terça-feira, 12 de maio de 2026

Risca Faca: a alquimia entre o peso do rock e a identidade brasileira

 

Fotos: Ian Dias/divulgação

Formada por veteranos da cena de Niterói, a banda une influências que vão de Black Sabbath à música nordestina, apostando no fomento da cena autoral


Por Saulo Andrade

Historicamente conhecida como celeiro de talentos que vão de Sérgio Mendes a Black Alien, Niterói ganha um novo e potente capítulo em sua cronologia musical: a banda Risca Faca. Nascida em 2022, a formação reúne músicos com bagagem em projetos conhecidos do underground local, nos anos 2010, como a Facção Caipira e o Divã Intergaláctico,. 

A semente do projeto foi plantada pelo vocalista e gaitista Daniel Leon. Com composições que buscavam fundir o rock a ritmos regionais de forma ainda embrionária, Leon encontrou o suporte ideal em Amando Puente (guitarra), Igor Bilheri (baixo) e Igor Figueiredo (bateria). Juntos, os quatro músicos trazem vivências que transitam por diferentes vertentes do rock e do metal, resultando em uma sonoridade que foge do óbvio.

Identidade

O diferencial da Risca Faca reside no "tempero" brasileiro. Embora a espinha dorsal seja o rock clássico — bebendo de fontes como Black Sabbath, Pink Floyd e Led Zeppelin — e o peso do heavy metal de bandas como Metallica e Iron Maiden, o grupo não teme a experimentação. O forró e outros elementos da música nordestina são mesclados ao peso das guitarras, com naturalidade.

"A música brasileira é extremamente rica e, para quem é apaixonado pela arte, é um prato cheio", afirma Leon. 

A Risca Faca é, para os caras, o reflexo de "quatro roqueiros que amam pesquisar e testar misturas entre o rock e a cultura de seu país", buscando imprimir uma personalidade própria em cada arranjo.

Próximos passos

Apesar da qualidade técnica, o grupo aponta desafios comuns aos artistas de Niterói e região: a carência de espaços e de fomento público para o trabalho autoral. Em resposta a essa lacuna, a banda adotou uma postura proativa, organizando o próprio evento, intitulado Navalhada, que convida outras bandas da cena independente para fortalecer o circuito.

"Niterói sempre foi uma cidade de músicos, com bandas incríveis como Virias Fatal, Onda Errada e Mote Combinado. Elas continuam na luta, muitas vezes produzindo seus próprios eventos", destaca o guitarrista Amando Puente.

Para os fãs, as notícias são animadoras. O quarteto está em processo de maturação de novas composições e promete singles inéditos em breve. Enquanto o novo material não chega, o público já pode anotar na agenda: o próximo encontro marcado acontece no dia 11 de junho, no evento Rockarioca, que será realizado no La Esquina, na Lapa, região central do Rio.

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