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| Foto: Divulgação |
Com maratona gratuita e foco no fomento autoral, centro
cultural celebra quatro anos se reafirmando como refúgio para a cena
independente carioca
No ecossistema cultural do Rio, onde espaços independentes
lutam diariamente para manter as luzes acesas, o Espaço Tápias surge não apenas
como um sobrevivente, mas como um protagonista. Sob a batuta da coreógrafa
Flávia Tápias, o centro fincado na Barra da Tijuca, zona Oeste do Rio, prepara
uma celebração que vai muito além do "parabéns". Nos dias 29 e 30 de
abril, quarta e quinta, a casa promove uma imersão gratuita que une o Dia
Internacional da Dança ao seu quarto ano de estrada, provando que o movimento,
quando compartilhado, é a melhor forma de resistência.
O formato Open House, escolhido para a ocasião, é um
convite ao desapego da poltrona. Das 9h às 22h, o endereço na Armando Lombardi
vira um caldeirão de experimentação sonora e corporal. É música que vira gesto,
é corpo que vira ritmo. A grade é um prato cheio para quem busca diversidade:
tem a disciplina do Ballet, o magnetismo do Flamenco e a batida do K-pop. No
Tápias, a ideia é que o público seja atravessado pela arte, quebrando a
barreira invisível entre o palco e a plateia.
Conexão
A curadoria de Flávia Tápias entende que arte não tem
validade, nem "cercadinho". A programação é um abraço geracional.
Enquanto os pequenos se perdem no lúdico das aulas de Circo e Jazz Infantil, o
pessoal da Dança 50+ mostra que a experiência traz uma cadência única ao
movimento. Há ainda um olhar sensível para o fortalecimento de vínculos, em
aulas compartilhadas entre pais e filhos, reforçando que a dança é,
essencialmente, uma linguagem de afeto e presença.
Fomento
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| Flávia Tápias (foto: Rodrigo Ferraz) |
Para quem respira a cena independente, o grande trunfo do
Tápias está nos bastidores. O espaço não é apenas um palco, mas um laboratório.
Ao ceder salas de ensaio para grupos sem teto e manter editais abertos para a
Sala Maria Thereza Tápias, o centro atua como um pulmão para artistas autorais
que precisam de oxigênio para criar. É o fomento real, aquele que entende as
dores da produção independente e oferece o solo fértil necessário para a
circulação de novas obras na cidade.
Em quatro anos de trajetória, o local consolidou-se como um
dos núcleos mais pulsantes da produção carioca. É o Rio de Janeiro mostrando
sua face mais vibrante, provando que, mesmo em tempos complexos, a arte
independente segue encontrando frestas para brilhar e convidar todo mundo para
a roda.


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