sexta-feira, 3 de julho de 2026

A herança viva de Belchior

Foto: divulgação

A obra de Belchior sempre foi marcada pelo desconforto e pela urgência, características que a mantêm viva e atual. É a partir dessa provocação que a cantora cearense Vannick Belchior lança “Carisma”, música que marca uma nova e madura fase em sua carreira. O lançamento chega acompanhado de um manifesto em vídeo, disponível no YouTube.


Atuando como guardiã do acervo paterno, Vannick escolheu uma faixa considerada "lado B" do catálogo de seu pai para esta virada de chave. Originalmente concebida como um baião, “Carisma” ganhou contornos contemporâneos que transitam pelo forró e incorporam o pífano, homenageando referências como Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Tom Zé. O objetivo central é combater o preconceito geográfico e reafirmar a identidade nordestina na prateleira principal da cultura brasileira.

Visualmente, o clipe mergulha na tradição folclórica dos reisados cearenses. Gravado no Centro Cultural Dragão do Mar em parceria com o Reisado de Santa Luzia, de Fortaleza, o registro conta com a presença do filho do Mestre João. A participação da criança amarra o conceito de transmissão de saberes entre gerações, espelhando a própria trajetória de Vannick, que estreou nos palcos aos 24 anos — exatamente a mesma idade em que seu pai iniciou sua jornada na música.

Nascida em Fortaleza, a intérprete já circulou o país com projetos dedicados ao legado do pai e comandou grandes blocos de Carnaval. Após o lançamento do manifesto visual de "Carisma", a artista agora se prepara para lançar um álbum completo com este mergulho conceitual no segundo semestre.

Voz da floresta ocupa o Rio

Foto: divulgação

A ancestralidade amazônica vai ecoar com força nos palcos fluminenses ao longo deste mês. A cantora e compositora Djuena Tikuna traz ao estado do Rio de Janeiro o espetáculo Torü Wiyaegü (“Nossos Cantos”), uma imersão profunda na cosmologia e nas tradições do povo Tikuna através da música contemporânea. Totalmente viabilizada pelo edital Sesc Pulsar, a turnê marca a circulação de uma das vozes mais potentes e pioneiras do cenário indígena global.

Nascida na Terra Indígena Tukuna Umariaçu, no Alto Solimões, Djuena carrega uma trajetória de marcos históricos. Ela foi a primeira artista indígena a protagonizar um espetáculo musical no centenário Teatro Amazonas — feito que lhe rendeu indicação ao Indigenous Music Awards, no Canadá. Internacionalmente, já cantou com a orquestra do renomado Massachusetts Institute of Technology (MIT) e, no cenário nacional, marcou presença na trilha sonora de produções da Rede Globo, além de ter interpretado o hino nacional em sua língua materna, na abertura dos Jogos Olímpicos do Rio.

Para além dos palcos, Djuena também é jornalista, documentarista e ativista, somando forças com grandes nomes da MPB como Gilberto Gil e Maria Bethânia em campanhas de demarcação de terras. O novo show é baseado em seu terceiro álbum, premiado pelo edital Natura Musical, e busca consolidar a cultura dos povos originários nos principais centros urbanos do país.

A turnê começa hoje, em Niterói, e passará por Copacabana, São Gonçalo e Tijuca. Confira a programação completa:

03/07: Niterói (hoje, às 18h)

Local: Sesc Niterói 

Endereço: Rua Padre Anchieta, 56, São Domingos, Niterói - RJ

07/07: Copacabana (19h)

Local: Sesc Copacabana

Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160 - Copacabana, Rio de Janeiro - RJ

10/07: São Gonçalo (19h)

Local: Sesc São Gonçalo

Endereço: Avenida Presidente Kennedy, 755 - Centro, São Gonçalo - RJ

28/07: Tijuca (19h)

Local: Sesc Tijuca

Endereço: Rua Barão de Mesquita, 539 - Tijuca, Rio de Janeiro - RJ

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Pós-punk russo, Ploho anuncia turnê por seis cidades em novembro

 

Foto: divulgação 

A frieza da Sibéria conquista o Brasil. Após uma estreia tímida em 2024, com show único na capital paulista, a banda Ploho confirmou seu retorno ao país em novembro de 2026, para uma turnê expandida. O trio siberiano passará por seis capitais: São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Belém, como parte de seu giro pela América Latina.

Apresentada pela GOS Concerts, em parceria com a Xaninho Discos, a turnê consolida a forte relação do grupo com o público sul-americano, fisgado pelo revival do darkwave e do pós-punk do Leste Europeu.

Identidade

Formada em 2013 na gelada Novosibirsk, longe do eixo cultural Moscou–São Petersburgo, a Ploho (que significa "ruim" ou "mal" em russo) transformou a geografia local em assinatura sonora. O som é caracterizado por guitarras frias e cortantes; linhas de baixo em primeiro plano; sintetizadores econômicos e letras em russo que abordam o desencanto e o isolamento urbano.

Embora frequentemente associada a fenômenos do streaming como Molchat Doma, a Ploho carrega uma bagagem mais tradicional, bebendo direto do rock soviético dos anos 1980 e de bandas lendárias como Kino.

"A vida em Novosibirsk carregava uma depressão própria", ressaltou Viktor Uzhakov, vocalista da banda, em entrevista ao The Moscow Times.

Após a invasão russa à Ucrânia, os músicos deixaram o país natal e passaram a operar no exílio. O deslocamento geopolítico amadureceu a temática do grupo. Seu álbum mais recente, Почва ("Solo", 2024), e os lançamentos de 2026, como o registro Dobrolet Sessions, deixam a nostalgia de lado para focar em tensões sociais urgentes, anticapitalismo e sobrevivência emocional.

Agenda de Shows | Ploho no Brasil (Novembro/2026)

Os ingressos já estão disponíveis na plataforma 101tickets (com exceção de São Paulo, via Sympla):

02/11 (Segunda-feira) – São Paulo (SP): Madame Underground Club

04/11 (Quarta-feira) – Curitiba (PR): Basement Cultural

05/11 (Quinta-feira) – Florianópolis (SC): Desgosto

06/11 (Sexta-feira) – Porto Alegre (RS): Ocidente

07/11 (Sábado) – Rio de Janeiro (RJ): Teatro Odisséia

08/11 (Domingo) – Belém (PA): Studio Pub

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Curso propõe mergulho no pensamento criativo dos grandes compositores

Foto: Rafael Duarte/divulgação

Além do som. Diante de uma orquestra sinfônica, o impacto inicial costuma ser sensorial: o brilho dos metais, a onda sonora das cordas, a imponência dos timbales. Mas o que acontece quando decidimos ultrapassar a barreira da mera apreciação e passamos a, de fato, compreender o que está sendo dito pelos instrumentos?

É essa a provocação que o maestro Ricardo Rocha faz em seu curso Formas Musicais, que desembarca na Escola de Música Villa-Lobos no próximo dia 18 de julho. Longe de ser apenas um guia acadêmico para iniciados, a iniciativa é um convite aberto para criar o que o regente chama de "escuta inteligente" — uma ponte direta entre a mente do ouvinte e o pensamento criativo de gênios como Bach, Beethoven e Stravinsky.

Mapa da mina

O grande diferencial do curso está na quebra de barreiras. Em uma abordagem desenvolvida ao longo de mais de três décadas de carreira, o maestro — que em 2026 celebra 40 anos de uma trajetória marcante à frente da Cia. Bachiana Brasileira — propõe um método prático de escuta estrutural. A ideia é ensinar o público a decodificar os padrões ocultos na música de concerto.


“É um método capaz de oferecer um caminho para uma audição inteligente das grandes obras orquestrais em seus principais formatos, como suítes, aberturas, sinfonias, concertos solistas e poemas sinfônicos”, explica o maestro.

Ao longo de oito aulas, os participantes serão expostos a 20 obras-primas que definiram os rumos da música ocidental entre os séculos XVIII e XX. O foco não é decorar datas ou detalhes biográficos exaustivos, mas sim aprender a reconhecer os "eventos musicais" — o diálogo entre os instrumentos, o retorno de um tema marcante, a tensão que precede o clímax — transformando o caos sonoro em uma narrativa clara.

Formação de ouvintes

A iniciativa foca na formação de novas plateias, mas não se restringe aos leigos. O formato atrai desde o ouvinte curioso que quer perder o "medo" da música clássica até estudantes, professores e profissionais de outras áreas artísticas, que buscam expandir seu repertório estético.

A promessa de Ricardo Rocha para quem encarar os encontros matinais de sábado é simples, mas profunda: o desenvolvimento de uma audição completamente diferente, onde cada concerto deixa de ser apenas um fundo musical bonito e passa a ser uma experiência de descoberta e fruição estética.

Serviço:


Curso: FORMAS MUSICAIS

Palestrante: Maestro Ricardo Rocha

Período: sábados, de 18 de julho a 5 de setembro

Horário: de10h as 13h

Local: Escola de Música Villa-Lobos

Endereço: Rua Ramalho Ortigão, nº 9 – Centro – Rio de Janeiro

(perto da estação de metrô Carioca)

Informações (Leia Brasil): 21- 98133-7880

Telefone Geral: 21 – 2505-9701

Realização: Espaço Leia Brasil

Investimento para o curso completo: 3x R$200 - total: 8 aulas

OBS: é possível fazer aulas avulsas: R$90


sábado, 27 de junho de 2026

Além da Poeira: o novo manifesto de Celso Madruga

Foto: divulgação 

No próximo dia 9 de julho (quinta-feira), o compositor e vocalista Celso Madruga lança seu terceiro álbum autoral, Além da Poeira, em todas as plataformas digitais.

Composto por seis faixas inéditas, o trabalho equilibra composições próprias, parcerias inéditas e participações especiais.

Para o projeto, Madruga apostou em uma identidade que define como "mais pesada e rádio rock". Suas grandes inspirações vêm da era de ouro das guitarras dos anos 70 e do Rock Brasil dos anos 80, trazendo influências diretas de gigantes como Led Zeppelin, Deep Purple e Iron Maiden.

Fazer esse som no Brasil de 2026, segundo o artista, é um ato de pura paixão e resistência. "É para quem gosta, né? É independente", ressalta. 

Mensagem segue atual

Questionado sobre o impacto da atitude do rock and roll na atualidade, Celso defende que a poesia contestatória é atemporal. "A mensagem vai servir para hoje, para ontem, para amanhã. Se for uma mensagem bem dada, como as de Raul Seixas, Cazuza e Renato Russo, ela continua. As gerações mudam e absorvem o que foi falado", compara. 


Além do lançamento digital, o artista planeja apresentar as novas canções ao vivo, em breve, incluindo um pocket show no já tradicional Sarau do Raulzito, do professor e guitarrista de Niterói (RJ), Raul Menezes.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Los Bodegueros unem Rio e Havana em álbum de estreia

Foto: Daniela Morais (divulgação)

A distância geográfica entre o Rio de Janeiro e Havana acaba de encurtar em dez faixas. O grupo Los Bodegueros lança seu álbum de estreia, Rio Habana, um projeto ambicioso que costura a malandragem do samba brasileiro à cadência histórica de ritmos cubanos como o bolero, o chá-chá-chá e o son.

Idealizado por Guilherme Barbosa e com direção musical do pianista Fernando Leitzke, o disco foi gravado em estúdios nas duas capitais e funciona como uma verdadeira ponte aérea cultural. O trabalho não se limita à fusão rítmica; ele reverencia a ancestralidade. Um dos grandes destaques é a faixa que homenageia Dona Ivone Lara.

Interpretada por Simone Lial, a canção desenha um legítimo son cubano cantado em português, imaginando a rainha do samba, caminhando pelas ruas de Havana.

Para dar vida a essa simbiose, o projeto reuniu um time de instrumentistas de peso. A base brasileira — que conta com nomes como Gutto Wirtti e Marcus Thadeu — ganha o tempero internacional dos colombianos Vitico Percussa e José Valencia, e do argentino Agustín Ríos. A legitimidade caribenha nos vocais fica por conta dos cubanos David Campos, veterano com mais de quatro décadas de estrada, e Daybel Rodriguez, conhecido barítono do icônico bar La Bodeguita del Medio.

O álbum traz ainda participações de gala da consagrada Áurea Martins e do mestre da percussão Armando Marçal na faixa “Abolerou”, um bolero contemporâneo com forte inspiração na leveza de João Donato.

Lançado pelo selo Cantores del Mundo — conhecido por amplificar conexões globais e latino-americanas, Rio Habana já está disponível nas principais plataformas digitais.

terça-feira, 23 de junho de 2026

SAMUCAPTA lança álbum solo que une psicodelia e misticismo nordestino

 

Foto: divulgação 

O músico, compositor e produtor piauiense Samuel Brandão acaba de lançar seu primeiro álbum solo sob o nome artístico SAMUCAPTA. 

O trabalho homônimo, composto por 12 faixas amadurecidas desde o período pós-pandemia, já está disponível nas plataformas de streaming e propõe uma viagem por um Nordeste musical diverso, místico e avesso a rótulos.

Natural de Teresina (PI) e com bagagem pelas bandas Captamata e Fabulah, o artista une a identidade regional a influências globais e atemporais. No disco, a tradição da viola caipira, da sanfona e das bandas de pífano se funde de forma orgânica ao rock clássico, folk, música celta, MPB e à psicodelia setentista. Há ainda referências nítidas ao som de grandes ícones mundiais e nacionais, como Beatles, Pink Floyd, Jethro Tull e Zé Ramalho.

Apesar de ser um projeto solo e independente, SAMUCAPTA se cercou de parcerias para a construção da obra. O álbum traz composições e arranjos divididos com nomes de peso da cena local e antigos parceiros de estrada, como Gabriel Medeiros, Esaú Barros, Joe Ferry, Vitor Lira e a banda Ultrópico Solar (com quem divide os vocais no single "Tell Me Now").


A riqueza do álbum se reflete na variedade de texturas sonoras: faixas como “A Volta de Pã” abrem o disco com uma atmosfera celta e flautas tocadas pelo próprio Samuel, enquanto canções como “Lunático” e “Sopro” resgatam o peso da psicodelia nordestina.

O encerramento com “Barra da Lagoa” e “Gorjeio” consolida o manifesto do projeto: provar que a música feita no Nordeste é rica demais para ser categorizada.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Palco Astronauta ocupa a Zona Norte de Niterói

Show de Marcos Hasselmann. Foto: reprodução/Instagram 

Com entrada franca, evento une o produtor Leo Rivera e pocket shows de Sudano e Marcos Hasselmann, no Centro Cultural Cauby Peixoto

Bastidores do som. A música independente de Niterói ganha destaque, no Centro Cultural Cauby Peixoto, no Fonseca, no próximo dia 11 de julho (sábado). O projeto "Palco Astronauta – Especial" promove um mergulho gratuito na história e nos desafios do mercado fonográfico, reunindo debate, aprendizado e música ao vivo.

Centro Cauby Peixoto. Foto: divulgação/Prefeitura de Niterói 

O ponto alto da programação é a palestra “Artistas, ego e indústria da música nos últimos 30 anos”, comandada pelo jornalista e produtor Leo Rivera, fundador do selo Astronauta Discos. O encontro — que terá a participação de Yuri Chamusca e do cantor Sudano — vai abordar a transição do vinil às plataformas digitais, gestão de carreira e a realidade dos selos independentes. Por ser um evento imersivo e sem transmissão online, os minutos finais serão abertos às perguntas do público.

Leo Rivera. Foto: reprodução/Instagram 

Som no palco

Após o debate, a noite encerra com apresentações ao vivo. O line-up traz a identidade queer e o rock alternativo de Sudano, seguido pela versatilidade e a voz marcante de Marcos Hasselmann, que passeia pelo jazz e pela MPB.

Marcos Hasselmann. Foto: reprodução/Instagram 

Programe-se

O quê: Palco Astronauta Especial (Palestra + Shows)

Quando: sábado, 11 de julho, a partir das 20h

Onde: Centro Cultural Cauby Peixoto (Alameda São Boaventura, 263 – Fonseca, Niterói)

Quanto: grátis (sujeito à lotação)

terça-feira, 16 de junho de 2026

Espetáculo gratuito resgata legado de Dalva de Oliveira

Foto: João Caldas/divulgação

Memórias de Renato Borghi cruzam o caminho da artista nos palcos

Um sensível resgate histórico e passional da cultura brasileira. O espetáculo "Minha Estrela Dalva", idealizado e escrito pelo renomado ator e dramaturgo Renato Borghi, estreia nesta quinta-feira (18), no Teatro do SESI-SP, na Avenida Paulista, costurando memórias de infância. 

O musical faz uma profunda reverência à trajetória de Dalva de Oliveira, uma das maiores e mais arrebatadoras vozes do cancioneiro nacional.

​A semente da produção germinou quando Borghi tinha apenas seis anos de idade e foi impactado pela voz de Dalva, na trilha sonora da animação Branca de Neve. O encanto inicial na vitrola de infância converteu-se em um amor incondicional, que atravessou décadas, palcos e revoluções estéticas. Agora, esse elo afetivo ganha corpo e voz, sob a direção refinada de Elias Andreato.

​A montagem propõe uma engenhosa dinâmica cênica, na qual o ator divide o palco com sua própria juventude, interpretada por Elcio Nogueira Seixas, que dá vida ao Renato de 1969 — um jovem artista imerso na efervescência da contracultura e na rebeldia do Teatro Oficina, descobrindo em Dalva a alma profunda do Brasil. 

A icônica "Rainha do Rádio" é encarnada por Soraya Ravenle, que curiosamente iniciou sua carreira no coro de um musical sobre Dalva, em 1987, e hoje retorna para ocupar o centro do palco, traduzindo com potência vocal e sensibilidade a dor e o pioneirismo de uma mulher que desafiou os moralismos de sua época.
​"Ver Renato se confrontar com sua própria história em cena é testemunhar um dos gestos mais íntimos e corajosos do teatro", destaca o diretor Elias Andreato sobre a simbiose poética da obra.

​Completando o triângulo central da narrativa, o ator Ivan Vellame empresta sua voz para interpretar os amores de Dalva, com especial destaque para o compositor Herivelto Martins. A costura musical reaviva sambas imortais e coloca em evidência os conflitos artísticos e midiáticos que ditaram a era de ouro do rádio.  

 Além de celebrar os grandes ícones da arte nacional, o espetáculo joga luz sobre o papel histórico de Dalva como uma mulher senhora de si, em um momento em que o feminismo começava a se consolidar como movimento social.

SERVIÇO

Minha Estrela Dalva”

Centro Cultural Fiesp | Teatro do SESI-SP – Avenida Paulista, 1313 (em frente à estação Trianon-Masp)

Temporada: até 12/07
Sessões: Quinta a sábado, às 20h, e domingo, às 19h
Classificação etária: 14 anos
Duração: 90 minutos
Acessibilidade sempre aos sábados e domingos, com intérprete de Libras e audiodescrição.

Ingressos gratuitos. Reservas pelo site http://www.sesisp.org.br/eventos


sábado, 6 de junho de 2026

Projeto da Mullet Monster Mafia, Grotta lança álbum em tempo recorde

Fotos: Jean Novaes (divulgação)

Nascida de encontros informais e gravada logo após o Psycho Carnival, banda de Piracicaba lança "Tomorrow Comes Today" no streaming e planeja turnê europeia.

A cena do rock underground ganha um reforço de peso com o lançamento oficial de "Tomorrow Comes Today", o álbum de estreia da banda Grotta. Natural de Piracicaba (SP), o power trio surge como um projeto derivado da aclamada The Mullet Monster Mafia — atual referência global no surf punk —, mas com uma proposta sonora inteiramente voltada às vertentes mais cruas e velozes do underground.

O trabalho reúne oito faixas enxutas que resgatam a essência do skate punk, hardcore, crossover e thrashcore. De acordo com o baterista Neri, a concepção do grupo ocorreu de forma totalmente espontânea no início de 2026, durante uma audição despretensiosa de discos clássicos de bandas como Gang Green, Agent Orange e Bad Brains, na casa do guitarrista e vocalista Verme. O impulso criativo foi imediato: Verme pegou o violão, Netão assumiu o baixo para estruturar as primeiras bases e Neri ditou o ritmo improvisando batidas na mesa.

Urgência 


O que começou como um registro informal rapidamente tomou proporções de um álbum completo. Após ouvirem as primeiras maquetes gravadas de forma caseira no celular, durante o festival Psycho Carnival, em Curitiba, os integrantes perceberam o potencial do repertório. Sem perder tempo, entraram em contato com o produtor Rodrigo "Bigga" Binatto, do Soul de Pira Studios (Piracicaba), e aproveitaram dois dias livres na agenda para imortalizar as canções.

"Quando acabou o Psycho Carnival, a gente foi para o estúdio e gravou o disco. Metemos as oito músicas, desenvolvemos uns arranjos básicos ali e gravamos tudo rapidamente", afirma Neri.

A gravação preservou fielmente a urgência e o espírito old school do projeto. Com arranjos simples costurados no próprio calor da sessão, o som destaca a guitarra e o vocal rústicos de Verme, as linhas marcantes de baixo e voz de Netão, e a precisão de Neri na bateria e nos backing vocals.

Crítica social

Aceleradas e sem rodeios, as músicas servem de base para letras que fogem de narrativas longas para apostar em frases diretas e refrões de forte impacto. O conteúdo lírico reflete o cotidiano, abordando temas densos como a tensão urbana, o desgaste político, os ruídos sociais, a incerteza, o medo e a resistência diária perante a passagem do tempo — temáticas intrínsecas à tradição contestadora do punk.

Além de já estar disponível nas plataformas digitais e na página oficial do Bandcamp, Tomorrow Comes Today ganhará uma edição física especial em vinil de 12 polegadas. O lançamento analógico é fruto de um esforço conjunto via consórcio independente, operado por cinco selos especializados: Trashout Records (Alemanha), Orleone Records (Europa), Redlightz Records (Curitiba), Tupunk Records (Marília) e Under Shows (São Paulo).

 Próximos passos

Com o disco na rua, a Grotta já planeja a sua transição para os shows. Segundo o cronograma da banda, o mês de agosto reserva as primeiras atividades ao vivo em solo nacional. O período coincide com a vinda de Neri ao Brasil para a produção do Lucky Friends Rodeo, festival de cultura custom que acontece nos dias 5 e 6 de setembro, em Sorocaba.

Logo na sequência, em novembro, os horizontes da banda se expandem com uma mini-turnê promocional já prevista na Europa, consolidando o alcance internacional do trio.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

YAGÔ abre ala do álbum "Menestrel" com o single "Nádegas"

 

Foto: Larissa Cristina (divulgação)

Da Jamaica brasileira ao pop futurista, o cantor e compositor YAGÔ inicia o capítulo mais ambicioso de sua carreira: já está nas plataformas digitais o single “Nádegas”, faixa de abertura que serve como cartão de visitas para o seu próximo álbum de estúdio, batizado de Menestrel.

Produzida por Anselmo dos Reis, a nova música não é apenas um lançamento isolado. Trata-se de uma reinvenção estética. YAGÔ funde a espinha dorsal do dub roots tradicional com texturas eletrônicas e uma roupagem pop contemporânea, bebendo diretamente da fonte territorial de São Luís do Maranhão, a terra natal do artista, cuja identidade foi forjada no balanço das radiolas e na cultura do reggae. O resultado é um som essencialmente tropical e orgânico, desenhado tanto para a contemplação quanto para o clássico dançar "colado", que define as pistas maranhenses.

Volúpia musical

Longe de clichês, “Nádegas” utiliza a atmosfera relaxante do reggae para construir uma narrativa sensorial sobre o cotidiano, o afeto e a liberdade dos corpos. Sob as lentes da direção de arte que acompanha a atual era do artista, o projeto exala um clima naturalista e sensual.



De acordo com o cantor, o álbum Menestrel foi desenhado para expandir as fronteiras da música preta sob uma ótica intimista e espiritual, profundamente conectada às vivências em São Luís. Em 2026, YAGÔ defende o reggae não como um artefato intocável do passado, mas como uma cultura viva, fluida e totalmente integrada ao pop alternativo nacional.

Maturidade

Embora o nome YAGÔ surja com o frescor de uma novidade de mercado, o artista é uma figura carimbada e respeitada na engrenagem da cena independente nordestina. Na década de 2010, ele circulava sob a alcunha de Yhago Sebaz, período no qual colocou na rua os elogiados discos #NegoBeats (2014) e Meio Amargo (2019).

A transição para a nova identidade artística reflete sua maturidade de estúdio e de palco. Agora, com mais bagagem, o cantor amarra corpo, som e imagem em uma narrativa contínua e sem arestas.

O single já pode ser ouvido em todos os serviços de streaming de áudio.

A herança viva de Belchior

Foto: divulgação A obra de Belchior sempre foi marcada pelo desconforto e pela urgência, características que a mantêm viva e atual. É a part...