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| Homem não
identificado, tocando instrumento de sopro, c. 1970. Foto: Thomaz Farkas/Acervo Instituto Moreira Salles |
Mãos que moldam as ferramentas da música brasileira. No dia 26 de julho, o Museu
A CASA do Objeto Brasileiro, em São Paulo, abre as portas para a exposição “Música
Artesanal”, uma imersão profunda no universo da lutheria nacional e na herança
cultural que transforma madeira, couro e metal em patrimônio imaterial.
Com curadoria do renomado pianista e compositor Benjamim
Taubkin — um dos nomes ligados à fundação da própria instituição —, a mostra
marca também o reencontro do público com o museu, que passou por reformas
recentes de modernização e ampliação de acessibilidade.
O elo perdido de Mário de Andrade
O destaque histórico da exposição é a conexão direta com a
célebre Missão de Pesquisas Folclóricas de 1938, uma expedição idealizada por
Mário de Andrade que percorreu o Norte e o Nordeste, para mapear as
manifestações artísticas e religiosas do país.
Cinco peças históricas coletadas durante aquela jornada
foram resgatadas do acervo do Centro Cultural São Paulo (CCSP) e serão exibidas
ao público. O diálogo entre o passado e o presente é costurado por registros
iconográficos raros de fotógrafos como Thomaz Farkas, Marcel Gautherot e Miriam
Bisilliat, cedidos pelo Instituto Moreira Salles (IMS).
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| Criança tocando atabaque,
1990-1999. Pelourinho – Salvador - BA Foto: Acervo Walter Firmo/ Instituto Moreira Salles |
“A música brasileira nasce de muitos encontros: de culturas,
territórios, matérias e modos de fazer. A exposição procura mostrar justamente
esse elo entre o gesto artesanal e a construção da nossa identidade sonora. Os
instrumentos carregam histórias e formas de conhecimento transmitidas entre
gerações”, ressalta o curador Benjamim Taubkin.
Infinitos ritmos
A narrativa da mostra se apoia na espinha dorsal de quatro
instrumentos fundamentais da nossa tradição. Para dar vida a esse recorte,
Taubkin convidou quatro mestres artesãos contemporâneos, cujos trabalhos ganham
protagonismo na cena: A viola caipira, por
Régis Bonilha, destacando o berço da moda, do pagode caipira e do repente; a rabeca,
por Adam Bahrami, com o arco que conduz o fandango, o baião e o forró; o pífano,
por Alexandre Rodrigues: o sopro que conecta as tradições indígenas e as bandas
de pífano do interior; além do atabaque e da percussão de Luiz Poeira, ecoando
o maracatu, o samba, a congada, o ijexá e o frevo.
Além das peças criadas exclusivamente para o projeto, a
experiência visual é complementada por um vídeo inédito, dirigido pelo curador
em parceria com Kabé Pinheiro e Laís Branco (Produtora VMD).
Para além das vitrines, "Música Artesanal" se
propõe a ser um espaço de troca ativa. Ao longo do período expositivo, que vai até
18 de outubro, o museu sediará debates e vivências práticas gratuitas, onde os
visitantes poderão aprender diretamente com os luthiers convidados.
Serviço
Cavalo Marinho, festa popular, 1957. Recife -
PE
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Foto: Marcel Gautherot/Acervo Instituto Moreira Salles. |
- Período
da exposição: 26 de julho a 18 de outubro de 2026.
- Funcionamento:
Quarta a domingo, das 10h às 18h.
- Entrada:
Gratuita.
- Local:
Museu A CASA do Objeto Brasileiro (Av. Pedroso de Morais, 1.216, São Paulo
- SP).


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