Artista antecipa o álbum Além da Pele com faixa inspirada
na zamba e marcada por arranjos de sopro hipnóticos
O que acontece quando o samba brasileiro encontra a zamba
argentina? Para a cantora, compositora e produtora Mari Romano, essa descoberta
ocorreu durante uma temporada vivendo no país vizinho. Fascinada pelo ritmo
folclórico popularizado por ícones como Mercedes Sosa, Mari deu vida a “Sentimento
e Nada”, o novo single que pavimenta o caminho para seu próximo disco, Além
da Pele.
A faixa é uma experiência polirrítmica que funde o rústico
ao sofisticado. Enquanto a letra reflete sobre a modernidade — sob influência
das obras do documentarista Adam Curtis —, a sonoridade se expande em uma
atmosfera meditativa, comparada pela artista ao balanço contínuo de um barco.
Ouça “Sentimento e Nada”: http://tratore.ffm.to/sentimentoenada
A força dos arranjos
O grande destaque da canção surge em sua reta final: um
longo trecho instrumental onde Mari brilha como arranjadora. Ela assina todos
os sopros do álbum, e nesta faixa o trabalho ganha contornos épicos com a
participação do trio Copacabana Horns (músicos que acompanham lendas como
Caetano Veloso e Maria Bethânia) e de Aline Gonçalves.
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| Design: Sophia Poole |
A construção é progressiva, somando camadas de sax tenor,
trompete, trombone, clarinete e flauta transversa sobre a bateria de Jeremy
Gustin. O resultado é um jogo de vozes e contrapontos que convida o ouvinte a
permanecer no fluxo, sem pressa para o fim.
Um mosaico sonoro
“Sentimento e Nada” dá sequência a uma série de lançamentos
que revelam as múltiplas facetas de Mari Romano. No mosaico de Além da Pele,
a artista já apresentou:
- “Mosquito”:
Sua primeira incursão no inglês com uma pegada soturna. Ouça aqui.
- “Maluco
da Retronoia”: Uma exploração de estados emocionais urbanos. Ouça aqui.
- “Tudo
Errado”: Mais uma peça desse quebra-cabeça sonoro. Ouça
aqui.
Com mixagem de Angelo Wolf e um time de músicos de peso,
Mari Romano consolida-se como uma das mentes mais inventivas da nova cena,
provando que a música, em sua melhor forma, não conhece fronteiras.
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