quinta-feira, 14 de maio de 2026

Sonoridades do passado invadem o palco do Municipal de Niterói

 

Fotos: divulgação

Theatro recebe concerto inédito, com instrumentos originais do século dezoito, e abre temporada inspirada na história e na botânica

O Theatro Municipal de Niterói abre suas portas para uma verdadeira expedição histórica, na próxima quarta-feira (20) de maio, às 19h. O palco do projeto Quartas Clássicas recebe o conceituado Ensemble PHOENIX para o concerto comentado Plantas Exóticas, espetáculo que marca a aguardada estreia no Brasil da temporada Viagem no Tempo, após anos de apresentações aclamadas no exterior. O grande diferencial da noite fica por conta dos instrumentos de época, utilizados pelo grupo, incluindo relíquias originais construídas ainda no século dezoito.

Jardins barrocos

A proposta artística foi idealizada pela maestrina Myrna Herzog como uma jornada turística pelos séculos passados, tendo a sonoridade única desses instrumentos históricos como combustível principal. O programa da noite revela um lado curioso da vida do compositor alemão Georg Philipp Telemann, que mantinha uma intensa paixão pela botânica. Em suas cartas com colegas famosos como Haendel e Graun, a troca de ideias musicais dividia espaço com o envio de bulbos e mudas raras, de várias partes do mundo.

Inspirado por esse elo entre a arte e as ciências naturais, o repertório apresenta uma suíte floral de James Oswald dedicada a espécies que floresciam no jardim de Telemann, como jacintos e anêmonas, além de saudar a flora brasileira por meio de obras contemporâneas de Eduardo Antonello e Antonio Callado. No palco, Myrna Herzog comanda a viola de gamba ao lado de Tomaz Soares, no violino barroco; Gabriel Ferrante, na flauta transversa barroca; Fernando Thebaldi, na viola barroca; e Eduardo Antonello, dividindo-se entre o cravo e o órgão.

Música antiga



Criado originalmente em Israel, no ano de 1998, e hoje sediado também na capital fluminense, o Ensemble PHOENIX se consolidou como uma autoridade mundial em música antiga. O conjunto transita com maestria por partituras que vão da Idade Média ao início do século dezenove e acumula dezenas de registros fonográficos e audiovisuais. Além do prestígio global, os músicos desempenham um papel afetivo na preservação da memória nacional, sendo responsáveis pela única gravação no mundo do Credo de autoria do Imperador Dom Pedro Primeiro, executada com a instrumentação histórica adequada.

Toda essa engrenagem musical é liderada por Myrna Herzog, profissional pioneira que abriu o primeiro curso de viola da gamba no Brasil, além de ter fundado a pioneira Academia Antiqua Pró-Arte: primeira orquestra barroca do país. Com passagens como solista e regente por mais de duas dezenas de nações, Myrna traz para o palco de Niterói uma bagagem acadêmica e artística que transforma o concerto em uma experiência viva, leve e acessível, a todos os públicos.

Turnê

A passagem do grupo pelo Rio de Janeiro continuará a desdobrar novas histórias nos próximos meses. Em agosto, a turnê segue para os palcos de Petrópolis, com Conversa Galante, espetáculo focado no charme acústico dos antigos saraus. O encerramento do circuito acontece em outubro com O Teatro da Cura, apresentação que investiga as curiosas conexões entre a medicina e a arte dos séculos passados, com datas reservadas para espaços culturais tradicionais como o Midrash, o Solar de Botafogo e um retorno comemorativo ao próprio Theatro Municipal de Niterói.

Para quem deseja acompanhar a abertura dessa temporada na Rua Quinze de Novembro, no Centro de Niterói, os ingressos promocionais custam R$ 40 para a meia-entrada e R$ 80, inteiram em qualquer setor da casa. Os bilhetes eletrônicos já estão disponíveis para compra antecipada por meio do site da plataforma Fever.

Cacique de Ramos celebra marca histórica com 150ª edição da feijoada com samba

 

Foto: divulgação 

Terreiro sagrado de Olaria abre as portas com entrada franca para festejar a tradição que une gastronomia e o melhor do partido alto, no Doce Refúgio

O próximo domingo (17) reserva uma comemoração histórica para os apaixonados pela cultura suburbana carioca. O Cacique de Ramos realiza a edição de número cento e cinquenta de sua tradicional feijoada, um evento que se consolidou como ponto de encontro fundamental para sambistas de todos os cantos do país. Misturando a celebração litúrgica do terceiro domingo do mês com muito batuque da melhor qualidade, a programação festiva começa a partir das treze horas e tem entrada totalmente franca para o público.

As atrações musicais escaladas para comandar a famosa roda de samba são velhas conhecidas da casa e garantem a autenticidade do terreiro. Entre os destaques está o jovem Enzo Belmonte, artista que carrega no currículo a honra de ter sido apadrinhado pela eterna madrinha do samba, Beth Carvalho. Em sua apresentação, o cantor passeia com leveza por cantigas dedicadas às religiões de matriz africana, além de mostrar composições autorais e reinterpretar clássicos antológicos do gênero.

Enzo Belmont. Foto: Nilton Santos/divulgação 

Quem também marca presença no palco é Moisés Santiago, trazendo na bagagem hinos de forte apelo popular, que ajudaram a moldar a identidade do bloco. No repertório do compositor não deve faltar a emblemática Vai Lá, Vai Lá, música que completou trinta anos de sucesso recentemente e continua na ponta da língua do povo. A cadência da tarde fica completa com as apresentações da cantora Margarete Mendes e do Grupo Caciqueando, componentes fixos que traduzem com perfeição a excelência musical do Doce Refúgio. Para fechar o visual festivo, o público ainda poderá acompanhar o desfile do estandarte oficial do bloco e o carisma das cortes Curumim e Glória Caciqueana.

Feijuca

Estrela principal do cardápio, a suculenta feijoada começa a ser servida pontualmente no mesmo horário de abertura dos portões, saindo pelo valor de R$ 35 o prato. Para maior comodidade dos frequentadores, as mesas estarão disponíveis para aluguel, diretamente no espaço da quadra.

Os interessados em curtir a festa com mais conforto podem obter informações detalhadas sobre a reserva de camarotes e outros serviços de atendimento, entrando em contato com a organização do evento pelo telefone ou pelo aplicativo de mensagens WhatsApp, no número (21) 3251-4374. A icônica quadra do Cacique de Ramos fica na Rua Uranos, 1326, em Olaria, Zona Norte do Rio de Janeiro.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Michale Graves anuncia invasão brasileira em 2026

 

Fotos: Flávio Santiago/divulgação

Voz icônica do Misfits nos anos 90 traz turnê que mescla clássicos do "American Psycho" e "Famous Monsters", com sets acústicos e elétricos

O cenário punk rock brasileiro já tem data marcada para reencontrar uma de suas figuras mais emblemáticas. Em setembro de 2026, Michale Graves desembarca no país para uma série de cinco apresentações que prometem reviver a era de ouro do horror punk. A turnê, assinada pela Caveira Velha Produções, percorrerá quatro capitais, trazendo o repertório que definiu a sonoridade pesada e melódica dos anos 90.

Conhecido mundialmente por ter liderado o Misfits em sua fase de retorno — entre 1995 e 2000 —, Graves foi o arquiteto vocal de hinos como "Dig Up Her Bones" e "Saturday Night". Sua passagem pela banda não apenas resgatou o nome Misfits, mas o apresentou a uma nova geração através da MTV e da estética B de filmes de terror, mesclando hard rock e metal ao punk tradicional.

O videoclipe de “Scream!”, um dos maiores hits da fase Graves, foi dirigido pelo lendário mestre do terror George A. Romero. A turnê de 2026 destaca-se pela versatilidade. Em São Paulo, os fãs terão experiências distintas: um show acústico intimista no Rooftop da Galeria do Rock, ideal para apreciar as nuances de sua carreira solo e álbuns como Vagabond e Illusions, seguido por uma apresentação elétrica e explosiva no Hangar 110, o templo do punk paulistano.

Além dos clássicos dos discos American Psycho (1997) e Famous Monsters (1999), Graves traz na bagagem sua extensa discografia autoral. Desde que deixou o grupo de Jerry Only, o cantor explorou temas de reconstrução e perda, em projetos como Gotham Road e sua prolífica trilha solo, mantendo sempre viva a chama do "Lost Skeleton".

Ingressos disponíveis em 101tickets.com.br e clubedoingresso.com.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Rio Blues Festival transforma Aterro do Flamengo em um santuário ao ar livre

 

Bruno Velt. Fotos: divulgação

Se o lendário bluesman Robert Johnson tivesse trocado as encruzilhadas do Mississippi pelas curvas do Aterro do Flamengo, na Zona Sul do Rio, o roteiro da história da música certamente teria um visual mais paradisíaco. Neste sábado e domingo (16 e 17), o Rio de Janeiro empresta seu cartão-postal mais icônico para a celebração da alma e do improviso. O Rio Blues Festival retorna ao Posto 3, prometendo dez horas diárias de uma imersão que vai muito além das doze notas musicais.

Das 12h às 22h, o gramado do Aterro se torna o epicentro de uma experiência sensorial que une o "feeling" das guitarras choradas à sofisticação de um festival de vinhos e à robustez da gastronomia de brasa.

O festival mantém a tradição da entrada solidária. Para garantir o acesso, basta a doação de 2kg de alimentos (ou contribuição online), integrando a campanha #musicaxfome.

Enquanto nomes como The Blue Experience e Bruno Velt evocam os espíritos de B.B. King e Jimi Hendrix, o público poderá explorar uma carta com mais de 50 rótulos internacionais. Entre brancos, tintos e rosés vindos de países como França, Itália, Portugal, Argentina, Uruguai e Chile, a curadoria de sommeliers garante que cada nota musical encontre seu par perfeito em uma taça. No prato, o comando fica por conta do BBQ Macieira, elevando o churrasco à categoria de arte, para acompanhar o ritmo do soul e do folk.

Lineup



A programação foi desenhada como uma cronologia da música mundial. No sábado (16), o destaque fica para o tributo visceral de Mr. Severin a Hendrix e as releituras clássicas da Banda Blue Marinho. Já no domingo (17), a energia sobe com o BRtrio Blues Rock Revival e o ecletismo da Magujam, que costura clássicos de Queen e Rolling Stones a ícones nacionais como Cazuza e Raul Seixas.

"O carioca é musical e ama curtir atrações a céu aberto. Estar no Aterro, com o Pão de Açúcar como visual, faz o evento ficar ainda mais especial", destaca Fernando Fernandes, organizador do festival.

Economia criativa

Para além dos palcos e das adegas, o Rio Blues Festival reafirma seu compromisso com a economia local, através de uma feira de moda e artesanato. Enquanto os adultos se perdem entre garimpos criativos e solos de guitarra, as crianças têm destino certo no espaço infantil, equipado com brinquedos infláveis e pula-pula, garantindo que o festival seja um programa para todas as gerações.

Rio Blues Festival

Quando: 16 e 17 de maio (sábado e domingo)

Onde: Aterro do Flamengo – Altura do Posto 3

Horário: das 12h às 22h

Entrada: 2kg de alimentos ou contribuição via campanha #musicaxfome

Informações: [@bluesrockfestival]

Programação de Destaque:

Sábado (16/05):

13h: The Blue Experience (Blues de raiz ao Delta)

16h: Banda Blue Marinho (Soul e clássicos)

18h: Mr. Severin (Tributo a Jimi Hendrix)

20h30: Bruno Velt (Blues Rock pesado)

Domingo (17/05):

14h30: BRtrio Blues Rock Revival (Texas Blues)

16h: Magujam Oficial (Rock nacional e internacional)

18h: Pé de Cabra Rock Band (British Blues e psicodelia)

20h30: Bebeto Daroz (Virtuosismo na guitarra)

Risca Faca: a alquimia entre o peso do rock e a identidade brasileira

 

Fotos: Ian Dias/divulgação

Formada por veteranos da cena de Niterói, a banda une influências que vão de Black Sabbath à música nordestina, apostando no fomento da cena autoral


Por Saulo Andrade

Historicamente conhecida como celeiro de talentos que vão de Sérgio Mendes a Black Alien, Niterói ganha um novo e potente capítulo em sua cronologia musical: a banda Risca Faca. Nascida em 2022, a formação reúne músicos com bagagem em projetos conhecidos do underground local, nos anos 2010, como a Facção Caipira e o Divã Intergaláctico. 

A semente do projeto foi plantada pelo vocalista e gaitista Daniel Leon. Com composições que buscavam fundir o rock a ritmos regionais de forma ainda embrionária, Leon encontrou o suporte ideal em Amando Puente (guitarra), Igor Bilheri (baixo) e Igor Figueiredo (bateria). Juntos, os quatro músicos trazem vivências que transitam por diferentes vertentes do rock e do metal, resultando em uma sonoridade que foge do óbvio.

Identidade

O diferencial da Risca Faca reside no "tempero" brasileiro. Embora a espinha dorsal seja o rock clássico — bebendo de fontes como Black Sabbath, Pink Floyd e Led Zeppelin — e o peso do heavy metal de bandas como Metallica e Iron Maiden, o grupo não teme a experimentação. O forró e outros elementos da música nordestina são mesclados ao peso das guitarras, com naturalidade.

"A música brasileira é extremamente rica e, para quem é apaixonado pela arte, é um prato cheio", afirma Leon. 

A Risca Faca é, para os caras, o reflexo de "quatro roqueiros que amam pesquisar e testar misturas entre o rock e a cultura de seu país", buscando imprimir uma personalidade própria em cada arranjo.

Próximos passos

Apesar da qualidade técnica, o grupo aponta desafios comuns aos artistas de Niterói e região: a carência de espaços e de fomento público para o trabalho autoral. Em resposta a essa lacuna, a banda adotou uma postura proativa, organizando o próprio evento, intitulado Navalhada, que convida outras bandas da cena independente para fortalecer o circuito.

"Niterói sempre foi uma cidade de músicos, com bandas incríveis como Virias Fatal, Onda Errada e Mote Combinado. Elas continuam na luta, muitas vezes produzindo seus próprios eventos", destaca o guitarrista Amando Puente.

Para os fãs, as notícias são animadoras. O quarteto está em processo de maturação de novas composições e promete singles inéditos em breve. Enquanto o novo material não chega, o público já pode anotar na agenda: o próximo encontro marcado acontece no dia 11 de junho, no evento Rockarioca, que será realizado no La Esquina, na Lapa, região central do Rio.

Piano e flamenco se fundem em espetáculo inédito no Municipal de Niterói

 

Fotos: divulgação 

Pianista niteroiense Felipe Naim retorna à cidade natal nesta quarta (13), acompanhado da bailarina Luciana Dutra para o espetáculo "Expressões Ibéricas", que une música erudita e tradição espanhola

O Theatro Municipal de Niterói será palco de um diálogo cultural profundo, nesta quarta-feira (13), às 19h. O espetáculo “Expressões Ibéricas”, protagonizado pelo pianista Felipe Naim e pela bailarina e pesquisadora Luciana Dutra, promete uma experiência artística que une a música de concerto à força do flamenco. Integrante do projeto “Essência Tropical”, a apresentação busca explorar as raízes ibéricas que moldaram a identidade brasileira, criando uma ponte rítmica e emocional entre o piano clássico e o movimento da dança espanhola.

O repertório da noite é uma jornada que atravessa fronteiras e séculos. O público poderá apreciar obras de gigantes do repertório internacional, como Ludwig van Beethoven e Franz Liszt, em harmonia com a expressão nacional de Heitor Villa-Lobos. A atmosfera espanhola ganha corpo com três movimentos da Suíte Espanhola, de Isaac Albéniz, momento em que a coreografia de Luciana Dutra deixa de ser um adereço para se tornar uma extensão visual das notas de Naim.

Para o pianista, a noite carrega um valor sentimental especial. Nascido em Niterói e formado no Conservatório de Música do Estado do Rio de Janeiro, Naim vê nesta apresentação o fechamento de um ciclo. “Foi justamente no Theatro Municipal de Niterói que fiz minha primeira apresentação, após completar 18 anos. Voltar a tocar aqui é uma sensação única. Sempre será a realização de um sonho”, revela o artista, que hoje coleciona apresentações em palcos da França, Hungria e México.

A parceria com Luciana Dutra, que possui uma trajetória de mais de 30 anos dedicada à dança espanhola e formação acadêmica sólida, com vivência na Espanha, é o diferencial da montagem. Segundo os artistas, a sintonia construída nos ensaios permite que a música e o movimento se alinhem "apenas pelo olhar", garantindo que cada apresentação seja um organismo vivo e sensível sobre a conexão entre povos.


Vale lembrar que Felipe Naim se consolidou-se como um dos grandes nomes da nova geração da música de concerto. Vencedor do Concurso Prelúdio (TV Cultura), em 2019, e destaque na lista Forbes Under 30, possui mestrado pela prestigiada Liszt Ferenc Academy of Music, em Budapeste. Já Luciana Dutra une a prática artística à pesquisa acadêmica. Mestre em Educação e fundadora do "Projeto Dançarte", Luciana viveu anos na Espanha e hoje comanda o Ateliê do Movimento, na Região dos Lagos, focando na dança como ferramenta de busca por identidade sociocultural.

O espetáculo Expressões Ibéricas acontece nesta quarta (13), às 19 horas, no Theatro Municipal de Niterói (Rua 15 de novembro, 35, Centro, Niterói-RJ). Os ingressos custam R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia), com classificação etária livre para todos os públicos.

Fafá de Belém celebra 50 anos de carreira em estreia histórica no Circo Voador

 

Foto: Aryanne Almeida

Existem encontros que parecem predestinados, mesmo que tardios. No dia 5 de junho (sexta-feira), o tradicional palco do Circo Voador — templo da resistência cultural carioca — recebe, pela primeira vez com um espetáculo completo, uma das vozes mais viscerais e emblemáticas da música brasileira: Fafá de Belém. A apresentação não é apenas um show, mas a celebração de um cinquentenário de carreira que consegue ser, simultaneamente, memória e vanguarda.

Para este debute sob a lona da Lapa, Fafá traz o elogiado roteiro de "50 Anos", uma imersão profunda na sonoridade amazônica. O show bebe na fonte da "guitarrada paraense", contando com a presença luxuosa do mestre Manoel Cordeiro. O repertório é uma ponte entre os clássicos que embalaram o Brasil, como "Nuvem de Lágrimas" e "Coração do Agreste", além da safra contemporânea do álbum Do Tamanho Certo para o Meu Sorriso, vencedor do Prêmio da Música Brasileira.

Regresso

A escolha do repertório reflete o desejo de Fafá de revisitar suas raízes. Canções como "Meu Coração é Brega" e "Pedra Sem Valor" (de Dona Onete) não são apenas músicas, são mapas afetivos. "Fui conduzida pelo cheiro das mangueiras, pelo colorido de nossas roupas, pelo batom vermelho que nós, mulheres da Amazônia, gostamos de usar", revela a cantora, emocionada ao descrever o processo criativo que a reconectou à infância em Belém.

O espetáculo promete ser uma viagem sensorial, onde cenário e o figurino dialogam com a liberdade rítmica do Pará. Além da guitarrada, o público terá o privilégio de ouvir composições de Johnny Hooker, Zeca Baleiro e Felipe Cordeiro, mostrando que a "Diva do Pará" continua atenta às novas pulsações da nossa música.

Ancestralidade

A noite ganha um contorno ainda mais político e ancestral com a abertura do grupo Suraras do Tapajós. Composto por mulheres indígenas, o coletivo utiliza o carimbó como ferramenta de luta pelo meio ambiente e pelos direitos das mulheres originárias. A escolha do grupo de abertura sublinha a trajetória da própria Fafá, que sempre utilizou sua voz e influência para pautar questões sociais e identitárias.

Frise-se. Fafá de Belém – 50 Anos - será no próximo dia 5 de junho (sexta), às 20h, no Circo Voador (Rua dos Arcos, s/n – Lapa, Rio de Janeiro).

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Música e literatura: RuraLetras transforma interior de Teresópolis em celeiro cultural

 

Foto: divulgação 

Enquanto os grandes centros urbanos costumam monopolizar o calendário de feiras literárias, o interior do Rio de Janeiro prova que a sede por leitura e arte não conhece fronteiras geográficas. Entre os dias 21 e 24 de maio, a pacata Praça de Bonsucesso, no 3º distrito de Teresópolis, torna-se o epicentro da segunda edição da RuraLetras – Literatura, Saberes e Sonhos nas Trilhas do Interior.

O evento, que tem entrada franca, surge como um oásis de democratização cultural. Contemplada por edital da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SECEC/RJ), a feira vai além da comercialização de títulos: ela busca costurar a identidade rural com a formação de novos leitores, valorizando o território e seus saberes ancestrais.

Após uma estreia bem-sucedida que mobilizou cerca de mil pessoas entre as localidades de Mottas e Santa Rita, a RuraLetras II amplia o fôlego. A proposta deste ano é uma experiência multissensorial. No campo literário, nomes como Cláudia Coelho, Gustavo Lucena e Ana Cristina Rosito conduzirão rodas de conversa e sessões de autógrafos, humanizando a figura do escritor para o público local.

A música e a tradição popular também ocupam lugar de destaque, funcionando como o "abre-alas" para os livros. Um dos momentos mais aguardados é a apresentação do Jongo da Serra dos Órgãos, que resgata a herança afro-brasileira da região. O palco ainda receberá a diversidade rítmica de artistas como Maurício Gielman, Félix do Forró e o grupo Samba e Tradição, garantindo que a praça pulse ao som da cultura brasileira.

Inclusão

A feira não esquece o seu papel social. Com a presença da Kombiteca Samburá de Histórias, o evento aposta na ludicidade, para cativar o público infantil, através de mediações de leitura e oficinas. Para além das páginas, o espaço abraça a economia local, com exposições de artesanato e um setor dedicado à agricultura familiar — reforçando que cultura e sustento caminham lado a lado no interior.

A RuraLetras II – Literatura, Saberes e Sonhos nas Trilhas do Interior ocorre entre 21 e 24 de maio, a partir das 9h, na Praça de Bonsucesso, que fica no 3º distrito Teresópolis (RJ). Entrada franca. Mais informações em www.jornalalecrim.com.

Aprendiz Musical celebra 25 anos com incursão pelo "Choro Sinfônico"

 

Fotos: divulgação 

O som da cidadania. Niterói não é apenas o berço de grandes instrumentistas; é também o solo onde a música atua como ferramenta de reconstrução social. No coração dessa engrenagem está o Programa Aprendiz Musical, que atinge a marca de um quarto de século em 2026, com o vigor de quem acaba de descobrir a primeira nota. Para comemorar o jubileu de prata, o programa entrega ao público um presente que une a tradição das rodas ao peso das orquestras: o álbum digital “Choro Sinfônico”.

O lançamento, marcado para sexta-feira (15), às 19h30, no Theatro Municipal de Niterói, promete ser um divisor de águas na discografia do Aprendiz Musical. No palco, a união da Orquestra Aprendiz Musical e da Orquestra de Sopros dará vida a um repertório que reverencia os alicerces da música brasileira: nomes como Pixinguinha, Ernesto Nazareth e Altamiro Carrilho — sob uma roupagem sofisticada e inédita.

Encontro de gerações

O choro, gênero que exige técnica apurada e alma boêmia, foi a escolha estratégica para conectar os 90 músicos envolvidos na gravação. Sob a regência dos maestros Evandro Rodriguese e Gabriel Dellatorre, jovens talentos dividem o protagonismo com solistas consagrados como Cristóvão Bastos e Antonio Rocha.

Para o maestro Rodriguese, veterano com 14 anos de casa, o álbum é o registro físico de um processo invisível. “Nós plantamos uma semente em cada aluno que, acima de músicos, germinam como cidadãos melhores”, afirma. Esse sentimento é ecoado pelo violinista Samir Castillo, de 25 anos. No programa desde os 12, Samir simboliza o ciclo completo do Aprendiz: 

“A música consegue descrever com sons aquilo que nos faltam palavras”.

Chancelado pela Unesco, o Aprendiz Musical é hoje o maior programa de educação musical do Brasil, atendendo cerca de 10 mil alunos. A iniciativa integra o "Pacto Niterói Contra a Violência", da prefeitura local, oferecendo uma alternativa real por meio da cultura de paz.

Serviço

O concerto de lançamento de “Choro Sinfônico” acontece nesta sexta-feira (15), com ingressos populares (R$ 4 a inteira), disponíveis via Sympla. Na mesma data, o álbum chega às plataformas de streaming, como o Spotify.

Evento: Lançamento do álbum “Choro Sinfônico”

Local: Theatro Municipal de Niterói (Rua XV de Novembro, 35, Centro)

Data e Hora: 15 de maio, às 19h30

Ingressos: R$ 4 (Inteira) / R$ 2 (Meia) via Sympla.

Riane projeta sua "Nascente" para o cenário nacional

 

Fotos: Geovana Maria/divulgação

Um pedaço da Jamaica, no recôncavo baiano. Nesta segunda (11), data em que se celebra o Dia Nacional do Reggae, os holofotes se voltam para uma nova e potente voz que emerge diretamente de Cachoeira, no Recôncavo Baiano. Riane, cantora, compositora e baixista, prepara o terreno para o lançamento de seu EP de estreia, intitulado "Nascente", previsto para chegar às plataformas no dia 29 de maio.

Longe de ser uma estreante na música, a artista graduada pela UFBA já construiu uma trajetória sólida como instrumentista, colaborando com nomes como Rachel Reis, Sued Nunes e lendas do gênero como Edson Gomes e Nengo Vieira. Agora, em carreira solo, Riane utiliza o baixo — seu fiel companheiro — para estruturar uma sonoridade que funde o reggae a elementos do pop e ritmos afro-brasileiros.

Ativismo

Em "Nascente", o reggae de resistência ganha uma nova camada: a da subjetividade. Composto por cinco faixas autorais, o trabalho desloca o foco das críticas sociais externas para explorar o "corpo-político" da mulher negra e periférica. Temas como maternidade, pertencimento, amor e a saudade do Recôncavo são o fio condutor da obra.

O cartão de visitas dessa nova fase é o single "Não Tem Carnaval", que já rendeu à artista o prêmio de Melhor Arranjo, no prestigiado 21º Festival de Música Educadora FM. Na canção, Riane utiliza a metáfora da festa momesca para falar de ausência e memória, acompanhada por um arranjo que destaca sua habilidade técnica e sensibilidade melódica. 

Identidade


O projeto conta com um time de especialistas para garantir o refino sonoro. A produção musical leva a assinatura de Felipe Guedes, com mixagem de Jordi Amorim e masterização de Mike Caplan. O visual, elemento fundamental na narrativa de Riane, tem direção de Marvin Pereira, capturando a essência estética da artista que já passou por palcos importantes como o Festival Bob por Elas e o Lioness Festival.




Shawn Crahan, o "Clown" do Slipknot, passará por cirurgia cardíaca após diagnóstico pós-turnê

 

Foto: reprodução/Instagram

M. Shawn Crahan, percussionista e mentor visual do Slipknot, revelou que enfrentará uma intervenção cirúrgica no coração em breve. A notícia foi compartilhada pelo músico de 56 anos — o último integrante da formação original ainda na banda — durante uma entrevista profunda ao podcast Tetragrammaton, de Rick Rubin, publicada na última semana.

O diagnóstico de uma arritmia cardíaca grave surgiu logo após o encerramento da mais recente turnê do grupo. Crahan relatou que, ao se sentir mal, procurou ajuda médica, momento em que a equipe de saúde chegou a suspeitar de um infarto imediato, devido à irregularidade de seus batimentos.

Falha elétrica

Diferentemente de problemas estruturais comuns, a condição de Crahan está ligada ao sistema elétrico do coração. O músico descreveu episódios em que sua frequência cardíaca sofre quedas drásticas e perigosas. "Eu sinto como se estivesse morrendo, quando isso acontece", confessou o percussionista, ao site Billboard. "Meu coração pula batidas e, aparentemente, eu ensinei meu corpo a operar como se eu fosse um corredor de cross-country, mesmo estando acima do peso", ressaltou.

Apesar do susto, Crahan tranquilizou os fãs, ao explicar que o procedimento é considerado simples e minimamente invasivo, com previsão de alta para o mesmo dia, focado justamente no ajuste da condução elétrica cardíaca.


Futuro

Foto: divulgação

Com o humor ácido que lhe é característico, "Clown" brincou que chegou a considerar a possibilidade de um marcapasso como uma "desculpa" para se aposentar das turnês exaustivas, mas foi rapidamente desencorajado pelos médicos.

"Eu perdi o controle por um momento. Pensei: 'não consigo escapar disso nem para salvar minha vida'. Nem meu próprio coração me deixa parar", ironizou. Pelo contrário, a recomendação médica é que, após a cirurgia, ele recupere o condicionamento físico, porque o tratamento deve aumentar sua vitalidade.

Atualmente contando com acompanhamento médico especializado — privilégio que ele atribui à estabilidade alcançada com o sucesso global do Slipknot — Crahan se diz otimista. "Eles me disseram que vou me sentir melhor. É maravilhoso: eu me sinto sortudo", concluiu o músico, indicando que o diagnóstico, embora sério, é o primeiro passo para garantir que a percussão caótica da banda continue ecoando por mais tempo.

*Com informações da Billboard

Sonoridades do passado invadem o palco do Municipal de Niterói

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