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sábado, 3 de setembro de 2022

"Palavras Marginais", de Vinícius Duran, ecoa grito de liberdade e sambas de raiz

Álbum conta com ritmos diversos e tem samba como matriz  


Primeiro disco do cantor, compositor e multi-instrumentista Vinícius Duran, “PalavrasMarginais” é feito de sambas com uma pegada de protesto, que rementem às letras de grandes nomes da Música Popular Brasileira – como Chico Buarque -, nos tempos da ditadura. Genuinamente “alegre” - no álbum -, o gênero musical dialoga com temáticas sérias e tristes da atual realidade brasileira, no que pode ser considerada uma importante declaração poética, de resistência da música de raiz e de nossas tradições culturais.   

 

Foto: Luan Cardoso

Para Vinícius, “o samba tem conexões profundas com as nossas festas, dores e lutas”. A música conta a história de seu povo. E o samba, em especial, no decorrer dela, foi duramente reprimido. Os relatos de sambistas mais antigos sobre a truculência policial contra eles, no período da ditadura, são, de fato, chocantes:



Divulgação


 

Existem outros; alguns mais alegres, outros nem tanto. Há uma canção emblemática, de São Paulo, “Silêncio Bixiga”, de Geraldo Filme, em que o compositor faz uma homenagem ao Pato n’Água, sambista executado pela polícia, num desses confrontos dos anos de chumbo”.

 

A nossa bandeira jamais será vermelha (?)

 

“Bandeira Vermelha” é uma música que chama atenção, no álbum de Vinícius. Na letra, ele faz uma provocação, no sentido de quem apoia políticas de extermínio, que destroem a vida do trabalhador e ecoa a frase – “a nossa bandeira jamais será vermelha!”. Aliás, há uma tese que diz que, na verdade, a bandeira brasileira deveria ser vermelha, por conta do pau Brasil e do sangue derramado, no decorrer da nossa história.




 

“Ainda estamos longe de nos livrar da herança maldita da escravidão. A gente ainda divide a sociedade em um grupo pelo qual temos empatia e outro que pode passar por todo o tipo de abuso, sem sequer ser notado, sem gerar uma grama de revolta. É como eu digo no samba: a nossa bandeira é vermelha, sim: vermelha de sangue” - reflete o músico.

 

Estrada a percorrer

 

Vinícius Duran está chegando agora e percebe que ainda é cedo para se falar em boicote - a despeito do tradicional pouco espaço destinado a artistas independentes, que elaboram letras mais “ousadas”, como as dele. Isso porque tudo gira em torno de anúncios pagos por empresas, como em qualquer outra indústria:

 

“O lado bom é que hoje os artistas independentes têm muitos veículos alternativos, que podem acolher o seu trabalho e contribuir na divulgação de suas ideias. Aliás, obrigado pelo espaço! ”.  

 

Obrigado a você, Vinícius!


Ouça “Palavras Marginais”: https://tratore.ffm.to/palavras_marginais 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Samba e rock na sonoridade de Pedro Gama

Foto: Zeca Vieira


Unindo a boemia do samba com a energia do rock, o cantor e compositor Pedro Gama é uma das novas e promissoras vozes da música brasileira. Sua experiência nas noites cariocas o tornou um morador da boemia. Isso se reflete nas canções do seu EP de estreia em carreira solo, “Condôminos”, que traz músicas influenciadas pelo rock e o samba de raiz, com letras sinceras e cotidianas.  Ao ouvir as composições de Gama, é como se a batucada e a distorção saíssem para dançar na noite e encontrassem a psicodelia e o erudito.

O trabalho de estreia do projeto solo de Pedro Gama aborda o glamour e a paradoxal decadência da vida boêmia, onde o autor busca demonstrar suas emoções com um som forte que decanta seus impulsos mais intensos sobre as perturbações do mundo. O EP “Condôminos” é a coletânea de músicas surgidas em meio a encontros no bar Imperatriz, embaixo do poste com numeração 15 (daí o nome da segunda faixa do disco, a "Poste XV"), ou em aulas de Sociologia e Ciência Política (é o caso da canção “Espelho”), como também canções antigas, (“Retratos de um Condômino da Boemia”) que ajudaram a nomear o trabalho:

“A música já existia antes de pensar no nome do EP, mas ele só fez sentido quando minha companheira me falou do seu tema no mestrado, que era, em suma, condomínios. Aí para mim fez sentido o ‘condômino’ da boemia ser aquele que habita os espaços tidos como boêmios”, explica Pedro Gama.

As influências de  Pedro Gama vêm de grandes clássicos do samba carioca, como Candeia, sem deixar de lado a identificação com a MPB de Sérgio Sampaio e Jards Macalé, o tropicalismo e a psicodelia brasileira dos anos 70. A vida livre que o levou à música, também trilhou o caminho que o encaminhou para apresentar-se em importantes palcos, como o show no Centro da Música Carioca Artur da Távola; a apresentação no Canecão e no MinC, durante a ocupação; e apresentação na Lona Cultural João Bosco.

Produzido de forma independente, o EP traz direção musical de Fafá Oliveira, com gravação, mixagem e masterização por Bruno Sanson (do Sanson Studio). Pedro Gama (voz e saxofone) é acompanhado nas apresentações ao vivo por Fafá Oliveira (baixo), Arthur Moreno (percussão), Gabriel Diniz (guitarra) e Paulo Cioli (violão).

Ouça “Condôminos”:

Google Play: https://goo.gl/WvvMpB
Apple Music : https://goo.gl/wII1gN

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