quarta-feira, 15 de julho de 2026

Carlos Malta celebra 50 anos de estrada com clássico remasterizado e show no interior do Rio

Foto: divulgação



O vento, em sua essência física, é invisível. Mas nas mãos de Carlos Malta, ele ganha contornos, texturas e cores. Há exatamente 50 anos, o multi-instrumentista carioca vem esculpindo o ar, transformando a respiração humana em um dos pilares mais inovadores da música instrumental brasileira. Para celebrar esse jubileu de ouro e dar continuidade às comemorações de sua vibrante trajetória, o artista sobe ao palco do Teatro Rosinha de Valença, no dia 31 de julho, como uma das atrações mais aguardadas do FIN Festival de Inverno, no Sul do estado do Rio.

A apresentação gratuita não celebra apenas o tempo de estrada, mas também um resgate histórico aguardado há décadas pelos amantes da boa música: o relançamento de "O Escultor do Vento", primeiro álbum solo do artista, que acaba de desembarcar em todas as plataformas de streaming via Mills Records.

O sopro que virou batucada

Gravado entre 1996 e 1997, logo após a saída de Malta do lendário grupo de Hermeto Pascoal — onde o músico lapidou seu talento por 12 intensos anos —, o álbum teve originalmente uma tiragem física quase secreta, limitada a apenas mil cópias. À época, o trabalho foi aclamado instantaneamente, sendo apontado pelo jornal O Globo como um dos melhores discos instrumentais daquele ano. Em 1998, ganhou o mundo sob a alcunha de Jeitinho Brasileiro.

Agora remasterizado, o disco revela a essência de um criador inquieto, que se recusa a aceitar os limites físicos de seus instrumentos. Um exemplo clássico dessa inventividade está na genial fusão de “Isso aqui o que é? / Na Cadência do Samba”: sem utilizar um único tambor ou prato, Malta construiu uma batucada brasileira completa apenas com os estalos, chaves e sons percussivos extraídos de flautas, saxofones e clarinetes. Foi ali que seu apelido definitivo se consolidou.


No encarte original de 1997, o compositor Guinga sintetizou a genialidade do amigo com precisão poética:

"Carlos Malta, pai, filho e espírito de saxes e das flautas. Psicografa pelo sopro, batiza apenas como vento. Ilude o pensamento, desafia o sentimento (...) Menino passarinho num Hermeto ninho. Grandão".

O álbum é uma verdadeira constelação da MPB, trazendo participações históricas de nomes como Lenine (no vigor rítmico de "Morena Bela"), Jane Duboc (no lirismo de "Luz do Sol"), além do próprio Guinga, Nico Assumpção, Nelson Faria, Leandro Braga e Robertinho Silva.

Diálogo entre gerações

No palco de Valença, Malta não estará sozinho. Para dar vida nova a essas composições camerísticas e vigorosas, ele reuniu um time que conecta diferentes gerações e linguagens da nossa música: Lui Coimbra, no violoncelo; Aline Gonçalves, nas flautas; Cliff Korman, no piano; Bernardo Aguiar, na percussão e Giuliano Eriston (como convidado especial), nos vocais, violão e flauta.

Além de revisitar as faixas do álbum histórico, o espetáculo promete ser uma antologia viva de sua carreira, passando por temas marcantes que consolidaram Malta como um cidadão do mundo. Carioca nascido em 1960, ele domina desde a família tradicional de saxes e flautas até instrumentos étnicos como o pife brasileiro, o shakuhachi japonês e a flauta di-zi chinesa.

Das rodas de choro aos palcos sagrados do Carnegie Hall (Nova York) e do Forbidden City Concert Hall (Pequim), o "Escultor do Vento" continua mostrando que a música instrumental brasileira não é um gênero de nicho, mas sim uma força viva, orgânica e em constante transformação.

📍 Serviço

Show: O Escultor do Vento – Carlos Malta (Projeto Carlos Malta 50 anos de música)

Data: Sexta-feira, 31 de julho de 2026, às 20h

Local: Teatro Rosinha de Valença (Valença, RJ)

Ingressos: Entrada Gratuita

Para ouvir: O álbum remasterizado já está disponível no link 

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