sexta-feira, 29 de maio de 2026

Da crítica ambiental ao misticismo, Strigah estreia com álbum "Zoetia"

Fotos: _jmiguelr_ (divulgação)

A cena do metal nacional ganha um novo e robusto capítulo com a estreia oficial da banda paulistana Strigah. Chegando às plataformas de streaming pelo selo Coffinjoe Records, o quarteto lança Zoetia, um trabalho de fôlego que consolida a identidade do grupo em uma intersecção ambiciosa entre metal moderno, prog, industrial e música experimental.

O título do disco é um neologismo que sintetiza a proposta conceitual do projeto: a junção de zoe (vida) e goetia (feitiço). Esse "feitiço da vida" se traduz em um repertório denso, guiado pela tensão constante entre a revolta contra o colapso moderno, a defesa ecológica e a busca por uma conexão espiritual profunda.

A Strigah é formada por Kaio Felipe (vocal), Samanta Tica (baixo), Eleonardo de Paula (bateria) e Matheus Figueredo (guitarra).

Musicalmente, Zoetia foge do previsível. O álbum desafia o ouvinte com estruturas complexas repletas de grooves, polirritmias e quebras de tempo, mas sem abrir mão do equilíbrio: há espaço generoso para passagens melódicas, vozes ecoadas e atmosferas profundas que potencializam o peso de cada composição.

De acordo com os integrantes, o trabalho foi desenhado sob uma lógica própria, voltado para quem busca um metal autêntico e fora dos moldes tradicionais. O ecletismo da banda se reflete em suas influências declaradas, que vão do peso internacional de Meshuggah, Fear Factory e Deftones, à efervescência de nomes do underground nacional, como Deafkids e Última Theoria.

Tratado sobre ambientes

Mais do que uma coleção de faixas isoladas, as letras funcionam como um tratado que investiga cinco frentes: o ambiente natural, a cidade hostil, o espaço virtual, o íntimo do sujeito e o território espiritual.

As composições se destacam pelo forte teor político, filosófico e místico. O grupo bebe de fontes que vão do gnosticismo e da cabala judaica a citações diretas de grandes lideranças indígenas brasileiras, como Ailton Krenak e Davi Kopenawa.

Dentre as músicas de destaca, “A Propriedade é Roubo” abre o debate sobre o latifúndio e a exploração da terra, homenageando defensores da floresta como Bruno Pereira, Dom Phillips e Dorothy Stang.

Em “Xamanismo Urbano”, há uma forte crítica anticolonial, que conecta o agronegócio e a destruição da Amazônia ao distanciamento humano da ancestralidade.

“Espírito da Cidade” retrata o cenário urbano caótico, através de imagens de repressão policial, controle e violência de classe.
A música “Florestas Digitais” analisa a alienação da vida mediada por teles, redes e o esgotamento do tempo.

Produção

O refinamento técnico de Zoetia conta com mixagem e masterização assinadas por Yukio Hara, arte de capa por Jennifer Erny e fotografias do grupo feitas por Chev. Os conteúdos audiovisuais levam o selo da RageBox Prod.

Celebrando este momento de afirmação artística, a Strigah já se prepara para levar o novo repertório aos palcos. A banda fará um show de apresentação de Zoetia no Hot Pub, em Santo André (SP). A performance será gravada ao vivo e se transformará em um videoclipe oficial, com lançamento previsto para o final de julho.

Arte de capa: @j.3rny

O álbum Zoetia já está disponível em todas as plataformas digitais e pode ser acessado pelo link oficial da banda: found.ee/strigah_zoetia.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

​“Isso Não É Jazz” invade Rio das Ostras

Fotos: Kelly Oliveira/divulgação

Quem frequenta a região da Lagoa do Iriry durante o tradicional circuito de jazz e blues de Rio das Ostras sabe que a efervescência artística da cidade vai muito além dos palcos oficiais. É nesse cenário alternativo que se consolidou o projeto independente “Isso Não É Jazz & Blues”, que chega em 2026 à sua sexta edição, reafirmando sua identidade como um espaço vital de ocupação cultural, liberdade criativa e fortalecimento da produção regional.

Idealizado pelo músico Diogo Spadaro, o projeto nasceu como uma provocação. O objetivo sempre foi provar a existência de uma cena artística local pulsante, que se mantém ativa ao longo de todo o ano, e não apenas no período do festival principal — considerado o maior do gênero, na América Latina.


"Queremos criar espaços de encontro, improviso, experimentação e convivência entre artistas e público", destacou Spadaro.

Fomento 

A edição deste ano traz um marco especial: a conquista de recursos por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), viabilizada pelo Governo Federal, via Ministério da Cultura. O apoio financeiro expande as possibilidades de fomento à cultura autoral da região e fortalece a infraestrutura técnica das apresentações.

As exibições musicais acontecem nos dias 4, 5 e 6 de junho, a partir das 15h, no Quiosque NKR (localizado logo ao lado do palco oficial da Lagoa do Iriry).


A linha de frente das apresentações será comandada por três cantoras de destaque da cena local: Thati Dias, na quinta-feira (4), Cláudia Falcão, na sexta (5), e Raquel Dimar, no sábado (6). 

As artistas se apresentarão acompanhadas pela Banda Freetração, grupo com sólida bagagem em jazz e música afro-diaspórica, formado por Diogo Spadaro (voz e guitarra), Denisson Caminha (bateria e SPD), Negão Jazz Bass (baixo), Brenddon Miranda (saxofone) e Sabatuk (percussão). Juntos, os músicos transformam cada show em uma experiência artística autêntica e construída em tempo real por meio do improviso.

O evento é aberto ao público e integra a programação cultural da cidade.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Mangueira supera marca de mil alunos em oficinas gratuitas de música e geração de renda

 

Fotos: divulgação 

Quilombo urbano focado em transformar histórias, resgatar trajetórias e pavimentar caminhos mais justos para o futuro, a Estação Primeira de Mangueira prova, mais uma vez, que o impacto de uma escola de samba ecoa muito além dos desfiles na Sapucaí. Tradicional polo de resistência cultural, a Verde e Rosa celebra, neste mês de maio, um marco histórico em suas Oficinas Carnavalescas: a atual edição superou a marca de mil alunos beneficiados, registrando o recorde absoluto de atendimentos do projeto.

As atividades, que seguem até sexta (29), ocupam a quadra da agremiação com uma proposta que une o resgate ancestral à urgência econômica: oferecer formação técnica gratuita e abrir portas para a geração de emprego e renda, priorizando moradores da comunidade e pessoas em situação de vulnerabilidade social

O projeto se destaca pela diversidade de seu escopo. Longe de se limitar aos bastidores do barracão, as oficinas abraçam a formação musical, a dança e o empreendedorismo estético. Quem frequenta a quadra tem a chance de aprender com quem vive o dia a dia da escola, integrando-se diretamente com os mestres da tradicional bateria da Mangueira.

O cardápio de atividades gratuitas inclui percussão; cavaquinho; violão; canto; samba no pé; dança afro; zumba; além de oficinas de tranças. "Mais do que ensinar um ofício, as oficinas devolvem esperança e mostram novos caminhos para quem muitas vezes não se sentia visto", reflete a presidenta da Mangueira, Guanayra Firmino.

Legado


Realizadas de forma contínua desde 2025, as Oficinas Carnavalescas se consolidaram como uma tecnologia social robusta, dentro da favela. Para a diretoria da escola, o resultado mais importante não está nos números frios do recorde, mas sim na emancipação de cada participante.

A iniciativa atua na base da dignidade humana, fortalecendo a autoestima e os vínculos comunitários em um território que frequentemente precisa criar suas próprias oportunidades, diante da ausência do Estado.

“Hoje, o foco é no resultado. Nos rostos, nas histórias e em cada certificado que representa conquista, aprendizado e transformação. Um registro afetivo do impacto que a gente constrói juntos, valorizando quem é da casa e fortalecendo o nosso futuro”, enfatiza Guanayra.

terça-feira, 26 de maio de 2026

A travessia poética de Christine Valença entre Brasil e França

 

Fotos: Louis Emilie/divulgação

A cantora, compositora e multi-instrumentista carioca Christine Valença abre os caminhos para sua nova fase criativa em 2026, com o lançamento de “Sur Ton Île”. O single promove um sensível intercâmbio cultural entre o Brasil e a França, unindo a artista a três nomes de destaque da cena francesa: o rapper Verso, o cantor Félicien Adam e o instrumentista Luazó (parceiro de longa data da cantora).

A faixa transita com naturalidade entre o soul, a MPB, o folk e o pop alternativo. Misturando os idiomas português e francês, ritmos latinos e poesia urbana, a obra nasce como uma metáfora sobre conexões e o desejo de atravessar fronteiras. O lançamento também ganhou uma dimensão visual com um videoclipe gravado entre os momentos de estúdio e belas imagens do Rio de Janeiro.

Conexões 

A ligação de Christine com a França carrega traços afetivos e familiares: sua mãe, que também era cantora e compositora, viveu uma bem-sucedida residência artística em Paris, nos anos 80. Décadas depois, a história se conecta. O embrião do projeto surgiu no início de 2025, após apresentações da carioca na Europa e a oportunidade de focar no fortalecimento dessas parcerias por meio de editais do ano do Brasil na França.

O processo de gravação em estúdio funcionou como um verdadeiro "blind-date artístico", proposto pela gravadora French Light Records. Com apenas um fim de semana para criar e sem uma troca prévia de ideias, os músicos se guiaram pela intuição e por referências literárias de peso, levadas por Christine, como As Flores do Mal, de Baudelaire, e Ideias para Adiar o Fim do Mundo, de Ailton Krenak.

Desafios

Para a artista, o lançamento representa uma fuga saudável da complexa e hostil cena independente do Rio de Janeiro, além de um rompimento com as "câmaras de eco" e bolhas das redes sociais. Christine relembra que, no início da carreira, chegou a acreditar que só conseguiria espaço investindo recursos próprios na sua cidade natal. A reviravolta veio, ao arriscar um show solo em Lisboa, onde encontrou um público caloroso que validou sua identidade musical e deu forças para manter seu propósito.

"Sur Ton Île" funciona como o grande motor e a principal inspiração para o próximo passo da carreira de Christine Valença: um EP autoral e recheado de novas experimentações que já está a caminho.

A conexão mágica de Carlos Malta e Dave Matthews

Brasileiro celebra 50 anos de carreira com participação em turnê americana 

Fotos: reprodução/Instagram 

O multi-instrumentista brasileiro Carlos Malta, consagrado internacionalmente por suas colaborações com grandes ícones da música nacional, vive um momento de celebração. Comemorando cinco décadas de trajetória artística, o músico cumpre uma agenda intensa de compromissos no Brasil e no exterior. Entre os marcos recentes deste ciclo comemorativo estão uma apresentação ao lado da Orquestra Brazil Jazz Sinfônica, em São Paulo, e o relançamento de seu primeiro álbum solo, O escultor do vento. Além disso, o mês de maio reservou ao artista um convite especial para uma apresentação em palcos internacionais.

Nesta sexta (29) e sábado (30), Malta subirá ao palco do iTHINK Financial Amphitheatre, na Flórida (EUA), como convidado de Dave Matthews, na Summer Tour 2026. A parceria e a amizade entre os dois músicos são antigas e vêm se consolidando, ao longo dos anos. A primeira colaboração ocorreu em 2008, quando Malta participou do álbum Live in Rio, lançado pela Sony Music, tocando nas faixas #43 e Say Goodbye.

Desde então, os encontros no palco tornaram-se frequentes, com registros em apresentações no Rio de Janeiro (2010 e 2013), na Flórida (2011), em New Jersey (2012), em Seattle (2016) e no México (2018 e 2019). Essa conexão recorrente entre o instrumentista brasileiro e a banda norte-americana reflete uma aproximação de universos musicais que se complementam, com forte destaque para a liberdade criativa, a improvisação e a fusão de estilos.




segunda-feira, 25 de maio de 2026

Orquestra Filarmônica Metropolitana abre celebrações de Corpus Christi em São Gonçalo

  

Foto: Jéssica Borges/divulgação 

A união entre música erudita, fé e resgate histórico promete emocionar os moradores de São Gonçalo, na próxima segunda-feira (1º). Às 20h, a Paróquia São Gonçalo de Amarante (Igreja Matriz) será o palco do tradicional Concerto Sacro – Série Ametista, apresentado pela Orquestra Filarmônica Metropolitana (OFM). O evento gratuito marca a abertura oficial da aguardada semana de Corpus Christi na cidade.

O espetáculo, que já completa cinco anos de história, consolidou-se no calendário oficial local. Mais do que um concerto, a Série Ametista propõe um diálogo sensível com a identidade local, trazendo um repertório focado em composições religiosas que tocam a memória coletiva e a espiritualidade do público.

Fé e cultura 

A apresentação ocorre em um momento de forte sinergia cultural para São Gonçalo. É durante esta semana que a paróquia mobiliza centenas de voluntários, moradores e artistas para confeccionar o famoso tapete de sal — considerado o maior da América Latina e uma das principais expressões de devoção do estado.

Para Rafael Vieira, ativista social e fundador do Instituto dos Sonhos, o concerto funciona como uma ponte fundamental. 

 "Esse concerto representa um encontro entre arte, espiritualidade e identidade cultural. A cada edição, percebemos o quanto a música sacra aproxima o público da experiência coletiva proporcionada pelo período de Corpus Christi em São Gonçalo".

O maestro Gustavo Fernandes reforça o papel social do projeto, destacando o compromisso do conjunto com a democratização do acesso à música clássica.

"Levar a Série Ametista para a Igreja Matriz, durante a abertura dos festejos de Corpus Christi, reforça nosso compromisso com a valorização do patrimônio cultural e o acesso da população à música de concerto", afirma o regente.

Com duração aproximada de 60 minutos e classificação etária livre, o evento é totalmente voltado para a comunidade e entusiastas da música sacra. A expectativa dos organizadores é receber um público estimado de 350 pessoas.

Embora a entrada seja franca, os interessados devem retirar seus ingressos antecipadamente pela internet.

Serviço:

 * Evento: Concerto Sacro – Série Ametista (Orquestra Filarmônica Metropolitana)

 * Data: 01 de junho de 2026 (segunda-feira)

 * Horário: 20h

 * Local: Paróquia São Gonçalo de Amarante (Igreja Matriz)

 * Endereço: Alameda Pio XII, 86 – Centro, São Gonçalo - RJ

 * Duração: 60 minutos

 * Classificação: livre

 * Ingressos: gratuitos, disponíveis via Sympla.

Como o lofi abraçou o baião no Sleep Tales Music Lab

 

Artistas criando juntos no Sleep Tales Music Lab (Fotos: Mateus Montoni)

A Vanguarda dos Beats Brota na Serra. O lofi e o wellness audio — aquela tapeçaria sonora moldada para curar a insônia ou embalar horas de estudo — costumam ser injustamente rotulados como estáticos. Mas o que acontece quando você arranca nove produtores de suas rotinas solitárias, em telas de computador, e os tranca em um casarão na região serrana do Rio de Janeiro? A resposta é uma revolução silenciosa, com sotaque brasileiro e reverberação global.

Entre os dias 11 e 15 de maio de 2026, a serra fluminense virou o epicentro da primeira residência da América Latina dedicada exclusivamente à experimentação de beats: o Sleep Tales Music Lab. Idealizado pela Sleep Tales — gigante brasileira que hoje ostenta o título de maior selo do gênero fora da Europa —, o intercâmbio reuniu mentes criativas dos Estados Unidos, Bélgica, Inglaterra e de vários cantos do Brasil.

O resultado do isolamento criativo foi avassalador. Em apenas três dias de imersão analógica e digital, operando em três estúdios simultâneos, com esquemas de rodízio, os artistas pariram mais de 20 faixas inéditas.

Choque cultural



Se o mercado internacional já está acostumado a samplear os clichês da bossa nova, o Music Lab tratou de implodir o óbvio. Os gringos foram apresentados à complexidade percussiva e melódica do Nordeste e da MPB contemporânea.

"Apresentei Luiz Gonzaga, Lenine, o baião... Ver a reação deles assimilando essa dinâmica instrumental e aplicando nos arranjos foi animal", conta Ricardo Schneider, A&R da Sleep Tales. "O Brasil provou aqui que é uma relevância mundial para a música de invenção de forma geral".

A tradicional "cozinha" eletrônica do lofi ganhou texturas orgânicas e subgêneros híbridos. Da fusão, nasceram faixas que equilibram a calmaria necessária para o foco com construções harmônicas densas, flertando abertamente com o jazz, o ambient e o downtempo.

Algoritmos

Para os produtores estrangeiros, a experiência na serra fluminense funcionou também como um manifesto de descompressão. Longe da urgência mercantilista das capitais europeias e americanas, a música voltou a ser fruto do afeto.

A artista inglesa Bella Band sintetizou o choque de realidade:

"Em Londres, sinto que você sempre precisa fazer a música que está ditando a tendência do momento. No Brasil, há um background musical absurdamente rico... É um lugar musicalmente plural, vibrante e livre".


O material gerado na imersão já está em fase de pós-produção e lapidação. No segundo semestre de 2026, o mundo vai conhecer o álbum Sleep Tales Music Lab Vol. 01, que chegará acompanhado de um pequeno documentário, registrando os bastidores desse encontro histórico.

Nascida no sufoco da pandemia, em 2021, pelas mãos de Daniel Sander (sob o pseudônimo colours in the dark), a Sleep Tales hoje bate a marca de 45 milhões de plays mensais e é curadora oficial da Apple Music.

sábado, 23 de maio de 2026

Loulu Gilberto lança álbum em homenagem ao legado do pai João

 

Foto: Bob Wolfenson/reprodução (Instagram)

Ecos da Bossa. Após passar a infância e a adolescência resistindo à ideia de seguir os passos do pai, Loulu Gilberto (nome artístico de Luisa Carolina Gilberto) lança seu álbum de estreia, mergulhando profundamente nas raízes musicais da Bossa Nova e da era de ouro do rádio. O trabalho é uma celebração e um resgate íntimo da convivência com João Gilberto, um dos maiores ícones da música mundial, falecido em 2019.

O projeto nasceu do desejo de Loulu de homenagear a memória paterna, através de canções que marcaram a infância dela. O repertório é composto por músicas das décadas de 1930, 1940 e 1950, que João costumava cantar em casa. Entre as 12 faixas do álbum lançado pela Sony, destaca-se "O amor nos encontrou", uma composição de Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli, que João Gilberto cantava como cantiga de ninar para a filha e que ganha agora seu primeiro registro oficial.

No início, a trajetória de Luísa na música foi cercada de hesitação. Em entrevista ao jornal "O Globo" deste sábado (23), o violonista e professor Cezar Mendes relembra que, quando ela tinha cerca de 13 anos, João Gilberto a levou para ter aulas de violão, prevendo o talento da filha. João chegou a dizer que se tratava da "maior cantora do mundo". Adestrada pelo pai, as "divisões do canto" de Loulu, de acordo com Mendes, "são muito parecidas" com as do pai. 

Apesar de ter relutado durante anos e focado inicialmente nos estudos de cinema e teatro, a herança musical acabou falando mais alto. Com o incentivo de nomes como o próprio Cezar Mendes, o músico Mario Adnet e a jornalista Cláudia Faisol, Loulu superou o receio e aceitou o desafio de soltar a voz. O produtor Mario Adnet destaca que ela possui um timbre bonito e uma divisão rítmica sofisticada, características que remetem diretamente à suavidade e precisão de Astrud Gilberto, primeira esposa de João.

O álbum conta com arranjos sofisticados que resgatam clássicos como "Manias" (Flávio Cavalcanti e Celso Cavalcanti), "Beija-me" (Mário Rossi e Roberto Martins) e composições de Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto. A obra fecha com uma junção afetiva de duas faixas, gravadas de forma caseira por João Gilberto para a filha na infância.

Com este lançamento, Loulu Gilberto não apenas preserva um acervo afetivo e inédito, mas também assume seu lugar na cena musical brasileira, transformando o "eco da voz paterna" em uma identidade artística própria e autêntica.

*Com informações do jornal "O Globo".

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Como a voz de Amália Rodrigues voltará a ecoar ao vivo nos palcos

Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

O mito do fado vive. A genialidade de Amália Rodrigues, maior ícone da história da música portuguesa, ganha as telas e os palcos brasileiros em uma experiência artística inédita. O espetáculo Amália Rodrigues Sinfônico desembarca no país para uma miniturnê, que promete emocionar o público ao fundir o fado tradicional com a imponência de uma orquestra ao vivo.

Sob a direção do maestro francês Laurent Rossi, o concerto utiliza registros de voz originais da fadista, cuidadosamente restaurados e extraídos de arquivos históricos. Essa joia sonora se une à performance de uma sinfônica, ao acompanhamento de um trio instrumental típico de Portugal e à participação especial da cantora contemporânea Anabela. O espetáculo ganha contornos ainda mais sensíveis, com projeções audiovisuais de imagens raras da artista, criando uma atmosfera imersiva que exalta clássicos eternos como Barco Negro, Foi Deus e Uma Casa Portuguesa.

O projeto, que conta com o selo de autenticidade da Fundação Amália Rodrigues, inicia sua trajetória por São Paulo, no dia 23 de maio, no Teatro Bradesco. Em seguida, a caravana musical ruma para Belo Horizonte, com apresentação no Palácio das Artes, no dia 26 de maio. O encerramento da turnê em solo brasileiro ocorre no histórico Theatro Municipal do Rio de Janeiro, na noite de 28 de maio. Os ingressos para as apresentações já estão disponíveis nas plataformas digitais correspondentes a cada teatro.

Serviço: 

São Paulo: 23 de maio no Teatro Bradesco (Ingressos via Uhuu, a partir de R$ 150,00)

Belo Horizonte: 26 de maio no Palácio das Artes (Ingressos via Sympla)

Rio de Janeiro: 28 de maio no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (Ingressos via Ticket360, a partir de R$ 110,00)

Talentos locais e muito samba comandam festa sem custo em São Gonçalo

Foto: divulgação

A cena cultural de São Gonçalo se prepara para um fim de semana de muita efervescência e, o melhor: sem pesar no bolso. A cidade recebe duas grandes atrações gratuitas, que prometem agradar tanto quem busca descobrir novas composições quanto quem não dispensa uma boa roda de samba, para encerrar a semana.

O grande destaque fica por conta da segunda edição do Festival de Música Autoral de São Gonçalo, o Femasg, que ocupa o Teatro Municipal no sábado (23) e no domingo (24), das 16h às 22h. O evento surge como uma vitrine essencial para os compositores locais, promovendo intercâmbio artístico e revelando novos talentos da região. Além de se apresentarem para o público, os participantes concorrem a premiações para os cinco primeiros colocados. O grande vencedor da categoria Melhor Música garante a gravação de um videoclipe profissional. Para garantir o acesso ao teatro, os interessados devem retirar os ingressos de forma antecipada pela plataforma Sympla.

Para quem prefere a descontração do samba de raiz, o domingo reserva diversão garantida a partir das 13h. O Centro de Tradições Nordestinas, em Neves, serve de palco para mais uma edição do Samba da Feira de Neves. Após o sucesso absoluto da estreia no último final de semana, o evento retorna com uma programação recheada de pagode e samba, consolidando o espaço como um ponto de encontro ideal para famílias e amigos que desejam aproveitar a tarde de domingo.

Fernando Moura celebra 50 anos de carreira com show e lançamento de álbum histórico

Fernando Moura (foto: Divulgação)

A efervescência cultural que moldou o Rio de Janeiro no final da década de 1980 está prestes a ganhar um novo capítulo. No dia 28 (quinta), o Teatro Brigitte Blair, em Copacabana, será o cenário de uma verdadeira viagem no tempo, liderada pelo multi-instrumentista Fernando Moura. O show celebra o lançamento em vinil e nas plataformas digitais do álbum "Ipanema 87 (ao vivo)", um registro raro que passou quase quatro décadas guardado em fitas cassete.

O material original foi gravado em 1987, durante apresentações no Teatro Cândido Mendes. Esquecidas por 38 anos, as fitas que capturaram a energia de músicos com menos de 30 anos foram recentemente reencontradas. Para recuperar o áudio, sem perder a autenticidade da época, a produção utilizou recursos modernos de inteligência artificial, conseguindo isolar e reequilibrar cada instrumento. O resultado é um mergulho na era em que a MPB, o rock nascente e o jazz se misturavam na noite carioca.


(foto: Ricardo Elkind – in memorian) – Fernando Moura

Bagagem 

O evento ganha ainda mais relevância por coincidir com a celebração dos 50 anos de carreira de Fernando Moura. Nome de peso nos bastidores e nos palcos da música brasileira, o arranjador e compositor acumula colaborações com gigantes como Marisa Monte, Moraes Moreira e Zé Ramalho, além de conexões internacionais que vão de Chuck Berry a George Martin, o lendário produtor dos Beatles.

Sua assinatura artística também se estende por mais de 40 álbuns, trilhas para cerca de 30 longas-metragens e composições marcantes para o teatro nacional, mantendo uma produtividade intensa que hoje se divide entre o Brasil e o Japão.

Reencontro

Para o show comemorativo, Moura divide o palco com Rodrigo Campello (guitarra), Ronaldo Diamante (baixo), C. A. Ferrari (bateria) e Jovi Joviniano (percussão), além de David Ganc, no saxofone. O repertório promete ir além das faixas instrumentais recuperadas do vinil, incluindo releituras de Henry Mancini e uma versão surpresa de um clássico dos Beatles.

O evento é um convite para testemunhar o elo entre o passado analógico e a tecnologia atual, celebrando a assinatura de um dos grandes arquitetos do som contemporâneo do país.

Serviço

Evento: Fernando Moura – “Ipanema 87 (ao vivo) – 50 anos de carreira”

Data: 28 de maio

Horário: 20h

Local: Teatro Brigitte Blair (Rua Miguel Lemos, 51-H – Copacabana, Rio de Janeiro)

Ingressos: R$ 60,00 (meia-entrada) e R$ 120,00 (inteira, com direito a um vinil) via Sympla

Classificação: 10 anos

terça-feira, 19 de maio de 2026

Espetáculo reconta quase dois séculos de saxofone em Diadema

Fotos: Robs Borges/divulgação

Bálsamo em sopros. O Teatro Clara Nunes, de Diadema (SP), sediará, neste sábado (23), às 20h, o terceiro espetáculo da temporada Concertos Campestres. Após registrar lotação máxima na edição anterior, o projeto traz ao município paulista os instrumentistas integrantes do renomado quarteto Cia Sax.

Sob coordenação artística do maestro Daniel Cornejo, a performance intitula-se “180 anos de história do saxofone”. A proposta guiará os espectadores por uma linha temporal inventiva, partindo da gênese desse sopro, perpassando arranjos clássicos até alcançar composições eruditas contemporâneas nacionais.

Visando democratizar expressões artísticas, a exibição contará com explicações didáticas conduzidas pelo próprio regente e também por Alan Moraes, mestre de cerimônias. Thiago Catelani, produtor executivo da iniciativa, ressalta que o propósito central consiste em gerar conexões genuínas junto ao público regional através de repertórios surpreendentes.

Fundado em 2017, o grupo reúne Samuel Alves, Gabriel Vinícius, Matheus Carvalho e o citado diretor. Os ingressos para o evento são de graça e estão disponíveis virtualmente via Sympla. Podem também ser retirados diretamente, na bilheteria local, uma hora antes.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Information Society, Thea Austin e Noel trazem o brilho dos anos 90 ao Brasil

 

Fotos: divulgação 

A nostalgia das pistas de dança ganhará vida em julho, com um encontro de gigantes. A BGPRO confirmou uma turnê especial que reunirá, em uma única noite, três pilares da música eletrônica e do synthpop: Information Society, Thea Austin (voz do SNAP!) e Noel.

O projeto promete mais de três horas de música ao vivo, resgatando a era de ouro das danceterias com shows completos de cada artista. O destaque fica para o retorno do Information Society, grupo que mantém uma relação passional com o público brasileiro desde o histórico Rock in Rio II, em 1991. Clássicos como "What’s on Your Mind" e "Walking Away" devem ditar o tom futurista da noite.


A potência vocal fica por conta de Thea Austin, a voz por trás do hino global "Rhythm Is a Dancer". Completando o time, o ícone do freestyle Noel traz o romantismo urbano de "Silent Morning", hit que atravessou décadas nos bailes de flashback.

Em São Paulo, a celebração acontece no dia 16 de julho, na Suhai Music Hall. Com um cenário desenhado para conectar gerações, o evento é uma rara oportunidade de reviver a efervescência cultural que definiu o final do século XX.


Serviço:

* Evento: Information Society, Thea Austin e Noel

* Data: 16 de julho (quinta-feira)

* Local: Suhai Music Hall (Av. das Nações Unidas, 22540 – São Paulo/SP)

* Horário: Abertura às 19h | Shows às 21h

* Ingressos: De R$ 105 (Pista Meia) a R$ 300 (Premium/Camarote Inteira) via Ticketmaster ou bilheteria física no Shopping Ibirapuera.

domingo, 17 de maio de 2026

Evanescence lança clipe cinematográfico e antecipa detalhes do novo álbum: "Sanctuary"

Foto: divulgação

O Evanescence apresentou ao público o videoclipe oficial de seu mais recente single, "Who Will You Follow". Com direção assinada por Jensen Noen, a produção audiovisual aposta em uma estética cinematográfica para construir uma crítica direta sobre o impacto da cultura digital e da tecnologia, na percepção da realidade contemporânea. A faixa funciona como o principal cartão de visitas para o próximo álbum de estúdio do grupo. "Sanctuary" foca no debate sobre a busca por autenticidade em um cenário de desinformação.

Para a construção da nova sonoridade, a banda liderada por Amy Lee reuniu um time de produtores de peso no cenário do rock moderno, como Zakk Cervini e Jordan Fish, ambos com históricos de colaborações com nomes como Bring Me The Horizon, além de Nick Raskulinecz. O resultado é uma atmosfera que combina o peso característico do grupo, com novas experimentações de estúdio.

O lançamento de "Who Will You Follow" ocorre após o sucesso de singles anteriores, como "Fight Like A Girl" (parceria com K.Flay) e "Afterlife", música que alcançou o topo das paradas de rádio dedicadas ao rock, nos Estados Unidos e no Canadá, e que também integrará a tracklist do novo disco. De acordo com Amy Lee, o projeto é o reflexo de mais de 3 anos de dedicação contínua e serviu como um canal de expressão diante do cenário global recente.

Um dos principais atrativos para o público brasileiro estará na edição física Deluxe do CD de "Sanctuary". O pacote incluirá um disco Blu-ray, contendo o registro em vídeo do show Live in São Paulo, gravado durante a turnê de 2023, no Brasil — apresentação que se consolidou como o maior concerto solo de toda a trajetória do Evanescence —; além de filmagens inéditas dos bastidores de gravação do álbum.

Na estrada desde o início dos anos 2000, o grupo carrega o legado de marcos comerciais importantes na indústria fonográfica, como o álbum de estreia Fallen (2003), que ultrapassou a marca de 17 milhões de cópias comercializadas mundialmente. Com o lançamento de "Sanctuary", a banda se prepara para dar início a uma nova turnê global, que percorrerá diversos continentes, ao longo do ano. O novo single e o videoclipe já podem ser acessados através das principais plataformas digitais.

A herança do samba sob o olhar do futuro

 Curta-metragem sobre a escola mirim Herdeiros da Vila ganha pré-estreia gratuita no CineSesc Tijuca

Fotos: divulgação

A tradição sempre se renova. No momento em que a Unidos de Vila Isabel comemora 8 décadas de história, os holofotes do Carnaval carioca se voltam para as telas de cinema. Nesta quarta (20), às 19h, o CineSesc Tijuca será o palco da primeira exibição pública do documentário "Onde Nasce o Samba?". Com direção do cineasta Pedro Monteiro e produção executiva assinada por Joana Martins, o curta-metragem investiga a base da folia carioca, a partir do cotidiano e da história da Herdeiros da Vila, agremiação mirim fundada no final dos anos 1980.

A produção coloca a infância no papel principal da manutenção da cultura popular, registrando como as novas gerações assumem o protagonismo na Marquês de Sapucaí. O projeto foi desenvolvido com o suporte financeiro do edital Fluxos Fluminenses, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Secec-RJ), cumprindo a função de catalogar e preservar o patrimônio imaterial do Brasil.


A motivação para o filme partiu de uma experiência pessoal do próprio diretor. Durante a década de 1990, Pedro Monteiro participou e venceu uma competição escolar de sambas-enredo, vivência que o conectou diretamente com o funcionamento das escolas de samba voltadas para o público infantil. Segundo o realizador, revisitar esse universo permite observar de perto o surgimento de novos criadores e compreender os mecanismos que garantem a sobrevivência das grandes agremiações do Grupo Especial.

Com 23 minutos de duração, a narrativa do documentário vai além do visual técnico dos desfiles de Carnaval. O foco se concentra nos bastidores da quadra, apontando como as atividades da agremiação colaboram para a construção da cidadania e da identidade comunitária dos jovens envolvidos.

Para ilustrar essa transmissão de conhecimento entre diferentes épocas, o filme reúne vozes de peso do cenário do samba. Entre os depoimentos colhidos está o da porta-bandeira Dandara Ventapane, que carrega a linhagem familiar de Martinho da Vila e Anália Mendonça, ao lado de novos expoentes da comunidade, como os jovens Badi e Cristiano, que ilustram a técnica e a dedicação musical desenvolvidas nas oficinas da agremiação.


A exibição de pré-estreia do curta-metragem "Onde Nasce o Samba?" acontece na quarta-feira (20), às 19h, no CineSesc Tijuca, Zona Norte do Rio - Rua Barão de Mesquita, 539. A entrada para o evento é totalmente franca, estando sujeita ao limite de assentos da sala de cinema. A retirada dos bilhetes de acesso deve ser feita diretamente, na bilheteria do local, antes do início da sessão. Informações adicionais sobre o projeto podem ser acompanhadas pelo perfil oficial no Instagram (@ondenasceosamba.doc).

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Movimento cultural de Niterói ganha reforço com volta de sarau intimista

Fotos: Roberto Pinheiro/divulgação

Guitarrista Raul Menezes organiza encontro que reúne vanguarda artística da cidade

Cultura e resistência. Após um período de hiato planejado para renovação de ideias, a agenda cultural de Niterói ganha novamente o reforço de uma de suas iniciativas mais movimentadas. O Sarau do Raulzito tem data marcada para retornar aos palcos no próximo dia 30 de maio (sábado), a partir das 18h. O ponto de encontro será o tradicional Café Teatro Papel Crepon, em Icaraí, na Zona Sul.

A proposta do evento busca inspiração na efervescência da movida madrileña, o célebre movimento contracultural espanhol, adaptando esse espírito ao cenário brasileiro contemporâneo. Mais do que uma noite voltada ao entretenimento, a iniciativa se posiciona de forma clara no campo do ativismo cultural, utilizando a expressão artística como ferramenta de contraposição ao conservadorismo.

Idealizador do projeto, o produtor e guitarrista Raul Menezes destaca que a proposta é consolidar o espaço como um ponto de resistência e ampliação das vozes locais diante da atual conjuntura política do país. A essência do encontro é sintetizada pelo lema "O Sarau sara", expressão extraída da obra do artista Camilo Careca, que traduz a ideia da arte como um instrumento de cura coletiva, acolhimento e contestação.

Com 4 horas de programação contínua, o Sarau do Raulzito promete unir qualidade técnica, lirismo e reflexão social, em um ambiente que dispõe de serviço de bar para maior comodidade dos frequentadores. Por se tratar de um espaço intimista e com capacidade de público limitada, a coordenação do evento orienta os interessados a realizarem a reserva de bilhetes com antecedência.

Portanto, anote na agenda: o Sarau do Raulzito acontece no sábado, dia 30 de maio, às 18h, no Café Teatro Papel Crepon (Rua Mariz e Barros, 296, Icaraí, Niterói). As entradas individuais têm o valor fixado em R$ 30,00 e as reservas podem ser efetuadas diretamente com a produção, via WhatsApp (21) 99130-5496.

São Paulo se prepara para noite de rock com tributo mundial ao Queen

 

Fotos: Luciana Edelstein/divulgação

O espírito de Freddie Mercury e a energia contagiante do Queen desembarcam em São Paulo neste sábado (16). O Suhai Music Hall recebe o espetáculo God Save the Queen, considerado o tributo mais consagrado da atualidade, em homenagem à icônica banda britânica. 

Com mais de duas décadas de estrada, o grupo argentino já percorreu arenas ao redor do mundo, conquistando plateias pela fidelidade sonora e pelo impacto visual de suas apresentações.

A experiência promete transportar o público para a era de ouro do rock, revivendo clássicos imortais como Bohemian Rhapsody e We Will Rock You. O grande destaque da noite é o vocalista Pablo Padín, cuja semelhança física e vocal com Freddie Mercury impressiona até os fãs mais exigentes.


Localizado no Shopping SP Market, o show tem abertura prevista para as 20h e os ingressos variam entre R$ 90 e R$ 300: disponíveis para venda online e física.

Salvador se torna a capital nacional da dança de salão neste fim de semana

 

Josélia Freire. Foto: divulgação.

O ritmo vai tomar conta de Salvador, a partir desta sexta-feira (15). A capital baiana sedia a quarta edição do Bolero Samba Congress, evento que promete ir muito além do básico "dois pra lá, dois pra cá" e do tradicional "frente e trás". Sob o comando do bicampeão de bolero Rianei Varjão, o congresso foi desenhado para quem deseja se aprofundar de verdade nas técnicas e na história da dança de salão.

Até domingo (17), o Real Classic Hotel, na Pituba, será o ponto de encontro de congressistas de todo o Brasil. A programação está robusta e se divide entre aulas práticas, palestras teóricas e, claro, os aguardados bailes.

Grandes nomes

Ailson Gonçalves. Foto: divulgação.

Para garantir o alto nível do aprendizado, a organização escalou um time de estrelas do cenário nacional. Entre os destaques estão os cariocas Flávio Marques e Yasmini Zangrando (criadores do renomado congresso Senhor Bolero), além de Ana Paula Pereira e Adrianne Chilelli, também do Rio de Janeiro.

O intercâmbio cultural fica ainda mais rico com profissionais de vários cantos do Brasil e da prata da casa, contando com Greice Delfin e Leandro Jesus, de São Paulo; Suely Carvalho e Wallesson, do Pará; Dea Correia e Ed Belchior, de Pernambuco; Wesley Moura, do Espírito Santo; além dos baianos Jocélia Freire, Ailson Gonçalves, Alisson George, Cissa Barbosa, Dani Barbosa, Lara Pugliesi e Eduardo Menezes.

Serviço

* Evento: Bolero Samba Congress (4ª Edição)

* Quando: De 15 a 17 de maio (sexta a domingo)

* Onde: Real Classic Hotel – Rua Fernando Menezes de Góes, 165, Pituba, Salvador - BA

* Informações e inscrições: (71) 99227-1811

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Sonoridades do passado invadem o palco do Municipal de Niterói

 

Fotos: divulgação

Theatro recebe concerto inédito, com instrumentos originais do século dezoito, e abre temporada inspirada na história e na botânica

O Theatro Municipal de Niterói abre suas portas para uma verdadeira expedição histórica, na próxima quarta-feira (20) de maio, às 19h. O palco do projeto Quartas Clássicas recebe o conceituado Ensemble PHOENIX para o concerto comentado Plantas Exóticas, espetáculo que marca a aguardada estreia no Brasil da temporada Viagem no Tempo, após anos de apresentações aclamadas no exterior. O grande diferencial da noite fica por conta dos instrumentos de época, utilizados pelo grupo, incluindo relíquias originais construídas ainda no século dezoito.

Jardins barrocos

A proposta artística foi idealizada pela maestrina Myrna Herzog como uma jornada turística pelos séculos passados, tendo a sonoridade única desses instrumentos históricos como combustível principal. O programa da noite revela um lado curioso da vida do compositor alemão Georg Philipp Telemann, que mantinha uma intensa paixão pela botânica. Em suas cartas com colegas famosos como Haendel e Graun, a troca de ideias musicais dividia espaço com o envio de bulbos e mudas raras, de várias partes do mundo.

Inspirado por esse elo entre a arte e as ciências naturais, o repertório apresenta uma suíte floral de James Oswald dedicada a espécies que floresciam no jardim de Telemann, como jacintos e anêmonas, além de saudar a flora brasileira por meio de obras contemporâneas de Eduardo Antonello e Antonio Callado. No palco, Myrna Herzog comanda a viola de gamba ao lado de Tomaz Soares, no violino barroco; Gabriel Ferrante, na flauta transversa barroca; Fernando Thebaldi, na viola barroca; e Eduardo Antonello, dividindo-se entre o cravo e o órgão.

Música antiga



Criado originalmente em Israel, no ano de 1998, e hoje sediado também na capital fluminense, o Ensemble PHOENIX se consolidou como uma autoridade mundial em música antiga. O conjunto transita com maestria por partituras que vão da Idade Média ao início do século dezenove e acumula dezenas de registros fonográficos e audiovisuais. Além do prestígio global, os músicos desempenham um papel afetivo na preservação da memória nacional, sendo responsáveis pela única gravação no mundo do Credo de autoria do Imperador Dom Pedro Primeiro, executada com a instrumentação histórica adequada.

Toda essa engrenagem musical é liderada por Myrna Herzog, profissional pioneira que abriu o primeiro curso de viola da gamba no Brasil, além de ter fundado a pioneira Academia Antiqua Pró-Arte: primeira orquestra barroca do país. Com passagens como solista e regente por mais de duas dezenas de nações, Myrna traz para o palco de Niterói uma bagagem acadêmica e artística que transforma o concerto em uma experiência viva, leve e acessível, a todos os públicos.

Turnê

A passagem do grupo pelo Rio de Janeiro continuará a desdobrar novas histórias nos próximos meses. Em agosto, a turnê segue para os palcos de Petrópolis, com Conversa Galante, espetáculo focado no charme acústico dos antigos saraus. O encerramento do circuito acontece em outubro com O Teatro da Cura, apresentação que investiga as curiosas conexões entre a medicina e a arte dos séculos passados, com datas reservadas para espaços culturais tradicionais como o Midrash, o Solar de Botafogo e um retorno comemorativo ao próprio Theatro Municipal de Niterói.

Para quem deseja acompanhar a abertura dessa temporada na Rua Quinze de Novembro, no Centro de Niterói, os ingressos promocionais custam R$ 40 para a meia-entrada e R$ 80, inteiram em qualquer setor da casa. Os bilhetes eletrônicos já estão disponíveis para compra antecipada por meio do site da plataforma Fever.

Cacique de Ramos celebra marca histórica com 150ª edição da feijoada com samba

 

Foto: divulgação 

Terreiro sagrado de Olaria abre as portas com entrada franca para festejar a tradição que une gastronomia e o melhor do partido alto, no Doce Refúgio

O próximo domingo (17) reserva uma comemoração histórica para os apaixonados pela cultura suburbana carioca. O Cacique de Ramos realiza a edição de número cento e cinquenta de sua tradicional feijoada, um evento que se consolidou como ponto de encontro fundamental para sambistas de todos os cantos do país. Misturando a celebração litúrgica do terceiro domingo do mês com muito batuque da melhor qualidade, a programação festiva começa a partir das treze horas e tem entrada totalmente franca para o público.

As atrações musicais escaladas para comandar a famosa roda de samba são velhas conhecidas da casa e garantem a autenticidade do terreiro. Entre os destaques está o jovem Enzo Belmonte, artista que carrega no currículo a honra de ter sido apadrinhado pela eterna madrinha do samba, Beth Carvalho. Em sua apresentação, o cantor passeia com leveza por cantigas dedicadas às religiões de matriz africana, além de mostrar composições autorais e reinterpretar clássicos antológicos do gênero.

Enzo Belmont. Foto: Nilton Santos/divulgação 

Quem também marca presença no palco é Moisés Santiago, trazendo na bagagem hinos de forte apelo popular, que ajudaram a moldar a identidade do bloco. No repertório do compositor não deve faltar a emblemática Vai Lá, Vai Lá, música que completou trinta anos de sucesso recentemente e continua na ponta da língua do povo. A cadência da tarde fica completa com as apresentações da cantora Margarete Mendes e do Grupo Caciqueando, componentes fixos que traduzem com perfeição a excelência musical do Doce Refúgio. Para fechar o visual festivo, o público ainda poderá acompanhar o desfile do estandarte oficial do bloco e o carisma das cortes Curumim e Glória Caciqueana.

Feijuca

Estrela principal do cardápio, a suculenta feijoada começa a ser servida pontualmente no mesmo horário de abertura dos portões, saindo pelo valor de R$ 35 o prato. Para maior comodidade dos frequentadores, as mesas estarão disponíveis para aluguel, diretamente no espaço da quadra.

Os interessados em curtir a festa com mais conforto podem obter informações detalhadas sobre a reserva de camarotes e outros serviços de atendimento, entrando em contato com a organização do evento pelo telefone ou pelo aplicativo de mensagens WhatsApp, no número (21) 3251-4374. A icônica quadra do Cacique de Ramos fica na Rua Uranos, 1326, em Olaria, Zona Norte do Rio de Janeiro.

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