
Fotos: divulgação/redes sociais
Unindo clássicos
caribenhos à essência da música brasileira, projeto, que nasceu despretensioso
no interior fluminense, hoje ocupa as praias do Rio e palcos históricos
Por Saulo Andrade
A orla extensa e o sol inclemente do Rio sempre guardaram semelhanças
geográficas e espirituais com Kingston, a capital da Jamaica. Mas faltava à
cidade um movimento que traduzisse o skanking – o passo clássico do ska –
para o pé na areia do carioca. Não mais. Isso porque, em 2015, um grupo de
amigos de Barra do Piraí (RJ) teve a ideia de, numa mesa de bar, reunir a
rapaziada para tocar clássicos jamaicanos, em formato acústico.
E o que começou
como um brinde entre amigos, no interior fluminense, atravessou a pandemia,
ganhou o reforço de outros músicos da capital, sob a batuta de Paulo Monnerat,
e encontrou guarida nos quiosques das praias do Rio. Hoje, a Roda de Ska é um
coletivo que chega a reunir mais de 15 artistas, transformando o Alalaô Kiosk,
no Arpoador, e o Ginga, no Leme, em autênticos redutos do ritmo caribenho.
A força do chão
Um desses fundadores é o dentista de profissão e ukelelista por paixão Leonardo Villa Verde, o Léo Murunga; para quem o pulo do gato do projeto é a subversão do palco. De acordo com o músico, ao adotar o formado de roda, tradicionalmente associado ao samba, o grupo rompe fronteiras artísticas:
"A interação e o calor do público ali, coladinho, nós ainda não conseguimos reproduzir, sem ser nesse formato de roda no chão".
Léo acrescenta que essa proximidade permite que o improviso dite o tom, criando uma fusão, onde o público não é apenas espectador, mas parte integrante da orquestra.
A pressão sonora é um capítulo à parte. Sem nunca terem realizado um único ensaio formal, os artistas confiam no talento de um "naipe de respeito", composto por nove metais (trombones, saxofones e trompetes). O risco é o combustível: quando uma música nova entra no setlist, músicos e público descobrem o resultado juntos, em tempo real.
Identidade, ocupação e diversidade
Na estratégia de popularizar o ska por aqui, o repertório é de fato uma ponte que interliga o Brasil à terra de Bob Marley. Isso passa por “jamaicanizar” o que o brasileiro já gosta, musicalmente. As apresentações vão de clássicos de Jimmy Cliff a The Specials, passando por releituras de Tim Maia e Jorge Ben Jor.
Essa autenticidade atraiu nomes de peso. De participações da saudosa Preta Gil ao ícone internacional Chris Murray, o projeto viveu um ápice recente, ao receber, no último domingo (12), B-Negão na areia, numa apresentação movida pela pura generosidade artística. "Ele colou com a gente para fazer um som na praia, sem cachê, só pelo prazer da diversão", recorda Murunga.
Além do entretenimento, a Roda de Ska se tornou um catalisador de ocupação cultural. O sucesso do grupo abriu portas para que outros ritmos, como a cumbia, a salsa e o afrojazz, também conquistassem espaço nos quiosques. "Há muita arte além de samba e sertanejo, que o público tem o direito de conhecer", defende o fundador.
Com um single já lançado, o grupo agora foca na captação de recursos para registrar em estúdio quatro novas canções, consolidando a trabalho num EP oficial. Enquanto o álbum não vem, o compromisso permanece o mesmo: manter o ska vivo, democrático e, acima de tudo, com o “pé na areia, a caipirinha, a água de coco e a cervejinha” do carioca.














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