Clipe foi gravado em quatro pontos
diferentes do centro da cidade
"Não é sentado em um sofá,
num dia de domingo, que eu encontro a minha paz". A frase de ‘4 Pontos Cardeais’ —
novo single e clipe, de pegada pop e dançante, do cantor e compositor paulistano Gabrielz, resume a forma
particular pela qual cada artista encara o seu processo criativo. Inundados por
informação, o desafio da humanidade e de músicos como ele é extravasar o que se
sente, independentemente dos apelos por atenção das redes sociais e da vida
acelerada que levamos, atualmente.
Foto: Spotify
Tais fatores
atrapalham, de fato, quem prioriza trazer alguma mensagem ao público, na guerra
por atenção da Internet. Este é o caso de Gabrielz, que já deixou de escrever
pelo menos “algumas dezenas de músicas”, e hoje canaliza o que pode lhe
inspirar, ignorando o resto. “O lampejo da criatividade, às vezes, vem
como uma bomba de ideias que explode na cabeça. Transformá-lo em uma música
completa é algo que gera um valor para qualquer artista” - reflete.
Gravado em quatro diferentes pontos do centro de São
Paulo — em frente ao Theatro Municipal, na Ponte do Anhangabaú e dentro do Sesc
24 de Maio -, o clipe de ‘4 Pontos Cardeais’ se reflete numa música que
interage e se inspira no município. “Eu sempre amei a estética daqui. Impressiono-me
muito com a iluminação, o clima urbano, a correria, o grafitti e toda a multicultura
que a cidade oferece. Claro que eu estou considerando somente pontos conhecidos:
o que também me inspirou a compor a música ‘As Luzes dessa Noite’” — destaca.
Trajetória
Desde
pequeno, Gabrielz sempre gostou de música. Em seu acervo de família, constam fotos
dele, aos dois anos, empunhando um violão de brinquedo. “Quando eu era
criança, ficava me imaginando em clipes e inventando músicas no inglês ‘emblomation’” — lembra.
Entre
os 11 e os 14 anos, ele dividiu o amor pela música com o futebol. Fez algumas
peneiras, mas não passou — “o Corinthians perdeu um grande atacante” — brinca.
Repetiu a oitava série do primário: o que determinou o seu caminho de vez para
a música. “No ano seguinte, comecei a andar com a galera que curtia rock e era
meio excluída, na escola. Influenciado por esses amigos, comecei a tocar violão,
guitarra e segui na música até hoje”.
Chico Science. Foto: letras.mus.br
Dentre
suas principais influências, Gabrielz destaca que escuta “muita coisa mesmo,
sem restrição de gênero”. De Raul Seixas, passando por Chico Science; Chorão;
Layne Staley (Alice In Chains); Chris Cornell (Soundgarden, solo e Audioslave);
Eminem; Seu Jorge; Scott Weiland (Stone Temple Pilots e Velvet Revolver);
Marcelo D2; Rita Lee; Cássia Eller; Djavan; Lenine e muitos outros. “Posso
passar a tarde toda aqui, listando”.
Professor Anésio Azevedo busca ampliar e
experimentar expressões artísticas
Uma ideia que se transforma num conceito poético; uma pergunta ou uma
impressão sobre algo que encanta e o questionamento sobre como poderia ser
criada uma espécie de “narrativa sonora”. Estas são apenas algumas das etapas
criativas de todo músico que se preze. Com o professor de Filosofia, artista visual e multimídia, Anésio Azevedo, não é
diferente. No caso dele, tais processos se acrescentam ao início da fase de exploração de sons, baseada na
sua biblioteca de sintetizadores digitais, em experimentações voltadas ao audiovisual
e à música ambiente do seu mais recente projeto, o ‘stellatum_’, disponibilizado nas plataformas digitais.
Artista dedicado à sua obra, Azevedo leva horas explorando combinações
sonoras distintas e diversas dos sintetizadores. “É a parte mais importante e
demorada. Neste momento, busco por sons que ora se contrapõem, ora se
complementam” – ressalta o professor, que nunca sabe, na verdade, o resultado
estético que pode fluir dessas buscas:
Foto: arquivo do professor Anésio Azevedo
“É justamente o teor casual, aleatório, de distintas sonoridades, que me
fascina”.
Superadas essas etapas, Sinésio cria melodias e harmonias que, se não
entram na composição, poderão nutrir outras ideias futuramente. “Esse
momento é, talvez, o mais rigoroso, dado que é onde a estrutura da música se
desenvolve” - complementa.
Música ambiente
Para Anésio, a ideia de fazer música ambiente surgiu a partir de uma
tentativa de gravar paisagens sonoras e criar espaços para a escuta, com o
auxílio de tecnologias criativas.
Ele já possuía forte inclinação para a música dark ambient -que começou a investigar após ouvir
bandas como Agalloch e Abruptum -; além de trilhas sonoras de filmes, pelas
quais sempre foi apaixonado:
“De certo modo, comecei a me interessar por texturas sonoras ao começar
a ouvir Black Metal. Além disso, tenho fortes influências do Posthuman Tantra,
projeto musical de um grande amigo, o Ciberpajé Edgar Franco” (foto).
Foto: ciberpaje.blogspot
Audiovisual
Mineiro de Ituiutaba e residente em Votuporanga (SP),
Anésio Azevedo desenvolveu
suas pesquisas de mestrado e doutorado na Universidade de Brasília (UNB),
construindo, na capital federal, importantes amizades.
UNB. Foto: Bento Viana
Uma delas com o músico, DJ, regente e inventor Eufrasio Prates (foto), que
fundou e rege a Orquestra de Laptops de Brasília (BSBLOrk), da qual faz parte
desde 2020.
Foto: Youtube
O trabalho audiovisual do artista começou na qualificação de doutorado.
A ideia era evocar características sonoro-visuais do Cerrado, para um ambiente
criado a partir de uma categoria de linguagem que soma som e imagem.
Ele denominou a relação entre o ambiente criado e as paisagens locais
como “ambientes expandidos”, tocando ao vivo composições sonoras que serviam de
trilha para as vídeo-artes que criava, a partir de suas caminhadas. Neste
sentido, imagem e som se tornaram materiais essenciais nos trabalhos:
“A junção poética entre ambas me pareceu a melhor forma de ampliar a
imersão no ambiente que eu estava criando. Meu trabalho não pode ser dissociado
dessa prática artística”.
Desafios na música e na academia
Foto: IDMIL
Escutar não é o mesmo que ouvir. A escuta demanda uma postura ativa, de
acionar o sistema auditivo em relação ao universo dos sons, em toda sua
magnitude. Essa postura ativa talvez seja necessária em
outros estilos, como a música drone e a minimalista, das quais a
música ambiente é descendente direta.
Mas
afinal, quais são os desafios de se fazer essa categoria de arte — digamos, underground
—, no Brasil? Trata-se, para Azevedo, de uma “questão necessária e precisa”. O artista faz uma
reflexão acerca desse questionamento, citando um texto de 2016, denominado
“Existe uma indústria de heavy metal no Brasil?”, publicado no site da Overload, uma das maiores produtoras de
música do país. “Este trecho do texto faz um apontamento pertinente sobre a
música pesada, que poderia ser perfeitamente estendido para toda a indústria da
música nacional” — destaca:
(...) “A indústria da música pesada no
Brasil é ineficiente e defasada. Absolutamente todos os membros da cadeia não
funcionam como deveriam: mídia, gravadoras, produtoras, agências, bandas, etc.
O resultado é um público desinformado e desinteressado por novidades, bandas
medíocres, mídia inexpressiva e gravadoras inúteis”.
Na avaliação do artista, a análise da Overload é “muito contemporânea”. Ele destaca ainda que há uma
grande dificuldade na formação de um público que consome música ambiente e seus
derivados no Brasil. “Muitas pessoas tendem a associar esse estilo à "música zen”,
àquela música “boa”, para dormir. Quando dizem isso de minhas composições e de
artistas influentes em meu processo, por exemplo, sinto que as pessoas nem sequer se puseram a ter uma postura de escuta atenta e profunda” — questiona-se Sinésio,
que acredita na formação de um público para definir uma “cena”:
“Isso é fundamental! Outro fator importante é a junção de artistas em
torno de um motivo estético, uma mídia especializada e festivais. A América
Latina é um antro profícuo de música drone/ambient/noise/industrial. Temos, no
Brasil, ótimos artistas. Gente como Felipe Ayres, Carlos Ferreira e Bemônio.
Seria ótimo se a arte deles chegasse ainda mais a um público ávido por
novidade”.
Como professor de Filosofia, Anésio Azevedo busca fazer de sua prática
pedagógica uma continuidade de suas pesquisas artísticas. E tem conseguido resultado,
através do Grupo de Estudos e Pesquisas em Imersividade e Ambientes Expandidos
(GEPIAE), onde há alunos pesquisadores e a constante tentativa de emplacar
recursos financeiros para incentivar ainda mais novos pesquisadores:
“A Filosofia atravessa minhas reflexões e é uma ferramenta muito
apropriada para refletir sobre o mundo, a natureza e a arte de modo geral.
Às vezes, desanimo por conta dos recentes cortes na educação; mas vivemos um
dia de cada vez. Educar também é sobre lutar”.
Apresentações on-line
Nas etapas de composição em música ambiente, Anésio utiliza o Ableton
(DAW — digital audio workstations), para criar e arranjar as trilhas. Em seguida,
quando a mixagem está pronta, finaliza com um software de edição de som, o Adobe Audition, para a realização de
uma “pré-masterização”.
Atualmente, o artista mostra o seu trabalho apenas em formato on-line, com a BSBLOrk (vídeo). Por conta da pandemia de COVID-19, ele não se apresenta ao vivo desde 2019; “mas aceito convites” – prontifica-se.
Perto de completar dois anos de estrada, grupo apresenta seu primeiro trabalho autoral
Foto: Eduardo Prado
A Franciscos é uma banda da cidade de Itapeva (SP), que despontou recentemente com o lançamento do seu primeiro single: "Despedida".
Formada por Vinicius Oliveira (Vocais), Rodolfo Braga (Guitarra), Thalles Macedo (Contrabaixo) e Guilherme Gonçalves (Bateria), o grupo tem como influência variados artistas e bandas da música brasileira, como Los Hermanos, Paralamas do Sucesso, Skank, O Rappa, Seu Jorge, Erasmo Carlos, entre outros.
Como e quando surgiu a banda?
A banda surgiu como acontece com a maioria das outras bandas. Aquela coisa de amigos que se juntaram pra fazer um som e curtir. Quando vimos, a coisa já estava ficando "séria demais".
Qual a ideia por detrás do nome da banda?
O nome é uma homenagem a um amigo que temos em comum que foi o responsável por nos apresentar. Resolvemos dar o nome dele à banda. Daí o "Franciscos".
Vocês se enquadram em algum gênero musical especifico?
Dar rótulos a qualquer coisa não é uma tarefa fácil, quando se trata de você mesmo, parece que a coisa fica ainda mais difícil. Estamos num período onde estamos experimentando muitas coisas, fazendo testes, nos conhecendo. Estamos nos permitindo flertar com vários estilos, buscando encontrar nossa própria identidade.
Sobre o que fala a música "Despedida"?
A música foi composta pelo Rodolfo Braga (guitarrista), e ela fala de algo até certo ponto comum nos dias atuais, que são os relacionamentos, sejam eles amorosos ou de amizade, que se fortalecem muito no mundo virtual e não ganham a mesma força na vida real por qualquer motivo que seja, desde a incompatibilidade de momentos ou falta de reciprocidade. As coisas vão acontecendo devagar, se arrastando, até que acabam antes mesmo de terem existido.
Quais os planos daqui para o futuro?
A ideia é continuar compondo e gravando. Pensamos em lançar alguns singles com os quais já estamos trabalhando e, então, posteriormente, juntá-los em um EP ainda neste ano.