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quarta-feira, 11 de maio de 2022

TORTO lança "Expediente", álbum concebido em ambiente de trabalho

 

Música experimental-instrumental de Leandro Lima bate ponto nas plataformas de streamings  



Leandro Lima. Foto: Xico Pessoa


Redescobrir e traduzir o novo, em meio à rotina cotidiana, é uma das missões de todo artista. Em “Expediente”, o músico e designer pernambucano Leandro Lima, idealizador do projeto TORTO, seguiu à risca essa premissa. Por trás da gravação de algumas das sete faixas do álbum, pode-se até perceber as vozes dos companheiros de trabalho do designer Leandro, um artista cuja musicalidade - do post-rock ao eletrônico - dá vida e percepção a uma realidade que, para muitos, beira o banal.

 

Confira um pouco desse processo criativo, nesta entrevista exclusiva que o artista concedeu ao CMIND!           

 

Por que a abordagem do dia a dia do trabalho "convencional" na sua música? 

 

Primeiramente, porque era onde eu estava, enquanto desenvolvia as músicas (risos). Sempre procuro, de certa forma, dar uma fugida das coisas que faço cotidianamente, para mudar o foco e pensar em outras perspectivas ou simplesmente me divertir. Música vem a ser um desses escapes para mim (na verdade, os dois: fuga e diversão). E isso entra totalmente em conflito com as idealizações de um trabalho corporativo. 

 

Sua música parte de um questionamento acerca do aspecto mecânico e melancólico do trabalho cotidiano?

 

Também. Não necessariamente partiu da “melancolia”, mas ela acabou aparecendo, por causa dos processos mecânicos. Generalizando, o trabalho ocupa a maior parte do dia. Quando passamos a enxergar que ele pauta a maioria das decisões e prazeres cotidianos, é algo um pouco assustador.  As músicas do “Expediente” vêm dos sentimentos gerados por essa inquietação e pelos questionamentos acerca da relação entre lazer e trabalho, além das trocas e recompensas que ele oferece. Digo recompensas, não só me referindo ao dinheiro, mas, principalmente, às relações interpessoais e vínculos criados nesse ambiente: a famosa "hora do cafezinho".  Não vejo o trabalho sempre como algo ruim. Há os dois lados, como tudo na vida. Mas entendo o peso e o significado que essa palavra carrega, em todo o seu contexto histórico.

 

Capa de "Expediente"

Como você encara o senso comum de que o trabalho com música, arte e cultura - de uma forma geral - não é "útil" para a sociedade, por não trazer um resultado "palpável"? 

 

Não sei se é um senso comum (espero que não); mas acredito que muita gente pense assim mesmo. Acho um pouco sem sentido essa afirmação. Acredito que não exista alguém, em estados ditos "normais", que não absorva algum tipo de arte e ou cultura. Então, o fato de não achar "útil" é no mínimo irresponsável com o que a pessoa que pensa assim consome (sim, ela também ouve música). Fui criado em uma família que sempre consumiu muita arte, em todas as suas formas e plataformas. Embora nunca tenha sido uma forma de trabalho, o papel do artista na sociedade sempre ocupou um lugar de prestígio e de grande reconhecimento.

 

De que forma a indústria cultural uniformiza a expressão artística, tornando-a sem subjetividade, e qual é a importância de se fazer música experimental e questionadora, especialmente no contexto social que vivemos hoje, no Brasil? 

 

A indústria sempre teve, ao longo dos anos, várias ferramentas para mensurar o que está em ascensão, massificar e vender tudo o mais rápido possível. Ultimamente, estamos vivendo na era do "big data", em que algoritmos têm à disposição, de forma rápida e fácil, informações fundamentais para a percepção do que é mais facilmente aceitável e rentável para a indústria. A fórmula da repetição nunca esteve tão acessível. Acredito que "cultura de massa" sempre vai existir; talvez, cada vez mais nichada, mas, de alguma forma, sempre vai "nortear" as pautas e os caminhos que a indústria segue. 

 

Por outro lado, também vai ter gente experimentando. O ser humano é um bicho muito curioso. Acredito que seja impossível fazer com que essa busca pela novidade acabe, tanto da parte de quem faz como de quem busca. E aí, acho muito importante sites como este e como o Hominis Canidae, que fazem esse papel de ajudar e disseminar esses experimentos.

 

É uma relação de eterna dependência. Para haver uma quebra de paradigma, tem que existir um paradigma, senão, não há ruptura. Fica aí dica de uma série hypada, mas que gera bons questionamentos sobre o trabalho.

 

E a música experimental tem importância fundamental, em todo esse processo. Experimentar foi o que levou toda a humanidade até aqui. Com música, não poderia ser diferente.  A meu ver, nem toda música é questionadora, mas toda música pode gerar questionamentos. Depende do ponto de vista de quem a está escutando. A melodia, por si só, já traz questões inatas. A música experimental é questionadora, desde seu ato de criação. Experimentar é questionar na prática!

 

Experimente “Expediente” aqui, nas nove plataformas de streamings.

 

Lançamento: selo Hominis Canidae REC.

 

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

CMIND entrevista: Marcelo Sant`Anna, guitarrista e compositor

No próximo dia 20, sexta-feira, o guitarrista e compositor Marcelo Sant`Anna apresentará seu projeto inédito "Blauklang", no evento multicultural "Goma de Portas Abertas", no espaço de coworking Goma, na Gamboa, Rio. Com uma sonoridade que mistura programações eletrônicas a improvisos de guitarra, o conceito de "Blauklang" - que significa som azul em alemão - resume a influência de guitarra e blues (azul), com a sonoridade alemã "Krautrock", tão importante na história da música eletrônica mundial. Confira a entrevista que ele concedeu ao blog.


Imagem: Divulgação


CMIND: Há quanto tempo, onde e de que forma surgiu o seu projeto musical? 

Marcelo Sant`Anna: Meu trabalho solo começou depois de eu ter passado por diversas bandas de rock e blues e da minha experiência participando de shows com diversos músicos conceituados daqui do Rio de Janeiro. Sou formado desde 1995 em guitarra e harmonia funcional, numa excelente escola de Copacabana, a Musiarte. Sempre busquei aplicar esse conhecimento teórico no rock e no blues, que sempre foram os estilos que eu mais me identifico. A partir de 2015, comecei a estudar os sintetizadores vintage e suas possibilidades. Passei a utilizá-los em trilhas que passei a compor para arte audiovisual. Então, foi um processo natural juntar os sintetizadores e a guitarra elétrica para, assim, surgir a sonoridade e todo o conceito deste meu novo trabalho.

CMIND: Notei que no som que você faz há um misto de música eletrônica e guitarra elétrica. Você grava tudo sozinho? 


Imagem: Divulgação

Marcelo Sant`Anna: Sim, gravo. Como também sou multi-instrumentista e produtor musical, decidi, pela primeira vez, gravar tudo sozinho. Fui gostando da liberdade do processo e do resultado. Faço tudo assim, desde a gravação até a mixagem e a masterização. 

CMIND: O que você ouve e o que de fato o influencia musicalmente? 

Marcelo Sant`Anna: Acredito que tudo o que ouvi e ouço desde criança acaba me influenciando de alguma forma, desde Beatles até bossa nova, MPB e rock brasileiro. Enquanto estudava Harmonia Funcional, passei a ouvir, principalmente, muito jazz e fusion. Minha linguagem na guitarra sempre foi muito influenciada por guitarristas de blues, como Albert Collins, Buddy Guy e Eric Clapton. Claro que bandas de rock como Led Zeppelin, Black Sabbath, e Pink Floyd, assim como Jimi Hendrix e Jeff Beck também foram todos muito importantes na minha formação como guitarrista e compositor. Atualmente, tenho sido bastante influenciado por compositores de trilhas sonoras de cinema que vão desde Ennio Morricone e John Carpenter até Hans Zimmer e Trent Reznor, do Nine Inch Nails, artistas e bandas de música eletrônica e experimental como Kraftwerk, Cluster, Aphex Twin, Gary Numan, Depeche Mode e Arto Lindsay, além de compositores estruturalistas como Webern e Schönberg. 

CMIND: Vocês chegou a tocar em algumas festas? Quais? 

Marcelo Sant`Anna: Por conta do atual formato do meu trabalho, e pelo fato de eu tocar todos os instrumentos, ainda não encontrei uma forma possível e que me deixasse inteiramente satisfeito para apresentar estas últimas composições com o mínimo de fidelidade ao material gravado. Mas acredito que, assim que encontrar os músicos certos, elas entrarão nos próximos shows. Em relação às trilhas sonoras, que venho compondo e são parcerias com trabalhos de arte audiovisual, o foco é expor em espaços voltados para a arte, como foi no caso da trilha de ONOVODENOVO (vídeo abaixo), feita a convite da marca de acessórios upcycled Odyssee, que ficou, neste ano, exposto por mais de três meses no Oi Futuro Flamengo, aqui no Rio.





O espaço de coworking Goma fica na Rua Senador Pompeu, 82-86, na Gamboa, Rio de Janeiro.

Visite:

Instagram: @marcelo.sant.anna   


sábado, 15 de abril de 2017

Ludi Um lança "Olorum"

Foto: Facebook


"Uma singela homenagem à minha religião, aos meus orixás e aos meus ancestrais. O olhar para o firmamento e ter a certeza de ser acolhido...". É assim que o músico Ludi Um define seu novo trabalho: Olorum - que conta com a participação de Joás Santos, na percussão; Felipe Castro, no baixo, violão e beats; além de Tatá Ogan, nas palmas e efeitos.


Ouça aqui - https://soundcloud.com/ludium/ludi-um-olorum


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

CMIND Entrevista: Filipe Fela Montparnasse, vocalista e artista sonoro

Foto: Anderson Felix


Criado em 2012, o Felappi é um projeto musical iniciado pelo vocalista e artista sonoro Filipe Fela Montparnasse, o artista plástico Cláudio Tobinaga e o multiinstrumentista Victor Cumplido. Tudo começou com uma visão do Fela, que inseriu um contexto cinematográfico em sua música, tendo como principais influências o jazz e o punk. Resultado: o Felappi se insere na vanguarda apocalíptica do underground nacional. "Uma especie de dejeto pós-moderno. Algo que sua filha não escutaria... De fato, somos só um tipo de podridão do primeiro mundo" - enumera. Nesta entrevista, realizada em parceria com Tobinaga - que como o próprio Fela fez questão de frisar, ajudou-o a responder as perguntas -, o artista nos conta um pouco de sua trajetória. Confira!   

CMIND: Conte-nos um pouco mais sobre a sua formação musical...  

Fela: Eu não quero que as pessoas leiam vários livros para me entender, e que sejam graduadas em arte ou quaisquer outras disciplinas para poder entender o meu som... Música é um processo subjetivo e eu falo sobre o subúrbio. Arte sonora é sobre a elite, e essa elite não nos pertence... Tudo começou meio por causa de uma visão que eu tive. 

Foto: Facebook


CMIND: Como se formou sua parceria com Tobinaga e Victor? E como está sendo a repercussão do álbum "Cuidado Madame"?   

Fela: A Felappi basicamente foi um projeto que o Tobinaga abraçou. Ele me escutou (conheceu) através de um amigo em comum. Sua pesquisa em pintura era baseada em cinema e foi um salto natural, porque eu já pensava num contexto sonoro mais cinematográfico. Os pontos em comum, tanto quanto a motivação se encaixaram e foi um processo natural de aproximação de "disciplinas". Desde o incio, contamos com outros colaboradores e não estávamos preocupados com o que seria a Fellapi... Estávamos preocupados em tangenciar algo que pensávamos em comum. O Victor surgiu depois, em um momento em que estávamos experimentando um contexto sonoro mais analógico. Dessa "fase", posso citar outros parceiros muito importantes, como: Bruno Jacomino, Marcio Cabezas, Zozio - que, alias, foi talvez um dos primeiro colaboradores -, Rodrigo Roger, Henrique Queiroz e, lógico, o Negro Leo e a Ava Rocha, nossos padrinhos desde o primeiro single lançado na internet.

CMIND: De que forma você sente a obra e a performance de outro artista, ao ponto de "traduzi-la" em música? 

Fela: Na verdade, não sei se a palavra certa seria "sentir"... Presenciamos essa sonoridade, que de alguma forma chamamos de música - e que, sem pretensão alguma, acontece no nosso dia dia. Acho, tanto eu como o Tobinaga, que isso esta no mundo, não se trata só de escalas, harmonia, ritmo... Trata-se de estar no mundo, participar dele. Não somos "artistas"... Estamos em sintonia com nosso entorno. Desse contexto, já temos muito material para trabalhar e pensar. Nosso processo é muito cerebral e incrivelmente subjetivo.


CMIND: Como se dá a sua participação com outros DJ´s?

Fela: É para ganhar dinheiro.



Foto: Anderson Felix


CMIND: Ao ouvir, no Soundclound, "E Você II" e "Cortejo Carnavalesco" percebe-se uma forte pegada experimental/industrial; da vanguarda paulistana (Arrigo Barnabé e sua "Clara Crocodilo") e até de Tom Zé. Você definiu o seu trabalho como uma fusão entre o punk e o jazz. É um som "sujo" que se sofistica pela via experimental? 
  
Fela: Não sei se de fato é um fusion entre jazz e o punk, mas sem dúvida nenhuma são as principais influências... Gostamos muito de pensar, entre a gente, que tiramos do lixo algum tipo de pérola. Em verdade, é só um pensamento. Somos só sujos mesmo. Uma espécie de dejeto pós-moderno. Algo que sua filha não escutaria... De fato, somos só um tipo de podridão do primeiro mundo. Algo que as rádios de Barcelona querem tocar como um tipo de vanguarda vulgar do Brasil, um tipo de novidade de um mundo apocalíptico.



Com o guitarrista e multiinstrumentista Victor Cumplido. Foto: Facebook


CMIND: O que acha da cena do Rio para o seu tipo de som? 

Fela: Cara, na real, a galera do Rio saiu... Foram ganhar o mundo - o que achamos muito importante. Somos muito felizes de termos pessoas que nos acolheram diante desse cenário. Em especial, citaria o Negro Léo, a Ava Rocha, o Marcelo Calado, a galera do Zumbi do Mato, o Bernardo Oliveira, o Alan Athaide, a Tomba Records e toda a galera que nos apoia. Mas viver de música no brasil é...


CMIND: Já tocou em outras cidades do Brasil e do mundo? 

Fela: Sim, já tocamos em são paulo e fomos super bem recebidos.



Saiba mais:

Soundcloud: https://soundcloud.com/filipe-fela

Bandcamp: https://felappi.bandcamp.com/

Youtube: https://www.youtube.com/user/apagao

Facebook: https://www.facebook.com/felappiaraujo/

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

CMIND entrevista: BEL, cantora, compositora, escritora, produtora cultural e artista visual

Foto: Lucas Canavarro
Experimental, eletrônica, jazzística e popular, a música da cantora, compositora, escritora, produtora cultural e artista visual, Bel Baroni, a BEL (ex-Mohandas e integrante do Xanaxou), é o que se pode considerar como a que rompe velhos paradigmas. Isto porque - "questionando, atuando no micro" - ela vem imprimindo, na cena independente nacional, uma sonoridade diversa, que também se reflete no posicionamento político e na visão de mundo da artista. Feminista, BEL percebe a música como uma forma de mudar realidades. Nesta entrevista para o CMIND, ela fala um pouco de suas influências e expectativas para o novo disco, a ser lançado em fevereiro próximo. Confira!    
CMIND: No seu trabalho solo, em “Bem-Vindo” e em “Fica Fácil Assim”, percebe-se a sua verve criativa. Apesar da forte influência de elementos eletrônicos, não se encontra classificação em qualquer estilo musical. Quais são suas maiores influências e onde você encontra inspiração para compor seus arranjos?

BEL:
Esse álbum foi montado em dois anos; então, ao longo desse tempo, eu fui carregando algumas diferentes influências para a feitura dele. Estava escutando bastante Little Dragon, Karina Buhr, Belchior e Tame Impala. Mas sempre gostei de pesquisar música nova, bandas que não conheço. Não saberia dizer quais são as maiores influências. Elas vão mudando junto comigo. A inspiração para os arranjos está na forma como a letra bate, numa parceria bonita ou numa distração qualquer.
Fica fácil assim: https://soundcloud.com/belbaroni/ficafacilassim. Imagem: Divulgação


CMIND: No seu novo disco, o público pode esperar, também, um trabalho com as mesmas características?

BEL:
Acho que as faixas juntas estabelecem um diálogo; além de terem sido produzidas da mesma forma, num mesmo contexto - então, sim. Mas eu espero que as pessoas possam se surpreender também.

Foto: Lucas Canavarro


CMIND: Geralmente, no underground ou no mainstream, percebe-se a predileção por “líderes” de bandas mulheres que se apresentem com um “belo corpo” e um “rostinho bonito”, por supostamente “venderem mais”.  A Xanaxou é uma banda feminista que você faz parte, certo? Como você percebe o ativismo e o empoderamento feminino na música brasileira? Neste sentido, quais estilos musicais e artistas que você mais destacaria?

BEL:
A Xanaxou é uma banda formada por mulheres e isso por si só já carrega junto o conceito de "banda feminista". Se somos mulheres, compomos, performamos e tocamos instrumentos, o universo que vamos construir no palco e nas músicas é das coisas que vivemos, do contexto no qual estamos inseridas e tudo mais. O lance é que não falamos do ponto de vista do compositor e sim da compositora; não somos músicos instrumentistas e sim músicas instrumentistas - e isso já é diferente do que geralmente se apresenta. Escolhemos reforçar isso no nosso discurso, no nosso nome, na escolha do nosso repertório. O debate de gênero e o feminismo trazem potência para que projetos assim existam e para que a representatividade tenha vez.

Bem-vindo: https://soundcloud.com/belbaroni/bemvindo. Imagem: Divulgação


CMIND: Estamos vivendo um momento de avanço do pensamento conservador no Brasil. Isso está acontecendo, também, na música? Aliás, música e política são coisas que não se misturam?

BEL:
Política se mistura com tudo. Para mim, a música também. Vida é isso tudo junto. Acho que temos pensado cada vez mais sobre a forma como nos comunicamos, quebrando paradigmas, questionando, atuando no micro. Estamos assistindo o fim de muitas coisas e isso também é o início de muitas outras. Tem uma galera fazendo um som muito maravilhoso e desafiando isso tudo, principalmente nas músicas de periferia. No mais, a coisa está tão feia, que tenho me concentrado em ser sincera nas minhas ações, em respeitar as pessoas, em estar em sintonia com o que acredito.

***


Entrevista realizada pelo jornalista Saulo Andrade

Série de concertos gratuitos exalta mulheres da MPB

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