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| Fotos: reprodução/redes sociais |
O último acorde do capitão da Pompeia. O rock brasileiro perdeu, nesta quinta-feira (7), o homem que deu voz melódica às cordas de aço e transformou o gênero em uma linguagem autenticamente nacional. Luiz Carlini, ícone da guitarra, compositor e diretor musical, faleceu aos 73 anos no Hospital Metropolitano, em São Paulo. A notícia, que deixa um vácuo na história da nossa música, foi confirmada por seu filho, Roy Carlini, e posteriormente oficializada pela família, em nota, nas redes sociais.
Carlini estava em plena atividade, acompanhando a turnê "50 Anos-Luz", de Guilherme Arantes, quando foi interrompido por um quadro infeccioso em abril. Sua partida encerra um ciclo iniciado no bairro da Pompeia, o "Liverpool brasileiro", de onde ele saiu para moldar a sonoridade de uma era.
Estrelato
Nascido em 1952, Carlini não apenas assistiu à revolução; ele a calibrou. Começou como roadie dos Mutantes, observando de perto o experimentalismo de Sergio Dias. Mas foi em 1973, ao fundar a banda Tutti Frutti, que ele encontrou sua missão: ser a espinha dorsal da fase mais visceral de Rita Lee.
Ao lado da Rainha do Rock, lapidou obras-primas como Fruto Proibido (1975), considerado por muitos a certidão de nascimento do rock brasileiro moderno; Entradas e Bandeiras (1976), onde sua guitarra ditava o ritmo da liberdade pós-tropicalista.
Mais do que um instrumentista, Carlini foi o artesão por trás de hinos. É dele a assinatura composicional em clássicos como "Agora Só Falta Você" e "Que Loucura".
"Ovelha Negra"
Se o rock brasileiro tivesse um DNA sonoro, ele estaria nos minutos finais de "Ovelha Negra". O solo de guitarra mais icônico do país — e talvez o mais analisado por acadêmicos e fãs —, quase não existiu.
Reza a lenda (confirmada pelo próprio músico no documentário sobre sua vida) que Carlini sonhou com a melodia. A produção da época considerava a balada finalizada, mas Luiz insistiu. Com uma Gibson Les Paul Deluxe de 1968, comprada por acaso nas ruas do Rio de Janeiro, ele gravou o solo em um único take.
Legado
A versatilidade de Carlini o levou a colaborar com gigantes como Erasmo Carlos e a integrar o Camisa de Vênus, nos anos 90. Sua relevância foi selada em 2012, quando a Rolling Stone Brasil o elegeu um dos 30 maiores guitarristas da história do país.
Recentemente, em 2023, sua trajetória foi imortalizada no documentário "Luiz Carlini – Guitarrista de Rock". No filme, nomes como Pepeu Gomes, Frejat e Andreas Kisser prestam reverência ao homem que fez a ponte entre a psicodelia dos anos 60 e o hard rock que dominaria as décadas seguintes.


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