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domingo, 4 de setembro de 2022

Em turnê pela Europa, Jacque Falcheti lança novo álbum: "Crua"

 

Foto: Carol Koff

Num trabalho de marca intimista, voz e violão dão o tom do sexto álbum da carreira da cantora e compositora Jacque Falcheti, que imprime uma forte carga emotiva e visceral em “Crua”, novo disco da cantora. Numa era em que artistas têm de vender seus produtos a todo custo, nas redes sociais, ela adota uma estética minimalista, carregando traços na contramão do momento.




“É uma tarefa instigante. Durante a pesquisa e a criação desse trabalho, conheci muitos artistas. Tenho muitos amigos da nova geração que estão neste processo também, de trabalhos bem minuciosos, buscando fazer o que acreditam e encontrando formas de se comunicar com o seu público de verdade, antes de tudo” – reflete.

Turnê pela Europa

Jacque se diz orgulhosa por ser uma artista brasileira, em todos os países por onde passa. Atualmente, ela está na Estônia, onde se apresentou recentemente. Na Europa, tocou também em Portugal, e se prepara para uma turnê pelo velho continente:

“Depois sigo para a Bélgica, Alemanha e Inglaterra. As pessoas sempre me recebem com fascínio pela nossa música. Para mim, a melhor parte de ser cantora são duas: poder estar pelo mundo, encontrando as pessoas, e depois devolver toda essa experiência e partilhar em forma de poesia e música”.

Parcerias 

Apaixonada por música brasileira - especialmente por cantoras e compositoras que temos por aqui -, Falcheti gravou trabalhos com nomes como Mônica Salmaso e Verônica Ferriani: “um sonho realizado”.

“Após essa realização, foi um processo bonito da gente se inspirar, estar perto, aprender junto, acreditar que o que estamos fazendo pode chegar sempre em mais e mais pessoas” – avalia a artista.  

Ouça “Crua”:  https://tratore.ffm.to/crua-album

Acompanhe Jacque Falcheti:

www.jacquefalcheti.com 

www.instagram.com/jacquefalcheti 

www.facebook.com/jacquecantora 

www.youtube.com/jacquefalcheti 

sábado, 3 de setembro de 2022

"Palavras Marginais", de Vinícius Duran, ecoa grito de liberdade e sambas de raiz

Álbum conta com ritmos diversos e tem samba como matriz  


Primeiro disco do cantor, compositor e multi-instrumentista Vinícius Duran, “PalavrasMarginais” é feito de sambas com uma pegada de protesto, que rementem às letras de grandes nomes da Música Popular Brasileira – como Chico Buarque -, nos tempos da ditadura. Genuinamente “alegre” - no álbum -, o gênero musical dialoga com temáticas sérias e tristes da atual realidade brasileira, no que pode ser considerada uma importante declaração poética, de resistência da música de raiz e de nossas tradições culturais.   

 

Foto: Luan Cardoso

Para Vinícius, “o samba tem conexões profundas com as nossas festas, dores e lutas”. A música conta a história de seu povo. E o samba, em especial, no decorrer dela, foi duramente reprimido. Os relatos de sambistas mais antigos sobre a truculência policial contra eles, no período da ditadura, são, de fato, chocantes:



Divulgação


 

“Existem outros; alguns mais alegres, outros nem tanto. Há uma canção emblemática, de São Paulo, “Silêncio Bixiga”, de Geraldo Filme, em que o compositor faz uma homenagem ao Pato n’Água, sambista executado pela polícia, num desses confrontos dos anos de chumbo”.

 

A nossa bandeira jamais será vermelha (?)

 

“Bandeira Vermelha” é uma música que chama atenção, no álbum de Vinícius. Na letra, ele faz uma provocação, no sentido de quem apoia políticas de extermínio, que destroem a vida do trabalhador e ecoa a frase – “a nossa bandeira jamais será vermelha!”. Aliás, há uma tese que diz que, na verdade, a bandeira brasileira deveria ser vermelha, por conta do pau Brasil e do sangue derramado, no decorrer da nossa história.




 

“Ainda estamos longe de nos livrar da herança maldita da escravidão. A gente ainda divide a sociedade em um grupo pelo qual temos empatia e outro que pode passar por todo o tipo de abuso, sem sequer ser notado, sem gerar uma grama de revolta. É como eu digo no samba: a nossa bandeira é vermelha, sim: vermelha de sangue” - reflete o músico.

 

Estrada a percorrer

 

Vinícius Duran está chegando agora e percebe que ainda é cedo para se falar em boicote - a despeito do tradicional pouco espaço destinado a artistas independentes, que elaboram letras mais “ousadas”, como as dele. Isso porque tudo gira em torno de anúncios pagos por empresas, como em qualquer outra indústria:

 

“O lado bom é que hoje os artistas independentes têm muitos veículos alternativos, que podem acolher o seu trabalho e contribuir na divulgação de suas ideias. Aliás, obrigado pelo espaço! ”.  

 

Obrigado a você, Vinícius!


Ouça “Palavras Marginais”: https://tratore.ffm.to/palavras_marginais 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 14 de julho de 2022

Oruã une duas músicas em clipe e anuncia turnê nos EUA

 

Foto: Ana Zupano

Um grito contra a glorificação da herança escravocrata brasileira. Assim pode ser definido o curta-metragem “Outros Santos/Essência Bruta”, produzido a partir de duas faixas da banda carioca Oruã, que constam no terceiro álbum do grupo: “Íngreme”.




Trata-se de um relato - e, ao mesmo tempo, um manifesto de resistência - da escalada da banda no exterior e da queda livre em que o Brasil se encontra, envolto numa névoa fascista.

O vídeo revela a saga de músicos que passam dias entre a serra e o mar, em estradas e caminhos familiares de Búzios – onde residiram; aborda, também, o passado escravocrata do Brasil e anuncia a turnê que a banda fará pelos Estados Unidos, abrindo a última parte da turnê Built to Spill. À ocasião, os músicos aproveitarão o embalo para fazer outra turnê, em diversos estados americanos (confira na lista abaixo).

Dentre as principais influências e referências dos músicos, pode-se perceber, no trabalho, militância, luta antirracista e toques sonoros que remetem a nomes como Evinha, Racionais MC`s, Toni Tornado, Jorge Ben e Elza Soares.



Racionais MC`s. Foto: Internet.



Roteirista, diretor, editor e parte do elenco de “Outros Santos/Essência Bruta”, Lê Almeida define a banda como um “filho do Centro do Rio de Janeiro, que nasceu à noite e frequenta os bailes pela madrugada. Free Jazz de pobre. Kraut de vagabundo. Sem neurose”.

“Íngreme” é, afinal, a síntese de um caminho de mais de cinco anos de estrada de uma banda que vive, hoje, um momento de agradecimento e colheita.

Confira as datas e locais da turnê de Oruã com Built to Spill:

Sep. 06 - Columbus, OH - The Athenaeum Theatre 

Sep. 07 - Knoxville, TN - The Mill & Mine 

Sep. 08 - Wilmington, NC - Greenfield Lake Amphitheater 

Sep. 09 - Charleston, SC - Charleston Music Hall 

Sep. 10 - St. Petersburg, FL - Jannus Live 

Sep. 11 - Ft. Lauderdale, FL - Culture Room 

Sep. 13 - Orlando, FL - The Social 

Sep. 14 - Jacksonville, FL - Jack Rabbits 

Sep. 15 - Pensacola, FL - Vinyl Music Hall 

Sep. 16 - Birmingham, AL - Saturn Birmingham 

Sep. 17 - Memphis, TN - Growler’s 

Sep. 18 - Tulsa, OK - Cain’s Ballroom 

Sep. 19 - St. Louis, MO - Red Flag 

Sep. 20 - Columbia, MO - Blue Note 

Sep. 21 - Lawrence, KS - Granada Theater 

Sep. 23 - Denver, CO - Bluebird Theater 

Sep. 24 - Salt Lake City, UT - Metro Music Hall

segunda-feira, 11 de julho de 2022

Mulamba ecoa grito de resistência em novo álbum: ‘Será Só Aos Ares’

Segundo trabalho da banda destaca temas cotidianos e sociais, misturando elementos da música brasileira

Fotos: Fábio Setti e Tamara dos Santos

 


Arranjos bem trabalhados, aliados a uma forte mensagem de cunho social e libertário. O atual momento da luta da mulher na música e na vida brasileira exigem a existência – e a resistência - de bandas como a Mulamba, que está lançando o seu segundo disco, ‘Será Só Aos Ares’.




 

Síntese musicada da luta constante de quem segue produzindo, falando de vidas, enfrentamentos e de um cotidiano que muitas vezes é abusivo e agressivo - e a despeito de um governo que “anda na contramão de tudo o que é evolutivo, no âmbito social” -, o trabalho interno e independente da classe artística segue evoluindo e com muito diálogo. É no que acredita a cellista Fernanda Koppe. Para ela, “a arte traz também um reflexo do momento”.





 

Transitando por diferentes universos musicais, a Mulamba vem conseguindo tocar pessoas de formas distintas. Para Fernanda, o som do grupo reflete aquilo que ela e suas companheiras de estrada sentem, num contexto em que, nem sempre, determinados tipos de música e mensagem são aceitos:

 

“Se fosse diferente, viveríamos num mundo pelo menos mais atento e mais respeitoso àquilo tudo que anda acontecendo no Brasil. Sempre que paramos para dar uma pesquisada no cenário musical, somos surpreendidas por artistas incríveis, com muito a dizer. Isso também nos move”.

 

Potência e compartilhamento musical

 

O rico trabalho da Mulamba é resultado de universos e referências musicais que cercam cada integrante de forma diferente. Esse leque é o que compõe um mosaico de diversidade musical, concebido em momentos e processos distintos da banda. “No primeiro álbum, homônimo, estávamos vibrando em outra frequência. Hoje, transitamos por outros mundos, por composições que dizem tudo de formas diferentes, que combinam com nossos sentimentos internos. Isso aconteceu naturalmente. Percebemos que precisávamos de um “ar” e o reflexo é nítido” – analisa a cellista.




 ‘Será Só Aos Ares’ conta com participações de artistas como Luedji Luna, BNegão e Kaê Guajajara, pessoas as quais Koppe e suas companheiras admiram. Ela explica que, desde de que se deu a concepção da música "Bença", por exemplo, a Mulamba já pensava a canção com Luedji interpretando parte da letra. Já "Barriga de peixe" veio ao encontro da potência de Kae Guajajara, que a interpreta e compõe. “BNegão, que é também compositor de parte da letra de “Bagatela”, é uma referência do rap brasileiro” – elogia Fernanda, que destaca, ainda, influências fundamentais no trabalho do grupo, refletidos em nomes como Elza Soares; Tamara Franklin; Esperanza Spalding; Solange Knowles; Bia Ferreira; Tuyo; Rap Plus Size; Dona Onete e muitas outras. “Essa lista segue infinitamente” – ressalta Kopper.  

sexta-feira, 20 de maio de 2022

Uma “Fresta” na diversidade musical brasileira

Banda de ska punk brasiliense, Caos Lúdico lança novo single



 
Imagem: divulgação



“O que preciso é te escutar, para construir as nossas memórias”. Este trecho da letra de “Fresta”, novo single da banda brasiliense de ska punk, Caos Lúdico, é um dos que remetem o ouvinte a um clima de diálogo e convivência pacífica: uma espécie de reflexão e troca constante, “para colocarmos os sentimentos e os desejos no lugar”. Esta é uma das visões de mundo do vocalista João Ramos, que – assim como muitos outros seres humanos – passou por momentos perturbadores durante a pandemia de covid-19. 



Ele destaca que, nesse intervalo histórico das nossas vidas, muitos buscávamos meios para descomplicar situações e voltar aos prazeres diários. Nas palavras do artista, “devemos nos entregar à vida!”. 


 Além do vocalista João Ramos, a Caos Lúdico conta com Rafael Marreta (Baixo), Guilherme Wanke (Bateria), Haniel Tenório (Trompete), Felipe Andrade (Saxofone) e Luciano Batista (Trombone). Foto: Henrique Maresch.




É com essa entrega que a Caos Lúdico executa o seu processo criativo. Uma das principais características do instrumental da banda é a sincronia do jogo de metais – cujos arranjos contaram com a colaboração e a parceria de Bruno Portella e Jefferson Moura. Nessa “conversa” entre instrumentos, João constrói a letra e as estruturas das músicas, que se casam com a criatividade dos demais músicos.



O sol nasce para todos

 

Para o vocalista, os modismos que “bombam” no meio musical brasileiro de hoje – sertanejo, pisadinha, funk ou pagode -, não são necessariamente um empecilho para a diversidade musical do país. De modo que, com a sua sonoridade peculiar como trilha sonora, ele e seus amigos seguem promovendo um “caos lúdico” necessário para construir a própria carreira e buscar cada vez mais espaço nesse mercado. 


“O processo é esse! Respeitamos todos os demais estilos musicais. Todos têm seus momentos e respectivos espaços. Não podemos nos prender a isso e vamos continuar colaborando para aumentar ainda mais a diversidade da música brasileira. Ela sempre fica em primeiro lugar!” – ressalta João. 


Mas afinal, o que anima os caras da Caos Lúdico a fazer um ska punk autoral, mesmo sem o histórico apoio, que nunca tivemos, no Brasil, para todos os setores da cultura – e menor ainda, no auge da pandemia? João responde: “o simples fato de fazer arte e transmitir sentimentos através da música. Isso pode soar simples, mas é o que realmente nos anima. Ganhamos os nossos dias e ajudamos os outros a ganharem os seus, com essa arte!”.



sexta-feira, 21 de abril de 2017

Samba e rock na sonoridade de Pedro Gama

Foto: Zeca Vieira


Unindo a boemia do samba com a energia do rock, o cantor e compositor Pedro Gama é uma das novas e promissoras vozes da música brasileira. Sua experiência nas noites cariocas o tornou um morador da boemia. Isso se reflete nas canções do seu EP de estreia em carreira solo, “Condôminos”, que traz músicas influenciadas pelo rock e o samba de raiz, com letras sinceras e cotidianas.  Ao ouvir as composições de Gama, é como se a batucada e a distorção saíssem para dançar na noite e encontrassem a psicodelia e o erudito.

O trabalho de estreia do projeto solo de Pedro Gama aborda o glamour e a paradoxal decadência da vida boêmia, onde o autor busca demonstrar suas emoções com um som forte que decanta seus impulsos mais intensos sobre as perturbações do mundo. O EP “Condôminos” é a coletânea de músicas surgidas em meio a encontros no bar Imperatriz, embaixo do poste com numeração 15 (daí o nome da segunda faixa do disco, a "Poste XV"), ou em aulas de Sociologia e Ciência Política (é o caso da canção “Espelho”), como também canções antigas, (“Retratos de um Condômino da Boemia”) que ajudaram a nomear o trabalho:

“A música já existia antes de pensar no nome do EP, mas ele só fez sentido quando minha companheira me falou do seu tema no mestrado, que era, em suma, condomínios. Aí para mim fez sentido o ‘condômino’ da boemia ser aquele que habita os espaços tidos como boêmios”, explica Pedro Gama.

As influências de  Pedro Gama vêm de grandes clássicos do samba carioca, como Candeia, sem deixar de lado a identificação com a MPB de Sérgio Sampaio e Jards Macalé, o tropicalismo e a psicodelia brasileira dos anos 70. A vida livre que o levou à música, também trilhou o caminho que o encaminhou para apresentar-se em importantes palcos, como o show no Centro da Música Carioca Artur da Távola; a apresentação no Canecão e no MinC, durante a ocupação; e apresentação na Lona Cultural João Bosco.

Produzido de forma independente, o EP traz direção musical de Fafá Oliveira, com gravação, mixagem e masterização por Bruno Sanson (do Sanson Studio). Pedro Gama (voz e saxofone) é acompanhado nas apresentações ao vivo por Fafá Oliveira (baixo), Arthur Moreno (percussão), Gabriel Diniz (guitarra) e Paulo Cioli (violão).

Ouça “Condôminos”:

Google Play: https://goo.gl/WvvMpB
Apple Music : https://goo.gl/wII1gN

sábado, 17 de dezembro de 2016

CMIND entrevista: João Capdeville, cantor e compositor

Foto: Luiz Phillippe Monclar (site Tenho Mais Discos que Amigos)


João Capdeville é um cantor carioca que reproduz em seu trabalho uma bagagem cultural rica, influenciada por ritmos latinos, MPB e folk. Em turnê com o EP Pausa, produzido por Diogo Strausz (Aymoréco, Alice Caymmi, Castello Branco) o artista já se apresentou ao lado de diversos intérpretes de destaque na nova música popular brasileira, como Fernando Temporão, Donatinho, Sarah Abdala, Chico Chico, Leo Middea e outros, em passagens por eventos como Mostra Brasileiríssimos, Festival de Bandas Autorais, Sofar Sounds e Festival de Clipes e Bandas.

Com cinco faixas, o EP é um espelho das vivências de João Capdeville, que experienciou diversas culturas da América Latina e Espanha, levando estas inspirações para o álbum. O resultado é um som com traços do rock de Pink Floyd e da poesia de Cartola, que passeia com desenvoltura por uma sonoridade que remete tanto ao virtuosismo do violão de Paco de Lucía e Yamandú Costa, quanto à fluidez poética da bossa nova e da MPB de Vinícius e Chico, passando por notas de baião e samba. Confira a entrevista!

CMIND - De que forma a sua viagem a Patagônia e a Colômbia influenciaram na musicalidade do seu novo disco? 

João Capdeville - Qualquer experiência sempre me afeta muito e acaba influenciando bastante na hora de ser criativo. Viajar é realmente uma atividade que  intensifica muito certos aspectos que julgo importantes para compor, pois a questão das vivências é algo fundamental nesse momento. É como se o meu eu criativo funcionasse como uma espécie de peneira, onde tudo o que passei até hoje fosse posto junto e aos poucos viesse à tona em forma de arte.  Portanto,  essas experiências,  assim como todas as outras,  me influenciaram muito. 


Imagem: Divulgação

CMIND -  Artistas da MPB, como Caetano Veloso, Chico Buarque, Gal Costa e Milton Nascimento já se juntaram a outros cantores do continente - a argentina Mercedez Sosa e o cubano Pablo Milanéz, entre outros -, em parcerias musicais. Você também vê essa possibilidade no horizonte? 

João Capdeville - Por que não? Todo artista deve sonhar em um dia poder trabalhar ao lado de alguém que admire. Seria uma honra pra mim acompanhar nomes internacionais, mas meu foco primeiro é aqui no Brasil. Acho que o que me deixaria mais feliz no momento seria ver uma cena com artistas mais próximos uns dos outros e fazendo mais coisas juntos. 


Foto: Divulgação


CMIND - Quais são as similaridades rítmicas que você percebe na música brasileira e em outros países latino-americanos? Você acredita que elas podem ser nitidamente percebidas no seu novo álbum?

João Capdeville - Tenho algumas referências latinas e não hesitei em trazê-las para perto durante a produção do disco. Acredito que, ao ouvir, será possível identificar alguns ritmos presentes nas minhas novas canções, assim como elementos de outros lugares. Costumo ouvir muita música cubana, colombiana, porto riquenha, brasileira, etc. Assim como músicas de países como EUA, Inglaterra, Portugal e Espanha. Tudo isso integra minha formação musical e representa uma parte considerável minha que sempre estará nas canções. 



CMIND -  Enquanto artistas como Roberto Carlos e Paralamas do Sucesso são tocados na Argentina, por aqui, a mídia prefere, ainda, divulgar, mais, a música pop dos Estados Unidos. O inglês não é tão próximo do português. Neste sentido, a tão alegada "barreira do idioma" deveria ser um impeditivo para conhecermos melhor a produção musical dos países 'hermanos'? 

João Capdeville - Óbvio que não! Somos um país latino e precisamos nos reconhecer como tal ao invés de olhar sempre para o país do "progresso" e querer beber apenas das fontes de lá. É incrível a riqueza cultural que negligenciamos enquanto priorizamos referências estadunidenses de música. Eu mesmo ouço muita coisa de fora do nosso continente, e admiro artistas europeus e estadunidenses, mas não me permito nunca esquecer de tudo que temos por aqui. Isso seria um crime!


Descubra João Capdeville

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Psicodelia, ritmos latinos, rock and roll: CMIND entrevista a banda Filtra

Foto: Pedro Arantes


Dona de um dos shows mais explosivos da efervescente cena independente fluminense, a Filtra traz uma sonoridade experimental, misturada com psicodelia. Eles também apostam na junção dos ritmos latinos e brasileiros com a pegada roqueira e atual do grupo. Trazem no currículo o lançando do EP "O Mundo" (2016) e "Supremo" (2015). Lançados em um curto espaço de tempo, os dois trabalhos mostram uma grande diferença na musicalidade. Enquanto o disco de 2015 é mais voltado para o pop, o segundo mostra um amadurecimento repleto de novas influências. Confira a entrevista que fizemos com o baterista da banda, Mateus Nagem! :)

CNIND - Na sonoridade musical de vocês, percebe-se uma influência setentista dos Novos Baianos. Qual a importância de se beber desta fonte, no momento da composição? 

Mateus Nagem - Temos muita influência de coisas dos anos 60/70, especialmente Novos Baianos, Secos e Molhados, Gil, Caetano... Acho que no momento da composição a gente não pensa muito nisso não, de soar como alguém, ou buscar a sonoridade de alguma banda dessa época . As coisas vão acontecendo naturalmente, as canções vão ganhando corpo com o que a gente já tem de background musical e acaba que algumas músicas ficam com essa vibe setentista. 

Imagem: Divulgação


CMIND - Outra mistura bacana é a do reggae com o psicodélico. Com uma pegada diferente, o som do reggae também se apresenta de forma muito particular, quando comparada às formas tradicionais de se tocar o ritmo jamaicano. Nos ensaios, vocês se referenciam muito pelo experimentalismo? 

Mateus Nagem - Sim, muito. Normalmente nossos ensaios começam com improvisos, com coisas que alguém puxa do inconsciente, uma levada que eu faço, uma linha de baixo, uma brincadeira na guitarra ou até mesmo uma melodia do Fellipe. É bom pra aquecer antes de começar a passar as músicas ou compor alguma coisa. Liberta a mente, cria uma sensibilidade e percepção maior do que tá acontecendo, de ouvir o que o outro está tocando também...Nossos shows começam assim também, com um improviso. Experimentar faz parte de nós.

Foto: Pedro Arantes


CMIND -  Como vocês percebem o campo de oportunidades para artistas autorais da cena musical independente do Rio e de todo o país? 

Mateus Nagem - Acho que no Rio ainda é bem fraco. Falta espaço, festival para as bandas tocarem no Rio de Janeiro. Já São Paulo, Goiânia, algumas cidades do sul, abraçam mais as bandas independentes. Muitos festivais independentes rolando em várias partes do país e no Rio não tem nenhum. Os eventos de rua têm salvado um pouco, mas precisam de mais apoio das prefeituras, do Governo do Estado e de empresas privadas também. A cidade do Rio tem muito potencial musical independente.


Ouça “O Mundo”:


Série de concertos gratuitos exalta mulheres da MPB

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