quarta-feira, 6 de maio de 2026

Bernardo Aguiar funde som e imagem em primeiro álbum solo

 

Foto: Daniel Lobo/divulgação 

Após três décadas de estrada e colaborações com gigantes da música brasileira e internacional, o percussionista e produtor Bernardo Aguiar dá um passo definitivo em sua trajetória autoral. No próximo dia 15 (sexta-feira), o artista lança Káminhos Benaguiá, um projeto que subverte a lógica tradicional da indústria, ao apresentar uma obra integralmente audiovisual, onde música e estética visual nascem de um mesmo DNA.

Conhecido por sua atuação de 20 anos no grupo Pife Muderno e parcerias com nomes como Guinga e Hermeto Pascoal, Aguiar assume em seu primeiro disco solo o papel de "arquiteto musical". Inspirado pela sinestesia de gênios como Naná Vasconcelos e Tom Jobim, ele não apenas compõe e toca, mas também assina a direção visual, edição e mixagem do projeto.

Narrativa

Em Káminhos Benaguiá, a percussão deixa de ser o acompanhamento para se tornar o eixo central. Ela dita não só o ritmo sonoro, mas também os cortes de câmera e as texturas das imagens. O trabalho é composto por "faixas audiovisuais" — e não apenas videoclipes — que incorporam sons da natureza, captados em expedições à Amazônia, criando uma experiência imersiva que flerta com o cinema.

"A música nasce do mundo, e não só do instrumento", afirma Bernardo, que buscou criar um universo onde o som sugere cor e a imagem reorganiza a escuta.


Conexões


O álbum reflete a versatilidade de um artista que transita entre as baterias das escolas de samba cariocas e o jazz contemporâneo. A lista de colaboradores é um capítulo à parte: na cena brasileira, colaborou com Carlos Malta, Silvério Pontes, Antonio Neves e Aline Paes. Lá fora, o intercâmbio estético ganha força com a participação de Michael League e Chris Bullock, integrantes da banda vencedora do Grammy Snarky Puppy.

Disponível no YouTube a partir de meados de maio, o projeto convida o público à escuta atenta, combatendo o consumo fragmentado da era digital. Com Káminhos Benaguiá, Bernardo Aguiar reafirma seu papel como um dos produtores mais inventivos da música brasileira atual, posicionando a percussão no epicentro da criação contemporânea.

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