quarta-feira, 15 de abril de 2026

Como a Roda de Ska transformou a orla carioca em uma pequena Jamaica

 

Fotos: divulgação/redes sociais

Unindo clássicos caribenhos à essência da música brasileira, projeto, que nasceu despretensioso no interior fluminense, hoje ocupa as praias do Rio e palcos históricos

Por Saulo Andrade
A orla extensa e o sol inclemente do Rio sempre guardaram semelhanças geográficas e espirituais com Kingston, a capital da Jamaica. Mas faltava à cidade um movimento que traduzisse o skanking – o passo clássico do ska – para o pé na areia do carioca. Não mais. Isso porque, em 2015, um grupo de amigos de Barra do Piraí (RJ) teve a ideia de, numa mesa de bar, reunir a rapaziada para tocar clássicos jamaicanos, em formato acústico.
 



E o que começou como um brinde entre amigos, no interior fluminense, atravessou a pandemia, ganhou o reforço de outros músicos da capital, sob a batuta de Paulo Monnerat, e encontrou guarida nos quiosques das praias do Rio. Hoje, a Roda de Ska é um coletivo que chega a reunir mais de 15 artistas, transformando o Alalaô Kiosk, no Arpoador, e o Ginga, no Leme, em autênticos redutos do ritmo caribenho.

A força do chão



Um desses fundadores é o dentista de profissão e ukelelista por paixão Leonardo Villa Verde, o Léo Murunga; para quem o pulo do gato do projeto é a subversão do palco. De acordo com o músico, ao adotar o formado de roda, tradicionalmente associado ao samba, o grupo rompe fronteiras artísticas:

"A interação e o calor do público ali, coladinho, nós ainda não conseguimos reproduzir, sem ser nesse formato de roda no chão".

Léo acrescenta que essa proximidade permite que o improviso dite o tom, criando uma fusão, onde o público não é apenas espectador, mas parte integrante da orquestra.

A pressão sonora é um capítulo à parte. Sem nunca terem realizado um único ensaio formal, os artistas confiam no talento de um "naipe de respeito", composto por nove metais (trombones, saxofones e trompetes). O risco é o combustível: quando uma música nova entra no setlist, músicos e público descobrem o resultado juntos, em tempo real.

Identidade, ocupação e diversidade


Na estratégia de popularizar o ska por aqui, o repertório é de fato uma ponte que interliga o Brasil à terra de Bob Marley. Isso passa por “jamaicanizar” o que o brasileiro já gosta, musicalmente. As apresentações vão de clássicos de Jimmy Cliff a The Specials, passando por releituras de Tim Maia e Jorge Ben Jor.

Essa autenticidade atraiu nomes de peso. De participações da saudosa Preta Gil ao ícone internacional Chris Murray, o projeto viveu um ápice recente, ao receber, no último domingo (12), B-Negão na areia, numa apresentação movida pela pura generosidade artística. "Ele colou com a gente para fazer um som na praia, sem cachê, só pelo prazer da diversão", recorda Murunga.

Além do entretenimento, a Roda de Ska se tornou um catalisador de ocupação cultural. O sucesso do grupo abriu portas para que outros ritmos, como a cumbia, a salsa e o afrojazz, também conquistassem espaço nos quiosques. "Há muita arte além de samba e sertanejo, que o público tem o direito de conhecer", defende o fundador.

Com um single já lançado, o grupo agora foca na captação de recursos para registrar em estúdio quatro novas canções, consolidando a trabalho num EP oficial. Enquanto o álbum não vem, o compromisso permanece o mesmo: manter o ska vivo, democrático e, acima de tudo, com o “pé na areia, a caipirinha, a água de coco e a cervejinha” do carioca.  















 

Jazz que transforma: Roberto Rutigliano promove diálogo entre erudito e improviso na Audio Rebel

Fotos: divulgação

 

Em dia dedicado à pesquisa musical, baterista realiza masterclass gratuita e concerto com septeto de cordas, no Programa Funarte Ações Continuadas

A fronteira entre o rigor da música de câmara e a liberdade do jazz será o ponto de partida para uma ocupação artística na Audio Rebel, em Botafogo, zona Sul do Rio, nesta quarta (16). Sob o guarda-chuva do Programa Funarte Ações Continuadas, o baterista e compositor argentino Roberto Rutigliano comanda uma programação que une o caráter pedagógico à performance de palco, reafirmando a casa como um dos principais eixos de inovação estética do Rio.

O dia começa cedo para os interessados na técnica por trás das baquetas. Às 16h, Rutigliano ministra a masterclass “Princípios Fundantes do Jazz na Bateria”. Com entrada gratuita, a atividade é voltada para músicos e estudantes, mas também para ouvintes curiosos sobre a linguagem rítmica. O encontro vai além do simples exercício técnico: é uma imersão na escuta, na interação entre músicos e na construção de um repertório jazzístico, consolidando décadas de pesquisa do baterista.

Concerto

Às 20h, a teoria dá lugar à prática com o espetáculo “Rutigliano com Septeto de Cordas”. A formação, curiosa e potente, une um quarteto de jazz a um trio de cordas, criando uma sonoridade híbrida. Sob a direção musical do próprio Roberto, o septeto conta com Leonardo Fantini (violino e arranjos), Líbano (violoncelo), Gabriel Tavares (viola), Arthur Trucco (contrabaixo), Alexandre Caldi (saxofone) e Martín Robbio (teclado). O resultado é um equilíbrio fino entre a densidade harmônica das cordas e o espírito improvisador do sax e da percussão.

Repertório



A versatilidade do projeto reflete-se na escolha das peças. O público poderá ouvir releituras de clássicos absolutos, como o tango arrebatador de “Adiós Nonino”, de Astor Piazzolla, e o standard imortal “Summertime”, de George Gershwin. Essas obras dialogam com composições autorais, a exemplo de “Terra Idílica”, evidenciando como a tradição e a contemporaneidade podem coexistir no mesmo compasso.

Resistência

Realizar este evento na Audio Rebel carrega um simbolismo próprio. Com mais de 20 anos de trajetória, o espaço resiste como um refúgio para o som independente e experimental. A parceria com a Funarte fortalece esse ecossistema, transformando o espaço num ponto de convergência para artistas que, como Rutigliano, não abrem mão da investigação sonora.


Serviço



Data: 16 de abril de 2026

Local: Audio Rebel (Rua Visconde de Silva, 55 – Botafogo, RJ)

Masterclass (16h): Gratuita ([Inscrições via Sympla]

Show (20h): R$ 25 (antecipado) / R$ 35 (na hora) ([Ingressos via Sympla]

Gratuidade: CadÚnico e Lista Trans

terça-feira, 14 de abril de 2026

Pulso da resistência na Barra, Espaço Tápias transforma aniversário em manifesto artístico

 

Foto: Divulgação

Com maratona gratuita e foco no fomento autoral, centro cultural celebra quatro anos se reafirmando como refúgio para a cena independente carioca

No ecossistema cultural do Rio, onde espaços independentes lutam diariamente para manter as luzes acesas, o Espaço Tápias surge não apenas como um sobrevivente, mas como um protagonista. Sob a batuta da coreógrafa Flávia Tápias, o centro fincado na Barra da Tijuca, zona Oeste do Rio, prepara uma celebração que vai muito além do "parabéns". Nos dias 29 e 30 de abril, quarta e quinta-feira, a casa promove uma imersão gratuita que une o Dia Internacional da Dança ao seu quarto ano de estrada, provando que o movimento, quando compartilhado, é a melhor forma de resistência.

O formato Open House, escolhido para a ocasião, é um convite ao desapego da poltrona. Das 9h às 22h, o endereço na Armando Lombardi vira um caldeirão de experimentação sonora e corporal. É música que vira gesto, é corpo que vira ritmo. A grade é um prato cheio para quem busca diversidade: tem a disciplina do Ballet, o magnetismo do Flamenco e a batida do K-pop. No Tápias, a ideia é que o público seja atravessado pela arte, quebrando a barreira invisível entre o palco e a plateia.

Conexão

A curadoria de Flávia Tápias entende que arte não tem validade, nem "cercadinho". A programação é um abraço geracional. Enquanto os pequenos se perdem no lúdico das aulas de circo e jazz infantil, o pessoal da dança 50+ mostra que a experiência traz uma cadência única ao movimento. Há ainda um olhar sensível para o fortalecimento de vínculos, em aulas compartilhadas entre pais e filhos, reforçando que a dança é, essencialmente, uma linguagem de afeto e presença.

Fomento


Flávia Tápias (foto: Rodrigo Ferraz)

Para quem respira a cena cultural independente, o grande trunfo do Tápias está nos bastidores. O espaço não é apenas um palco, mas um laboratório. Ao ceder salas de ensaio para grupos sem teto e manter editais abertos para a Sala Maria Thereza Tápias, o centro atua como um pulmão para artistas autorais que precisam de oxigênio para criar. É o fomento real, aquele que entende as dores da produção local e oferece o solo fértil necessário para a circulação de novas obras na cidade.

Em quatro anos de trajetória, o espaço se consolidou como um dos núcleos mais pulsantes da produção carioca. É o Rio de Janeiro mostrando sua face mais vibrante, provando que, mesmo em tempos complexos, a arte segue encontrando frestas para brilhar e convidar todo mundo para a roda.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Diadema consolida fomento à música erudita com série de concertos gratuitos no Teatro Clara Nunes

Fotos: divulgação

Após sucesso de público na estreia, projeto "Concertos Campestres" recebe expoentes da OSESP para noite dedicada a Villa-Lobos e compositores nacionais


A cena cultural do ABC Paulista reafirma sua força em 2026, com a continuidade de um dos projetos mais ambiciosos de democratização da música clássica na região. No próximo sábado (18), às 20h, o Teatro Clara Nunes será palco para o Quinteto de Sopros Camargo Guarnieri, grupo que traz na bagagem a excelência de músicos da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP).

O espetáculo faz parte da série mensal Concertos Campestres, idealizada pelo Instituto São Paulo de Arte e Cultura (ISPAC). Sob a batuta e curadoria do maestro Daniel Cornejo, a iniciativa busca desmistificar o gênero erudito, retirando-o de redutos restritos e levando-o gratuitamente ao grande público.

Identidade e didática

O programa escolhido para esta edição, "Ventos do Brasil" propõe um mergulho na sonoridade brasileira. O repertório atravessa diferentes períodos da nossa história musical, destacando obras fundamentais de Heitor Villa-Lobos; além de peças de Júlio Medaglia e Ronaldo Miranda.




O diferencial do quinteto, formado há 16 anos por instrumentistas com décadas de experiência, reside na interatividade. Longe do rigor formal das salas de concerto tradicionais, os músicos estabelecem um diálogo com a plateia, explicando o funcionamento dos instrumentos e o contexto das composições.

"Nosso objetivo é criar uma experiência que vá além do concerto, aproximando as pessoas da música de forma acessível e envolvente", afirma o maestro Daniel Cornejo, que também é coordenador da Casa da Música de Diadema e atua como mediador da noite, guiando a audição do público. Ainda de acordo com Cornejo, "a diversidade é o pilar do projeto", que prevê apresentações que vão do barroco ao contemporâneo, ao longo do ano.

A realização, que conta com o apoio da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e da Prefeitura de Diadema, sinaliza um investimento estratégico na formação de novos ouvintes.

Agende-se

* Concertos Campestres - Quinteto de Sopros Camargo Guarnieri
* Data: 18 de abril de 2026, às 20h
* Local: Teatro Clara Nunes (R. Graciosa, 300 - Centro, Diadema)
* Entrada: Gratuita
* Ingressos: Disponíveis via plataforma Sympla ou na bilheteria do teatro (uma hora antes do início do espetáculo).
* Informações: @concertoscampestres

Samba-rock do despertar: Anônimos Anônimos e a poética do recomeço

Foto: divulgação



Prestes a lançar álbum de estreia, quarteto paulistano funde a distorção do Indie com o balanço da MPB e faz do single "Timidez" um manifesto contra o isolamento afetivo

 

Entre a pressa do asfalto e a busca por uma escuta genuína, a banda Anônimos Anônimos marca território em prol do afeto. Preparando terreno para a estreia do primeiro álbum, "Acabou Sorrire" - que sai do forno em cerca de 30 dias, pelo selo Forever Vacation Record -, o grupo lança o single de "Timidez".   

Projeto assinado pelo produtor Alexandre Capilé - figura carimbada da Sugar Kane -, no Estúdio Costella, o disco é um ensaio de antropofagia moderna. Em 9 faixas, o indie rock não pede licença para se sentar à mesa com o samba e a MPB. Resultado: uma sonoridade híbrida, que reconhece o peso da guitarra, sem abrir mão do suingue brasileiro.  

Manifesto 

Mais que entretenimento, "Timidez" é um serviço de utilidade pública emocional, num mundo acelerado e de conexões superficiais. A letra é um convite ao recomeço, ao estender a mão a quem tem um traço de personalidade constantemente silenciado pela mega exposição contemporânea: a timidez deixa de ser uma característica para se tornar uma metáfora de tudo que trava por dentro. 

A sensibilidade da composição ganha contornos de realidade nua no videoclipe. Abandonando os roteiros engessados, a banda optou pelo inesperado: registrou, de forma documental e sem aviso prévio, as reações do público, durante uma apresentação. A câmera flagra a vulnerabilidade, o acanhamento e a beleza do encontro espontâneo, transformando o espectador em coautor da obra.


Novas vozes

Musicalmente, "Timidez" é o cartão de visitas perfeito para a proposta de "Acabou Sorrire" - que remete o ouvinte mais atento à "Acabou Chorare", dos Novos Baianos. É a faixa que melhor sintetiza o flerte do grupo com a tradição da Música Popular Brasileira, sem perder a crueza do rock and roll. A novidade fica por conta do revezamento nos vocais: o guitarrista Henrique Almeida divide o microfone com Flávio Particelli, proporcionando um jogo de timbres que dá à canção uma dinâmica solar e necessária.

Com lançamento previsto para o início de maio, o disco não é apenas uma coleção de canções; trata-se do registro de uma trajetória que amadureceu entre ensaios e reflexões sobre a saúde do espírito. Em tempos de sorrisos plásticos, a Anônimos Anônimos lembra que, às vezes, é preciso admitir que "acabou sorrire" para que um riso mais verdadeiro possa, enfim, começar.

sábado, 11 de abril de 2026

Baterista brasileiro brilha em turnê pela Europa com gigante do metal alemão

 

Foto: pri secco

Marcus Dotta percorre sete países como integrante da Masterplan

O baterista Marcus Dotta foi o escolhido para assumir as baquetas da banda alemã Masterplan, durante sua nova turnê pelo continente. Ao todo, serão 14 apresentações, em países como Alemanha, Holanda, Dinamarca e República Tcheca, consolidando o nome do músico no cenário internacional.

De Fã a Integrante

Para Marcus, essa viagem é muito mais que um trabalho: é o ápice de sua história com a música. Isso porque ele cresceu ouvindo os fundadores da banda e, agora, divide o palco com os ídolos. É o tipo de conquista que transforma um objetivo de vida em realidade.



A parceria, que começou em apresentações pela América Latina, agora chega à "casa" do grupo. Um dos momentos mais marcantes será o show em Hamburgo, cidade alemã famosa por ser o berço do Masterplan.

Novidades

Além de celebrar a carreira do artista brasileiro, os shows marcam uma fase de renovação para a banda germânica, que volta a lançar canções inéditas, após um longo hiato. Quem for às apresentações verá um repertório exclusivo, conduzido pela energia e precisão da batera de Marcus Dotta.


 


sexta-feira, 10 de abril de 2026

Aléxia lança "Seja Você" e prepara terreno para álbum de estreia

 

Foto: Vitor Duik

Single antecipa o disco 'Garra', que chega ao streaming no dia 30 de abril, trazendo uma mistura potente de rock moderno e letras confessionais

A cantora e compositora Aléxia deu início oficial à sua nova era musical, com o lançamento do single "Seja Você" nesta sexta-feira (10). A faixa é uma prévia de "Garra", seu álbum de estreia, que promete uma fusão energética entre metal moderno, hardcore e pop punk. Explorando temas como saúde mental e superação, a canção sintetiza a busca pela autenticidade, em meio ao caos.

O lançamento ganha um reforço visual no dia 13 de abril com o clipe oficial, gravado em Tatuí (SP), reforçando o vínculo da artista com suas raízes.



Com uma trajetória robusta, que inclui mais de 400 apresentações e passagens por grandes festivais, como o Porão do Rock, Aléxia consolida sua posição como uma das apostas do gênero.

Atração confirmada no Somos Rock São Paulo 2026, a artista já dividiu o palco com nomes como Stone Temple Pilots e CPM 22. 

O novo single já está disponível nas plataformas digitais, pavimentando o caminho para o lançamento das 14 faixas que compõem o disco completo, no final do mês.

Clássicos Domingos celebra legado de Ernesto Nazareth na Tijuca

Espetáculo narrativo une música e biografia para homenagear o mestre do choro no Centro da Música Carioca


Moises Santos, Yuka Shimizu e Georgia Szpílman. Fotos: Sérgio Roberto



O projeto Clássicos Domingos recebe, neste domingo (12), o concerto "Para Sempre Ernesto Nazareth". A apresentação, agendada para as 11h, no Centro da Música Carioca Artur da Távola, promove uma imersão na trajetória de um dos pilares da identidade sonora nacional. O tributo é conduzido pela voz e dramaturgia de Georgia Szpílman, acompanhada pela pianista Yuka Shimizu e pelo clarinetista Moises Santos.


O espetáculo transcende a execução musical, ao entrelaçar melodias e fatos biográficos. A narrativa resgata a infância de Nazareth, nascido em 1863, destacando a disciplina paterna e o lirismo herdado da mãe, como elementos cruciais na formação do artista que refinou o DNA da música brasileira.


Conexão Internacional





A força da obra de Nazareth é personificada na história de Yuka Shimizu. Aos 12 anos, ainda no Japão, a pianista encantou-se por "Odeon". Mesmo sem dominar o português, contatou Clara Sverner, em busca de orientação acadêmica. O movimento resultou em sua vinda definitiva para o Brasil há quase três décadas, consolidando sua carreira como embaixadora do repertório nacional — incluindo peças de Villa-Lobos e Camargo Guarnieri —, em palcos estrangeiros.

Mais que um recital, a montagem reafirma a perenidade do compositor, oferecendo ao público uma síntese poética entre história, cultura e técnica.


Serviço


Evento: Para Sempre Ernesto Nazareth

Elenco: Georgia Szpílman, Yuka Shimizu e Moises Santos

Local: Centro da Música Carioca Artur da Távola

Endereço: Rua Conde de Bonfim, 824 – Tijuca

Data: 12 de abril (domingo) às 11h

Ingressos: R$ 60 (inteira) / R$ 30 (meia) via Sympla

Classificação: Livre


quinta-feira, 9 de abril de 2026

Angine de Poitrine: sopro de resistência nas frestas do algoritmo

 

Todas as fotos: redes sociais Angine de Poitrine

Por Saulo Andrade
A febre da inteligência artificial vem ameaçando reduzir a composição musical a uma mera análise probabilística, compilada, de sucessos passados. Apesar de a humanidade, especialmente músicos e compositores, depararem-se com tal crise criativa, surge, nas entranhas de Saguenay, no Quebec, Canadá, uma “anomalia” necessária: o duo Angine de Poitrine.

Mais que viralizar, a irreverente dupla, trajada em macacões com desenhos de bolinhas e máscaras, instaurou um curto-circuito na lógica do consumo imediato.

Assistir às performances de Khn e Klek – codinomes já apelidados de “Slipdots” – é presenciar o caráter disruptivo e transgressor, em tempo real. Enquanto a IA busca a perfeição matemática e a simetria sonora para agradar ouvidos medíocres, os caras abraçam a “fricção”, o erro controlado e a complexidade manual.  

Do fuzil ao código

Entre as décadas de 1960 e 1980, o Brasil viveu sob o peso de uma ditadura militar, que tentou amordaçar a subjetividade, fazendo surgir, ironicamente, a genialidade de três exemplos de artistas que sabiam se utilizar da linguagem metafórica nas letras das músicas, com harmonia sofisticada e deboche, para furar a bolha da censura: Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil. Hoje, surge o Angine de Poitrine, que quebra a ditadura dos algoritmos com guitarras de dois braços, baterias surpreendentes e métricas improváveis – às vezes até impossíveis de serem acompanhadas por músicos que se propõem a fazer cover de qualquer uma das músicas dos canadenses.

Não tivemos, por pouco, de novo, no país, generais censurando letras de músicas; mas, aqui e lá fora, vivencia-se a banalização da música. Se, há alguns anos, ela era taxada como “ambiente” ou “de elevador”, hoje vive em meio a códigos padronizados pela ditadura de algoritmos que “revelam” – ou determinam – o que deve ser ouvido: temas com introduções curtas e refrões chicletes, para não perder o usuário do streaming e das redes sociais.

Mas a arte, felizmente, nasce da resistência ao sistema vigente. É nesse regime de padronização que o Angine de Poitrine pode, guardadas, claro, as devidas proporções históricas e estéticas, assemelhar-se àqueles tropicalistas.

Música microtonal

O pulo do gato do duo é o uso da microtonalidade. Para o ouvinte comum, acostumado com a escala ocidental de 12 notas (as teclas brancas e pretas do piano), a música deles pode soar, inicialmente, como “desafinada”. Mas não se iluda: trata-se de uma técnica milenar e rigorosa.

A música microtonal utiliza intervalos menores que um semitom. Imagine que, entre o Dó e o Dó sustenido, existissem outras duas ou três notas escondidas. O Angine usa instrumentos modificados, muitas vezes com trastes extras, serrados manualmente, para alcançar essas frequências.

Nada de novo no front: civilizações orientais, como a indiana e a árabe, utilizavam sistemas musicais semelhantes, há milênios: caso dos ragas e magams.

No ocidente, nomes como o do mestre do experimentalismo Frank Zappa já haviam explorado tais terrenos. Mas o mérito do Angine de Poitrine é trazer tal “estranheza”, cumprindo com a “função” da arte, no centro do palco pop/rock de 2026. Genial.

Máscaras que desmascaram

Esteticamente, as máscaras que ocultam as identidades de Khn e Klek remetem a uma linhagem de artistas que escolheram o anonimato para que o som soasse mais alto que o ego. Quem não se lembra de testemunhar a mesma atitude no Daft Punk, no The Residents ou até da contemporânea teatralidade, com peso, do Ghost e do Slipknot. No caso do Angine, o anonimato pode servir como uma crítica à espetacularização da vida privada: lugar mais que comum nas redes sociais hoje.


Apesar da virtuose exibida em álbuns como “Vol. 1” (2024) e o recém-lançado “Vol. II” (2026), com faixas como Fabienk e Mata Zyklek, é preciso ser honesto: as músicas não “viciam”, no sentido tradicional do verbo. Talvez porque a importância do Angine de Poitrine vá além do conforto aos ouvidos. Eles não buscam o topo das paradas: o que querem é expandir os limites do que se considera música. São uma espécie de “professores”; um farol para outros artistas que, sufocados pela mesmice do
streaming, sentem medo de experimentar. Ao se lançarem no universo inexplorado do som, o duo prova que, num mundo dominado por máquinas e superficialidade, o espírito humano é capaz de preservar a sua essência fundamental: criar.  


quarta-feira, 8 de abril de 2026

Projeto "Metais à 5" Leva Música Instrumental Gratuita a São Gonçalo

Foto: Divulgação

Com foco na formação de novos públicos, músicos da Orquestra Filarmônica Metropolitana promovem concerto didático e interativo a estudantes e projetos sociais

A tarde da próxima quarta-feira (15) promete ser sonora e educativa, em São Gonçalo. O palco do Teatro Municipal recebe, às 16h, o projeto Metais à 5, uma iniciativa da Orquestra Filarmônica Metropolitana (OFM) que busca quebrar as barreiras entre palco e plateia, transformando o concerto numa aula de música e cidadania.

Diferentemente das apresentações tradicionais, o quinteto, formado por dois trompetes, trompa, trombone e tuba, aposta na interatividade. Durante a execução do repertório, os músicos detalham o funcionamento de cada instrumento, explorando curiosidades e técnicas de som. O objetivo é claro: democratizar o acesso à cultura a alunos da rede pública e integrantes de projetos sociais.

"O Metais à 5 nasceu do desejo de aproximar as pessoas da música instrumental de forma viva. Queremos que cada jovem saia sabendo mais sobre os instrumentos e, quem sabe, apaixonado pela música", ressalta o maestro e diretor artístico Gustavo Fernandes.

Impacto Social

O projeto ganha força com o apoio do Instituto dos Sonhos, organização que há duas décadas atua na transformação social. Para Rafael Vieira, fundador do instituto, levar música de qualidade a quem raramente tem acesso a grandes teatros é uma forma de ampliar horizontes. "É acreditar no poder transformador da arte", define o ativista.

A iniciativa é viabilizada por meio da Política Nacional Aldir Blanc, com realização do Ministério da Cultura e do Governo do Estado do Rio de Janeiro.


📍 Serviço

  • Evento: Concerto Didático "Metais à 5"

  • Data: 15 de abril de 2026 (quarta-feira)

  • Horário: 16h

  • Local: Teatro Municipal de São Gonçalo (Rua Dr. Feliciano Sodré, 100, Centro)

  • Entrada: Gratuita (sujeito à lotação)

  • Duração: 60 minutos

  • Classificação: Livre

Grátis: Rock 80 Festival transforma Praça Saens Peña em caldeirão de cultura e solidariedade

 

Foto: Divulgação

Evento reúne dez bandas de rock, churrasco, feira de moda e diversão para toda a família

O coração da Tijuca está prestes a pulsar em um ritmo diferente. No sábado (11) e domingo (12), a Praça Saens Peña recebe o Rock 80 Festival, um evento que promete muito mais do que apenas música: é uma celebração da convivência urbana, da gastronomia de rua e da nostalgia que atravessa gerações.

Das 12h às 22h, o público poderá desfrutar de uma estrutura completa, que transforma o local num verdadeiro parque de entretenimento.

Para Fernando Fernandes, organizador do festival, o objetivo principal é a conexão humana. "Queremos proporcionar um ambiente leve, onde as pessoas possam reencontrar amigos e criar memórias afetivas em família", destaca.

Apesar da entrada franca, o Rock 80 Festival mantém seu compromisso social. Os organizadores convidam os visitantes a doar 2kg de alimentos não perecíveis. A iniciativa transforma o lazer em uma rede de apoio para quem mais precisa, reforçando o caráter comunitário da Tijuca.

Line-up

Foto: Divulgação


A trilha sonora foi curada para agradar desde os nostálgicos dos anos 80 até o público jovem.

  • Sábado (11): A festa começa com o nerdrock da banda Kuroi Tenshi, resgatando trilhas de animes icônicos como Naruto e Cavaleiros do Zodíaco. O dia segue com o classic rock da Time Machine e a energia nacional da Banda Ypsolon, fechando com o peso da The Red Pilot.

  • Domingo (12): O destaque fica para o tributo ao Oasis com a banda SuperFiction e o encerramento nostálgico de A Conexão 80, revisitando hinos de bandas como Guns N' Roses e Queen.

Com área kids para os pequenos e feira de moda e artesanato para quem gosta de garimpar peças exclusivas, o Rock 80 Festival se firma como o programa imperdível para o próximo fim de semana no Rio.

Mais informações: @rock80festival



Como a Roda de Ska transformou a orla carioca em uma pequena Jamaica

  Fotos: divulgação/redes sociais Unindo clássicos caribenhos à essência da música brasileira, projeto, que nasceu despretensioso no interio...