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quinta-feira, 14 de julho de 2022

Oruã une duas músicas em clipe e anuncia turnê nos EUA

 

Foto: Ana Zupano

Um grito contra a glorificação da herança escravocrata brasileira. Assim pode ser definido o curta-metragem “Outros Santos/Essência Bruta”, produzido a partir de duas faixas da banda carioca Oruã, que constam no terceiro álbum do grupo: “Íngreme”.




Trata-se de um relato - e, ao mesmo tempo, um manifesto de resistência - da escalada da banda no exterior e da queda livre em que o Brasil se encontra, envolto numa névoa fascista.

O vídeo revela a saga de músicos que passam dias entre a serra e o mar, em estradas e caminhos familiares de Búzios – onde residiram; aborda, também, o passado escravocrata do Brasil e anuncia a turnê que a banda fará pelos Estados Unidos, abrindo a última parte da turnê Built to Spill. À ocasião, os músicos aproveitarão o embalo para fazer outra turnê, em diversos estados americanos (confira na lista abaixo).

Dentre as principais influências e referências dos músicos, pode-se perceber, no trabalho, militância, luta antirracista e toques sonoros que remetem a nomes como Evinha, Racionais MC`s, Toni Tornado, Jorge Ben e Elza Soares.



Racionais MC`s. Foto: Internet.



Roteirista, diretor, editor e parte do elenco de “Outros Santos/Essência Bruta”, Lê Almeida define a banda como um “filho do Centro do Rio de Janeiro, que nasceu à noite e frequenta os bailes pela madrugada. Free Jazz de pobre. Kraut de vagabundo. Sem neurose”.

“Íngreme” é, afinal, a síntese de um caminho de mais de cinco anos de estrada de uma banda que vive, hoje, um momento de agradecimento e colheita.

Confira as datas e locais da turnê de Oruã com Built to Spill:

Sep. 06 - Columbus, OH - The Athenaeum Theatre 

Sep. 07 - Knoxville, TN - The Mill & Mine 

Sep. 08 - Wilmington, NC - Greenfield Lake Amphitheater 

Sep. 09 - Charleston, SC - Charleston Music Hall 

Sep. 10 - St. Petersburg, FL - Jannus Live 

Sep. 11 - Ft. Lauderdale, FL - Culture Room 

Sep. 13 - Orlando, FL - The Social 

Sep. 14 - Jacksonville, FL - Jack Rabbits 

Sep. 15 - Pensacola, FL - Vinyl Music Hall 

Sep. 16 - Birmingham, AL - Saturn Birmingham 

Sep. 17 - Memphis, TN - Growler’s 

Sep. 18 - Tulsa, OK - Cain’s Ballroom 

Sep. 19 - St. Louis, MO - Red Flag 

Sep. 20 - Columbia, MO - Blue Note 

Sep. 21 - Lawrence, KS - Granada Theater 

Sep. 23 - Denver, CO - Bluebird Theater 

Sep. 24 - Salt Lake City, UT - Metro Music Hall

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

CMIND entrevista: BEL, cantora, compositora, escritora, produtora cultural e artista visual

Foto: Lucas Canavarro
Experimental, eletrônica, jazzística e popular, a música da cantora, compositora, escritora, produtora cultural e artista visual, Bel Baroni, a BEL (ex-Mohandas e integrante do Xanaxou), é o que se pode considerar como a que rompe velhos paradigmas. Isto porque - "questionando, atuando no micro" - ela vem imprimindo, na cena independente nacional, uma sonoridade diversa, que também se reflete no posicionamento político e na visão de mundo da artista. Feminista, BEL percebe a música como uma forma de mudar realidades. Nesta entrevista para o CMIND, ela fala um pouco de suas influências e expectativas para o novo disco, a ser lançado em fevereiro próximo. Confira!    
CMIND: No seu trabalho solo, em “Bem-Vindo” e em “Fica Fácil Assim”, percebe-se a sua verve criativa. Apesar da forte influência de elementos eletrônicos, não se encontra classificação em qualquer estilo musical. Quais são suas maiores influências e onde você encontra inspiração para compor seus arranjos?

BEL:
Esse álbum foi montado em dois anos; então, ao longo desse tempo, eu fui carregando algumas diferentes influências para a feitura dele. Estava escutando bastante Little Dragon, Karina Buhr, Belchior e Tame Impala. Mas sempre gostei de pesquisar música nova, bandas que não conheço. Não saberia dizer quais são as maiores influências. Elas vão mudando junto comigo. A inspiração para os arranjos está na forma como a letra bate, numa parceria bonita ou numa distração qualquer.
Fica fácil assim: https://soundcloud.com/belbaroni/ficafacilassim. Imagem: Divulgação


CMIND: No seu novo disco, o público pode esperar, também, um trabalho com as mesmas características?

BEL:
Acho que as faixas juntas estabelecem um diálogo; além de terem sido produzidas da mesma forma, num mesmo contexto - então, sim. Mas eu espero que as pessoas possam se surpreender também.

Foto: Lucas Canavarro


CMIND: Geralmente, no underground ou no mainstream, percebe-se a predileção por “líderes” de bandas mulheres que se apresentem com um “belo corpo” e um “rostinho bonito”, por supostamente “venderem mais”.  A Xanaxou é uma banda feminista que você faz parte, certo? Como você percebe o ativismo e o empoderamento feminino na música brasileira? Neste sentido, quais estilos musicais e artistas que você mais destacaria?

BEL:
A Xanaxou é uma banda formada por mulheres e isso por si só já carrega junto o conceito de "banda feminista". Se somos mulheres, compomos, performamos e tocamos instrumentos, o universo que vamos construir no palco e nas músicas é das coisas que vivemos, do contexto no qual estamos inseridas e tudo mais. O lance é que não falamos do ponto de vista do compositor e sim da compositora; não somos músicos instrumentistas e sim músicas instrumentistas - e isso já é diferente do que geralmente se apresenta. Escolhemos reforçar isso no nosso discurso, no nosso nome, na escolha do nosso repertório. O debate de gênero e o feminismo trazem potência para que projetos assim existam e para que a representatividade tenha vez.

Bem-vindo: https://soundcloud.com/belbaroni/bemvindo. Imagem: Divulgação


CMIND: Estamos vivendo um momento de avanço do pensamento conservador no Brasil. Isso está acontecendo, também, na música? Aliás, música e política são coisas que não se misturam?

BEL:
Política se mistura com tudo. Para mim, a música também. Vida é isso tudo junto. Acho que temos pensado cada vez mais sobre a forma como nos comunicamos, quebrando paradigmas, questionando, atuando no micro. Estamos assistindo o fim de muitas coisas e isso também é o início de muitas outras. Tem uma galera fazendo um som muito maravilhoso e desafiando isso tudo, principalmente nas músicas de periferia. No mais, a coisa está tão feia, que tenho me concentrado em ser sincera nas minhas ações, em respeitar as pessoas, em estar em sintonia com o que acredito.

***


Entrevista realizada pelo jornalista Saulo Andrade

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Psicodelia, ritmos latinos, rock and roll: CMIND entrevista a banda Filtra

Foto: Pedro Arantes


Dona de um dos shows mais explosivos da efervescente cena independente fluminense, a Filtra traz uma sonoridade experimental, misturada com psicodelia. Eles também apostam na junção dos ritmos latinos e brasileiros com a pegada roqueira e atual do grupo. Trazem no currículo o lançando do EP "O Mundo" (2016) e "Supremo" (2015). Lançados em um curto espaço de tempo, os dois trabalhos mostram uma grande diferença na musicalidade. Enquanto o disco de 2015 é mais voltado para o pop, o segundo mostra um amadurecimento repleto de novas influências. Confira a entrevista que fizemos com o baterista da banda, Mateus Nagem! :)

CNIND - Na sonoridade musical de vocês, percebe-se uma influência setentista dos Novos Baianos. Qual a importância de se beber desta fonte, no momento da composição? 

Mateus Nagem - Temos muita influência de coisas dos anos 60/70, especialmente Novos Baianos, Secos e Molhados, Gil, Caetano... Acho que no momento da composição a gente não pensa muito nisso não, de soar como alguém, ou buscar a sonoridade de alguma banda dessa época . As coisas vão acontecendo naturalmente, as canções vão ganhando corpo com o que a gente já tem de background musical e acaba que algumas músicas ficam com essa vibe setentista. 

Imagem: Divulgação


CMIND - Outra mistura bacana é a do reggae com o psicodélico. Com uma pegada diferente, o som do reggae também se apresenta de forma muito particular, quando comparada às formas tradicionais de se tocar o ritmo jamaicano. Nos ensaios, vocês se referenciam muito pelo experimentalismo? 

Mateus Nagem - Sim, muito. Normalmente nossos ensaios começam com improvisos, com coisas que alguém puxa do inconsciente, uma levada que eu faço, uma linha de baixo, uma brincadeira na guitarra ou até mesmo uma melodia do Fellipe. É bom pra aquecer antes de começar a passar as músicas ou compor alguma coisa. Liberta a mente, cria uma sensibilidade e percepção maior do que tá acontecendo, de ouvir o que o outro está tocando também...Nossos shows começam assim também, com um improviso. Experimentar faz parte de nós.

Foto: Pedro Arantes


CMIND -  Como vocês percebem o campo de oportunidades para artistas autorais da cena musical independente do Rio e de todo o país? 

Mateus Nagem - Acho que no Rio ainda é bem fraco. Falta espaço, festival para as bandas tocarem no Rio de Janeiro. Já São Paulo, Goiânia, algumas cidades do sul, abraçam mais as bandas independentes. Muitos festivais independentes rolando em várias partes do país e no Rio não tem nenhum. Os eventos de rua têm salvado um pouco, mas precisam de mais apoio das prefeituras, do Governo do Estado e de empresas privadas também. A cidade do Rio tem muito potencial musical independente.


Ouça “O Mundo”:


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Allen Jerônimo & a RAVE DE RAIZ se destacam como laboratório musical



Uma pesquisa que mistura as percussões pernambucanas e a utilização da música como ferramenta de mudança social. É desta forma que Allen Jerônimo & a RAVE DE RAIZ atuam, unindo instrumentos – musicais - de cura e combate à violência. 

Projeto experimental, de efeitos psicodélicos, em frases percussivas de musicalidade nordestina, híbrida e multifacetada, a banda passa por constantes alterações em sua formação. Atualmente, conta com o baixista Gustavo Silva, os guitarristas Jony Bastos  e os percussionistas Pedro Prata, do Rio Maracatu, Pedro Amparo, do Agotoê, e Rodrigo Maré, da Companhia Marginal da Maré.

“Vim de uma escola de poetas, repentistas e roqueiros pesados. Passei pelo movimento mangue beat. Talvez por estar no clímax de minha adolescência, só vim amadurecer musicalmente após alguns anos, iniciando, assim, essa pesquisa com a musicalidade pernambucana” – ressalta o vocalista Allen.

A Allen Jerônimo & a RAVE DE RAIZ toca no próximo dia 22 de outubro no encerramento das atividades do festival PERIFÉRICO, do Sesc, na Barra da Tijuca, no Rio.

Série de concertos gratuitos exalta mulheres da MPB

  Foto: Jéssica Borges/divulgação Sons Pelas Mulheres exalta trajetória de compositoras e intérpretes em Duque de Caxias, Rio e São Gonçalo ...