um marco histórico: sua primeira turnê pela Europa. Para viabilizar os custos de deslocamento, hospedagem e registros em vídeo para a série Na Estrada (do canal Music Box Brazil), a banda independente abriu uma campanha de financiamento coletivo na plataforma Kickante.

As contribuições para apoiar a circulação internacional do metal nordestino podem ser feitas pelo site oficial do projeto no Kickante.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Dança em trânsito transforma o Rio em vitrine internacional

Fotos: divulgação 


O mundo de olho nos nossos passos. Imagine ver o melhor da dança contemporânea brasileira, reunido, no mesmo festival — e ainda presenciar o momento exato em que nossos talentos ganham o mapa-múndi. Entre os dias 4 e 11 de agosto, a 24ª edição do Dança em Trânsito ocupa o Rio de Janeiro com a mostra Cena Brasil: uma vitrine da dança brasileira, trazendo a promessa de mover teatros, praças e novos horizontes.

Ao todo, 20 companhias e artistas vindos de 10 estados brasileiros sobem aos palcos cariocas. Mas o tempero especial desta edição está na plateia: programadores, curadores e diretores de festivais de oito países — como Coreia do Sul, França, Espanha e Luxemburgo — desembarcam na cidade buscando atrações para o circuito global.

"A vinda desses programadores cria uma ponte direta entre os festivais internacionais e a produção contemporânea no Brasil, tão diversificada, mas muitas vezes sem acesso ao circuito fora do país", destaca Giselle Tápias, diretora artística do evento, ao lado de Flávia Tápias.


A maratona cultural transita com fluidez entre os palcos fechados e a arte ao ar livre, oferecendo ingressos a preços populares de R$ 20 (com opção de meia-entrada a R$ 10) e diversas performances gratuitas. A jornada começa no Espaço Tápias, na Barra, com o projeto Janelas para o Mundo, promovendo debates com nomes de peso como Lee Jong-Ho, do festival sul-coreano SIDance, e Bernard Baumgarten, de Luxemburgo.

Na sequência, palcos icônicos como o Teatro Municipal Carlos Gomes, o Teatro Nelson Rodrigues e o Teatro João Caetano passam a receber companhias consagradas. Entre os destaques estão a Márcia Milhazes Companhia de Dança, a Cisne Negro — que traz curadoria musical de Anelis Assumpção — e a Quasar Cia de Dança, apresentando o espetáculo Céu de Pêssego em sua turnê nacional.

A arte também toma as ruas no domingo, dia 9, quando a Praça Mauá, em frente ao Museu do Amanhã, vira um grande palco aberto, a partir das 16h. O público poderá conferir gratuitamente sete atrações imperdíveis, que misturam o som do Bloco Turbilhão Carioca, ritmos regionais, frevo e os resultados das residências artísticas. Para encerrar o festival com chave de ouro, no dia 11, a companhia sul-coreana LEE K Dance Company apresenta HIYA – All the worlds, uma obra técnica e poética que integra até a maquinaria do próprio teatro à coreografia.

Para conferir a programação completa e garantir seus ingressos, acesse o site oficial em dancaemtransito.com.br.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

De Leoni a Negra Li, grandes nomes da música movimentam Barra de São João

 

Leoni, Negra Lee e Thiago Martins estão na programação do próximo final de semana em Barra de São João. Foto: Assessoria de Imprensa

O próximo fim de semana promete transformar Barra de São João em um verdadeiro caldeirão de cultura, música e alta gastronomia. Entre os dias 24 e 26 de julho, de sexta a domingo, o charmoso distrito de Casimiro de Abreu sediará, simultaneamente, a 30ª edição do tradicional Festival de Crustáceos e Frutos do Mar e o prestigiado Festival Sesc de Inverno 2026. Com entrada franca, a maratona de eventos reúne estrelas da música nacional, talentos locais, competições culinárias e atividades ao ar livre.

A celebração une a tradição gastronômica da região — mantida pela Prefeitura de Casimiro de Abreu — à força do projeto cultural promovido pelo Sesc RJ, em parceria com o Sindicomércio local. O resultado é um line-up diversificado, que promete movimentar a economia e o turismo do litoral fluminense.


Música

Os holofotes do palco principal receberão grandes nomes do cenário nacional, durante as três noites de festa:

Sexta-feira (24): O mestre do pop rock Leoni comanda a noite de abertura a partir das 23h, embalando o público com seus clássicos.

Sábado (25): A voz marcante da cantora Negra Li ecoa pelo distrito, às 22h, trazendo o ritmo e a potência do R&B e do hip-hop nacional.

Domingo (26): Para fechar com chave de ouro, o cantor e ator Thiago Martins sobe ao palco às 21h, com muito samba e balanço.


Gastronomia


Muito além das grandes atrações noturnas, o evento oferece uma imersão completa, ao longo do dia. Os amantes da boa mesa poderão acompanhar o Festival Melhor Prato, degustações gratuitas de iguarias como o tradicional guaiamum e a valorização da culinária marinha local.

Para quem busca energia e contato com a natureza, as manhãs contam com a Copa de Canoa Makai e uma Caminhada Turística guiada. O som não para em nenhum momento, com apresentações contínuas de artistas da região passeando por gêneros como MPB, blues, forró e rock.


🗓️ Confira a Programação Completa

Sexta-feira — 24 de Julho

18h30 – Gibão no Blues

19h30 – Abertura Oficial

20h30 – Day e Marimba

23h00 – Leoni (Festival de Crustáceos)


Sábado — 25 de Julho

12h00 – MangueSal

14h00 – Fernando Otz

14h00 – Degustação de Guaiamum

15h00 – Concurso "Melhor Prato"

16h00 – Alyne – Mandacaru In Trio

17h00 – Premiação do Melhor Prato

18h00 – Capitão X

20h00 – Aline Vitorino

22h00 – Negra Li (Festival Sesc de Inverno)

00h00 – Banda Blue Jeans


Domingo — 26 de Julho

08h00 – Copa de Canoa Makai

08h00 – Caminhada Turística

12h00 – Tallita Fraga

14h00 – Beta

16h00 – KM 50

17h00 – Celsinho

18h30 – Léo Victor

21h00 – Thiago Martins (Festival Sesc de Inverno)

terça-feira, 21 de julho de 2026

Nem tango, nem futebol: a argentina que conquistou o chão sagrado do Cacique de Ramos

 

Fotos: divulgação/Ascom

Uma conversa sobre raízes litorâneas, a emoção de pisar no templo sagrado do samba, superação e o desejo de deixar um legado sem fronteiras para a música brasileira

Saulo Andrade
Para quem observa de fora, a união entre a Argentina e o samba pode parecer inusitada. Mas, para a cantora e compositora Ale Maria, essa ponte foi construída de forma natural, com paixão pela cadência bonita do samba e do carnaval, desde a infância, em Mercedes, na província de Corrientes, Argentina.

Consolidada no cenário carioca, após abençoadas passagens pelo Cacique de Ramos e com participações marcantes em escolas de samba e palcos emblemáticos como o Museu do Samba, a artista prepara-se para o seu próximo grande momento: o show no Clube ASPOM-RJ, em Piedade, Zona Norte do Rio, no dia 8 de agosto, sábado, junto ao grupo Caciqueando.

Nesta entrevista, Ale repassa sua trajetória, reflete sobre as batalhas do cotidiano musical e projeta o futuro de sua arte.

Cena da Música Independente (CMIND): Ale, o seu primeiro contato com o samba e o carnaval aconteceu ainda na infância, em Corrientes. Para os brasileiros que costumam enxergar a Argentina apenas pela ótica do tango portenho, como é essa atmosfera rítmica do interior do seu país e de que forma ela pavimentou o seu caminho até as rodas cariocas?



Ale Maria: Eu fui criada em Mercedes, Corrientes, e morei lá até os meus 18 anos. Na minha cidade, que fica no centro da província, e nas cidades ao redor, todo mundo vive o carnaval com bateria, escolas de samba e samba-enredo. Algumas escolas interpretam músicas locais, mas a maioria tem o seu próprio samba-enredo e desfila exatamente como no Rio de Janeiro, falando sobre a história do país ou temas da humanidade. Para mim, essa cultura brasileira e argentina se parece muito. O carnaval já existia por lá antes e, quando o samba entrou, transformamos esses desfiles, muito pela proximidade com Uruguaiana e o Rio Grande do Sul. Então, posso dizer que o carnaval com bateria e escola de samba sempre esteve na minha raiz. Desde criança, eu fazia questão de me fantasiar, dançar, desfilar e viver essa festa.

CMIND: Uma das suas primeiras e mais marcantes experiências no Rio foi a chegada ao Cacique de Ramos, levada pelo seu irmão, o músico Henrique Fubba. Como foi pisar naquele chão sagrado e, principalmente, receber o acolhimento de uma entidade como o Bira Presidente?

Ale Maria: Lembro como se fosse hoje. O Henrique Fubba me chamou para conhecer o Cacique, mas eu nunca imaginei que, logo na primeira vez pisando ali, eu iria cantar. A emoção foi tão grande que, quando subi ao palco, eu não parava de chorar. Tive que parar, respirar e falar pra mim mesma: "se acalma e faz o que você sabe fazer". Eu não tinha muita experiência em rodas de samba no Rio, ainda, mas me entreguei por inteiro. Foi maravilhoso: as pessoas sentiram essa verdade. Quem me deu essa oportunidade inicial foi o Ronaldo, um dos diretores, a quem sou eternamente grata e que sempre me acolhe. Foi ele quem me apresentou ao Bira Presidente. O Bira acabou virando meu fã, ao ver o carinho e o respeito que os argentinos têm pelo samba. Ele gostava de ouvir minhas histórias, de como eu já conhecia, no meu país, o Fundo de Quintal; Beth Carvalho; Jorge Aragão e Arlindo Cruz. Ele fazia questão de estar nos meus shows, dançando o famoso miudinho dele. Tenho uma proximidade gigante com o Cacique, desde os meus primeiros dias no Rio.



CMIND: Você tem um trabalho autoral muito focado em construir pontes, gravando composições próprias como "O Samba em Primeiro Lugar" e "De Samba em Samba", além de trazer clássicos traduzidos e sambas-enredo interpretados em espanhol. Quais são os pontos de convergência mais profundos entre a alma musical argentina e a brasileira? O que as une e as irmana nos palcos?

Ale Maria: Nas minhas composições, eu faço questão de trazer o que a minha alma pede: falar de amor, de união e de respeito pelo samba. Esse é um sentimento que abraça o povo argentino, na hora de cantar samba. Nós respeitamos profundamente a história e a origem do samba, sabendo que ele é brasileiro, mas também temos muita criação e composição própria em espanhol por lá. No palco, o que nos une é essa reverência. Queremos honrar essa arte que já se tornou parte da nossa cultura também. Existe a famosa rivalidade no futebol, mas na música a união entre as nossas culturas é muito forte. O samba une as pessoas e quebra barreiras.

CMIND: A sua trajetória no Rio de Janeiro é o retrato fiel da persistência de um artista independente. O público te vê hoje brilhando nos palcos, mas você já encarou muitas batalhas no cotidiano — desde vender bijuterias nas praias cariocas, trabalhar como garçonete, dar banho em pets, durante a pandemia, até produzir e vender suas próprias empanadas argentinas por encomenda. Como essas vivências moldaram a sua interpretação artística? O samba exige essa "casca" da vida real?

Ale Maria: Com certeza. Eu já fiz de tudo um pouco, aqui no Rio: vendi bijuteria na praia, trabalhei como garçonete, atuei em pet shop, pós-pandemia, e hoje vendo empanadas artesanais por encomenda. Além disso, no próprio meio musical, eu sempre fui a produtora dos meus shows e a técnica que passava o som e chamava os músicos. Durante muito tempo, era difícil me enxergar plenamente como essa artista capaz de viver exclusivamente da sua paixão. Mas hoje estou em um processo de virada de chave. Estou consciente da minha capacidade e focada em viver da minha arte. Todas essas experiências me deram a maturidade necessária para encarar o palco de frente.

CMIND: Olhando para o futuro e para este novo momento que se consolida com o show do dia 8 de agosto no ASPOM-RJ, qual é a mensagem e o legado que você quer deixar para o samba, daqui para a frente?

Ale Maria: Esse novo projeto no ASPOM é a realização de um desejo de mostrar tudo o que carrego comigo. Assim como mostrei no espetáculo "O Samba Nasceu em Mim" no Museu do Samba, eu estou cheia de sonhos, amor e respeito pelos mestres que vieram antes. Chegou a hora de começar a deixar o meu legado. O samba é uma força viva que precisa continuar se expandindo pelo universo. Ele merece respeito, mas também merece quebrar fronteiras e preconceitos de quem ainda não enxergou a sua potência total. O samba merece essa expansão, e eu estou pronta para colocar a minha voz e a minha história nesse lugar de destaque que a arte merece.

SERVIÇO: Caciqueando com Ale Maria e Convidados



  • Data: 8 de agosto de 2026 (sábado)
  • Horário: A partir das 17h
  • Local: Clube ASPOM-RJ (Av. Dom Hélder Câmara, 8484 – Piedade, Rio de Janeiro)
  • Atrações: Ale Maria, grupo Caciqueando (diretamente de Ramos), convidados especiais e show de passistas
  • Gastronomia: Comida de boteco
  • Ingressos e Informações: Venda antecipada pelos telefones (21) 97662-7744 / (21) 96553-9966 ou pelo Instagram @alemariashow

Raízes nordestinas no litoral

 

As Forroseiras. Foto: divulgação



O Cepro (Centro Cultural de Educação Popular de Rio das Ostras) realiza, entre os dias 24 e 26 de julho (de sexta a domingo), o 5º Arraiá do Cepro, no bairro Âncora. Com entrada gratuita, a festa homenageia o escritor Ariano Suassuna, sob o tema “Saberes do Povo, Cultura Popular, Território e Raízes Nordestinas”.

A programação abre na sexta (24), a partir das 17h, com as exposições “A Festa Junina na Arte Brasileira” e uma mostra sobre Suassuna, seguida pelo show do grupo As Forroseiras.
No sábado (25), a partir das 18h, apresenta-se a Quadrilha da Tia Joana, com forró ao vivo.

 No encerramento, domingo (26), das 13h às 18h, o evento conta com um concurso de cordel, a apresentação musical de Du Capim, a Quadrilha Cênica Produção Teatro Variável, além de brincadeiras infantis.

 O espaço contará ainda com barracas de comidas e bebidas típicas durante todos os dias.

Serviço

  • Evento: 5º Arraiá do Cepro — Homenagem a Ariano Suassuna
  • Quando: 24, 25 e 26 de julho
  • Horários: Sexta (17h às 23h), Sábado (18h às 00h) e Domingo (13h às 18h)
  • Onde: Sede do Cepro — Av. das Flores, nº 394, Âncora, Rio das Ostras (RJ)
  • Entrada: Gratuita

Paula Brito finca bandeira do feminejo no RJ

Foto: divulgação/ascom



Natural de Rio Bonito (RJ), a cantora e jornalista Paula Brito vem se consolidando como um dos principais nomes do sertanejo na Região Metropolitana e na Região dos Lagos fluminense. Com 13 anos de carreira profissional, a artista iniciou sua trajetória na infância, aos sete, e mais tarde aprimorou seu talento, com a graduação em Canto Popular no Conservatório de Música de Niterói.

Inspirada pelas modas de viola que ouvia do pai e fortalecida pela onda do "feminejo", Paula celebrou recentemente seu aniversário e trajetória, na primeira edição da “Festa da Patroa” — um evento de oito horas de show que, dado o sucesso de público, deve virar um circuito itinerante pela região.

Além da presença constante nos palcos fluminenses e em estados como São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul, a artista colhe frutos no ambiente digital: seu single autoral "Chumbo Trocado" soma mais de 13 mil execuções no Spotify e 31 mil views no YouTube. Embaixadora da 7ª Cavalgada das Patroas, agendada para 8 de agosto, Paula atualmente prepara o lançamento do seu primeiro registro audiovisual, previsto para este ano, mantendo como foco principal a conexão orgânica com o público.


segunda-feira, 20 de julho de 2026

Música clássica e inclusão ocupam palco da Sala Cecília Meireles

 

Foto: Daniel Ebendinger/divulgação

Encontro de gerações. O diálogo entre a maestria de nomes consagrados e a força da nova safra de instrumentistas do Rio de Janeiro ganha destaque em apresentação única, no dia 8 de agosto, sábado, às 17h, na Sala Cecília Meireles. Promovido pela Ação Social pela Música do Brasil, o espetáculo "Encontro de Gerações" reúne, no mesmo palco, a Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro (OSJRJ), o maestro Guilherme Bernstein e a aclamada pianista Maria Helena de Andrade.

Com mais de seis décadas dedicadas ao ensino e à interpretação musical, a pianista Maria Helena de Andrade celebra seus 80 anos como solista do clássico Concerto da Coroação, de Mozart. A regência do concerto fica a cargo do maestro Guilherme Bernstein, professor de Regência da UNIRIO.

O programa da noite celebra diferentes eras da música erudita. Na abertura, Catedral de Luz, do compositor brasileiro Alexandre Schubert. A primeira parte do evento conta com o Concerto de Coroação (Mozart), com solo de Maria Helena de Andrade; além de, na segunda, Dumbarton Oaks (Igor Stravinsky) e Appalachian Spring (Aaron Copland), representando o neoclassicismo do século XX.

Além do rigor técnico, o concerto carrega um forte impacto social. A OSJRJ — orquestra residente da PUC-Rio e dirigida por Fiorella Solares — é composta prioritariamente por jovens talentos vindos de comunidades do estado do Rio, consolidando-se como um dos principais projetos de formação orquestral e transformação social do país.

📍 Serviço

  • Evento: Concerto Encontro de Gerações
  • Atrações: Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro | Guilherme Bernstein (regência) | Maria Helena de Andrade (piano)
  • Data e Horário: 8 de agosto de 2026 (sábado), às 17h
  • Local: Sala Cecília Meireles (Rua da Lapa, 47 – Lapa, Rio de Janeiro)
  • Duração: 90 minutos
  • Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia) — à venda na bilheteria do local e online.

 

Biografia resgata legado de Mario Travassos para a cultura de Niterói

Obra de Pedro de Luna será lançada na quinta (6), no Cine Arte UFF, reunindo literatura, cinema e homenagens ao músico   Foto: reprodução/re...