sexta-feira, 17 de abril de 2026

Xande de Pilares e Grupo Revelação anunciam turnê histórica de reencontro em 2026

Foto: Fernando Young

 

O que muitos fãs consideravam um sonho distante acaba de se tornar realidade. O Grupo Revelação e Xande de Pilares anunciaram a turnê nacional “Tava Escrito: O Reencontro Histórico”. O projeto vai percorrer as principais capitais brasileiras, entre junho e outubro de 2026, celebrando quase 30 anos de uma trajetória que transformou o samba em "quase uma religião", como define o integrante Rogerinho.

A história que começou no Varandão, no Méier, Zona Norte do Rio, agora ganha os palcos de arenas e estádios. O reencontro traz a formação clássica que consolidou o som do grupo: Mauro Júnior (banjo), Rogerinho (tan-tan), Beto Lima (violão), Sérgio Rufino (pandeiro) e Artur Luis (reco-reco).

A grande novidade nos vocais é a dobradinha entre Xande e seu sobrinho, Jonathan Alexandre (o Mamute), que já integra o grupo desde 2018. "Sou literalmente um fã que estará em cima do palco com seu ídolo", conta Mamute, reforçando a continuidade geracional desse legado.

Ingressos e Datas

A pré-venda exclusiva para clientes com Cartões BB Elo começa nos dias 20 e 21 de abril, com benefícios como parcelamento em até 10x sem juros e 20% de desconto. Para o público geral, as vendas abrem no dia 22 de abril.

📍 Datas Confirmadas:

  • 27/06: Rio de Janeiro (Farmasi Arena)
  • 04/07: Porto Alegre (Fly 51)
  • 11/07: Belo Horizonte (Arena MRV)
  • 18/07: São Paulo (Allianz Parque)
  • 08/08: Brasília (Arena BRB Mané Garrincha)
  • 22/08: Recife (Classic Hall)
  • 05/09: Florianópolis (Arena Opus)
  • 12/09: Curitiba (Pedreira Paulo Leminski)
  • 26/09: Salvador (Casa de Apostas Arena Fonte Nova)
  • 10/10: Fortaleza (Marina Park)

Serviço e Vendas Online

Os ingressos estarão disponíveis oficialmente apenas através da Ticketmaster Brasil. Evite plataformas secundárias para garantir sua segurança.

Dica do Cena: Prepare o gogó e o coração, porque sucessos como "Coração Radiante" e "Tá Escrito" prometem ser cantados a plenos pulmões, em uma celebração que conecta o passado, o presente e o futuro do nosso samba.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Centro de Artes UFF resgata sonoridade do século XVI

 

Foto: F. Rossignoli/divulgação

Cápsula do tempo sonora. Eis o que o público pode esperar, no próximo dia 5 de maio, terça-feira, do espetáculo “Que he o que vejo”, no Teatro da UFF, em Icaraí, Zona Sul de Niterói (RJ). O evento, que é parte da série Música de Câmara, no Centro de Artes da universidade, desembarca diretamente do Porto, em Portugal, para a Cidade Sorriso.

Mais do que um concerto, a apresentação é o resultado de uma rigorosa investigação acadêmica, financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia de Portugal. O objetivo é fazer o com que as pessoas ouçam música do século XVI, exatamente como ela soava em sua época, recuperando não apenas as notas, mas a pronúncia histórica do português quinhentista, do latim e do castelhano daquele período.

Autenticidade

Formado pelos músicos Ananda Roda, Thiago Vaz, Irene Brigitte e Teodora Tommasi, o quarteto utiliza réplicas fiéis de instrumentos históricos. Essa escolha permite a recriação dos timbres e articulações originais que se perderam ao longo dos séculos com a modernização das orquestras.

A experiência busca aproximar o ouvinte da estética da Renascença, onde a música e a literatura caminhavam de mãos dadas. O repertório é baseado nos antigos cancioneiros, revelando uma riqueza cultural que une o rigor da pesquisa europeia ao entusiasmo da performance ao vivo.

Formação de plateia

Para os curiosos e entusiastas da história, a programação começa mais cedo. Às 17h30, Irene Brigitte ministra uma palestra aberta sobre a variedade linguística dos cancioneiros portugueses. O encontro é uma oportunidade rara para entender como os pesquisadores conseguem "restaurar" uma língua falada há 500 anos e as curiosidades por trás da construção desse repertório.

Serviço

  • Evento: Concerto "Que he o que vejo?"
  • Data: 5 de maio (terça-feira)
  • Horários: Palestra às 17h30 | Concerto às 19h
  • Local: Teatro da UFF (Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí)
  • Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) | Preço único promocional: R$ 10
  • Vendas: No site ingressosuff.com.br ou na bilheteria do teatro.

Groove na veia: Caramelows retorna com "Versão Brasileira" e mergulha no instrumental

 

Fotos: divulgação

Após hiato de dois anos, banda inaugura o projeto audiovisual "Sala Alumiada" com single que funde funk setentista e sofisticação brasileira

O silêncio dos palcos deu lugar ao rugido do groove. Os Caramelows, uma das engrenagens mais potentes da música contemporânea nacional, oficializam seu retorno em 2026, com o lançamento de "Versão Brasileira". Mais do que um simples single, a faixa marca uma virada estética definitiva: o grupo agora se consolida como um projeto de música instrumental.

A composição é o cartão de visitas do projeto Sala Alumiada, uma série de registros audiovisuais, gravados ao vivo no Estúdio Karô. Sob a direção de Pedro Pipano, o vídeo de estreia utiliza a iluminação como metáfora para as diversas influências que a banda absorveu em uma década de estrada.



Ouça “Versão Brasileira”: https://onerpm.link/versaobrasileiracaramelows

Evolução

Na ativa desde 2016 e conhecidos mundialmente pela parceria histórica com Liniker — que os levou a palcos sagrados como Glastonbury e Rock in Rio —, os Caramelows agora exploram novas texturas sonoras.

Em "Versão Brasileira", a banda bebe na fonte do funk dos anos 70, com acenos claros ao balanço dos Jackson 5 e à elegância moderna do Silk Sonic. O resultado é uma sonoridade densa, que une o jazz e o soul a um "tempero tupiniquim" inconfundível.



"A faixa reafirma nossa identidade com o palco, trazendo uma atmosfera carregada de groove e sofisticação", pontua o grupo, que já dividiu holofotes com ícones como Elza Soares e Criolo.

Novo EP

O lançamento, que sai pelo selo Gorillas Records, é apenas o começo de um ano movimentado. Além da série audiovisual, o grupo já trabalha na produção de um novo EP e no desenvolvimento de um show inédito, que promete revisitar os sucessos dos álbuns Remonta (2016), Goela Abaixo (2019) e o recente Vira-Lata (2024), agora sob a nova ótica instrumental da banda.

Para quem busca música brasileira com pegada universal e execução técnica, o retorno dos Caramelows é, sem dúvida, o ponto alto do calendário musical deste semestre.

 

Núbia traz reggae maranhense a Florianópolis

Foto: Daniel Igor/Divulgação



Com a turnê nacional "Sabores", destaque da cena nordestina se apresenta no Bar DeRaiz

O balanço do reggae maranhense tem encontro marcado com o público catarinense. Neste sábado (18), a cantora Núbia traz a Florianópolis a “Sabores Tour 2026”. O palco escolhido é o tradicional Bar DeRaiz, na Lagoa da Conceição, que recebe a artista em uma das etapas mais aguardadas da turnê nacional da artista.

Após uma estreia de sucesso em São Paulo, Núbia busca conectar a sonoridade do Norte e Nordeste com os circuitos consolidados do Sul. Para ela, Santa Catarina é um ponto estratégico. "Estar ali é conectar o reggae maranhense a um público fiel ao gênero, fortalecendo a presença de uma artista nordestina, dentro da rota do reggae brasileiro", afirma.

Revolução sonora

O show é baseado no álbum visual Sabores (2024), que já ultrapassa 1,5 milhão de plays, nas plataformas digitais. O repertório funde o reggae jamaicano e o dub a elementos urbanos, entregando letras que alternam entre o afeto e a crítica social.



A experiência musical será ampliada por uma curadoria rítmica diversa. A abertura ficará por conta de Regiane Araújo (MA), trazendo a força da música latina com o afrobeat. Nas carrapetas, os sets das DJs LoveSteady e Anavá, mesclando gêneros que vão do dancehall, ao amapiano, passando pelo dub.

Garanta ingressos: https://shotgun.live/pt-br/events/nubia-sabores-tour-2026

Ouça Sabores: https://open.spotify.com/intl-pt/album/5my3zgk9Y6WgPZhwwN2Sdm?si=XLeiWzhfTcKQ3xVPSBeWRQ

Serviço

  • Onde: Bar DeRaiz (Lagoa da Conceição)
  • Quando: 18 de abril
  • Ingressos: A partir de R$ 40 (2º lote) | Promocional duplo por R$ 70.

 

Distraught despeja thrash cru e crítica social em novo clipe

Foto por Ricardo Silveira (@ric_silveira)

Com estética minimalista gravada em iPhones, veteranos do metal gaúcho lançam "Aether and Truth Denied", faixa que encerra o ciclo do EP conceitual "inVolution"

A longevidade no heavy metal brasileiro não é para amadores, e a Distraught parece dominar a fórmula da persistência com a precisão de um riff de thrash. Com mais de três décadas de estrada, a banda porto-alegrense acaba de apresentar o videoclipe de “Aether and Truth Denied”, uma obra que troca o verniz das grandes produções pela urgência do live rehearsal.

Registrado no Black Stork Studio, em Porto Alegre, o material audiovisual aposta no "menos é mais". Sob o olhar de Marcos “Lagarto” Neuberger, a performance foi capturada inteiramente por apenas dois iPhones. O resultado é um registro visceral, editado pelo guitarrista Ricardo Silveira, que prioriza a técnica e a agressividade orgânica do quinteto, sem os filtros que muitas vezes camuflam a essência do gênero.

Imersão e colapso social

A composição não chega de forma abrupta. Ela é precedida por “Aether”, uma peça de ambientação sonora que prepara o terreno psicológico para o ouvinte. Segundo o baterista Thiago Caurio, responsável pela mixagem do áudio, a introdução funciona como um portal de imersão, antes que o impacto seco de “Truth Denied” tome conta do ambiente.

Para além do peso, há uma carga intelectual densa. A letra mergulha no lodo da desinformação contemporânea e na fragilidade da percepção humana. Em tempos de narrativas conflitantes, a Distraught utiliza sua música como ferramenta de análise do colapso social, questionando a negação da realidade que permeia a convivência atual.

O manifesto dos elementos

A faixa é o ponto final — ou talvez o clímax — do EP “inVolution”, lançado em julho de 2025. O trabalho é um manifesto conceitual dividido em cinco atos, cada um representando um elemento da natureza: Terra, Água, Ar, Fogo e, finalmente, o Éter.

O vocalista André Meyer é enfático ao definir o conceito por trás do título: trata-se de um grito contra o retrocesso. Para o frontman, a humanidade atravessa uma "involução" deliberada, perdendo consciência e valores, em uma marcha acelerada rumo à degradação ambiental e ética.

Legado de peso


A ficha técnica de “inVolution” reafirma o status da banda no cenário nacional. Com guitarras, baixo e vozes gravados por Renato Osorio (Dry House Studio) e mixagem de Benhur Lima, o disco ainda ostenta a arte de capa de Marcelo Vasco, ilustrador de renome internacional que já assinou trabalhos para gigantes como Slayer e Kreator.

Com seis álbuns de estúdio e uma trajetória que atravessa gerações, a Distraught prova que a maturidade não amoleceu sua pegada. Pelo contrário: a escolha por uma produção crua e uma lírica afiada demonstra que, para estes veteranos, a verdade ainda é o elemento mais pesado da composição.


Serviço:

  • Assista: @distraughtofficial (Instagram/YouTube)
  • Informações: distraught.com.br

 

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Como a Roda de Ska transformou a orla carioca em uma pequena Jamaica

 

Fotos: divulgação/redes sociais

Unindo clássicos caribenhos à essência da música brasileira, projeto, que nasceu despretensioso no interior fluminense, hoje ocupa as praias do Rio e palcos históricos

Por Saulo Andrade
A orla extensa e o sol inclemente do Rio sempre guardaram semelhanças geográficas e espirituais com Kingston, a capital da Jamaica. Mas faltava à cidade um movimento que traduzisse o skanking – o passo clássico do ska – para o pé na areia do carioca. Não mais. Isso porque, em 2015, um grupo de amigos de Barra do Piraí (RJ) teve a ideia de, numa mesa de bar, reunir a rapaziada para tocar clássicos jamaicanos, em formato acústico.
 



E o que começou como um brinde entre amigos, no interior fluminense, atravessou a pandemia, ganhou o reforço de outros músicos da capital, sob a batuta de Paulo Monnerat, e encontrou guarida nos quiosques das praias do Rio. Hoje, a Roda de Ska é um coletivo que chega a reunir mais de 15 artistas, transformando o Alalaô Kiosk, no Arpoador, e o Ginga, no Leme, em autênticos redutos do ritmo caribenho.

A força do chão



Um desses fundadores é o dentista de profissão e ukelelista por paixão Leonardo Villa Verde, o Léo Murunga; para quem o pulo do gato do projeto é a subversão do palco. De acordo com o músico, ao adotar o formado de roda, tradicionalmente associado ao samba, o grupo rompe fronteiras artísticas:

"A interação e o calor do público ali, coladinho, nós ainda não conseguimos reproduzir, sem ser nesse formato de roda no chão".

Léo acrescenta que essa proximidade permite que o improviso dite o tom, criando uma fusão, onde o público não é apenas espectador, mas parte integrante da orquestra.

A pressão sonora é um capítulo à parte. Sem nunca terem realizado um único ensaio formal, os artistas confiam no talento de um "naipe de respeito", composto por nove metais (trombones, saxofones e trompetes). O risco é o combustível: quando uma música nova entra no setlist, músicos e público descobrem o resultado juntos, em tempo real.

Identidade, ocupação e diversidade


Na estratégia de popularizar o ska por aqui, o repertório é de fato uma ponte que interliga o Brasil à terra de Bob Marley. Isso passa por “jamaicanizar” o que o brasileiro já gosta, musicalmente. As apresentações vão de clássicos de Jimmy Cliff a The Specials, passando por releituras de Tim Maia e Jorge Ben Jor.

Essa autenticidade atraiu nomes de peso. De participações da saudosa Preta Gil ao ícone internacional Chris Murray, o projeto viveu um ápice recente, ao receber, no último domingo (12), B-Negão na areia, numa apresentação movida pela pura generosidade artística. "Ele colou com a gente para fazer um som na praia, sem cachê, só pelo prazer da diversão", recorda Murunga.

Além do entretenimento, a Roda de Ska se tornou um catalisador de ocupação cultural. O sucesso do grupo abriu portas para que outros ritmos, como a cumbia, a salsa e o afrojazz, também conquistassem espaço nos quiosques. "Há muita arte além de samba e sertanejo, que o público tem o direito de conhecer", defende o fundador.

Com um single já lançado, o grupo agora foca na captação de recursos para registrar em estúdio quatro novas canções, consolidando a trabalho num EP oficial. Enquanto o álbum não vem, o compromisso permanece o mesmo: manter o ska vivo, democrático e, acima de tudo, com o “pé na areia, a caipirinha, a água de coco e a cervejinha” do carioca.  















 

Jazz que transforma: Roberto Rutigliano promove diálogo entre erudito e improviso na Audio Rebel

Fotos: divulgação

 

Em dia dedicado à pesquisa musical, baterista realiza masterclass gratuita e concerto com septeto de cordas, no Programa Funarte Ações Continuadas

A fronteira entre o rigor da música de câmara e a liberdade do jazz será o ponto de partida para uma ocupação artística na Audio Rebel, em Botafogo, zona Sul do Rio, nesta quarta (16). Sob o guarda-chuva do Programa Funarte Ações Continuadas, o baterista e compositor argentino Roberto Rutigliano comanda uma programação que une o caráter pedagógico à performance de palco, reafirmando a casa como um dos principais eixos de inovação estética do Rio.

O dia começa cedo para os interessados na técnica por trás das baquetas. Às 16h, Rutigliano ministra a masterclass “Princípios Fundantes do Jazz na Bateria”. Com entrada gratuita, a atividade é voltada para músicos e estudantes, mas também para ouvintes curiosos sobre a linguagem rítmica. O encontro vai além do simples exercício técnico: é uma imersão na escuta, na interação entre músicos e na construção de um repertório jazzístico, consolidando décadas de pesquisa do baterista.

Concerto

Às 20h, a teoria dá lugar à prática com o espetáculo “Rutigliano com Septeto de Cordas”. A formação, curiosa e potente, une um quarteto de jazz a um trio de cordas, criando uma sonoridade híbrida. Sob a direção musical do próprio Roberto, o septeto conta com Leonardo Fantini (violino e arranjos), Líbano (violoncelo), Gabriel Tavares (viola), Arthur Trucco (contrabaixo), Alexandre Caldi (saxofone) e Martín Robbio (teclado). O resultado é um equilíbrio fino entre a densidade harmônica das cordas e o espírito improvisador do sax e da percussão.

Repertório



A versatilidade do projeto reflete-se na escolha das peças. O público poderá ouvir releituras de clássicos absolutos, como o tango arrebatador de “Adiós Nonino”, de Astor Piazzolla, e o standard imortal “Summertime”, de George Gershwin. Essas obras dialogam com composições autorais, a exemplo de “Terra Idílica”, evidenciando como a tradição e a contemporaneidade podem coexistir no mesmo compasso.

Resistência

Realizar este evento na Audio Rebel carrega um simbolismo próprio. Com mais de 20 anos de trajetória, o espaço resiste como um refúgio para o som independente e experimental. A parceria com a Funarte fortalece esse ecossistema, transformando o espaço num ponto de convergência para artistas que, como Rutigliano, não abrem mão da investigação sonora.


Serviço



Data: 16 de abril de 2026

Local: Audio Rebel (Rua Visconde de Silva, 55 – Botafogo, RJ)

Masterclass (16h): Gratuita ([Inscrições via Sympla]

Show (20h): R$ 25 (antecipado) / R$ 35 (na hora) ([Ingressos via Sympla]

Gratuidade: CadÚnico e Lista Trans

terça-feira, 14 de abril de 2026

Pulso da resistência na Barra, Espaço Tápias transforma aniversário em manifesto artístico

 

Foto: Divulgação

Com maratona gratuita e foco no fomento autoral, centro cultural celebra quatro anos se reafirmando como refúgio para a cena independente carioca

No ecossistema cultural do Rio, onde espaços independentes lutam diariamente para manter as luzes acesas, o Espaço Tápias surge não apenas como um sobrevivente, mas como um protagonista. Sob a batuta da coreógrafa Flávia Tápias, o centro fincado na Barra da Tijuca, zona Oeste do Rio, prepara uma celebração que vai muito além do "parabéns". Nos dias 29 e 30 de abril, quarta e quinta-feira, a casa promove uma imersão gratuita que une o Dia Internacional da Dança ao seu quarto ano de estrada, provando que o movimento, quando compartilhado, é a melhor forma de resistência.

O formato Open House, escolhido para a ocasião, é um convite ao desapego da poltrona. Das 9h às 22h, o endereço na Armando Lombardi vira um caldeirão de experimentação sonora e corporal. É música que vira gesto, é corpo que vira ritmo. A grade é um prato cheio para quem busca diversidade: tem a disciplina do Ballet, o magnetismo do Flamenco e a batida do K-pop. No Tápias, a ideia é que o público seja atravessado pela arte, quebrando a barreira invisível entre o palco e a plateia.

Conexão

A curadoria de Flávia Tápias entende que arte não tem validade, nem "cercadinho". A programação é um abraço geracional. Enquanto os pequenos se perdem no lúdico das aulas de circo e jazz infantil, o pessoal da dança 50+ mostra que a experiência traz uma cadência única ao movimento. Há ainda um olhar sensível para o fortalecimento de vínculos, em aulas compartilhadas entre pais e filhos, reforçando que a dança é, essencialmente, uma linguagem de afeto e presença.

Fomento


Flávia Tápias (foto: Rodrigo Ferraz)

Para quem respira a cena cultural independente, o grande trunfo do Tápias está nos bastidores. O espaço não é apenas um palco, mas um laboratório. Ao ceder salas de ensaio para grupos sem teto e manter editais abertos para a Sala Maria Thereza Tápias, o centro atua como um pulmão para artistas autorais que precisam de oxigênio para criar. É o fomento real, aquele que entende as dores da produção local e oferece o solo fértil necessário para a circulação de novas obras na cidade.

Em quatro anos de trajetória, o espaço se consolidou como um dos núcleos mais pulsantes da produção carioca. É o Rio de Janeiro mostrando sua face mais vibrante, provando que, mesmo em tempos complexos, a arte segue encontrando frestas para brilhar e convidar todo mundo para a roda.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Diadema consolida fomento à música erudita com série de concertos gratuitos no Teatro Clara Nunes

Fotos: divulgação

Após sucesso de público na estreia, projeto "Concertos Campestres" recebe expoentes da OSESP para noite dedicada a Villa-Lobos e compositores nacionais


A cena cultural do ABC Paulista reafirma sua força em 2026, com a continuidade de um dos projetos mais ambiciosos de democratização da música clássica na região. No próximo sábado (18), às 20h, o Teatro Clara Nunes será palco para o Quinteto de Sopros Camargo Guarnieri, grupo que traz na bagagem a excelência de músicos da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP).

O espetáculo faz parte da série mensal Concertos Campestres, idealizada pelo Instituto São Paulo de Arte e Cultura (ISPAC). Sob a batuta e curadoria do maestro Daniel Cornejo, a iniciativa busca desmistificar o gênero erudito, retirando-o de redutos restritos e levando-o gratuitamente ao grande público.

Identidade e didática

O programa escolhido para esta edição, "Ventos do Brasil" propõe um mergulho na sonoridade brasileira. O repertório atravessa diferentes períodos da nossa história musical, destacando obras fundamentais de Heitor Villa-Lobos; além de peças de Júlio Medaglia e Ronaldo Miranda.




O diferencial do quinteto, formado há 16 anos por instrumentistas com décadas de experiência, reside na interatividade. Longe do rigor formal das salas de concerto tradicionais, os músicos estabelecem um diálogo com a plateia, explicando o funcionamento dos instrumentos e o contexto das composições.

"Nosso objetivo é criar uma experiência que vá além do concerto, aproximando as pessoas da música de forma acessível e envolvente", afirma o maestro Daniel Cornejo, que também é coordenador da Casa da Música de Diadema e atua como mediador da noite, guiando a audição do público. Ainda de acordo com Cornejo, "a diversidade é o pilar do projeto", que prevê apresentações que vão do barroco ao contemporâneo, ao longo do ano.

A realização, que conta com o apoio da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e da Prefeitura de Diadema, sinaliza um investimento estratégico na formação de novos ouvintes.

Agende-se

* Concertos Campestres - Quinteto de Sopros Camargo Guarnieri
* Data: 18 de abril de 2026, às 20h
* Local: Teatro Clara Nunes (R. Graciosa, 300 - Centro, Diadema)
* Entrada: Gratuita
* Ingressos: Disponíveis via plataforma Sympla ou na bilheteria do teatro (uma hora antes do início do espetáculo).
* Informações: @concertoscampestres

Samba-rock do despertar: Anônimos Anônimos e a poética do recomeço

Foto: divulgação



Prestes a lançar álbum de estreia, quarteto paulistano funde a distorção do Indie com o balanço da MPB e faz do single "Timidez" um manifesto contra o isolamento afetivo

 

Entre a pressa do asfalto e a busca por uma escuta genuína, a banda Anônimos Anônimos marca território em prol do afeto. Preparando terreno para a estreia do primeiro álbum, "Acabou Sorrire" - que sai do forno em cerca de 30 dias, pelo selo Forever Vacation Record -, o grupo lança o single de "Timidez".   

Projeto assinado pelo produtor Alexandre Capilé - figura carimbada da Sugar Kane -, no Estúdio Costella, o disco é um ensaio de antropofagia moderna. Em 9 faixas, o indie rock não pede licença para se sentar à mesa com o samba e a MPB. Resultado: uma sonoridade híbrida, que reconhece o peso da guitarra, sem abrir mão do suingue brasileiro.  

Manifesto 

Mais que entretenimento, "Timidez" é um serviço de utilidade pública emocional, num mundo acelerado e de conexões superficiais. A letra é um convite ao recomeço, ao estender a mão a quem tem um traço de personalidade constantemente silenciado pela mega exposição contemporânea: a timidez deixa de ser uma característica para se tornar uma metáfora de tudo que trava por dentro. 

A sensibilidade da composição ganha contornos de realidade nua no videoclipe. Abandonando os roteiros engessados, a banda optou pelo inesperado: registrou, de forma documental e sem aviso prévio, as reações do público, durante uma apresentação. A câmera flagra a vulnerabilidade, o acanhamento e a beleza do encontro espontâneo, transformando o espectador em coautor da obra.


Novas vozes

Musicalmente, "Timidez" é o cartão de visitas perfeito para a proposta de "Acabou Sorrire" - que remete o ouvinte mais atento à "Acabou Chorare", dos Novos Baianos. É a faixa que melhor sintetiza o flerte do grupo com a tradição da Música Popular Brasileira, sem perder a crueza do rock and roll. A novidade fica por conta do revezamento nos vocais: o guitarrista Henrique Almeida divide o microfone com Flávio Particelli, proporcionando um jogo de timbres que dá à canção uma dinâmica solar e necessária.

Com lançamento previsto para o início de maio, o disco não é apenas uma coleção de canções; trata-se do registro de uma trajetória que amadureceu entre ensaios e reflexões sobre a saúde do espírito. Em tempos de sorrisos plásticos, a Anônimos Anônimos lembra que, às vezes, é preciso admitir que "acabou sorrire" para que um riso mais verdadeiro possa, enfim, começar.

sábado, 11 de abril de 2026

Baterista brasileiro brilha em turnê pela Europa com gigante do metal alemão

 

Foto: pri secco

Marcus Dotta percorre sete países como integrante da Masterplan

O baterista Marcus Dotta foi o escolhido para assumir as baquetas da banda alemã Masterplan, durante sua nova turnê pelo continente. Ao todo, serão 14 apresentações, em países como Alemanha, Holanda, Dinamarca e República Tcheca, consolidando o nome do músico no cenário internacional.

De Fã a Integrante

Para Marcus, essa viagem é muito mais que um trabalho: é o ápice de sua história com a música. Isso porque ele cresceu ouvindo os fundadores da banda e, agora, divide o palco com os ídolos. É o tipo de conquista que transforma um objetivo de vida em realidade.



A parceria, que começou em apresentações pela América Latina, agora chega à "casa" do grupo. Um dos momentos mais marcantes será o show em Hamburgo, cidade alemã famosa por ser o berço do Masterplan.

Novidades

Além de celebrar a carreira do artista brasileiro, os shows marcam uma fase de renovação para a banda germânica, que volta a lançar canções inéditas, após um longo hiato. Quem for às apresentações verá um repertório exclusivo, conduzido pela energia e precisão da batera de Marcus Dotta.


 


Xande de Pilares e Grupo Revelação anunciam turnê histórica de reencontro em 2026

Foto:  Fernando Young   O que muitos fãs consideravam um sonho distante acaba de se tornar realidade. O Grupo Revelação e Xande de Pilares ...