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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Contra toda forma de golpe, Guerrilha transforma indignação em música

Foto: Divulgação


New Metal, Hard Core, Punk e Pop Rock são as principais influências da banda paulistana Guerrilha, que consolida sua caminhada no disco “Sangue, Lágrima e Suor”. Em meio à podridão da política nacional, com golpe de Estado e esquemas de corrupção sendo sistematicamente desvendados, o grupo lança o seu primeiro disco como um marco dos mais de 10 anos de estrada no underground de São Paulo. A data de lançamento - 31 de março de 2016 – fez alusão ao golpe militar, que completou 52 anos.


“A escolha foi para reforçar a posição contrária da banda aos acontecimentos daquele período e lembrar que onde houver golpe, haverá Guerrilha!” – destaca o vocalista Kbça, que divide a sonoridade da banda com Jimmi, na guitarra, Punk, no baixo, e Nicolas, na batera.


Eles já marcaram presença em festivais e casas de show como o Hangar 110; o Manifesto Bar; a Tribe House; a Alcatraz; a Cervejazul; a Feeling Music Bar; a Sattva e muitas outras, da noite paulistana, grande São Paulo e interior. Guerrilha se apresentou, também, ao lado de bandas de renome - Humana (Chile), Dance Of Days, Hardneja Sertacore, Skarrapatos-ko, Cuieo Limão, Inocentes, entre outras.


Disponível em todas as plataformas de streaming, “Sangue, Lágrima e Suor” vem carregado de fortes discursos políticos e de uma sonoridade agressiva. “É um grito de revolta de uma juventude que não aguenta mais ser massacrada pela opressão de um Estado bandido, corrupto e pernicioso” – enumera Kbeça, para quem as letras da banda “retratam temas ligados ao cotidiano urbano e periférico, que nos levam a questionamentos sociais e existenciais. Nunca limitamos a criatividade. Falamos sobre o que importa para a gente” – destaca o músico.


“Nossas grandes referências são Rage Against The Machine, Planet Hemp, Infectious Grooves, além outros estilos, é claro. O que caracteriza nosso som é um arranjo pesado, sujo, mesclado com levadas mais ‘clean’ e ‘funkeadas’” - aponta Kbça. 

Foto: Divulgação.


Visite:

YouTube: www.youtube.com/bandaguerrilha

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Overdrive Saravá: “tocar o novo é um ato de resistência!”



Inspirada na cultura de gêneros musicais do Brasil - do jongo ao maracatu, passando por coco, embolada, cirandas, xote, baião e até o funk carioca -, a banda Overdrive Saravá é uma homenagem rock and roll à nossa diversidade musical.

“Trazemos como referências a cultura popular e afrodescendente. Apesar das referências de diferentes tradições musicais, não buscamos a apropriação direta desses estilos, que estão presentes em células rítmicas, conceitos e cores, numa nova interpretação dessas muitas linguagens” – analisa o vocalista Gregory Combat, para quem o Nação Zumbi se tornou uma “grande referência”.

O músico ressalta que manteve a verve experimental desde as primeiras ideias de composições, cruzando ritmos, gêneros e intenções artísticas. A partir daí, surgiram parcerias com artistas de áreas como artes cênicas, plásticas, dança e audiovisual; além da troca de ideias, manifestou-se, no álbum – homônimo à banda -, todo o folclore e as tradições brasileiras.
  
“Começamos a desenvolver ações nos espaços públicos da cidade de Niterói, a fim de ocupar e nos manifestar artisticamente de alguma forma, mesmo que ainda sem uma proposta musical consolidada” – destaca Gregory, que vê o atual cenário e contexto da cultura brasileira como “caóticos”:

“Isso não poderia deixar de reverberar na música. Muitos locais que antes abriam suas portas a artistas autorais e independentes estão fechados ou faliram. Tocar o novo, atualmente, é um ato de resistência”.

Ficha Técnica de “Overdrive Saravá”:

Formada em 2012, em Niterói (RJ), por Gregory Combat (vocal), Lucas Botti (guitarra), Thiago Henud (guitarra), Matheus Freire (baixo) e Frederico Cardim (bateria).

O primeiro álbum foi gravado em 2016 no Estúdio Villa (RJ), por Renan Carriço.
Mixado por Martin Scian.
Masterizado por Matheus Gomes, no Estudio Magic Master.
Produzido por Overdrive Saravá.
Coprodução: Renan Carriço e Overdrive Saravá.
Produção executiva: Gregory Combat.
Escultura: Ciro Najar.
Fotografia: João Pacca.
Direção de Arte: Estudio Cru.

Visite:


https://www.facebook.com/overdrivesarava

Texto: Saulo Andrade, jornalista.

sábado, 15 de outubro de 2016

Guerrilha e ocupação: baterista acredita na potência musical de Niterói



“Se nos planejarmos e nos mobilizarmos com mais frequência, podemos construir um grande movimento cultural com boa repercussão. Claro que as velhas dificuldades que nós músicos enfrentamos para sobreviver estão aí, a começar pelo monopólio dos meios de comunicação e a seletividade comercial das gravadoras; mas a gente pode superar tudo isso, até porque não se trata apenas de ocupar os espaços, mas também de reivindicar nossos direitos como profissionais e obter o devido e merecido reconhecimento”. Para o baterista e vocalista niteroiense, Cacá Meireles, a cena musical de sua cidade, Niterói (RJ), é boa por natureza, por ser ela um dos municípios com o maior número de músicos por metro quadrado.

“O que está faltando é mobilização maior por parte da classe artística, para ocuparmos e construirmos mais espaços alternativos locais! A Praça Leoni Ramos, em São Domingos (a velha e lendária Cantareira) é uma das poucas, em todo o Brasil, que ainda não foi cercada por grades” - ressalta.

Cacá, que que em seu projeto musical conta com a participação de velhos amigos músicos, destaca que, para realizar seus trabalhos autorais, está sempre disposto a atuar com novos músicos – apesar de já concretizar suas composições, em projeto solo, com parceiros mais conhecidos.

“Todos acompanham muito bem a minha bateria e meus vocais. Nós, músicos, devemos ocupar, também, espaços como o Skatepark de São Francisco, o Espaço Convés, em São Domingos, e os espaços da Região Oceânica. Opções não faltam” - enumera.

Visite:



https://www.youtube.com/channel/UCAbon-0zVFyRju9uRYKaTiA

Texto: Saulo Andrade, jornalista. 

Conheça a Orquestra de Instrumentos Reciclados do Paraguai!


Imagem originalmente extraída do site http://www.effa.org.au/landfill-harmonic/

Trailer do Filme Landfill Harmonic (2013), sobre a Orquestra de Instrumentos Reciclados da cidade de Cateura, no Paraguai.  





Saiba mais em:

http://www.recycledorchestracateura.com

https://www.facebook.com/landfillharmonicmovie/

Postagem dos jornalistas Adriano Batista e Saulo Andrade.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

O surpreendente conteúdo d`O Vazio



Letras filosóficas, humor sarcástico, pensamentos profundos e críticas ácidas, intercaladas com sinuosas melodias, berros desesperados, improvisos, poesia, teatralidade e execuções viscerais. O Vazio tem tudo e muito mais que uma mera proposta musical de rock e blues pode oferecer.

A banda apresenta hoje, às 19h, no Teatro Municipal Laércio Rangel Ventura, em Nova Friburgo (RJ) - Praça do Suspiro S/n°, Centro -, as músicas do novo álbum, “Inútil Essencial”, e outras composições autorais.

A apresentação vai contar com a participação de artistas convidados, no "O Vazio Convida". Entrada franca, mas sujeita à lotação. Os ingressos começarão a ser distribuídos às 17h. Classificação: 16 anos. Surpreenda-se!  

Visite:

O Vazio Convida: 

https://www.facebook.com/events/1114876781937245/

O Vazio:

https://www.facebook.com/ovazio/?fref=ts



 Texto: Saulo Andrade, jornalista

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Lanca surpreende a cada sonoridade



Inspirado no Avant Garde, a veia contemporânea e jazzística da banda Lanca dão forma a um trabalho de improvisação eclético e essencialmente experimental. Formado em 2010, originalmente como quinteto, o Lanca se apresentou no Encun (Encontro Nacional de Compositores). Para o pianista e professor de música, Tomas Gonzaga, a música instrumental vem ganhado força.

“Tenho presenciado de perto o fortalecimento de duas frentes - muitas vezes interligadas -de música instrumental, nos últimos anos: a música experimental e a música de rua. Ambas iniciativas, independentes, são reflexo do momento histórico em que vivemos, em que a prática musical deixa de ser tão acumulada nas gravadoras e na indústria do entretenimento em geral” – opina Tomas.


A Lanca é formada por Tomas Gonzaga, piano, Rafael Fortes, saxofone e Pitter Rocha, guitarra. Visite:



Texto: Saulo Andrade, jornalista.


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Allen Jerônimo & a RAVE DE RAIZ se destacam como laboratório musical



Uma pesquisa que mistura as percussões pernambucanas e a utilização da música como ferramenta de mudança social. É desta forma que Allen Jerônimo & a RAVE DE RAIZ atuam, unindo instrumentos – musicais - de cura e combate à violência. 

Projeto experimental, de efeitos psicodélicos, em frases percussivas de musicalidade nordestina, híbrida e multifacetada, a banda passa por constantes alterações em sua formação. Atualmente, conta com o baixista Gustavo Silva, os guitarristas Jony Bastos  e os percussionistas Pedro Prata, do Rio Maracatu, Pedro Amparo, do Agotoê, e Rodrigo Maré, da Companhia Marginal da Maré.

“Vim de uma escola de poetas, repentistas e roqueiros pesados. Passei pelo movimento mangue beat. Talvez por estar no clímax de minha adolescência, só vim amadurecer musicalmente após alguns anos, iniciando, assim, essa pesquisa com a musicalidade pernambucana” – ressalta o vocalista Allen.

Allen Jerônimo & a RAVE DE RAIZ toca no próximo dia 22 de outubro no encerramento das atividades do festival PERIFÉRICO, do Sesc, na Barra da Tijuca, no Rio.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Compositor contumaz, Thiago David poetiza o cotidiano em forma de música




Desde jovem, o publicitário Thiago David teve vontade de criar textos e músicas. Começou pela poesia e, no ensino médio, aprendeu a tocar violão. Passou a dominar alguns acordes básicos e partiu para a composição de canções. Durante o período da faculdade, já havia composto cerca de 70 músicas, feito alguns shows solo e outros, 27, com banda.

“A publicidade parecia ser o ambiente ideal para mim. Eu acreditava que teria um lugar que seria fundamentalmente criativo. Afinal, nada mais excitante do que viver de criar!” – resume, enganando-se mais adiante. Isso porque, para ele, por mais que o curso tenha sido “espetacular”, houve uma dificuldade para se adaptar ao “mercado”, porque, na verdade, trata-se de uma criatividade “muito restrita”:

“O mundo publicitário não é tão criativo quanto se imagina. As demandas de mercado acabam afunilando as criações para mensagens mais diretas. Afinal de contas, o cliente médio não quer bancar as peripécias de um criativo. Ele tende a ter um orçamento restrito e precisa de resultados”. 

Thiago então buscou dedicar-se mais à música, quando voltou de Salvador para o Rio, em 2014. Estava terminando seu primeiro EP - A realidade difusa do cotidiano -, com quatro canções: Quanta notícia, Abraxas, Solto e Pôr do Sol 6 da tarde.

O projeto seguinte foi "Um caminho para Santiago", que nasceu de uma peregrinação que o artista fiz nos últimos 200km do Caminho de Compostela, no norte da Espanha. Inspirado por um professor, o artista decidiu levar o violão para a caminhada e, já que estava com o instrumento, propôs-se a compor diariamente e escrever um diário sobre o processo. Resultado: nove dias e nove músicas.

“Poderia ter saído péssimo, mas acabou que as músicas foram muito bem recebidas pelos peregrinos e, depois, já no Brasil, pelos meus amigos. Assim, tomei coragem para produzir na melhor qualidade que me cabe” - disse.

Juntou-se com os músicos Tomas Gonzaga e Andrés Patiño Casasfranco, para gravar, e Ricardo Pitanga e Mario Martinho para fazer as artes a partir do conceito "O tempo do homem", que seria o tempo processual, diferente do tempo das máquinas:

“O tempo permite a produção sem a exaustão. Não há pressa nem imediatismo. Para andar 200 km, se caminha 23km por dia”.

Já que é assim, deleite-se:
Clipe "Mas que preguiça": https://www.youtube.com/watch?v=HClNnAq6ePY
Making of: Um caminho para Santiago: https://www.youtube.com/watch?v=2a9FZfiUpLU
Thiago David recomenda:


Pé na estrada: Rock DaKombi realiza viagens musicais



Agora imagina você, músico, realizando o sonho de viajar, tocando em diferentes lugares... Esta é a ‘pegada’ do Rock DaKombi, movimento ligado ao programa cultural Arte de Rua, que leva o bom e velho rock and roll a praças da região Serrana do Rio. O projeto começou em 2013, apresentando-se num palco montado no estiloso automóvel da Volkswagen. Só em 2015, Paulo Victor (Soneca), baixo e voz; Wander Blacklight, guitarra; Celso DaKombi, guitarra e voz; Marcelo Mandarino, Bateria; e Jefferson Moura, que também toca bateria - revezando-se com Marcelo -, fizeram 28 shows gratuitos, em quatro diferentes municípios daquela região.

“Isso sem contar os shows e eventos de entrada franca. O objetivo é emoldurar o cotidiano com arte, de forma essencial, presente, espontânea, viva e democrática!” – explica o guitarrista Celso DaKombi, que vê como “confusa” a cena musical:

“Novas mídias e tecnologias revolucionaram o mercado, que ainda não se acomodou por completo. Fora o medo de arriscar e a insegurança da indústria estabelecida, que impulsionaram a cena independente, mas não de forma ordenada e sim por um conglomerado total de antigos canais”.




O músico exemplifica que, há trinta anos, só existiam as gravadoras “medalhonas”. Há vinte, a tecnologia revolucionou o mercado. Há dez, esse mesmo mercado quase se extinguiu e, de lá para cá, segundo ele, só existe o “artista-produto”, que fez com que a cena independente desse “um levante”, tanto pela tecnologia quanto pela forma como o mercado se fechou:

“É raro um músico ir a um show de outro para assistir, partilhar, beber de outras fontes, se integrar... Todos se fecham nos seus trabalhos e individualizam suas caminhadas... A tecnologia permitiu que todos possam registrar o trabalho com qualidade; mas temos de ser mais unidos e menos individualistas”.

Enquanto não vivemos no mundo ideal, o Rock DaKombi segue viagem, em outubro, no dia 15, no Pub IPA Route, em Nova Friburgo; 21, no Lumiar Bier Pub, em Lumiar; 23, no Arte de Rua da Praça Getúlio Vargas, em Nova Friburgo; 28, no Halloween do Bar América, em Nova Friburgo; Em 5 de novembro, também no Arte de Rua, em Lumiar; e no dia 12, no Deguste!, na Praça da Águia, em Petrópolis.

Visite:
Link para entrevista para o programa Bart Papo:
Momentos:

Nova no mercado, Café Forte Música Digital conta com distribuição da Sony Music



Detectar, lançar e divulgar nomes de diversos gêneros. Estas são as premissas de uma gravadora eficiente. Atento às linguagens atuais, o selo Café Forte Música Digital nasceu, em março de 2016, como opção econômica e profissional para a inserção de novos artistas no mercado fonográfico brasileiro. Comandado pelo diretor artístico, escritor e jornalista carioca, Leonardo Rivera, o selo tem como parceiras estratégicas empresas com larga experiência no setor e renome internacional, como a editora Warner Chappel, a Abramus (Associação Brasileira de Música & Artes) e a distribuidora Sony Music.

“Em época de música digital, a boa curadoria volta a ser essencial para navegar no meio de tantos fonogramas e no modo online. Aí é que entra o Café Forte Música Digital, propondo novos artistas e os aproximando do grande público” – explica Rivera que, com a Astronauta Discos, selo mais voltado para o rock, lançou Autoramas, Beto Lee e outros artistas do estilo:

“Montei o Astronauta após sair da Universal Music, onde trabalhava como olheiro do departamento artístico. O selo não vai parar. Inclusive, acaba de lançar dois CDs: "O Bravo Cantador", de Paul Rock, que traz participação especial de Zé Ramalho; e "Heyô", de Ju Martins, que traz canções próprias e de autores como Luis Capucho”.

Seu Jorge, Farofa Carioca e literatura

A vida de Leonardo Rivera no meio musical não é de hoje. Nos idos de 1997 e 1998, quando a banda Farofa Carioca surgiu, os músicos procuravam uma gravadora. Apesar de já estarem sendo seduzidos por todas, assinaram com a PolyGram/Universal, onde ele era olheiro. O jornalista é também autor do livro "A Inteligência é Fundamental", que conta a história de Seu Jorge. A obra contém depoimentos inéditos e exclusivos de ex-presidente de gravadora, além de parceiros como Ed Motta, Pedro Luis, Bernardo Lobo, entre outros.



“É uma bela homenagem, feita com carinho para os fãs - e para eu contar como foi a historia de conhecer o Seu Jorge antes da fama. Há um ano e meio não o vejo. Entreguei a ele uma cópia autografada do meu livro, no Teatro da UFF, quando veio cantar no DVD do Arthur Maia. Tenho orgulho da minha estreia literária e da historia de vida e da vida artística do Seu Jorge” – conta Rivera.

Para o diretor artístico do Café Forte, atualmente, a cidade de Niterói, onde mora, conta com uma cena musical ativa. Ele Cita bandas e artistas como a Tomba Orquestra, a DJ Tataogan, a Facção Caipira, a Tereza, entre “outros, muito bons”.

Visite: www.cafefortemusica.com.br e  https://www.facebook.com/cafefortemusica/

Texto: Saulo Andrade, jornalista.

domingo, 9 de outubro de 2016

Dedos em Som transforma diversidade em obra de arte


Cosmopolita. Assim pode-se definir a sonoridade da banda carioca Dedos em Som. Aglutinadores, o quinteto formado por Marcelo Cucco (saxofones), Tomas Gonzaga (piano/teclado), Martina Carvalho (percussão), Hugo Noguchi (baixo) e Gabriel Barbosa (bateria) lançou seu primeiro álbum - Dedos em som: corrupção, valores e vaidades - em 2015, com músicas como Bahia Veneno, Escola do Capão e De Repente. Mesclando cúmbia, samba, jazz, outros ritmos locais e universais, improvisando, de maneira particularíssima, uma sonoridade que pode ser facilmente apreciada por um público sedento por novidades, aqui e lá fora. Um dos instrumentistas da banda, Marcelo Cucco concedeu esta entrevista à Cena da Música Independente - CMIND. Confira!  


CMIND: Cucco, você é estudante de música da UniRio. Como vê a cena da música instrumental brasileira? Há espaço para todo mundo?
Marcelo Cucco: Estudo licenciatura para me formar como professor de música. Como estudante de professorado em música e músico ativo no cenário do Rio de Janeiro e outros estados, vejo um interesse grande da nova geração em explorar sonoridades instrumentais e, pela pouca oportunidade de apresentação com boa remuneração nas casas de show, vejo que muitos amigos têm procurado tocar bastante na rua. Acredito que as apresentações na rua, somadas ao fácil acesso às músicas de várias gerações na internet, têm sido fundamentais para desencadear este tipo de interesse por novas sonoridades. A música instrumental, que é a base de todas as canções, ganha força e liberdade neste contexto contemporâneo.

CMIND: Como e quando surgiu a ideia de formar a Dedos em Som?
Marcelo Cucco: Dedos em Som surgiu quando decidi trancar alguns períodos na faculdade para conhecer na prática os valores culturais do Brasil em suas cinco regiões. O Gabriel Carneiro, baterista e um dos compositores do primeiro álbum, foi junto, com o mesmo propósito. Nos deparamos com uma diversidade incrível - natural cultural... E isso foi um baita de um convite para chegar tocando e me envolvendo com o povo e a musicalidade de cada lugar. Muito inspirado e encantado com a percepção aberta a respeito do mundo como um todo, saíram várias composições e a musicalidade transbordou. Quando voltamos para o Rio de Janeiro, a ideia era apenas gravar um álbum, chamado "Dedos em Som: Corrupção, valores e vaidades"; mas, como aquela musicalidade estava tão contagiante, nós, músicos, pegamos a estrada e apresentamos, juntos, o som em várias cidades do Rio, Minas e Goiás. Assim, resolvemos virar uma banda mantendo a essência das vivências práticas e inspiração na multiculturalidade do mundo.

CMIND: Onde foram as primeiras turnês e como foi a receptividade do público?
Marcelo Cucco: A primeira turnê deu início assim que acabamos de gravar o primeiro álbum. Tocamos em Belo Horizonte, Diamantina, Milho Verde, Ouro Preto, Brasília e mais um monte de cidades que víamos na estrada, simplesmente pela curiosidade de conhecer os moradores e a reação do público com o nosso som. A reação que as pessoas têm, por incrível que pareça, é a mesma que temos quando estamos tocando. Elas dançam, se deixam levar, se surpreendem a cada instante. Ficam viajando em seus interiores, sentem a textura e a emoção de cada composição. Eu, pessoalmente, ao tocar com os Dedos em Som, me sinto contemplando a vida com seus mistérios e me permito ser levado, intuitivamente, como se estivéssemos sendo auxiliados por forças divinas emitindo cura para a alma e em conexão com a natureza.

CMIND: Atualmente, com a multiplicidade de pessoas produzindo conteúdo cultural, em tempo real - e por todos os lados -, as plataformas digitais vêm de fato colaborando na divulgação do trabalho de vocês? Como vencer a barreira da invisibilidade?  

Marcelo Cucco: Essa é a grande novidade da nossa geração. Nas nossas redes sociais, compartilhamos desde as vivências multiculturais na estrada, lançamento de novos trabalhos e shows. O mercado nunca esteve tão condicionado à economia e ao empreendedorismo quanto hoje, e isso por um lado torna a relação profissional mais fluida e natural. Por exemplo, amigos meus do Equador, Argentina e pessoas de outros continentes que assistiram um show nosso podem continuar nos acompanhando apenas pelo Facebook. Posso dizer que as plataformas digitais, a princípio, vêm ajudando o projeto a manter a sua essência espontânea, livre e em contato com pessoas de diversas localidades. Essas características têm uma importância fundamental no desenvolvimento estético na música dos Dedos em Som.

CMIND: No Brasil, ao tocar nas ruas de nossas cidades, vocês se deparam com muita repressão por parte do poder público?
Marcelo Cucco: Olha, na maioria das cidades não. Pelo contrário: as pessoas e as autoridades policiais se encantam. No Brasil, por exemplo, vale lembrar que existem poucas cidades grandes. Acho que esses conflitos se dão mais por conta de violência urbana. Pessoas que se estressam facilmente com qualquer coisa, que já desistiram de sobreviver em harmonia com as diferenças. É claro que precisamos respeitar locais onde seja exigido silêncio ou um fluxo livre. A intenção de tocar na rua nunca é de causar desordem e conflitos, mas proporcionar interatividade a aglomerar públicos voluntários para um entretenimento cultural. Na maioria das cidades pelas quais passei no Brasil e em outros países a receptividade foi ótima. As mídias e jornalistas locais, que geralmente recebem notificação da população para que não deixem de registrar novas expressões artísticas de graça, na rua, são acessíveis a todos. Além de ser um prazer, as pessoas se interessam mais em comprar CD ouvindo a banda tocando na rua do que na Internet. É muito carinho e afeto - levar alegria para a rua é uma satisfação incomparável!

CMIND: O que tem a dizer para as novas gerações de músicos brasileiros que pretendem se profissionalizar como artistas, num ambiente tão difícil, de muita luta por espaço e sobrevivência?
Marcelo Cucco: Ninguém nunca me disse "seja músico". Eu segui os primeiros anos da vida e algo mais forte do que minha consciência foi me levando para esse caminho da arte. As artes me fizeram ver que as pessoas são diferentes e que a diferença entre elas pode virar uma grande obra de arte. Quase depois de 10 anos como músico profissional resolvi fazer faculdade de música. Lá, aprendo muito e ganho bases para me inserir em diversas áreas do mercado. Ou seja, independendo das escolhas, sempre temos muito o que aprender e assim nos fortalecer no caminho.

O trabalho de Dedos em Som pode ser encontrado em http://www.dedosemsom.com/ e também no Facebook, Twitter, YouTube e no SoundCloud.


Texto: Saulo Andrade, jornalista.

Social Distortion volta ao Brasil após 16 anos

Lenda do punk californiano se apresenta em São Paulo e Curitiba em novembro com a turnê do aclamado álbum Born to Kill Foto: divulgação O je...