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| Foto: Bob Wolfenson/reprodução (Instagram) |
Ecos da Bossa. Após passar a infância e a adolescência resistindo à ideia de seguir os passos do pai, Loulu Gilberto (nome artístico de Luisa Carolina Gilberto) lança seu álbum de estreia, mergulhando profundamente nas raízes musicais da Bossa Nova e da era de ouro do rádio. O trabalho é uma celebração e um resgate íntimo da convivência com João Gilberto, um dos maiores ícones da música mundial, falecido em 2019.
O projeto nasceu do desejo de Loulu de homenagear a memória paterna, através de canções que marcaram a infância dela. O repertório é composto por músicas das décadas de 1930, 1940 e 1950, que João costumava cantar em casa. Entre as 12 faixas do álbum lançado pela Sony, destaca-se "O amor nos encontrou", uma composição de Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli, que João Gilberto cantava como cantiga de ninar para a filha e que ganha agora seu primeiro registro oficial.
No início, a trajetória de Luísa na música foi cercada de hesitação. Em entrevista ao jornal "O Globo" deste sábado (23), o violonista e professor Cezar Mendes relembra que, quando ela tinha cerca de 13 anos, João Gilberto a levou para ter aulas de violão, prevendo o talento da filha. João chegou a dizer que se tratava da "maior cantora do mundo". Adestrada pelo pai, as "divisões do canto" de Loulu, de acordo com Mendes, "são muito parecidas" com as do pai.
Apesar de ter relutado durante anos e focado inicialmente nos estudos de cinema e teatro, a herança musical acabou falando mais alto. Com o incentivo de nomes como o próprio Cezar Mendes, o músico Mario Adnet e a jornalista Cláudia Faisol, Loulu superou o receio e aceitou o desafio de soltar a voz. O produtor Mario Adnet destaca que ela possui um timbre bonito e uma divisão rítmica sofisticada, características que remetem diretamente à suavidade e precisão de Astrud Gilberto, primeira esposa de João.
O álbum conta com arranjos sofisticados que resgatam clássicos como "Manias" (Flávio Cavalcanti e Celso Cavalcanti), "Beija-me" (Mário Rossi e Roberto Martins) e composições de Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto. A obra fecha com uma junção afetiva de duas faixas, gravadas de forma caseira por João Gilberto para a filha na infância.
Com este lançamento, Loulu Gilberto não apenas preserva um acervo afetivo e inédito, mas também assume seu lugar na cena musical brasileira, transformando o "eco da voz paterna" em uma identidade artística própria e autêntica.
*Com informações do jornal "O Globo".

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