terça-feira, 2 de junho de 2026

Mostra "Música Artesanal" investiga a matéria-prima da Identidade Brasileira

 

Homem não identificado, tocando instrumento de sopro, c. 1970.
Foto: Thomaz Farkas/Acervo Instituto Moreira Salles 

Mãos que moldam as ferramentas da música brasileira. No dia 26 de julho, o Museu A CASA do Objeto Brasileiro, em São Paulo, abre as portas para a exposição “Música Artesanal”, uma imersão profunda no universo da lutheria nacional e na herança cultural que transforma madeira, couro e metal em patrimônio imaterial.

Com curadoria do renomado pianista e compositor Benjamim Taubkin — um dos nomes ligados à fundação da própria instituição —, a mostra marca também o reencontro do público com o museu, que passou por reformas recentes de modernização e ampliação de acessibilidade.

O elo perdido de Mário de Andrade

O destaque histórico da exposição é a conexão direta com a célebre Missão de Pesquisas Folclóricas de 1938, uma expedição idealizada por Mário de Andrade que percorreu o Norte e o Nordeste, para mapear as manifestações artísticas e religiosas do país.

Cinco peças históricas coletadas durante aquela jornada foram resgatadas do acervo do Centro Cultural São Paulo (CCSP) e serão exibidas ao público. O diálogo entre o passado e o presente é costurado por registros iconográficos raros de fotógrafos como Thomaz Farkas, Marcel Gautherot e Miriam Bisilliat, cedidos pelo Instituto Moreira Salles (IMS).


Criança tocando atabaque, 1990-1999. Pelourinho – Salvador - BA
Foto: Acervo Walter Firmo/ Instituto Moreira Salles 


“A música brasileira nasce de muitos encontros: de culturas, territórios, matérias e modos de fazer. A exposição procura mostrar justamente esse elo entre o gesto artesanal e a construção da nossa identidade sonora. Os instrumentos carregam histórias e formas de conhecimento transmitidas entre gerações”, ressalta o curador Benjamim Taubkin.

Infinitos ritmos

A narrativa da mostra se apoia na espinha dorsal de quatro instrumentos fundamentais da nossa tradição. Para dar vida a esse recorte, Taubkin convidou quatro mestres artesãos contemporâneos, cujos trabalhos ganham protagonismo na cena:  A viola caipira, por Régis Bonilha, destacando o berço da moda, do pagode caipira e do repente; a rabeca, por Adam Bahrami, com o arco que conduz o fandango, o baião e o forró; o pífano, por Alexandre Rodrigues: o sopro que conecta as tradições indígenas e as bandas de pífano do interior; além do atabaque e da percussão de Luiz Poeira, ecoando o maracatu, o samba, a congada, o ijexá e o frevo.

Além das peças criadas exclusivamente para o projeto, a experiência visual é complementada por um vídeo inédito, dirigido pelo curador em parceria com Kabé Pinheiro e Laís Branco (Produtora VMD).

 Oficinas

Para além das vitrines, "Música Artesanal" se propõe a ser um espaço de troca ativa. Ao longo do período expositivo, que vai até 18 de outubro, o museu sediará debates e vivências práticas gratuitas, onde os visitantes poderão aprender diretamente com os luthiers convidados.

Serviço 

Cavalo Marinho, festa popular, 1957. Recife - PE

Foto: Marcel Gautherot/Acervo Instituto Moreira Salles. 



  • Período da exposição: 26 de julho a 18 de outubro de 2026.
  • Funcionamento: Quarta a domingo, das 10h às 18h.
  • Entrada: Gratuita.
  • Local: Museu A CASA do Objeto Brasileiro (Av. Pedroso de Morais, 1.216, São Paulo - SP).

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