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| Foto: Flávio Charchar/divulgação |
Diretamente da efervescente cena independente de Belo Horizonte, a banda Naturezautomatica surge como um dos projetos mais instigantes a brotar no solo mineiro, em 2025. Unindo músicos experientes vindos de grupos como 4Instrumental, Cães do Cerrado, Jota Quércia e RU NA, o quarteto propõe uma ruptura com seus passados musicais para investigar as angústias de uma era marcada pelo "antropoceno tecnológico".
Formada por André “Pepo” Persechini (voz e violão), Leo Bryan (baixo), Raul Lanari (bateria e vocais) e Tiago Sales (guitarra e vocais), a banda constrói um universo lírico focado no embate entre o fim das utopias e a resistência do desejo pelo futuro. Sonoramente, o grupo funde a tradição brasileira — com toques de triângulo de baião e a pulsação da viola caipira — a texturas de guitarras distorcidas e compassos atmosféricos.
Tecnofascismo
O novo single da banda, intitulado “VEM!”, funciona como um jingle irônico, que resgata a nostalgia dos primórdios da rede mundial de computadores. A letra remete à época em que o acesso era medido em pulsos telefônicos, pós-meia-noite, contrastando com o atual bombardeio de dados.
O videoclipe, assinado por André Persechini, traduz visualmente esse caos. Através de uma enxurrada de memes e cores, a obra narra a transição da internet como promessa de liberdade para a sua atual assimilação pelas Big Techs. Segundo Persechini, a ideia foi registrar essa jornada:
"Desde seu início como promessa utópica de acesso universal à informação, até sua eventual assimilação pela lógica necroliberal do tecno fascismo das bigtechs.”
Com produção de Fernando Bones, a faixa é o abre-alas de um EP que terá seus próximos capítulos revelados ao longo de 2026. O registro completo promete consolidar a identidade de um grupo que, embora beba em fontes globais, mantém os pés firmes na experimentação brasileira e o olhar atento às contradições do mundo moderno.

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