terça-feira, 14 de abril de 2026

Pulso da resistência na Barra, Espaço Tápias transforma aniversário em manifesto artístico

 

Foto: Divulgação

Com maratona gratuita e foco no fomento autoral, centro cultural celebra quatro anos se reafirmando como refúgio para a cena independente carioca

No ecossistema cultural do Rio, onde espaços independentes lutam diariamente para manter as luzes acesas, o Espaço Tápias surge não apenas como um sobrevivente, mas como um protagonista. Sob a batuta da coreógrafa Flávia Tápias, o centro fincado na Barra da Tijuca, zona Oeste do Rio, prepara uma celebração que vai muito além do "parabéns". Nos dias 29 e 30 de abril, quarta e quinta, a casa promove uma imersão gratuita que une o Dia Internacional da Dança ao seu quarto ano de estrada, provando que o movimento, quando compartilhado, é a melhor forma de resistência.

O formato Open House, escolhido para a ocasião, é um convite ao desapego da poltrona. Das 9h às 22h, o endereço na Armando Lombardi vira um caldeirão de experimentação sonora e corporal. É música que vira gesto, é corpo que vira ritmo. A grade é um prato cheio para quem busca diversidade: tem a disciplina do Ballet, o magnetismo do Flamenco e a batida do K-pop. No Tápias, a ideia é que o público seja atravessado pela arte, quebrando a barreira invisível entre o palco e a plateia.

Conexão

A curadoria de Flávia Tápias entende que arte não tem validade, nem "cercadinho". A programação é um abraço geracional. Enquanto os pequenos se perdem no lúdico das aulas de Circo e Jazz Infantil, o pessoal da Dança 50+ mostra que a experiência traz uma cadência única ao movimento. Há ainda um olhar sensível para o fortalecimento de vínculos, em aulas compartilhadas entre pais e filhos, reforçando que a dança é, essencialmente, uma linguagem de afeto e presença.

Fomento


Flávia Tápias (foto: Rodrigo Ferraz)

Para quem respira a cena independente, o grande trunfo do Tápias está nos bastidores. O espaço não é apenas um palco, mas um laboratório. Ao ceder salas de ensaio para grupos sem teto e manter editais abertos para a Sala Maria Thereza Tápias, o centro atua como um pulmão para artistas autorais que precisam de oxigênio para criar. É o fomento real, aquele que entende as dores da produção independente e oferece o solo fértil necessário para a circulação de novas obras na cidade.

Em quatro anos de trajetória, o local consolidou-se como um dos núcleos mais pulsantes da produção carioca. É o Rio de Janeiro mostrando sua face mais vibrante, provando que, mesmo em tempos complexos, a arte independente segue encontrando frestas para brilhar e convidar todo mundo para a roda.

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