Da Jamaica brasileira ao pop futurista, o cantor e
compositor YAGÔ inicia o capítulo mais ambicioso de sua carreira: já está nas
plataformas digitais o single “Nádegas”, faixa de abertura que serve como
cartão de visitas para o seu próximo álbum de estúdio, batizado de Menestrel.
Produzida por Anselmo dos Reis, a nova música não é apenas
um lançamento isolado. Trata-se de uma reinvenção estética. YAGÔ funde a
espinha dorsal do dub roots tradicional com texturas eletrônicas e uma
roupagem pop contemporânea, bebendo diretamente da fonte territorial de São Luís
do Maranhão, a terra natal do artista, cuja identidade foi forjada no balanço
das radiolas e na cultura do reggae. O resultado é um som essencialmente
tropical e orgânico, desenhado tanto para a contemplação quanto para o clássico
dançar "colado", que define as pistas maranhenses.
Volúpia musical
Longe de clichês, “Nádegas” utiliza a atmosfera relaxante do reggae para
construir uma narrativa sensorial sobre o cotidiano, o afeto e a liberdade dos
corpos. Sob as lentes da direção de arte que acompanha a atual era do artista,
o projeto exala um clima naturalista e sensual.
De acordo com o cantor, o álbum Menestrel foi
desenhado para expandir as fronteiras da música preta sob uma ótica intimista e
espiritual, profundamente conectada às vivências em São Luís. Em 2026, YAGÔ
defende o reggae não como um artefato intocável do passado, mas como uma
cultura viva, fluida e totalmente integrada ao pop alternativo nacional.
Maturidade
Embora o nome YAGÔ surja com o frescor de uma novidade de
mercado, o artista é uma figura carimbada e respeitada na engrenagem da cena
independente nordestina. Na década de 2010, ele circulava sob a alcunha de Yhago
Sebaz, período no qual colocou na rua os elogiados discos #NegoBeats
(2014) e Meio Amargo (2019).
A transição para a nova identidade artística reflete sua
maturidade de estúdio e de palco. Agora, com mais bagagem, o cantor amarra
corpo, som e imagem em uma narrativa contínua e sem arestas.
O single já pode ser ouvido em todos os serviços de
streaming de áudio.
Mais de uma década
após a partida de Amy Winehouse, a dolorosa e magnética “Back to Black”
garantiu o retorno da cantora britânica ao Hot 100 da Billboard Brasil,
alcançando a 44ª posição. Além de provar que o luto poético da artista é
atemporal, o feito coincide com o sucesso da faixa no streaming — caminha a
passos largos para bater a marca histórica de 1 bilhão de reproduções no
Spotify — e com o interesse renovado pela cinebiografia homônima, que reconta
os passos da estrela britânica.
Mais do que o maior hit de sua carreira, a faixa-título
do segundo e último álbum de estúdio de Amy é uma radiografia sem filtros de
sua alma. A composição nasceu do primeiro e abrupto término com Blake
Fielder-Civil, em 2005. Na época, Blake colocou um ponto final na relação por meio
de uma mensagem de texto enquanto viajava, optando por reatar com uma
ex-namorada. Enquanto ele seguia em frente, Amy mergulhava na escuridão — um
contraste doloroso impresso nos versos onde ela canta sobre ser deixada para
trás, presa às próprias sombras.
O impacto daquela rejeição foi o estopim para o
agravamento da depressão da artista e de sua relação destrutiva com o álcool.
No clássico videoclipe da canção, filmado em preto e branco, Amy encena o
funeral do próprio coração, uma metáfora visual perfeita para o que vivia fora
dos palcos.
O relacionamento com Blake, marcado por idas e vindas,
culminou em um casamento em 2007 e no divórcio em 2009. Anos mais tarde, o
próprio Blake admitiria publicamente ter apresentado a heroína à cantora,
solidificando a tragédia que uniu amor, vício e genialidade artística. O
retorno da música às paradas em 2026 apenas reitera que a dor transformada em
arte por Amy Winehouse continua a ecoar com a mesma força do primeiro dia.
Aquela velha ideia de que a música de concerto é um universo
rígido, silencioso e distante do grande público ganha um contraponto vibrante
em Diadema (SP). No dia 20 de junho, sábado, às 20h, o Teatro Clara Nunes
recebe o show “A Elegância dos Metais”, comandado pelo aclamado quinteto BrassUka.
A apresentação faz parte da temporada 2026 do projeto Concertos Campestres,
iniciativa que vem convertendo as noites da cidade do ABC paulista em sinônimos
de democratização cultural.
Sob a direção artística do maestro Daniel Cornejo e
realizado pelo ISPAC (Instituto São Paulo de Arte e Cultura), o projeto segue
sua missão mensal: descer a música erudita do pedestal e misturá-la às raízes
brasileiras de forma gratuita.
Dinamismo
Muitas vezes associados a um som puramente agressivo ou
militar, os instrumentos de metal ganham contornos de sutiliza e extrema
sofisticação nas mãos do BrassUka. Criado em 2011 por cinco amigos de longa
data, o grupo — formado por Moisés Américo e Pedro Santos (trompetes), Eder
Tavares (trompa), Agnaldo Gonçalves (trombone) e Marcos Tudeia (tuba) — já soma
mais de 300 apresentações na bagagem.
O segredo do quinteto está na irreverência. A performance
explora a versatilidade ao extremo, provando que a potência desses instrumentos
pode coexistir perfeitamente com a doçura de uma canção popular.
Repertório
O programa escolhido para a noite do dia 20 reflete o
ecletismo do projeto. Em vez de se fechar em um único período histórico, o
BrassUka propõe uma viagem no tempo que conecta a Europa clássica aos morros e
matas do Brasil.
O público será guiado por um roteiro sonoro que inclui os clássicos
europeus, em obras do renascentista G. Gabrieli, a energia de Rossini e o drama
de Tchaikovsky (sintetizado em um medley empolgante, que unirá a Abertura
1812 ao seu famoso Concerto para Piano nº 1). Além da identidade nacional,
com a genialidade de Heitor Villa-Lobos em "O Trenzinho Caipira",
e arranjos para hinos da nossa música popular, como "Carinhoso"
(Pixinguinha) e "Aquarela do Brasil", de Ary Barroso.
“A ideia do projeto é aproximar as pessoas da música de um
jeito mais direto e envolvente; mostrando que ela pode ser acessível e
interessante para todo mundo. A cada edição, a gente busca trazer novos
repertórios e formações que surpreendam o público e criem uma conexão
verdadeira com quem está assistindo”, sublinha o produtor do Concertos Campestres,
Thiago Catelani.
Serviço
Evento:
Concertos Campestres apresenta BrassUka em “A Elegância dos Metais”
Homem não
identificado, tocando instrumento de sopro, c. 1970. Foto: Thomaz Farkas/Acervo
Instituto Moreira Salles
Mãos que moldam as ferramentas da música brasileira. No dia 26 de julho, o Museu
A CASA do Objeto Brasileiro, em São Paulo, abre as portas para a exposição “Música
Artesanal”, uma imersão profunda no universo da lutheria nacional e na herança
cultural que transforma madeira, couro e metal em patrimônio imaterial.
Com curadoria do renomado pianista e compositor Benjamim
Taubkin — um dos nomes ligados à fundação da própria instituição —, a mostra
marca também o reencontro do público com o museu, que passou por reformas
recentes de modernização e ampliação de acessibilidade.
O elo perdido de Mário de Andrade
O destaque histórico da exposição é a conexão direta com a
célebre Missão de Pesquisas Folclóricas de 1938, uma expedição idealizada por
Mário de Andrade que percorreu o Norte e o Nordeste, para mapear as
manifestações artísticas e religiosas do país.
Cinco peças históricas coletadas durante aquela jornada
foram resgatadas do acervo do Centro Cultural São Paulo (CCSP) e serão exibidas
ao público. O diálogo entre o passado e o presente é costurado por registros
iconográficos raros de fotógrafos como Thomaz Farkas, Marcel Gautherot e Miriam
Bisilliat, cedidos pelo Instituto Moreira Salles (IMS).
Criança tocando atabaque,
1990-1999. Pelourinho – Salvador - BA Foto: Acervo Walter Firmo/
Instituto Moreira Salles
“A música brasileira nasce de muitos encontros: de culturas,
territórios, matérias e modos de fazer. A exposição procura mostrar justamente
esse elo entre o gesto artesanal e a construção da nossa identidade sonora. Os
instrumentos carregam histórias e formas de conhecimento transmitidas entre
gerações”, ressalta o curador Benjamim Taubkin.
Infinitos ritmos
A narrativa da mostra se apoia na espinha dorsal de quatro
instrumentos fundamentais da nossa tradição. Para dar vida a esse recorte,
Taubkin convidou quatro mestres artesãos contemporâneos, cujos trabalhos ganham
protagonismo na cena: A viola caipira, por
Régis Bonilha, destacando o berço da moda, do pagode caipira e do repente; a rabeca,
por Adam Bahrami, com o arco que conduz o fandango, o baião e o forró; o pífano,
por Alexandre Rodrigues: o sopro que conecta as tradições indígenas e as bandas
de pífano do interior; além do atabaque e da percussão de Luiz Poeira, ecoando
o maracatu, o samba, a congada, o ijexá e o frevo.
Além das peças criadas exclusivamente para o projeto, a
experiência visual é complementada por um vídeo inédito, dirigido pelo curador
em parceria com Kabé Pinheiro e Laís Branco (Produtora VMD).
Oficinas
Para além das vitrines, "Música Artesanal" se
propõe a ser um espaço de troca ativa. Ao longo do período expositivo, que vai até
18 de outubro, o museu sediará debates e vivências práticas gratuitas, onde os
visitantes poderão aprender diretamente com os luthiers convidados.
Serviço
Cavalo Marinho, festa popular, 1957. Recife -
PE
Foto: Marcel Gautherot/Acervo Instituto Moreira Salles.
Período
da exposição: 26 de julho a 18 de outubro de 2026.
Funcionamento:
Quarta a domingo, das 10h às 18h.
Entrada:
Gratuita.
Local:
Museu A CASA do Objeto Brasileiro (Av. Pedroso de Morais, 1.216, São Paulo
- SP).
Entre a lona e o fole. Dizer que Lívia Mattos é acordeonista, cantautora e socióloga é resumir apenas uma parte da engrenagem. Para entender a sua assinatura, é preciso olhar para o picadeiro. Foi no circo que a artista soteropolitana descobriu a sanfona — não apenas como instrumento, mas como um potente recurso cênico. Dali para a criação de performances vertiginosas como a "Sanfona Aérea" e a "A Sanfonástica Mulher-lona", foi um salto natural.
Com mais de 15 anos de estrada solo, Lívia construiu uma trajetória que ignora fronteiras geográficas e estéticas. Já levou sua música para festivais internacionais, integrou a banda de Chico César, dialogou com Rosa Passos e Badi Assad, e chegou a solar com a Orquestra Sinfônica da Bahia. Sua busca é sempre pela vanguarda. Essa inquietação transborda no álbum "Verve" (2025), onde a tradicional sanfona nordestina se joga na microtonalidade, acompanhada por uma cozinha inusitada de tuba e bateria, com flertes de drum and bass. O milagre do trabalho está em fazer essa costura audaciosa, sem perder o sotaque nordestino.
Picadeiro
📸 @bendorosario/Instagram
Toda essa ousadia estética encontra sua gênese há cerca de duas décadas, sob a lona do Circo Picolino, em Salvador (BA). Para Lívia, o espaço foi uma escola de liberdade artística, moldada por uma estética profundamente antropofágica e tropicalista. A decisão de trilhar esse caminho veio após o impacto de assistir a um espetáculo circense, construído sobre a obra de Glauber Rocha. "Ali, eu senti que era aquilo que eu queria fazer da vida. E o 'aquilo' era uma mistura de linguagens: circo, poesia, cinema, música, dança, teatro, etc. [...] Acho que aprendi a ser artista nesse circo que ousava sempre, em experimentar na forma de criar, nos limites — se é que há — do que é circo", ressalta a artista.
Essa vivência moldou uma postura de constante enfrentamento e resistência. Em um cenário musical onde a sanfona no Brasil é historicamente associada ao universo masculino, Lívia imprime sua própria leitura autoral. "Tocar um instrumento tão estigmatizado, saindo de caminhos mais óbvios, mas sem negá-los, borrando as arestas, sendo mulher, compositora, cantora, sem abrir mão do meu corpo, aliás, amalgamando ele ao meu fole, é um ato de resistência, é um ato político, é um enfrentamento", sublinha.
Referências
📸 @bendorosario/Instagram
Embora tenha consolidado sua carreira solo, Lívia faz questão de ressaltar que suas raízes no circo, no forró e a parceria com Chico César nunca foram abandonadas. A transição para a liderança dos palcos não se deu por um rompimento drástico, mas pelo amadurecimento natural de sua própria demanda artística, enquanto atuava como 'side woman'. "Fui experimentando e construindo, paralelamente, ao mesmo tempo, aproveitando a colaboração com artistas como Chico, Badi Assad, Ceumar, Alessandra Leão, Rosa Passos, entre outros, como uma esponja, me inspirando nessas referências e descobrindo meu caminho de composição, de arranjo, de poética, de sonoridade", enumera a musicista.
Power trio
O amadurecimento dessa jornada culminou no recente álbum "Verve" (2025). O coração do novo disco bate no ritmo de um power trio inusitado, formado por Lívia, Jefferson Babu (tuba) e Rafael dos Santos (bateria). Juntos na estrada há quase uma década, os músicos vinham maturando essa formação, desde 2019:
"O processo do álbum "Verve" foi um aprofundamento de pesquisa de linguagem do trio muito intenso e bonito; um mergulho de cabeça, não só nessa concisão da formação, mas também na maturação dessa temperatura, entre o Vinha da Ida e o Apneia, nessa invenção de um não-lugar, no estabelecimento dessa proposta não óbvia".
Sem fronteiras
Essa universalidade, sem amarras, tem levado o som de Lívia a transpor barreiras geográficas, com shows marcados no Senegal e turnês europeias. Mas cruzar fronteiras também significa driblar as expectativas do mercado externo e as tentativas de categorização por meio de estereótipos. Para isso, ela propõe pensar a sanfona quase como outro instrumento, inserida em arranjos curiosos e fora dos padrões comerciais.
📸 @bendorosario/Instagram
"Como representante da sanfona brasileira, sinto que meu papel é essa mirada do contemporâneo que não precisa romper com o 'de onde se vem', que amalgama memórias, trânsitos e transcria, em cima de tudo isso. A minha sanfona é brasileira e aberta ao mundo, na compreensão da diversidade como a maior beleza da humanidade. O diverso me inspira, me faz pensar diferente, criar diferente e ir desvendando essa minha identidade, que é móvel, dinâmica, porosa", conclui a instrumentista.
A cena do metal nacional ganha um novo e robusto capítulo
com a estreia oficial da banda paulistana Strigah. Chegando às plataformas de
streaming pelo selo Coffinjoe Records, o quarteto lança Zoetia, um trabalho de
fôlego que consolida a identidade do grupo em uma intersecção ambiciosa entre
metal moderno, prog, industrial e música experimental.
O título do disco é um neologismo que sintetiza a proposta
conceitual do projeto: a junção de zoe (vida) e goetia (feitiço).
Esse "feitiço da vida" se traduz em um repertório denso, guiado pela
tensão constante entre a revolta contra o colapso moderno, a defesa ecológica e
a busca por uma conexão espiritual profunda.
A Strigah é formada por Kaio Felipe (vocal), Samanta Tica
(baixo), Eleonardo de Paula (bateria) e Matheus Figueredo (guitarra).
Musicalmente, Zoetia foge do previsível. O álbum
desafia o ouvinte com estruturas complexas repletas de grooves, polirritmias e
quebras de tempo, mas sem abrir mão do equilíbrio: há espaço generoso para
passagens melódicas, vozes ecoadas e atmosferas profundas que potencializam o
peso de cada composição.
De acordo com os integrantes, o trabalho foi desenhado sob
uma lógica própria, voltado para quem busca um metal autêntico e fora dos
moldes tradicionais. O ecletismo da banda se reflete em suas influências
declaradas, que vão do peso internacional de Meshuggah, Fear Factory
e Deftones, à efervescência de nomes do underground nacional, como Deafkids
e Última Theoria.
Tratado sobre ambientes
Mais do que uma coleção de faixas isoladas, as letras
funcionam como um tratado que investiga cinco frentes: o ambiente natural, a
cidade hostil, o espaço virtual, o íntimo do sujeito e o território espiritual.
As composições se destacam
pelo forte teor político, filosófico e místico. O grupo bebe de fontes que vão
do gnosticismo e da cabala judaica a citações diretas de grandes lideranças
indígenas brasileiras, como Ailton Krenak e Davi Kopenawa.
Dentre as músicas de destaca, “A Propriedade é Roubo” abre o debate sobre o
latifúndio e a exploração da terra, homenageando defensores da floresta como
Bruno Pereira, Dom Phillips e Dorothy Stang.
Em “Xamanismo Urbano”, há uma
forte crítica anticolonial, que conecta o agronegócio e a destruição da
Amazônia ao distanciamento humano da ancestralidade.
“Espírito da Cidade” retrata o cenário urbano caótico,
através de imagens de repressão policial, controle e violência de classe.
A música “Florestas Digitais” analisa a alienação da vida mediada por teles,
redes e o esgotamento do tempo.
Produção
O refinamento técnico de Zoetia conta com mixagem e
masterização assinadas por Yukio Hara, arte de capa por Jennifer Erny e
fotografias do grupo feitas por Chev. Os conteúdos audiovisuais levam o selo da
RageBox Prod.
Celebrando este momento de afirmação artística, a Strigah já
se prepara para levar o novo repertório aos palcos. A banda fará um show de
apresentação de Zoetia no Hot Pub, em Santo André (SP). A performance
será gravada ao vivo e se transformará em um videoclipe oficial, com lançamento
previsto para o final de julho.
Arte de capa: @j.3rny
O álbum Zoetia já está disponível em todas as
plataformas digitais e pode ser acessado pelo link oficial da banda: found.ee/strigah_zoetia.
Quem frequenta a região da Lagoa do Iriry durante o tradicional circuito de jazz e blues de Rio das Ostras sabe que a efervescência artística da cidade vai muito além dos palcos oficiais. É nesse cenário alternativo que se consolidou o projeto independente “Isso Não É Jazz & Blues”, que chega em 2026 à sua sexta edição, reafirmando sua identidade como um espaço vital de ocupação cultural, liberdade criativa e fortalecimento da produção regional.
Idealizado pelo músico Diogo Spadaro, o projeto nasceu como uma provocação. O objetivo sempre foi provar a existência de uma cena artística local pulsante, que se mantém ativa ao longo de todo o ano, e não apenas no período do festival principal — considerado o maior do gênero, na América Latina.
"Queremos criar espaços de encontro, improviso, experimentação e convivência entre artistas e público", destacou Spadaro.
Fomento
A edição deste ano traz um marco especial: a conquista de recursos por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), viabilizada pelo Governo Federal, via Ministério da Cultura. O apoio financeiro expande as possibilidades de fomento à cultura autoral da região e fortalece a infraestrutura técnica das apresentações.
As exibições musicais acontecem nos dias 4, 5 e 6 de junho, a partir das 15h, no Quiosque NKR (localizado logo ao lado do palco oficial da Lagoa do Iriry).
A linha de frente das apresentações será comandada por três cantoras de destaque da cena local: Thati Dias, na quinta-feira (4), Cláudia Falcão, na sexta (5), e Raquel Dimar, no sábado (6).
As artistas se apresentarão acompanhadas pela Banda Freetração, grupo com sólida bagagem em jazz e música afro-diaspórica, formado por Diogo Spadaro (voz e guitarra), Denisson Caminha (bateria e SPD), Negão Jazz Bass (baixo), Brenddon Miranda (saxofone) e Sabatuk (percussão). Juntos, os músicos transformam cada show em uma experiência artística autêntica e construída em tempo real por meio do improviso.
O evento é aberto ao público e integra a programação cultural da cidade.
Quilombo urbano focado em transformar histórias, resgatar trajetórias e pavimentar caminhos mais justos para o futuro, a Estação Primeira de Mangueira prova, mais uma vez, que o impacto de uma escola de samba ecoa muito além dos desfiles na Sapucaí. Tradicional polo de resistência cultural, a Verde e Rosa celebra, neste mês de maio, um marco histórico em suas Oficinas Carnavalescas: a atual edição superou a marca de mil alunos beneficiados, registrando o recorde absoluto de atendimentos do projeto.
As atividades, que seguem até sexta (29), ocupam a quadra da agremiação com uma proposta que une o resgate ancestral à urgência econômica: oferecer formação técnica gratuita e abrir portas para a geração de emprego e renda, priorizando moradores da comunidade e pessoas em situação de vulnerabilidade social
O projeto se destaca pela diversidade de seu escopo. Longe de se limitar aos bastidores do barracão, as oficinas abraçam a formação musical, a dança e o empreendedorismo estético. Quem frequenta a quadra tem a chance de aprender com quem vive o dia a dia da escola, integrando-se diretamente com os mestres da tradicional bateria da Mangueira.
O cardápio de atividades gratuitas inclui percussão; cavaquinho; violão; canto; samba no pé; dança afro; zumba; além de oficinas de tranças. "Mais do que ensinar um ofício, as oficinas devolvem esperança e mostram novos caminhos para quem muitas vezes não se sentia visto", reflete a presidenta da Mangueira, Guanayra Firmino.
Legado
Realizadas de forma contínua desde 2025, as Oficinas Carnavalescas se consolidaram como uma tecnologia social robusta, dentro da favela. Para a diretoria da escola, o resultado mais importante não está nos números frios do recorde, mas sim na emancipação de cada participante.
A iniciativa atua na base da dignidade humana, fortalecendo a autoestima e os vínculos comunitários em um território que frequentemente precisa criar suas próprias oportunidades, diante da ausência do Estado.
“Hoje, o foco é no resultado. Nos rostos, nas histórias e em cada certificado que representa conquista, aprendizado e transformação. Um registro afetivo do impacto que a gente constrói juntos, valorizando quem é da casa e fortalecendo o nosso futuro”, enfatiza Guanayra.
A cantora, compositora e multi-instrumentista carioca Christine Valença abre os caminhos para sua nova fase criativa em 2026, com o lançamento de “Sur Ton Île”. O single promove um sensível intercâmbio cultural entre o Brasil e a França, unindo a artista a três nomes de destaque da cena francesa: o rapper Verso, o cantor Félicien Adam e o instrumentista Luazó (parceiro de longa data da cantora).
A faixa transita com naturalidade entre o soul, a MPB, o folk e o pop alternativo. Misturando os idiomas português e francês, ritmos latinos e poesia urbana, a obra nasce como uma metáfora sobre conexões e o desejo de atravessar fronteiras. O lançamento também ganhou uma dimensão visual com um videoclipe gravado entre os momentos de estúdio e belas imagens do Rio de Janeiro.
Conexões
A ligação de Christine com a França carrega traços afetivos e familiares: sua mãe, que também era cantora e compositora, viveu uma bem-sucedida residência artística em Paris, nos anos 80. Décadas depois, a história se conecta. O embrião do projeto surgiu no início de 2025, após apresentações da carioca na Europa e a oportunidade de focar no fortalecimento dessas parcerias por meio de editais do ano do Brasil na França.
O processo de gravação em estúdio funcionou como um verdadeiro "blind-date artístico", proposto pela gravadora French Light Records. Com apenas um fim de semana para criar e sem uma troca prévia de ideias, os músicos se guiaram pela intuição e por referências literárias de peso, levadas por Christine, como As Flores do Mal, de Baudelaire, e Ideias para Adiar o Fim do Mundo, de Ailton Krenak.
Desafios
Para a artista, o lançamento representa uma fuga saudável da complexa e hostil cena independente do Rio de Janeiro, além de um rompimento com as "câmaras de eco" e bolhas das redes sociais. Christine relembra que, no início da carreira, chegou a acreditar que só conseguiria espaço investindo recursos próprios na sua cidade natal. A reviravolta veio, ao arriscar um show solo em Lisboa, onde encontrou um público caloroso que validou sua identidade musical e deu forças para manter seu propósito.
"Sur Ton Île" funciona como o grande motor e a principal inspiração para o próximo passo da carreira de Christine Valença: um EP autoral e recheado de novas experimentações que já está a caminho.
Brasileiro celebra 50 anos de carreira com participação em turnê americana
Fotos: reprodução/Instagram
O multi-instrumentista brasileiro Carlos Malta, consagrado internacionalmente por suas colaborações com grandes ícones da música nacional, vive um momento de celebração. Comemorando cinco décadas de trajetória artística, o músico cumpre uma agenda intensa de compromissos no Brasil e no exterior. Entre os marcos recentes deste ciclo comemorativo estão uma apresentação ao lado da Orquestra Brazil Jazz Sinfônica, em São Paulo, e o relançamento de seu primeiro álbum solo, O escultor do vento. Além disso, o mês de maio reservou ao artista um convite especial para uma apresentação em palcos internacionais.
Nesta sexta (29) e sábado (30), Malta subirá ao palco do iTHINK Financial Amphitheatre, na Flórida (EUA), como convidado de Dave Matthews, na Summer Tour 2026. A parceria e a amizade entre os dois músicos são antigas e vêm se consolidando, ao longo dos anos. A primeira colaboração ocorreu em 2008, quando Malta participou do álbum Live in Rio, lançado pela Sony Music, tocando nas faixas #43 e Say Goodbye.
Desde então, os encontros no palco tornaram-se frequentes, com registros em apresentações no Rio de Janeiro (2010 e 2013), na Flórida (2011), em New Jersey (2012), em Seattle (2016) e no México (2018 e 2019). Essa conexão recorrente entre o instrumentista brasileiro e a banda norte-americana reflete uma aproximação de universos musicais que se complementam, com forte destaque para a liberdade criativa, a improvisação e a fusão de estilos.
A união entre música erudita, fé e resgate histórico promete emocionar os moradores de São Gonçalo, na próxima segunda-feira (1º). Às 20h, a Paróquia São Gonçalo de Amarante (Igreja Matriz) será o palco do tradicional Concerto Sacro – Série Ametista, apresentado pela Orquestra Filarmônica Metropolitana (OFM). O evento gratuito marca a abertura oficial da aguardada semana de Corpus Christi na cidade.
O espetáculo, que já completa cinco anos de história, consolidou-se no calendário oficial local. Mais do que um concerto, a Série Ametista propõe um diálogo sensível com a identidade local, trazendo um repertório focado em composições religiosas que tocam a memória coletiva e a espiritualidade do público.
Fé e cultura
A apresentação ocorre em um momento de forte sinergia cultural para São Gonçalo. É durante esta semana que a paróquia mobiliza centenas de voluntários, moradores e artistas para confeccionar o famoso tapete de sal — considerado o maior da América Latina e uma das principais expressões de devoção do estado.
Para Rafael Vieira, ativista social e fundador do Instituto dos Sonhos, o concerto funciona como uma ponte fundamental.
"Esse concerto representa um encontro entre arte, espiritualidade e identidade cultural. A cada edição, percebemos o quanto a música sacra aproxima o público da experiência coletiva proporcionada pelo período de Corpus Christi em São Gonçalo".
O maestro Gustavo Fernandes reforça o papel social do projeto, destacando o compromisso do conjunto com a democratização do acesso à música clássica.
"Levar a Série Ametista para a Igreja Matriz, durante a abertura dos festejos de Corpus Christi, reforça nosso compromisso com a valorização do patrimônio cultural e o acesso da população à música de concerto", afirma o regente.
Com duração aproximada de 60 minutos e classificação etária livre, o evento é totalmente voltado para a comunidade e entusiastas da música sacra. A expectativa dos organizadores é receber um público estimado de 350 pessoas.
Embora a entrada seja franca, os interessados devem retirar seus ingressos antecipadamente pela internet.
Serviço:
* Evento: Concerto Sacro – Série Ametista (Orquestra Filarmônica Metropolitana)
* Data: 01 de junho de 2026 (segunda-feira)
* Horário: 20h
* Local: Paróquia São Gonçalo de Amarante (Igreja Matriz)
* Endereço: Alameda Pio XII, 86 – Centro, São Gonçalo - RJ