quarta-feira, 6 de maio de 2026

Barra de São João vira a capital do Jazz e do Blues em maio

 

Fotos: divulgação 

Acordes que Impulsionam. Entre os dias 15 e 17 de maio (de sexta a domingo), o distrito de Barra de São João (RJ) será o epicentro de um dos encontros musicais mais aguardados do estado. A região recebe uma etapa do Circuito Sesc Jazz & Blues 2026, trazendo uma curadoria que une o virtuosismo brasileiro ao peso de vozes internacionais, tudo com acesso gratuito ao público.

O festival ocupará espaços icônicos com o Palco Pôr do Sol e o Palco Beirario, transformando a paisagem natural em um cenário de imersão sonora. A programação completa, que já pode ser conferida no perfil do Instagram do @sindicomercio_ro, destaca-se pela diversidade de estilos e pela qualidade técnica dos artistas selecionados.

Vitrine

O line-up deste ano promove encontros memoráveis. Entre os destaques nacionais, o gaitista Gabriel Grossi e a parceria entre Jefferson Gonçalves & Bittencourt Duo prometem apresentações intensas. A música instrumental ganha força com Dudu Lima, acompanhado por um time de mestres: Carlos Malta, Márcio Bahia e Leandro Scio.

O tempero internacional fica por conta das divas Laretha Weathersby e Tia Carroll, que trazem a autenticidade do blues norte-americano para as margens do Rio São João. O festival ainda conta com o quarteto de Mark Lambert, a energia da banda Jamz, além de Back in Blues, Cris Crochemore e o grupo Banzeiro.


O Circuito Sesc Jazz & Blues é realizado pelo Sesc RJ, com apoio do Sindicomércio e da Prefeitura de Casimiro de Abreu, sob a batuta da Azul Produções.

PROGRAMAÇÃO

15 a 17 de maio de 2026

Dia 15

Palco Beirario – a partir das 20h:

    * DJ Breno

    * Dudu Lima convida Carlos Malta, Márcio Bahia e Leandro Scio

    * Tia Carroll & Igor Prado

Dia 16

* Palco Pôr do Sol – a partir das 15h:

    * Banzeiro

    * Gabriel Grossi Trio – “Re Disc Over”

* Palco Beirario – a partir das 20h:

    * Mark Lambert Quartet – “Beatles em Jazz”

    * Laretha Weathersby & Bruno Marques Band

    * Cris Crochemore

Dia 17

* Palco Pôr do Sol – a partir das 15h:

    * DJ Breno

    * Jefferson Gonçalves & Bittencourt Duo

* Palco Beirario – a partir das 20h:

    * Back in Blues

    * Jamz

Bernardo Aguiar funde som e imagem em primeiro álbum solo

 

Foto: Daniel Lobo/divulgação 

Após três décadas de estrada e colaborações com gigantes da música brasileira e internacional, o percussionista e produtor Bernardo Aguiar dá um passo definitivo em sua trajetória autoral. No próximo dia 15 (sexta-feira), o artista lança Káminhos Benaguiá, um projeto que subverte a lógica tradicional da indústria, ao apresentar uma obra integralmente audiovisual, onde música e estética visual nascem de um mesmo DNA.

Conhecido por sua atuação de 20 anos no grupo Pife Muderno e parcerias com nomes como Guinga e Hermeto Pascoal, Aguiar assume em seu primeiro disco solo o papel de "arquiteto musical". Inspirado pela sinestesia de gênios como Naná Vasconcelos e Tom Jobim, ele não apenas compõe e toca, mas também assina a direção visual, edição e mixagem do projeto.

Narrativa

Em Káminhos Benaguiá, a percussão deixa de ser o acompanhamento para se tornar o eixo central. Ela dita não só o ritmo sonoro, mas também os cortes de câmera e as texturas das imagens. O trabalho é composto por "faixas audiovisuais" — e não apenas videoclipes — que incorporam sons da natureza, captados em expedições à Amazônia, criando uma experiência imersiva que flerta com o cinema.

"A música nasce do mundo, e não só do instrumento", afirma Bernardo, que buscou criar um universo onde o som sugere cor e a imagem reorganiza a escuta.


Conexões


O álbum reflete a versatilidade de um artista que transita entre as baterias das escolas de samba cariocas e o jazz contemporâneo. A lista de colaboradores é um capítulo à parte: na cena brasileira, colaborou com Carlos Malta, Silvério Pontes, Antonio Neves e Aline Paes. Lá fora, o intercâmbio estético ganha força com a participação de Michael League e Chris Bullock, integrantes da banda vencedora do Grammy Snarky Puppy.

Disponível no YouTube a partir de meados de maio, o projeto convida o público à escuta atenta, combatendo o consumo fragmentado da era digital. Com Káminhos Benaguiá, Bernardo Aguiar reafirma seu papel como um dos produtores mais inventivos da música brasileira atual, posicionando a percussão no epicentro da criação contemporânea.

Musical celebra Dalva de Oliveira e o legado de Renato Borghi em São Paulo

 

Fotos: João Caldas/divulgação 

Se estivesse viva, Dalva de Oliveira celebraria seu aniversário nesta quarta-feira (6). Mas o presente quem recebe é o público paulistano: o musical "Minha Estrela Dalva" segue em temporada no Teatro do SESI-SP, na Avenida Paulista, com entrada franca. O espetáculo é uma ode à mulher que a história batizou de "Rouxinol Brasileiro", mas que o tempo revelou como um dos maiores símbolos de resistência feminina da nossa cultura.

Escrito e estrelado por Renato Borghi, o musical não apenas narra a trajetória da Rainha do Rádio, mas celebra a relação pessoal e mística entre o ator — que completa 89 anos — e sua diva. Através da voz de Soraya Ravenle, o palco revive a potência de uma artista que navegava entre o contralto e o soprano, com uma facilidade impressionante, tornando-se o alicerce para vozes como Elis Regina, Ângela Maria e Gal Costa.

Força

O espetáculo revisita clássicos imortais como Ave Maria e Que Será, mergulhando na crueza da mulher por trás do mito. Dalva foi uma força da natureza, em uma época em que a liberdade custava caro. "Eu não tenho dono", o mantra que atravessa a peça, resume a postura de uma artista que transformou o linchamento público e as dores do amor, em beleza pura, abrindo caminhos em uma sociedade que tentava silenciá-la.

O jogo cênico proposto por Borghi e pelo diretor Elias Andreato coloca o Renato de hoje frente a frente com sua versão jovem (vivida por Elcio Nogueira Seixas), enquanto Ravenle "convoca" Dalva, fugindo da imitação para alcançar a alma da mulher que desafiou o moralismo com a garganta em chamas.

Conexão

Com sete músicos ao vivo e a participação de Ivan Vellame, a montagem traça o percurso de Borghi: do menino de seis anos fascinado pela vitrola ao artista consagrado que se tornou confidente da estrela, pouco antes de sua partida. É um "delírio documentado", que une o glamour da era de ouro do rádio ao teatro político e visceral.

SERVIÇO


"Minha Estrela Dalva”

Temporada: Até 12 de julho.

Onde: Teatro do SESI-SP (Centro Cultural Fiesp – Av. Paulista, 1313).

Sessões: Quinta a sábado, às 20h; domingos, às 19h.

Ingressos: ENTRADA GRATUITA (reservas pelo site [sesisp.org.br/eventos](http://www.sesisp.org.br/eventos)).

Acessibilidade: Libras e audiodescrição em todas as sessões de sábado e domingo.

Duração: 90 minutos | Classificação: 14 anos.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Ícone da New Wave, A Flock of Seagulls confirma show inédito em São Paulo

 

Fotos: divulgação

A banda britânica A Flock of Seagulls, um dos pilares do synthpop e da New Wave dos anos 1980, desembarca no Brasil para uma apresentação única, no Cine Joia, em São Paulo, no dia 7 de outubro de 2026. Liderado pelo vocalista e fundador Mike Score, o grupo traz ao país a turnê que celebra décadas de influência na cultura pop e no cenário audiovisual.

Reconhecida mundialmente pelo hit "I Ran (So Far Away)" e pela conquista do Grammy em 1983, com a instrumental "D.N.A.", a formação atual conta com Pando no baixo, Kevin Rankin na bateria e Gord Deppe na guitarra. Além de clássicos que marcaram a MTV, como "Space Age Love Song" e "Wishing (If I Had a Photograph of You)", o show deve apresentar faixas de Some Dreams, primeiro álbum de material inédito, lançado pela banda, em quase três décadas.

O evento é realizado pela Maraty e os ingressos já estão disponíveis para os setores de pista e camarote, com opções de meia-entrada estudantil e solidária.

Serviço


Data: 7 de outubro de 2026

Local: Cine Joia – Praça Carlos Gomes, 82, Liberdade, São Paulo/SP

Ingressos: Disponíveis no site fastix.com.br

Cantora francesa Pomme confirma show único no Brasil em maio

 

Foto: divulgação



O público brasileiro terá a oportunidade de conferir de perto o fenômeno da nova música francesa. Artisticamente conhecida como Pomme, Claire Pommet desembarca em São Paulo para uma apresentação exclusiva, no dia 26 de maio (terça-feira), no palco do Teatro Renault.

A trajetória da artista é marcada por um reconhecimento precoce. Logo em seu primeiro disco, À peu près (2017), Pomme conquistou a crítica especializada. A consolidação definitiva veio com o sucessor Les failles cacheés (2019), onde a cantora refinou sua identidade musical, ao fundir elementos da tradicional chanson francesa com folk, pop indie e toques de música clássica.

Com passagens recentes por estúdios e palcos ao lado de nomes como Coldplay e Stromae, a compositora traz na bagagem a turnê de seus trabalhos mais recentes: Consolation (2022) e Saisons (2024). Seus shows são conhecidos pelo clima intimista, no qual ela mesma assume o comando da guitarra, do piano e da autoharp.

Os ingressos para o evento, realizado pela TIME FOR FUN (T4F), já podem ser adquiridos pela internet ou na bilheteria oficial.

Serviço


Data: 26 de maio de 2026, terça-feira

Horário: 21h

Local: Teatro Renault – Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 411, Bela Vista

Ingressos: Disponíveis no site Tickets For Fun e na bilheteria do teatro

Graveyard retorna ao Brasil com turnê do álbum 6

 

Graveyard. Foto: divulgação/Nuclear Blast

A banda sueca Graveyard, expoente do vintage hard rock mundial, desembarca na América Latina para uma série de oito shows, em cinco países. Com realização da Xaninho Discos, a turnê promove o álbum 6, lançado em 2023, que apresenta uma sonoridade mais introspectiva e voltada para as guitarras.

No Brasil, o grupo realiza quatro apresentações entre os dias 7 e 10 de maio, passando por Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte. O quarteto, formado por Joakim Nilsson, Jonatan Ramm, Truls Mörck e Oskar Bergenheim, traz um repertório que mescla as novas composições a clássicos da carreira, iniciada em 2006.

Bike. Foto: André Almeida/divulgação


A abertura de seis datas da turnê fica a cargo da banda brasileira Bike. O grupo de rock psicodélico de São José dos Campos (SP) aproveita a oportunidade para divulgar o disco Noise Meditations, lançado em setembro de 2025, em sua primeira incursão por palcos do Chile e da Argentina, ao lado dos suecos.


Serviço



07/05 Porto Alegre no Espaço Marin

08/05 Curitiba no Basement

09/05 São Paulo no Hangar 110

10/05 Belo Horizonte no Mister Rock

Ingressos disponíveis na plataforma 101tickets.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Baile do Viaduto comemora 36 anos com show do Fat Family

 

Fotos: divulgação 

Madureira em festa. O coração da Zona Norte carioca baterá no ritmo do groove e da elegância neste sábado (9). O tradicional Baile de Charme do Viaduto de Madureira celebra 36 anos de história, reafirmando sua posição como o maior do gênero no Brasil e um pilar fundamental da cultura negra no Rio de Janeiro.

Para tornar a noite memorável, o "Dutão" recebe o grupo Fat Family, com a turnê "Baile Charme". Em sua nova formação, as irmãs Suzete, Katia e Simone prometem um show histórico que une nostalgia e modernidade. O repertório visitará hits inesquecíveis como “Jeito Sexy” e “Fim de Tarde”, além de apresentar novos arranjos que homenageiam a soul music nacional e o atual momento do R&B brasileiro.

Patrimônio cultural  

Fundado originalmente em 1990 por entusiastas do samba e consolidado como o projeto "Charme na Rua", o espaço sob o Viaduto Negrão de Lima transcendeu o entretenimento. Desde 2013, o baile é reconhecido como Patrimônio Imaterial da Cidade do Rio de Janeiro. 

Ao longo de mais de três décadas, o local tornou-se referência por manter preços populares e promover a identidade negra através da dança, do estilo e da atitude, servindo de palco para grandes nomes nacionais e internacionais, como Sandra de Sá, Racionais MC's e Keith Sweat.

Serviço

A celebração começa às 22h e conta com a abertura dos DJs residentes Michell, Fernandinho, Vig, Gab e Guto.

Data: 9 de maio de 2026 (Sábado)

Local: Viaduto Negrão de Lima, Madureira

Atrações: Fat Family e DJs residentes

Ingressos: R$ 30 (antecipados) via Bilheteria Digital

Classificação: 18 anos

Naturezautomatica disseca o presente em Novo Single

 

Foto: Flávio Charchar/divulgação 

Diretamente da efervescente cena independente de Belo Horizonte, a banda Naturezautomatica surge como um dos projetos mais instigantes a brotar no solo mineiro, em 2025. Unindo músicos experientes vindos de grupos como 4Instrumental, Cães do Cerrado, Jota Quércia e RU NA, o quarteto propõe uma ruptura com seus passados musicais para investigar as angústias de uma era marcada pelo "antropoceno tecnológico".

Formada por André “Pepo” Persechini (voz e violão), Leo Bryan (baixo), Raul Lanari (bateria e vocais) e Tiago Sales (guitarra e vocais), a banda constrói um universo lírico focado no embate entre o fim das utopias e a resistência do desejo pelo futuro. Sonoramente, o grupo funde a tradição brasileira — com toques de triângulo de baião e a pulsação da viola caipira — a texturas de guitarras distorcidas e compassos atmosféricos.

Tecnofascismo

O novo single da banda, intitulado “VEM!”, funciona como um jingle irônico, que resgata a nostalgia dos primórdios da rede mundial de computadores. A letra remete à época em que o acesso era medido em pulsos telefônicos, pós-meia-noite, contrastando com o atual bombardeio de dados.

O videoclipe, assinado por André Persechini, traduz visualmente esse caos. Através de uma enxurrada de memes e cores, a obra narra a transição da internet como promessa de liberdade para a sua atual assimilação pelas Big Techs. Segundo Persechini, a ideia foi registrar essa jornada:


"Desde seu início como promessa utópica de acesso universal à informação, até sua eventual assimilação pela lógica necroliberal do tecno fascismo das bigtechs.”

Com produção de Fernando Bones, a faixa é o abre-alas de um EP que terá seus próximos capítulos revelados ao longo de 2026. O registro completo promete consolidar a identidade de um grupo que, embora beba em fontes globais, mantém os pés firmes na experimentação brasileira e o olhar atento às contradições do mundo moderno.

Arlindinho e Babi Cruz celebram o Dia das Mães em Vila Isabel

 

Divulgação 

Samba e afeto. O coração de Vila Isabel baterá no ritmo do samba e do amor materno na sexta (8). Em uma celebração antecipada do Dia das Mães, o Terraço da Vila, localizado no 6º andar do Shopping Boulevard, recebe um encontro geracional inesquecível: Arlindinho e Babi Cruz dividem o palco em uma apresentação gratuita a partir das 16h.

O evento promete ir além da música, transformando-se em uma homenagem ao legado da família Cruz, em um dos bairros mais tradicionais do Rio. Sob o céu de Vila Isabel e com vista para a histórica Igreja de Santo Antônio de Lisboa, o público poderá desfrutar de um ambiente que une a identidade do samba a uma estrutura completa de lazer e gastronomia.


A entrada é gratuita, mas os interessados devem realizar o resgate dos ingressos através do aplicativo do Shopping Boulevard. O show faz parte da campanha "Mãe, em você encontro amor", que também oferece benefícios e brindes exclusivos para os clientes cadastrados no programa de fidelidade do shopping.

Serviço

Evento: Show Arlindinho e Babi Cruz

Data: 8 de maio

Horário: A partir das 16h

Local: Terraço da Vila – Shopping Boulevard (Rua Barão de São Francisco, 236)


Entrada: Gratuita via app do shopping

domingo, 3 de maio de 2026

Clem Burke relembra o nascimento do Blondie, na caótica Nova York dos anos 70

 

Fotos: redes sociais/Clem Burke

Antes do glamour da new wave e do estrelato global, o Blondie era apenas uma ideia, sobrevivendo entre o lixo acumulado e a decadência urbana da Nova York de 1975. Em um relato íntimo e visceral, o baterista Clem Burke resgatou, no suplemento Culture (The Sunday Times), deste domingo (3), as memórias de como um anúncio de jornal mudou o rumo da história da música e de sua própria vida.

Tudo começou com um anúncio de classificados no jornal Village Voice. O texto era direto e carregado de urgência: "Precisa-se de baterista musicalmente experiente e com energia freak para banda de rock de NYC com vocalista feminina já estabelecida".


Ao chegar para a audição, Burke se deparou com rostos conhecidos do submundo noturno: Chris Stein e Debbie Harry. "Mesmo à primeira vista, Debbie tinha todas as facetas para prender sua atenção", recorda Burke. Para ele, ela era uma mistura magnética do frescor de Marilyn Monroe com a vulnerabilidade de Jean Harlow, envolta em uma aura de "Warhol cool".

A Nova York daquela época não era para amadores. A cidade estava "no soro", com serviços públicos em colapso e bairros inteiros tomados pelo abandono. Enquanto Debbie Harry equilibrava a vida de estrela em ascensão, com um emprego de garçonete de biquíni no Financial District, Chris Stein mantinha o "QG" da banda em um apartamento no SoHo, onde a banheira na cozinha servia de balcão e ponto de encontro. Burke descreve uma rotina de guerrilha urbana.

Logística

Debbie acordava ao amanhecer, todos os dias, apenas para trocar o carro de lado na rua e evitar que fosse guinchado pela prefeitura.


O icônico CBGB, hoje um templo do rock, era descrito por Burke como um lugar sujo e negligenciado na Bowery, cercado por sopões comunitários e pessoas em situação de vulnerabilidade.

Apesar da sujeira e do perigo — com bêbados jogando garrafas das janelas do hotel vizinho —, o CBGB tornou-se o "marco zero" para o Blondie, ao lado de nomes como Ramones e Talking Heads. Para Burke, a pobreza da época não era um obstáculo, mas um catalisador. "A gente não precisava de dinheiro para fazer o que fazia. Se tivéssemos fome, um sanduíche de 25 centavos na mercearia nos sustentava até a próxima aventura", recorda-se o músico. 

Para o baterista, a decadência da cidade agiu como um combustível para a criatividade. O Blondie não buscava o sucesso financeiro imediato, mas sim a energia da cena. O tempo, no final das contas, provou que Burke estava certo: o mundo levaria apenas alguns anos para finalmente alcançar o que ele viu naquela primeira audição.


Nota: este texto é uma adaptação baseada em trechos de "The Other Side of the Dream: My Life in and out of Blondie", de Clem Burke.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Após hiato de nove anos, Dinamite Club ressurge com a densidade de "Cortisol"

Fotos: Bruno Massao/divulgação

O silêncio de quase uma década da banda Dinamite Club chegou ao fim. O grupo, um dos expoentes do circuito independente nacional, acaba de lançar o terceiro álbum de estúdio: "Cortisol". O trabalho marca não apenas o retorno aos palcos, mas a estreia oficial da formação em trio, composta por Bruno Peras (vocal e baixo), Márcio Rodrigues (guitarra e vocal) e Jaime Xavier (bateria).


Lançado pelo selo Crocante Records, o disco é um retrato cru dos anos que separaram este lançamento do anterior, "Nós Somos Tudo o Que Temos" (2017). O título não é por acaso: as dez faixas foram gestadas em um período de turbulências que incluem o luto pela perda de um integrante fundador, em 2018, crises de ansiedade, burnout e os impactos da pandemia.

Confessionário


Diferente da aura solar que marcou o início da trajetória da banda,em 2010, "Cortisol" mergulha em uma sonoridade mais pesada e cadenciada. "Seria desonesto negligenciar tudo o que passamos, para continuar falando apenas de coisas boas", afirma o guitarrista Márcio Rodrigues. A mudança estética reflete a nova dinâmica do trio, que buscou na produção de Ali Zaher Jr. (CPM 22) o equilíbrio entre a energia do punk e a densidade emocional do momento atual.

A arte da capa, desenhada à mão pelo baterista Jaime Xavier, ilustra bem o conceito: uma cabeça formada por comprimidos, simbolizando a luta pela saúde mental, em tempos de esgotamento.

Estrada

Em vez da tradicional avalanche de singles, a banda optou por lançar o disco como uma obra completa, permitindo que o público absorva a narrativa por inteiro. A faixa "Invisível" serve como o cartão de visitas dessa nova fase, conectando o passado melódico ao presente mais visceral.


Com o novo repertório, o Dinamite Club planeja retomar a rota de shows pelo Brasil, transformando a resiliência dos últimos anos em catarse coletiva sobre o palco.

Serviço

Álbum: Cortisol

 Selo: Crocante Records

Onde ouvir: Disponível em todas as plataformas digitais e no Bandcamp oficial da banda.

Barra de São João vira a capital do Jazz e do Blues em maio

  Fotos: divulgação  Acordes que Impulsionam. Entre os dias 15 e 17 de maio (de sexta a domingo), o distrito de Barra de São João (RJ) será ...