domingo, 19 de abril de 2026

Camaleão do mainstream, Bruno Mars rege a própria evolução

Foto: Daniel Ramos 



Por Saulo Andrade e Tati Martins

De acordo com o senso comum das redes sociais e da opinião pública musical, ser um artista “pop” que frequenta o topo das paradas carrega um estigma injusto de superficialidade. Mas o sucesso comercial não precisa, necessariamente, ser inimigo do bom conteúdo artístico. Prova disso é o cantor norte-americano Bruno Mars. Nascido no Havaí, em 8 de outubro de 1985, Peter Gene Hernandez (nome verdadeiro de Bruno) transforma sua plataforma global num constante laboratório de experimentação. Trata-se de um dos raros artistas que une a técnica rigorosa de um multi-instrumentista à ousadia de quem não tem medo de se aventurar em novos gêneros musicais.

Diferentemente de muitos ícones de sua geração, ‘Bruninho’ – como é carinhosamente chamado pelos fãs brasileiros – é um músico completo no sentido mais clássico do termo. Quem o assiste dominando a conga, a guitarra ou o piano em seus shows entende que o brilho dele não vem apenas de uma produção impecável, mas de um conhecimento profundo da estrutura musical. Tal técnica é o que permite que Bruno transite, com naturalidade, entre o R&B, o funk americano, o soul setentista do projeto Silk Sonic e, agora, as texturas latinas de “The Romantic” (2026), seu mais recente álbum.

Ousadia


A carreira de Bruno Mars sempre foi pautada por movimentos arriscados. Por exemplo, enquanto o mercado fonográfico exigia algo que o pudesse colocar numa “caixinha”, ele entregou 24K Magic (2016), mesclando pop, swingbeat, R&B e funk. Produzido há 10 anos, este disco foi o último solo, antes de “The Romantic”.

No novo trabalho, o artista mergulhou em suas raízes e na riqueza rítmica da América Latina (seu pai, Peter Hernandez, um percussionista nascido em Nova York, é de origem porto-riquenha). O grande destaque de “The Romantic” é a faixa Risk It All. Nela, Bruno não apenas flerta com a latinidade. Abraça-a com respeito e autenticidade, ao incorporar elementos do bolero e do mariachi mexicano. Outra música com pegada latina contagiante é Cha Cha Cha. Como o próprio nome diz, Bruno convida seu público a bailar o cha cha cha com ele, provando que sua arte é transcendental.


Foto: Daniel Ramos 

Aos críticos que ainda "viram o nariz" para o artista por sua onipresença na mídia, vale um olhar mais atento às camadas de sua discografia. Bruno Mars é um curador de épocas: estuda o passado para ditar o futuro. Sua capacidade de se reinventar — seja colaborando com Lady Gaga no hit "Die With A Smile" ou explorando o soft soul — revela um artista que não está apenas seguindo tendências, mas construindo um legado de longevidade.

Até aqui, não se trata apenas de um cantor de sucessos passageiros. É um mestre de cerimônias da música global, que compreende que o entretenimento e a alta qualidade técnica podem, sim, caminhar de mãos dadas. Com "The Romantic", reafirma-se uma jornada pautada pela liberdade e pelo prazer das novas descobertas, mantendo-se como uma das figuras mais importantes e corajosas da cultura mundial.

Recuse Resista lança EP Evangelistão e questiona falta de palcos em Niterói

 

Foto: divulgação/redes sociais

Com novo trabalho a caminho e pé na estrada, banda resgata a fúria dos anos 80 para combater o "atraso social"


Apesar de ser um dos berços de grandes nomes da música brasileira, Niterói (RJ) não é uma Cidade Sorriso para quem faz música de guerrilha, “na raça”. É o que avalia o vocalista da banda Recuse Resista, Victor Rocha, que, num contexto de resistência – territorial e política – consolida o nome do grupo como uma das vozes mais viscerais do punk rock fluminense atual.

A história da Recuse Resista é indissociável à da Nardones, banda de horror punk que marcou a cena local, em meados dos anos 2010. Após um longo período de hiato, forçado pela falta de um baterista, os integrantes Ricardo, Luíza e Daniel (todos ex-Nardones) viram no encontro com o baterista Marcos a oportunidade não apenas de voltar a tocar, mas de fundar algo novo.

"O Ricardo já tinha umas letras de protesto escritas e aquela vontade de botar pra fora tudo o que vinha acontecendo na política brasileira", revela Rocha, referindo-se ao governo de extrema direita que vigorou entre 2019 a 2022. A decisão foi estratégica: deixar a Nardones "dormindo" e começar do zero, sem anúncios grandiosos em redes sociais, focando na construção de um projeto paralelo, que respondesse à urgência do momento atual.

Veemência

O som da Recuse Resista não pede licença: bebe diretamente da fonte do punk raiz do final dos anos 70 e início dos 80, utilizando a música como arma contra a desinformação e as fake news.


Victor Rocha Foto @diasphotograph

"O principal que essas pessoas propagadoras de notícias falsas trazem é o atraso da sociedade, do pensamento comum. Eles buscam sempre o antigo, o tradicional. Querem voltar àquelas mesmas regras morais, que eram imorais", desabafa o artista, referindo-se ao conservadorismo e à manipulação do povo.

Para Victor Rocha, que também é design e cineasta, o punk rock é o veículo ideal para uma mensagem "crua e pesada", capaz de atingir o público com a velocidade que o combate ao retrocesso exige.

O Desafio do Palco Autoral

Apesar do reconhecimento nacional — o grupo faz parte de uma rede solidária com bandas como 808 Punks, Repressão Social e Boa Noite Cinderela —, tocar em casa ainda é um desafio. Em Niterói, a banda aponta uma carência crítica de espaços para o som autoral e independente.

"Normalmente, você tem que fazer o seu próprio evento, tirar do bolso para custear equipamento. O cover tem sempre uma visibilidade maior, porque a pessoa está ali para ouvir o que já conhece", explica o cineasta. Enquanto os palcos de Niterói muitas vezes privilegiam o samba e o choro, o rock agressivo da Recuse Resista encontra mais facilidade de circulação em pontos tradicionais do Rio, como a Rua Ceará.

"Evangelistão"

O próximo passo da banda já tem nome: o EP "Evangelistão". Com quatro faixas inéditas, o trabalho promete aprofundar a crítica social que é marca registrada do grupo. Embora o financiamento para gravações de alta fidelidade ainda seja um obstáculo para novas composições, a agenda de shows segue pulsante.

Com apresentações previstas para os próximos meses, incluindo uma data aguardada no Centro Cultural Cauby Peixoto, no Fonseca, Zona Norte de Niterói, a Recuse Resista prova que, mesmo sem o apoio da mídia corporativa, o punk rock de protesto segue firme, provando que a união entre as bandas antifascistas é o que mantém a chama acesa.

Acompanhe as datas e lançamentos da banda no Instagram oficial: @recuse_resista_punkrock

 

Marujinhos Pataxó celebram cura e identidade no álbum Cantigas de Roda Ancestrais

Foto: Elisa Braga



Entre sambas indígenas e memórias de anciãos, novo álbum resgata a identidade da Aldeia Mãe e conquista reconhecimento nacional

Um Brasil que canta para não esquecer quem é. Na Aldeia Mãe Barra Velha, ao pé do Monte Pascoal, no sul da Bahia, o tempo não corre: ele ciranda. É na terra onde o país começou que a resistência indígena se mantém viva e faz nascer o álbum "Cantigas de Roda Ancestrais". Mais do que um projeto fonográfico, o trabalho dos Marujinhos Pataxó é um manifesto sonoro de sobrevivência, unindo a pureza das vozes infantis à sabedoria milenar de quem já viu a história arder.

O coração do disco bate no ritmo de Maria Coruja. Aos 86 anos, a anciã surda é uma das últimas memórias vivas do "Massacre do Fogo" de 1951. Hoje, ela transforma o trauma em transmissão de saber. Foi através dos seus gestos e ensinamentos que as cantigas tradicionais e o samba indígena foram resgatados do esquecimento para serem entregues às mãos — e gargantas — das crianças da comunidade.


Foto: Theo Bueno

O resultado é um encontro geracional potente: os pequenos Pataxó assumem o papel de guardiões da cultura, gravando em estúdio, ao lado de suas mestras. O projeto é fruto de um ano de oficinas e um mapeamento cultural que percorreu 35 aldeias, provando que a oralidade é uma tecnologia de preservação imbatível.



Da aldeia ao Palácio

Foto: divulgação

A força deste movimento ultrapassou as fronteiras do território. Em março de 2025, o grupo viajou até Brasília para receber o 38º Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, a mais alta honraria do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). O reconhecimento celebra a revitalização do samba indígena, um ritmo que é, simultaneamente, ritual, espiritual e modo de vida.


Foto: Elisa Braga

Enquanto o mundo ouve o remix de "A Força dos Encantados" (produzido pelo duo Tropkillaz) ou assiste ao documentário Pataxi Imamakã em festivais de cinema como o de Trancoso, a Aldeia Mãe reafirma-se como um polo de produção cultural vibrante. Ali, a música é uma ferramenta política, na luta pela demarcação de terras e pela afirmação de um património que é vivo, pulsante e indomável.



“Cantigas de Rodas Ancestrais” já está disponível em todas as plataformas de streaming. Ouça: Cantigas de Roda Ancestrais

Mergulho na Ancestralidade



Para quem deseja conhecer as camadas mais profundas desta história, o projeto desdobra-se em outras artes, como o livro Memórias Ancestrais, o documentário "Tecendo Ancestralidade nas Linhas do Tucum", além dos bastidores "Cantigas de Roda Ancestrais da Aldeia Mãe".

 

sábado, 18 de abril de 2026

Do underground às grandes arenas, Culture Wars lança "Don’t Speak", álbum de estreia

 

Fotos: Eliot Lee

Com mais de 66 milhões de streams e turnês esgotadas, banda americana consolida sua ascensão no indie rock com projeto introspectivo e potente

O rock alternativo ganha um novo fôlego com a chegada oficial de "Don’t Speak", o disco de estreia dos norte-americanos do Culture Wars. Já disponível via AWAL, o álbum representa não apenas o amadurecimento sonoro do grupo, mas o ápice de um crescimento meteórico, que colocou a banda no radar das principais rádios alternativas dos Estados Unidos e em palcos divididos com gigantes como Maroon 5 e Keane.

O projeto apresenta 12 faixas que equilibram a energia das guitarras com uma rara honestidade emocional. O vocalista Alex Dugan utiliza o álbum como um campo de exploração sobre identidade, descrevendo faixas como "Typical Ways" como cartas abertas ao seu eu do passado, marcadas por temas de arrependimento e reconstrução.

Ouça "Don’t Speak": https://culturewars.co/dontspeak

Identidade sonora e fenômeno global

Musicalmente, o Culture Wars não tem medo de abraçar a ambição das grandes arenas. "Don’t Speak" é um mosaico de referências que passeia pelo rock alternativo dos anos 90, toques de synth-pop oitocentista e até nuances de surf music.

Mesmo antes deste lançamento, os números da banda já impressionavam: 66 milhões de streams globais e o hit "It Hurts" cravado no Top 20 das paradas americanas. Indicados pela Apple Music como uma das promessas da indústria, o grupo agora se prepara para uma turnê internacional que percorrerá a América do Norte e a Europa, ao longo de 2026.

Com uma sonoridade que evoca tanto a nostalgia quanto a modernidade, o Culture Wars prova que o rock continua pulsante e pronto para conquistar novas gerações.

  • Assista "Don’t Speak"


Capital Mundial do Choro: IV Festival Internacional une tradição e vanguarda em Niterói

 

Edu Lobo. Foto: redes sociais/Instagram

Com Edu Lobo, Eliana Pittman e Amaro Freitas, evento gratuito no Reserva Cultural promove encontros inéditos entre o clássico e o contemporâneo

O choro é livre. Pelo menos em Niterói, cidade que se prepara para quatro dias de imersão profunda na alma da música brasileira: entre os dias 23 e 26 de abril (de quinta a domingo), o IV Festival Internacional de Choro ocupa o complexo do Reserva Cultural e a Sala Nelson Pereira dos Santos, em São Domingos. Promovido pela prefeitura local, o evento não apenas celebra as raízes do gênero, mas o coloca em diálogo com o jazz, o frevo e até o funk carioca.



Eliana Pittman. Foto: redes sociais/ Instagram

Nesta edição, a programação rompe barreiras ao unir gerações. De nomes consagrados como Mauro Senise e Cristóvão Bastos a expoentes da nova música negra contemporânea como o pianista Amaro Freitas, o festival reafirma o choro como uma linguagem viva e em constante mutação.

Encontros Históricos e Homenagens

O palco externo e as salas de concerto serão testemunhas de parcerias raras. Um dos grandes momentos aguardados é o encerramento, no dia 26, quando o Pife Muderno recebe o mestre Edu Lobo. Outros destaques incluem um tributo a Zé da Velha, com Silvério Pontes e Everson Moraes; Jazz das Minas & Eliana Pittman - encontro de potências femininas, na Sala Nelson Pereira dos Santos -; Mestres em Foco, homenageando ícones como Elizeth Cardoso, Paulinho da Viola e os 95 anos de Jorginho do Pandeiro.


Amaro Freitas. Foto: redes sociais/Instagram

Oficinas e Formação

O caráter democrático do festival se estende à educação. Entre os dias 20 e 24 de abril, músicos de todos os níveis podem participar de oficinas gratuitas de instrumentos como bandolim, acordeon, sopros e violão. É a oportunidade de aprender diretamente com quem faz, mantendo acesa a chama da transmissão oral e técnica do nosso chorinho.


Sala Nelson Pereira dos Santos. Foto: PrefDeNiterói

Inovação

A curadoria deste ano aposta na diversidade cultural urbana. Em um dos pontos altos, o festival promove o diálogo entre o passinho do funk e o frevo, evidenciando que a música brasileira é um organismo dinâmico, onde o choro serve como o alicerce fundamental para a inovação.

Serviço



  • Data: 23 a 26 de abril (de quinta a domingo).
  • Local: Reserva Cultural (São Domingos) e Sala Nelson Pereira dos Santos.
  • Entrada: Gratuita. Para os shows na Sala Nelson, os convites devem ser retirados 2h antes na bilheteria.
  • Inscrições para oficinas: Pelo Instagram @choroniteroi.

Casarão do Firmino celebra São Jorge com Leci Brandão e feijoada de graça

 Feriado na Lapa terá chopp liberado e clássicos do samba

Fotos: divulgação

Salve Jorge! O dia 23 de abril, dedicado a Ogum, promete parar a Lapa com uma das mais importantes festas dedicadas ao Santo Guerreiro no Rio. Conhecido como o “Palácio do Samba”, o Casarão do Firmino abre suas portas a partir das 13h, para uma celebração de fé, resistência e o melhor do gênero musical mais querido do Brasil, ao receber ninguém menos que Leci Brandão.

A artista, primeira mulher a integrar a ala de compositores da Mangueira e ícone da música brasileira, apresentará sucessos que atravessam cinco décadas, como “Zé do Caroço” e “As Coisas que Mamãe me Ensinou”. O evento conta ainda com artistas do Grupo Arruda; Como Antigamente; Allan Ylê e a DJ Nicolle Neumann.  



Gastronomia

Para quem chegar cedo, a casa preparou benefícios especiais. A feijoada é por conta da casa, para as primeiras 200 pessoas e o chopp, liberado, das 13h às 14h30.

Serviço

  • Data: 23 de abril (Quinta-feira/Feriado)
  • Local: Rua da Relação, 19 – Lapa.
  • Ingressos: 3º lote a R$ 25,00 via Sympla.
  • Classificação: 18 anos.
  • Informações: (21) 99826-2068 (WhatsApp).

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Luis Felipe Gama debuta no universo instrumental com "Aluíada de Primavera"

 

Foto: redes sociais (Facebook)

Após 30 anos de carreira e parcerias com nomes como Guinga e Pablo Milanés, o compositor inaugura nova fase estétic,a inspirada pelo Jazz e pela música erudita

Há quase três décadas que o nome de Luis Felipe Gama circula entre a elite da música brasileira, associado a parcerias de peso e composições que já foram descritas por Chico Buarque como "a canção do século". Agora, o artista decide trilhar um caminho inédito: o da música puramente instrumental. Com o lançamento de "Aluíada de Primavera", Gama deixa as palavras de lado para permitir que a narrativa seja conduzida exclusivamente pela harmonia.

Lançada pelo selo Letra & Música, a faixa é o primeiro movimento de uma série dedicada à figura simbólica de Aluene. A composição é uma peça de ourivesaria sonora que funde o Samba Jazz à música erudita, revelando uma pesquisa estética que une a sensibilidade narrativa à sofisticação do jazz contemporâneo.

Ouça “Aluíada de Primavera”: https://ditto.fm/aluiada-de-primavera


De Chopin a Coltrane

A sonoridade de "Aluíada de Primavera" não esconde as suas raízes profundas. Luis Felipe Gama constrói uma paisagem sonora onde dialogam referências tão distintas quanto Milton Nascimento, Chopin, John Coltrane e até o cinema de Tarkovsky. O resultado é uma peça que se desenvolve como um fluxo de imagens, evocando atmosferas que remetem à linhagem de grandes orquestradores brasileiros, como Tom Jobim e Edu Lobo.

Trajetória

Com uma carreira consolidada por turnês na Europa e no Japão, e gravações históricas em Cuba, ao lado de Pablo Milanés, Gama se reafirma como um dos pilares da música autoral brasileira. A sua transição para o instrumental é apoiada pela curadoria criteriosa do selo Letra & Música, gerido por Valeria Sattamini e Juliano Juba, que procura conectar a tradição brasileira à world music contemporânea.



Esta nova fase criativa de Luis Felipe Gama não é apenas uma mudança de género, mas um convite para experienciar a música como um estado de espírito contemplativo e universal.

"Sentimento e Nada": Mari Romano une folclore argentino e sofisticação brasileira em novo single

 

Foto: Alexandre Romano

Artista antecipa o álbum Além da Pele com faixa inspirada na zamba e marcada por arranjos de sopro hipnóticos

O que acontece quando o samba brasileiro encontra a zamba argentina? Para a cantora, compositora e produtora Mari Romano, essa descoberta ocorreu durante uma temporada vivendo no país vizinho. Fascinada pelo ritmo folclórico popularizado por ícones como Mercedes Sosa, Mari deu vida a “Sentimento e Nada”, o novo single que pavimenta o caminho para seu próximo disco, Além da Pele.

A faixa é uma experiência polirrítmica que funde o rústico ao sofisticado. Enquanto a letra reflete sobre a modernidade — sob influência das obras do documentarista Adam Curtis —, a sonoridade se expande em uma atmosfera meditativa, comparada pela artista ao balanço contínuo de um barco.

Ouça “Sentimento e Nada”: http://tratore.ffm.to/sentimentoenada

A força dos arranjos

O grande destaque da canção surge em sua reta final: um longo trecho instrumental onde Mari brilha como arranjadora. Ela assina todos os sopros do álbum, e nesta faixa o trabalho ganha contornos épicos com a participação do trio Copacabana Horns (músicos que acompanham lendas como Caetano Veloso e Maria Bethânia) e de Aline Gonçalves.


Design: Sophia Poole 

A construção é progressiva, somando camadas de sax tenor, trompete, trombone, clarinete e flauta transversa sobre a bateria de Jeremy Gustin. O resultado é um jogo de vozes e contrapontos que convida o ouvinte a permanecer no fluxo, sem pressa para o fim.

Um mosaico sonoro

“Sentimento e Nada” dá sequência a uma série de lançamentos que revelam as múltiplas facetas de Mari Romano. No mosaico de Além da Pele, a artista já apresentou:

  • “Mosquito”: Sua primeira incursão no inglês com uma pegada soturna. Ouça aqui.
  • “Maluco da Retronoia”: Uma exploração de estados emocionais urbanos. Ouça aqui.
  • “Tudo Errado”: Mais uma peça desse quebra-cabeça sonoro. Ouça aqui.

Com mixagem de Angelo Wolf e um time de músicos de peso, Mari Romano consolida-se como uma das mentes mais inventivas da nova cena, provando que a música, em sua melhor forma, não conhece fronteiras.

Banda tributo aprovada por Robert Plant, Letz Zep desembarca em São Paulo



Único grupo com a chancela dos integrantes originais do Led Zeppelin se apresenta na Suhai Music Hall, em agosto

Para os órfãos de um dos maiores impérios do rock, o dia 8 de agosto (sábado) promete ser um marco. A banda inglesa Letz Zep, aclamada internacionalmente como a melhor representação do Led Zeppelin no mundo, chega a São Paulo para uma noite de imersão total na obra de Jimmy Page e Robert Plant. O show acontece na Suhai Music Hall, com produção assinada pela North Star.

O diferencial do Letz Zep não reside apenas na técnica, mas no "selo de autenticidade" que carregam. Eles são a única banda tributo no planeta a possuir a aprovação direta e pública dos membros originais. O reconhecimento é tamanho que o próprio Robert Plant, ao assistir a uma performance, declarou:

“Inacreditável. Quando entrei, me vi no palco — só que não era eu”.

Até mesmo o perfeccionista Jimmy Page rendeu-se ao talento do grupo, após uma apresentação em Londres. “Foi ambicioso, mas vocês conseguiram”, afirmou o guitarrista lendário.

Conexão histórica



A fidelidade sonora do grupo ganha um reforço genético: a bateria é comandada por Jake Blackwell, filho de Chris Blackwell, músico que acompanhou Robert Plant, em diversos álbuns solo. Essa proximidade com o "universo Zeppelin" permite que a banda entregue não apenas os hits, mas a energia crua e a sofisticação instrumental que definiram o gênero nos anos 70.

Com passagens lotadas pela Europa, Ásia e Américas, o Letz Zep traz para a capital paulista um repertório que atravessa gerações, garantindo que clássicos como Stairway to Heaven e Kashmir soem com a potência que o público espera.

Programe-se

A Suhai Music Hall, localizada no Shopping SP Market, oferece estrutura completa para receber os fãs, com acessibilidade e fácil acesso via CPTM. Os ingressos oficiais já estão disponíveis via Ticketmaster.

Serviço: Letz Zep em SP

  • Data: 8 de agosto (sábado)
  • Local: Suhai Music Hall (Av. das Nações Unidas, 22540 - Jurubatuba)
  • Horários: Abertura da casa às 20h | Show às 22h
  • Ingressos: Bilheteria física no Shopping Ibirapuera (sem taxa) ou pelo site ticketmaster.com.br

Xande de Pilares e Grupo Revelação anunciam turnê histórica de reencontro em 2026

Foto: Fernando Young

 

O que muitos fãs consideravam um sonho distante acaba de se tornar realidade. O Grupo Revelação e Xande de Pilares anunciaram a turnê nacional “Tava Escrito: O Reencontro Histórico”. O projeto vai percorrer as principais capitais brasileiras, entre junho e outubro de 2026, celebrando quase 30 anos de uma trajetória que transformou o samba em "quase uma religião", como define o integrante Rogerinho.

A história que começou no Varandão, no Méier, Zona Norte do Rio, agora ganha os palcos de arenas e estádios. O reencontro traz a formação clássica que consolidou o som do grupo: Mauro Júnior (banjo), Rogerinho (tan-tan), Beto Lima (violão), Sérgio Rufino (pandeiro) e Artur Luis (reco-reco).

A grande novidade nos vocais é a dobradinha entre Xande e seu sobrinho, Jonathan Alexandre (o Mamute), que já integra o grupo desde 2018. "Sou literalmente um fã que estará em cima do palco com seu ídolo", conta Mamute, reforçando a continuidade geracional desse legado.

Ingressos e Datas

A pré-venda exclusiva para clientes com Cartões BB Elo começa nos dias 20 e 21 de abril, com benefícios como parcelamento em até 10x sem juros e 20% de desconto. Para o público geral, as vendas abrem no dia 22 de abril.

📍 Datas Confirmadas:

  • 27/06: Rio de Janeiro (Farmasi Arena)
  • 04/07: Porto Alegre (Fly 51)
  • 11/07: Belo Horizonte (Arena MRV)
  • 18/07: São Paulo (Allianz Parque)
  • 08/08: Brasília (Arena BRB Mané Garrincha)
  • 22/08: Recife (Classic Hall)
  • 05/09: Florianópolis (Arena Opus)
  • 12/09: Curitiba (Pedreira Paulo Leminski)
  • 26/09: Salvador (Casa de Apostas Arena Fonte Nova)
  • 10/10: Fortaleza (Marina Park)

Serviço e Vendas Online

Os ingressos estarão disponíveis oficialmente apenas através da Ticketmaster Brasil. Evite plataformas secundárias para garantir sua segurança.

Dica do Cena: Prepare o gogó e o coração, porque sucessos como "Coração Radiante" e "Tá Escrito" prometem ser cantados a plenos pulmões, em uma celebração que conecta o passado, o presente e o futuro do nosso samba.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Centro de Artes UFF resgata sonoridade do século XVI

 

Foto: F. Rossignoli/divulgação

Cápsula do tempo sonora. Eis o que o público pode esperar, no próximo dia 5 de maio, terça-feira, do espetáculo “Que he o que vejo”, no Teatro da UFF, em Icaraí, Zona Sul de Niterói (RJ). O evento, que é parte da série Música de Câmara, no Centro de Artes da universidade, desembarca diretamente do Porto, em Portugal, para a Cidade Sorriso.

Mais do que um concerto, a apresentação é o resultado de uma rigorosa investigação acadêmica, financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia de Portugal. O objetivo é fazer o com que as pessoas ouçam música do século XVI, exatamente como ela soava em sua época, recuperando não apenas as notas, mas a pronúncia histórica do português quinhentista, do latim e do castelhano daquele período.

Autenticidade

Formado pelos músicos Ananda Roda, Thiago Vaz, Irene Brigitte e Teodora Tommasi, o quarteto utiliza réplicas fiéis de instrumentos históricos. Essa escolha permite a recriação dos timbres e articulações originais que se perderam ao longo dos séculos com a modernização das orquestras.

A experiência busca aproximar o ouvinte da estética da Renascença, onde a música e a literatura caminhavam de mãos dadas. O repertório é baseado nos antigos cancioneiros, revelando uma riqueza cultural que une o rigor da pesquisa europeia ao entusiasmo da performance ao vivo.

Formação de plateia

Para os curiosos e entusiastas da história, a programação começa mais cedo. Às 17h30, Irene Brigitte ministra uma palestra aberta sobre a variedade linguística dos cancioneiros portugueses. O encontro é uma oportunidade rara para entender como os pesquisadores conseguem "restaurar" uma língua falada há 500 anos e as curiosidades por trás da construção desse repertório.

Serviço

  • Evento: Concerto "Que he o que vejo?"
  • Data: 5 de maio (terça-feira)
  • Horários: Palestra às 17h30 | Concerto às 19h
  • Local: Teatro da UFF (Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí)
  • Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) | Preço único promocional: R$ 10
  • Vendas: No site ingressosuff.com.br ou na bilheteria do teatro.

Camaleão do mainstream, Bruno Mars rege a própria evolução

Foto: Daniel Ramos  Por Saulo Andrade e Tati Martins De acordo com o senso comum das redes sociais e da opinião pública musical, ser um ar...