quinta-feira, 23 de julho de 2026

Dança em trânsito transforma o Rio em vitrine internacional

Fotos: divulgação 


O mundo de olho nos nossos passos. Imagine ver o melhor da dança contemporânea brasileira, reunido, no mesmo festival — e ainda presenciar o momento exato em que nossos talentos ganham o mapa-múndi. Entre os dias 4 e 11 de agosto, a 24ª edição do Dança em Trânsito ocupa o Rio de Janeiro com a mostra Cena Brasil: uma vitrine da dança brasileira, trazendo a promessa de mover teatros, praças e novos horizontes.

Ao todo, 20 companhias e artistas vindos de 10 estados brasileiros sobem aos palcos cariocas. Mas o tempero especial desta edição está na plateia: programadores, curadores e diretores de festivais de oito países — como Coreia do Sul, França, Espanha e Luxemburgo — desembarcam na cidade buscando atrações para o circuito global.

"A vinda desses programadores cria uma ponte direta entre os festivais internacionais e a produção contemporânea no Brasil, tão diversificada, mas muitas vezes sem acesso ao circuito fora do país", destaca Giselle Tápias, diretora artística do evento, ao lado de Flávia Tápias.


A maratona cultural transita com fluidez entre os palcos fechados e a arte ao ar livre, oferecendo ingressos a preços populares de R$ 20 (com opção de meia-entrada a R$ 10) e diversas performances gratuitas. A jornada começa no Espaço Tápias, na Barra, com o projeto Janelas para o Mundo, promovendo debates com nomes de peso como Lee Jong-Ho, do festival sul-coreano SIDance, e Bernard Baumgarten, de Luxemburgo.

Na sequência, palcos icônicos como o Teatro Municipal Carlos Gomes, o Teatro Nelson Rodrigues e o Teatro João Caetano passam a receber companhias consagradas. Entre os destaques estão a Márcia Milhazes Companhia de Dança, a Cisne Negro — que traz curadoria musical de Anelis Assumpção — e a Quasar Cia de Dança, apresentando o espetáculo Céu de Pêssego em sua turnê nacional.

A arte também toma as ruas no domingo, dia 9, quando a Praça Mauá, em frente ao Museu do Amanhã, vira um grande palco aberto, a partir das 16h. O público poderá conferir gratuitamente sete atrações imperdíveis, que misturam o som do Bloco Turbilhão Carioca, ritmos regionais, frevo e os resultados das residências artísticas. Para encerrar o festival com chave de ouro, no dia 11, a companhia sul-coreana LEE K Dance Company apresenta HIYA – All the worlds, uma obra técnica e poética que integra até a maquinaria do próprio teatro à coreografia.

Para conferir a programação completa e garantir seus ingressos, acesse o site oficial em dancaemtransito.com.br.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

De Leoni a Negra Li, grandes nomes da música movimentam Barra de São João

 

Leoni, Negra Lee e Thiago Martins estão na programação do próximo final de semana em Barra de São João. Foto: Assessoria de Imprensa

O próximo fim de semana promete transformar Barra de São João em um verdadeiro caldeirão de cultura, música e alta gastronomia. Entre os dias 24 e 26 de julho, de sexta a domingo, o charmoso distrito de Casimiro de Abreu sediará, simultaneamente, a 30ª edição do tradicional Festival de Crustáceos e Frutos do Mar e o prestigiado Festival Sesc de Inverno 2026. Com entrada franca, a maratona de eventos reúne estrelas da música nacional, talentos locais, competições culinárias e atividades ao ar livre.

A celebração une a tradição gastronômica da região — mantida pela Prefeitura de Casimiro de Abreu — à força do projeto cultural promovido pelo Sesc RJ, em parceria com o Sindicomércio local. O resultado é um line-up diversificado, que promete movimentar a economia e o turismo do litoral fluminense.


Música

Os holofotes do palco principal receberão grandes nomes do cenário nacional, durante as três noites de festa:

Sexta-feira (24): O mestre do pop rock Leoni comanda a noite de abertura a partir das 23h, embalando o público com seus clássicos.

Sábado (25): A voz marcante da cantora Negra Li ecoa pelo distrito, às 22h, trazendo o ritmo e a potência do R&B e do hip-hop nacional.

Domingo (26): Para fechar com chave de ouro, o cantor e ator Thiago Martins sobe ao palco às 21h, com muito samba e balanço.


Gastronomia


Muito além das grandes atrações noturnas, o evento oferece uma imersão completa, ao longo do dia. Os amantes da boa mesa poderão acompanhar o Festival Melhor Prato, degustações gratuitas de iguarias como o tradicional guaiamum e a valorização da culinária marinha local.

Para quem busca energia e contato com a natureza, as manhãs contam com a Copa de Canoa Makai e uma Caminhada Turística guiada. O som não para em nenhum momento, com apresentações contínuas de artistas da região passeando por gêneros como MPB, blues, forró e rock.


🗓️ Confira a Programação Completa

Sexta-feira — 24 de Julho

18h30 – Gibão no Blues

19h30 – Abertura Oficial

20h30 – Day e Marimba

23h00 – Leoni (Festival de Crustáceos)


Sábado — 25 de Julho

12h00 – MangueSal

14h00 – Fernando Otz

14h00 – Degustação de Guaiamum

15h00 – Concurso "Melhor Prato"

16h00 – Alyne – Mandacaru In Trio

17h00 – Premiação do Melhor Prato

18h00 – Capitão X

20h00 – Aline Vitorino

22h00 – Negra Li (Festival Sesc de Inverno)

00h00 – Banda Blue Jeans


Domingo — 26 de Julho

08h00 – Copa de Canoa Makai

08h00 – Caminhada Turística

12h00 – Tallita Fraga

14h00 – Beta

16h00 – KM 50

17h00 – Celsinho

18h30 – Léo Victor

21h00 – Thiago Martins (Festival Sesc de Inverno)

terça-feira, 21 de julho de 2026

Nem tango, nem futebol: a argentina que conquistou o chão sagrado do Cacique de Ramos

 

Fotos: divulgação/Ascom

Uma conversa sobre raízes litorâneas, a emoção de pisar no templo sagrado do samba, superação e o desejo de deixar um legado sem fronteiras para a música brasileira

Saulo Andrade
Para quem observa de fora, a união entre a Argentina e o samba pode parecer inusitada. Mas, para a cantora e compositora Ale Maria, essa ponte foi construída de forma natural, com paixão pela cadência bonita do samba e do carnaval, desde a infância, em Mercedes, na província de Corrientes, Argentina.

Consolidada no cenário carioca, após abençoadas passagens pelo Cacique de Ramos e com participações marcantes em escolas de samba e palcos emblemáticos como o Museu do Samba, a artista prepara-se para o seu próximo grande momento: o show no Clube ASPOM-RJ, em Piedade, Zona Norte do Rio, no dia 8 de agosto, sábado, junto ao grupo Caciqueando.

Nesta entrevista, Ale repassa sua trajetória, reflete sobre as batalhas do cotidiano musical e projeta o futuro de sua arte.

Cena da Música Independente (CMIND): Ale, o seu primeiro contato com o samba e o carnaval aconteceu ainda na infância, em Corrientes. Para os brasileiros que costumam enxergar a Argentina apenas pela ótica do tango portenho, como é essa atmosfera rítmica do interior do seu país e de que forma ela pavimentou o seu caminho até as rodas cariocas?



Ale Maria: Eu fui criada em Mercedes, Corrientes, e morei lá até os meus 18 anos. Na minha cidade, que fica no centro da província, e nas cidades ao redor, todo mundo vive o carnaval com bateria, escolas de samba e samba-enredo. Algumas escolas interpretam músicas locais, mas a maioria tem o seu próprio samba-enredo e desfila exatamente como no Rio de Janeiro, falando sobre a história do país ou temas da humanidade. Para mim, essa cultura brasileira e argentina se parece muito. O carnaval já existia por lá antes e, quando o samba entrou, transformamos esses desfiles, muito pela proximidade com Uruguaiana e o Rio Grande do Sul. Então, posso dizer que o carnaval com bateria e escola de samba sempre esteve na minha raiz. Desde criança, eu fazia questão de me fantasiar, dançar, desfilar e viver essa festa.

CMIND: Uma das suas primeiras e mais marcantes experiências no Rio foi a chegada ao Cacique de Ramos, levada pelo seu irmão, o músico Henrique Fubba. Como foi pisar naquele chão sagrado e, principalmente, receber o acolhimento de uma entidade como o Bira Presidente?

Ale Maria: Lembro como se fosse hoje. O Henrique Fubba me chamou para conhecer o Cacique, mas eu nunca imaginei que, logo na primeira vez pisando ali, eu iria cantar. A emoção foi tão grande que, quando subi ao palco, eu não parava de chorar. Tive que parar, respirar e falar pra mim mesma: "se acalma e faz o que você sabe fazer". Eu não tinha muita experiência em rodas de samba no Rio, ainda, mas me entreguei por inteiro. Foi maravilhoso: as pessoas sentiram essa verdade. Quem me deu essa oportunidade inicial foi o Ronaldo, um dos diretores, a quem sou eternamente grata e que sempre me acolhe. Foi ele quem me apresentou ao Bira Presidente. O Bira acabou virando meu fã, ao ver o carinho e o respeito que os argentinos têm pelo samba. Ele gostava de ouvir minhas histórias, de como eu já conhecia, no meu país, o Fundo de Quintal; Beth Carvalho; Jorge Aragão e Arlindo Cruz. Ele fazia questão de estar nos meus shows, dançando o famoso miudinho dele. Tenho uma proximidade gigante com o Cacique, desde os meus primeiros dias no Rio.



CMIND: Você tem um trabalho autoral muito focado em construir pontes, gravando composições próprias como "O Samba em Primeiro Lugar" e "De Samba em Samba", além de trazer clássicos traduzidos e sambas-enredo interpretados em espanhol. Quais são os pontos de convergência mais profundos entre a alma musical argentina e a brasileira? O que as une e as irmana nos palcos?

Ale Maria: Nas minhas composições, eu faço questão de trazer o que a minha alma pede: falar de amor, de união e de respeito pelo samba. Esse é um sentimento que abraça o povo argentino, na hora de cantar samba. Nós respeitamos profundamente a história e a origem do samba, sabendo que ele é brasileiro, mas também temos muita criação e composição própria em espanhol por lá. No palco, o que nos une é essa reverência. Queremos honrar essa arte que já se tornou parte da nossa cultura também. Existe a famosa rivalidade no futebol, mas na música a união entre as nossas culturas é muito forte. O samba une as pessoas e quebra barreiras.

CMIND: A sua trajetória no Rio de Janeiro é o retrato fiel da persistência de um artista independente. O público te vê hoje brilhando nos palcos, mas você já encarou muitas batalhas no cotidiano — desde vender bijuterias nas praias cariocas, trabalhar como garçonete, dar banho em pets, durante a pandemia, até produzir e vender suas próprias empanadas argentinas por encomenda. Como essas vivências moldaram a sua interpretação artística? O samba exige essa "casca" da vida real?

Ale Maria: Com certeza. Eu já fiz de tudo um pouco, aqui no Rio: vendi bijuteria na praia, trabalhei como garçonete, atuei em pet shop, pós-pandemia, e hoje vendo empanadas artesanais por encomenda. Além disso, no próprio meio musical, eu sempre fui a produtora dos meus shows e a técnica que passava o som e chamava os músicos. Durante muito tempo, era difícil me enxergar plenamente como essa artista capaz de viver exclusivamente da sua paixão. Mas hoje estou em um processo de virada de chave. Estou consciente da minha capacidade e focada em viver da minha arte. Todas essas experiências me deram a maturidade necessária para encarar o palco de frente.

CMIND: Olhando para o futuro e para este novo momento que se consolida com o show do dia 8 de agosto no ASPOM-RJ, qual é a mensagem e o legado que você quer deixar para o samba, daqui para a frente?

Ale Maria: Esse novo projeto no ASPOM é a realização de um desejo de mostrar tudo o que carrego comigo. Assim como mostrei no espetáculo "O Samba Nasceu em Mim" no Museu do Samba, eu estou cheia de sonhos, amor e respeito pelos mestres que vieram antes. Chegou a hora de começar a deixar o meu legado. O samba é uma força viva que precisa continuar se expandindo pelo universo. Ele merece respeito, mas também merece quebrar fronteiras e preconceitos de quem ainda não enxergou a sua potência total. O samba merece essa expansão, e eu estou pronta para colocar a minha voz e a minha história nesse lugar de destaque que a arte merece.

SERVIÇO: Caciqueando com Ale Maria e Convidados



  • Data: 8 de agosto de 2026 (sábado)
  • Horário: A partir das 17h
  • Local: Clube ASPOM-RJ (Av. Dom Hélder Câmara, 8484 – Piedade, Rio de Janeiro)
  • Atrações: Ale Maria, grupo Caciqueando (diretamente de Ramos), convidados especiais e show de passistas
  • Gastronomia: Comida de boteco
  • Ingressos e Informações: Venda antecipada pelos telefones (21) 97662-7744 / (21) 96553-9966 ou pelo Instagram @alemariashow

Raízes nordestinas no litoral

 

As Forroseiras. Foto: divulgação



O Cepro (Centro Cultural de Educação Popular de Rio das Ostras) realiza, entre os dias 24 e 26 de julho (de sexta a domingo), o 5º Arraiá do Cepro, no bairro Âncora. Com entrada gratuita, a festa homenageia o escritor Ariano Suassuna, sob o tema “Saberes do Povo, Cultura Popular, Território e Raízes Nordestinas”.

A programação abre na sexta (24), a partir das 17h, com as exposições “A Festa Junina na Arte Brasileira” e uma mostra sobre Suassuna, seguida pelo show do grupo As Forroseiras.
No sábado (25), a partir das 18h, apresenta-se a Quadrilha da Tia Joana, com forró ao vivo.

 No encerramento, domingo (26), das 13h às 18h, o evento conta com um concurso de cordel, a apresentação musical de Du Capim, a Quadrilha Cênica Produção Teatro Variável, além de brincadeiras infantis.

 O espaço contará ainda com barracas de comidas e bebidas típicas durante todos os dias.

Serviço

  • Evento: 5º Arraiá do Cepro — Homenagem a Ariano Suassuna
  • Quando: 24, 25 e 26 de julho
  • Horários: Sexta (17h às 23h), Sábado (18h às 00h) e Domingo (13h às 18h)
  • Onde: Sede do Cepro — Av. das Flores, nº 394, Âncora, Rio das Ostras (RJ)
  • Entrada: Gratuita

Paula Brito finca bandeira do feminejo no RJ

Foto: divulgação/ascom



Natural de Rio Bonito (RJ), a cantora e jornalista Paula Brito vem se consolidando como um dos principais nomes do sertanejo na Região Metropolitana e na Região dos Lagos fluminense. Com 13 anos de carreira profissional, a artista iniciou sua trajetória na infância, aos sete, e mais tarde aprimorou seu talento, com a graduação em Canto Popular no Conservatório de Música de Niterói.

Inspirada pelas modas de viola que ouvia do pai e fortalecida pela onda do "feminejo", Paula celebrou recentemente seu aniversário e trajetória, na primeira edição da “Festa da Patroa” — um evento de oito horas de show que, dado o sucesso de público, deve virar um circuito itinerante pela região.

Além da presença constante nos palcos fluminenses e em estados como São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul, a artista colhe frutos no ambiente digital: seu single autoral "Chumbo Trocado" soma mais de 13 mil execuções no Spotify e 31 mil views no YouTube. Embaixadora da 7ª Cavalgada das Patroas, agendada para 8 de agosto, Paula atualmente prepara o lançamento do seu primeiro registro audiovisual, previsto para este ano, mantendo como foco principal a conexão orgânica com o público.


segunda-feira, 20 de julho de 2026

Música clássica e inclusão ocupam palco da Sala Cecília Meireles

 

Foto: Daniel Ebendinger/divulgação

Encontro de gerações. O diálogo entre a maestria de nomes consagrados e a força da nova safra de instrumentistas do Rio de Janeiro ganha destaque em apresentação única, no dia 8 de agosto, sábado, às 17h, na Sala Cecília Meireles. Promovido pela Ação Social pela Música do Brasil, o espetáculo "Encontro de Gerações" reúne, no mesmo palco, a Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro (OSJRJ), o maestro Guilherme Bernstein e a aclamada pianista Maria Helena de Andrade.

Com mais de seis décadas dedicadas ao ensino e à interpretação musical, a pianista Maria Helena de Andrade celebra seus 80 anos como solista do clássico Concerto da Coroação, de Mozart. A regência do concerto fica a cargo do maestro Guilherme Bernstein, professor de Regência da UNIRIO.

O programa da noite celebra diferentes eras da música erudita. Na abertura, Catedral de Luz, do compositor brasileiro Alexandre Schubert. A primeira parte do evento conta com o Concerto de Coroação (Mozart), com solo de Maria Helena de Andrade; além de, na segunda, Dumbarton Oaks (Igor Stravinsky) e Appalachian Spring (Aaron Copland), representando o neoclassicismo do século XX.

Além do rigor técnico, o concerto carrega um forte impacto social. A OSJRJ — orquestra residente da PUC-Rio e dirigida por Fiorella Solares — é composta prioritariamente por jovens talentos vindos de comunidades do estado do Rio, consolidando-se como um dos principais projetos de formação orquestral e transformação social do país.

📍 Serviço

  • Evento: Concerto Encontro de Gerações
  • Atrações: Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro | Guilherme Bernstein (regência) | Maria Helena de Andrade (piano)
  • Data e Horário: 8 de agosto de 2026 (sábado), às 17h
  • Local: Sala Cecília Meireles (Rua da Lapa, 47 – Lapa, Rio de Janeiro)
  • Duração: 90 minutos
  • Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia) — à venda na bilheteria do local e online.

 

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Erudica lança single "The Sculptor" e anuncia turnê europeia

Fotos: Erudica/divulgação

 


Sediada em Portugal, banda de melodic death metal une peso e crítica social como prévia do aguardado álbum "Burnt Imperium".

Da Europa para o mundo. A banda Erudica vive um dos momentos mais dinâmicos de sua carreira. Estabelecido em Portugal, o grupo — composto por Caroline Ferreira (vocal), Patrik Corrêa (guitarra), Dragos Iulian (baixo) e Micael Sousa (bateria) — consolida sua transição para o mercado europeu, sem perder as raízes e a conexão com o público brasileiro. O mais novo passo dessa jornada é o lançamento de "The Sculptor", segundo single do álbum conceitual Burnt Imperium.

Após abrir os caminhos com "Resistance Unchained", o quarteto desacelera o ritmo para aumentar a pressão sonora. "The Sculptor" aposta em riffs marcantes, grooves intensos e uma atmosfera de constante tensão, servindo como pano de fundo para uma forte crítica social.

"Queríamos criar uma música que tivesse peso tanto na sonoridade quanto na mensagem", explica a vocalista Caroline Ferreira. "'The Sculptor' fala sobre como determinadas estruturas conseguem influenciar pessoas sem que elas percebam. É uma reflexão sobre recuperar a própria voz."

Evolução

A composição e produção da faixa levam a assinatura de Patrik Corrêa e Caroline Ferreira, com coprodução, mixagem e masterização do renomado produtor Niko Teixeira (Audiolab Extreme Studio). O resultado é um equilíbrio afiado entre a agressividade do melodic death metal e nuances melódicas modernas.



Para o guitarrista Patrik Corrêa, o single é peça-chave na narrativa do disco cheio:

"'The Sculptor' mostra um lado mais opressivo e atmosférico da Erudica. Cada faixa de Burnt Imperium conta uma parte dessa história, e esse single representa uma evolução natural".

Com lançamento previsto para o segundo semestre de 2026, o álbum conceitual Burnt Imperium será revelado aos poucos, interligando temas que vão da manipulação psicológica à devastação ambiental.

Pé na estrada

Para acompanhar o lançamento, a Erudica confirmou uma série de shows pela Europa em agosto de 2026, passando por importantes palcos do circuito de metal:



  • 14/08/2026 — Timișoara, Romênia
  • 15/08/2026 — Bucareste, Romênia
  • 21/08/2026 — Helsinque, Finlândia
  • 22/08/2026 — Budapeste, Hungria
  • 28/08/2026 — Galícia, Espanha
  • 29/08/2026 — Madri, Espanha

Os fãs brasileiros não precisarão esperar muito para ver a banda de perto. A Erudica já planeja seu retorno ao país entre junho e julho de 2027, com a agenda aberta para festivais e shows exclusivos. Produtores interessados já podem entrar em contato direto com a banda para reservas de datas.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Sarahysha conecta Brasil e Benin através da força do Afro-Jazz

Fotos: Laura Éder/divulgação



Travessia ancestral. A música de Sarahysha não se limita a ser ouvida; ela exige ser sentida na pele. Cantora, compositora, performer e pesquisadora paulistana radicada no Benin (África Ocidental), ela desembarca no Brasil com o projeto Spiritual Biatch! – Corpo, Memória e Resiliência. A proposta reconecta as pontas do Atlântico através de uma experiência sensorial de afro-jazz que resgata a memória ancestral por meio do som e do transe corporal.

O trabalho artístico de Sarahysha é um reflexo de sua própria trajetória nômade. Antes de se estabelecer na África Ocidental, ela percorreu os corais de igreja na infância em São Paulo, o circuito underground de jazz da Rua Augusta e os palcos da França, do Caribe e da Ilha de Reunião, no Oceano Índico. No Benin, encontrou o elo definitivo: o contato íntimo com os ritmos cerimoniais locais e as práticas do sistema espiritual Vodùn revolucionaram sua relação com o canto e o movimento.

Partitura corporal

Diferente do jazz acadêmico e das partituras tradicionais, Sarahysha cria o que define como "música manifesta". Para ela, a canção nasce primeiro como uma vibração física, um impulso de respiração e energia, para só depois ser traduzida em ondas sonoras:



"Minha música não nasce de uma forma pré-definida. Eu escuto os sons por dentro e depois vou esculpindo as ondas sonoras. É uma música de reconexão. Não necessariamente religiosa, mas uma música que religa o corpo a algo que está além do visível."

Esta fusão espiritual ganha contornos práticos no espetáculo Spiritual Biatch!, que reúne no palco instrumentistas brasileiros e beninenses. A formação de afro-jazz — composta por metais, percussões tradicionais, baixo, teclado e bateria — serve como base para que a voz e a expressividade cênica de Sarahysha guiem o público por um território onde o passado escravista e a dor diaspórica não são tratados com nostalgia, mas transformados em potência de vida e resistência.

Do ritualístico ao digital

Embora sua pesquisa mergulhe fundo nas tradições orais e na ancestralidade, Sarahysha compreende com maestria os canais de comunicação da atualidade. Nas redes sociais, ela acumula uma comunidade expressiva de mais de 185 mil seguidores no TikTok. Ali, desmistifica o cotidiano no Benin, debate a diáspora negra, compartilha vivências artísticas e conecta-se diretamente com as novas gerações.



Sua ponte cultural se estende também aos bastidores do mercado, através do SB LAB (Creative and Cultural Production Studio), laboratório fundado por ela para fomentar a pesquisa, a criação e a circulação internacional de obras de música, dança e performance entre o continente africano e o Brasil.



A potência desse cruzamento cultural também reverbera em suas produções musicais. Em seu trabalho, como na faixa "Marias de Madalenas e Padilhas (Remix)", Sarahysha evoca a força das figuras femininas marginalizadas e sagradas. Na canção, sobre uma base hipnótica, ela entoa versos densos que remetem à perseguição histórica sofrida pelo corpo feminino — "estrangulada, caçada, domesticada, espancada, queimada, lacerada, esquartejada" —, convertendo o lamento em um manifesto de superação ritualística: "mal sabiam que no fundo do meu poço eu tenho um trampolim".

Carlos Malta celebra 50 anos de estrada com clássico remasterizado e show no interior do Rio

Foto: divulgação



O vento, em sua essência física, é invisível. Mas nas mãos de Carlos Malta, ele ganha contornos, texturas e cores. Há exatamente 50 anos, o multi-instrumentista carioca vem esculpindo o ar, transformando a respiração humana em um dos pilares mais inovadores da música instrumental brasileira. Para celebrar esse jubileu de ouro e dar continuidade às comemorações de sua vibrante trajetória, o artista sobe ao palco do Teatro Rosinha de Valença, no dia 31 de julho, como uma das atrações mais aguardadas do FIN Festival de Inverno, no Sul do estado do Rio.

A apresentação gratuita não celebra apenas o tempo de estrada, mas também um resgate histórico aguardado há décadas pelos amantes da boa música: o relançamento de "O Escultor do Vento", primeiro álbum solo do artista, que acaba de desembarcar em todas as plataformas de streaming via Mills Records.

O sopro que virou batucada

Gravado entre 1996 e 1997, logo após a saída de Malta do lendário grupo de Hermeto Pascoal — onde o músico lapidou seu talento por 12 intensos anos —, o álbum teve originalmente uma tiragem física quase secreta, limitada a apenas mil cópias. À época, o trabalho foi aclamado instantaneamente, sendo apontado pelo jornal O Globo como um dos melhores discos instrumentais daquele ano. Em 1998, ganhou o mundo sob a alcunha de Jeitinho Brasileiro.

Agora remasterizado, o disco revela a essência de um criador inquieto, que se recusa a aceitar os limites físicos de seus instrumentos. Um exemplo clássico dessa inventividade está na genial fusão de “Isso aqui o que é? / Na Cadência do Samba”: sem utilizar um único tambor ou prato, Malta construiu uma batucada brasileira completa apenas com os estalos, chaves e sons percussivos extraídos de flautas, saxofones e clarinetes. Foi ali que seu apelido definitivo se consolidou.


No encarte original de 1997, o compositor Guinga sintetizou a genialidade do amigo com precisão poética:

"Carlos Malta, pai, filho e espírito de saxes e das flautas. Psicografa pelo sopro, batiza apenas como vento. Ilude o pensamento, desafia o sentimento (...) Menino passarinho num Hermeto ninho. Grandão".

O álbum é uma verdadeira constelação da MPB, trazendo participações históricas de nomes como Lenine (no vigor rítmico de "Morena Bela"), Jane Duboc (no lirismo de "Luz do Sol"), além do próprio Guinga, Nico Assumpção, Nelson Faria, Leandro Braga e Robertinho Silva.

Diálogo entre gerações

No palco de Valença, Malta não estará sozinho. Para dar vida nova a essas composições camerísticas e vigorosas, ele reuniu um time que conecta diferentes gerações e linguagens da nossa música: Lui Coimbra, no violoncelo; Aline Gonçalves, nas flautas; Cliff Korman, no piano; Bernardo Aguiar, na percussão e Giuliano Eriston (como convidado especial), nos vocais, violão e flauta.

Além de revisitar as faixas do álbum histórico, o espetáculo promete ser uma antologia viva de sua carreira, passando por temas marcantes que consolidaram Malta como um cidadão do mundo. Carioca nascido em 1960, ele domina desde a família tradicional de saxes e flautas até instrumentos étnicos como o pife brasileiro, o shakuhachi japonês e a flauta di-zi chinesa.

Das rodas de choro aos palcos sagrados do Carnegie Hall (Nova York) e do Forbidden City Concert Hall (Pequim), o "Escultor do Vento" continua mostrando que a música instrumental brasileira não é um gênero de nicho, mas sim uma força viva, orgânica e em constante transformação.

📍 Serviço

Show: O Escultor do Vento – Carlos Malta (Projeto Carlos Malta 50 anos de música)

Data: Sexta-feira, 31 de julho de 2026, às 20h

Local: Teatro Rosinha de Valença (Valença, RJ)

Ingressos: Entrada Gratuita

Para ouvir: O álbum remasterizado já está disponível no link 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Theatro Municipal do Rio celebra 117 anos com maratona cultural gratuita

Foto: Filipe Aguiar/divulgação - Il Trovatore - Ópera do Meio-Dia


O templo da arte fluminense está em festa. O Theatro Municipal do Rio de Janeiro completa 117 anos e, fiel à sua história, a comemoração foi desenhada para quem é o verdadeiro protagonista do espaço: o público. Com uma programação inteiramente gratuita, o aniversário celebra a tradição de braços abertos para a diversidade, o acesso democrático e a ocupação urbana através da arte.

As comemorações começam cedo, na tradicional escadaria e nos arredores do prédio histórico. Desde as primeiras horas da manhã, o som instrumental dita o ritmo, passando pelos acordes clássicos dos jovens violinistas de "Os Pequenos Mozart", até a potência da Banda Experimental de Sopros da Ação Social pela Música, que ocupa o Boulevard da Avenida Treze de Maio.

A dança ganha o centro dos holofotes no palco do Assyrio, a partir das 13h, reunindo desde as promessas da quase centenária Escola Maria Olenewa, até os primeiros bailarinos do corpo de baile principal. O destaque cênico da tarde fica por conta do espetáculo Kabarett ao Revés, que traz bailarinas com mais de 60 anos para o centro da cena, transformando maturidade, memória e bagagem artística em poesia em movimento.

O evento conta ainda com o retorno da ópera Salvator Rosa, de Carlos Gomes. Após oito décadas longe do Municipal, a coprodução com o Teatro do Amazonas celebra também os 190 anos de nascimento do compositor brasileiro. A montagem conta com mais de 300 figurinos e reúne os corpos artísticos da casa para o encerramento.

Programação 


Foto: Daniel A. Rodrigues/divulgação

A maratona cultural acontece no dia 14 de julho, terça-feira, com entrada franca:

9h – Banda dos Fuzileiros Navais (Escadaria Externa)

10h – Os Pequenos Mozart e Grupo Amadeus (Escadaria Interna)

11h – Ação Social pela Música: Banda de Sopros (Boulevard)

12h – Ópera do Meio-Dia: Il Trovatore (Pocket) (Escadaria Interna)

13h às 14h – Dança com Escola Maria Olenewa, Cia BEMO e Ballet do TMRJ (Assyrio)

15h – Visita Guiada de Arquitetura e História / Quarteto de Cordas da OSTM (Foyer)

16h – Espetáculo Kabarett ao Revés (Assyrio)

18h – Palestra sobre a ópera Salvator Rosa (Assyrio)

19h – Ópera Salvator Rosa (Palco Principal)

Para assistir à ópera das 19h, as entradas devem ser retiradas antecipadamente via site oficial do Theatro, a partir do dia 7 de julho (limite de 2 por CPF). Para as demais atrações ao longo do dia, os bilhetes serão distribuídos presencialmente, uma hora antes de cada espetáculo, por ordem de chegada e sujeito à lotação.

Foto: Daniel Ebendinger/divulgação - Marcello Vannucci (tenor) na nova montagem do TMRJ

As comemorações não param por aí: ao longo de todo o mês de julho, o Municipal recebe a exposição fotográfica “Perspectivas de uma cidade em movimento” e encerra o ciclo festivo no dia 26, com uma corrida e caminhada de 5 km pelo centro histórico do Rio.

Thati Dias: da ironia viral ao jazz intimista

Fotos: divulgação

Enquanto a indústria musical muitas vezes dita caminhos prontos, a cantora e compositora Thati Dias escolheu a contramão. Com uma década de estrada, a artista consolida sua carreira longe das fórmulas fáceis, apostando em uma assinatura que costura Música Popular Brasileira, Jazz, R&B e Samba. O resultado é um trabalho autoral onde a palavra e a performance ditam o tom.

Essa identidade ganhou corpo em Soturna (2024), seu álbum mais recente. O disco — que traz faixas como Um Labirinto em Cada Pé e Silente Oração — transformou-se em um espetáculo cênico-musical que lotou teatros pelo Rio de Janeiro, impulsionado pelo edital Sesc Pulsar. "A música é um meio para catarse: explosão e cura", define Thati. Para ela, o palco é um organismo vivo: "O show nunca é igual porque as pessoas transformam aquilo que eu canto".

Viral

Se nos teatros e casas icônicas como o Blue Note, no Rio, a atmosfera é de intimidade, na internet a dinâmica ganha outra escala. Ao lado da cantora Júlia Vargas, Thati rompeu a bolha digital. Os vídeos da dupla já ultrapassam 10 milhões de visualizações, puxados especialmente por H de Horror — uma paródia ácida de Homem com H (sucesso com Ney Matogrosso) que usa o humor e a ginga teatral para questionar o patriarcado.


"É muito bom perceber que uma pessoa pode me conhecer através de um vídeo de denúncia com humor ácido e, depois, descobrir um disco inteiro de composições autorais com uma forte carga emocional", ressalta a cantora.

Essa dualidade, longe de ser um problema, virou ponte. O público, que chega rindo dos vídeos curtos, acaba fisgado pela profundidade do repertório de Thati no streaming. No fim das contas, seja no silêncio de um acorde de jazz ou no eco de um viral, o objetivo da artista permanece o mesmo: provocar reflexão e criar conexões sinceras.

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