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Foto: Daniel Ramos
Por Saulo
Andrade e Tati Martins
De acordo com o
senso comum das redes sociais e da opinião pública musical, ser um artista “pop”
que frequenta o topo das paradas carrega um estigma injusto de
superficialidade. Mas o sucesso comercial não precisa, necessariamente, ser
inimigo do bom conteúdo artístico. Prova disso é o cantor norte-americano Bruno
Mars. Nascido no Havaí, em 8 de outubro de 1985, Peter Gene Hernandez (nome verdadeiro
de Bruno) transforma sua plataforma global num constante laboratório de experimentação.
Trata-se de um dos raros artistas que une a técnica rigorosa de um
multi-instrumentista à ousadia de quem não tem medo de se aventurar em novos
gêneros musicais.
Diferentemente
de muitos ícones de sua geração, ‘Bruninho’ – como é carinhosamente chamado pelos
fãs brasileiros – é um músico completo no sentido mais clássico do termo. Quem
o assiste dominando a conga, a guitarra ou o piano em seus shows entende que o
brilho dele não vem apenas de uma produção impecável, mas de um conhecimento
profundo da estrutura musical. Tal técnica é o que permite que Bruno transite,
com naturalidade, entre o R&B, o funk americano, o soul setentista do
projeto Silk Sonic e, agora, as texturas latinas de “The Romantic” (2026), seu
mais recente álbum.
Ousadia
A carreira de Bruno Mars sempre foi pautada por movimentos arriscados. Por exemplo,
enquanto o mercado fonográfico exigia algo que o pudesse colocar numa “caixinha”,
ele entregou 24K Magic (2016), mesclando pop, swingbeat, R&B e funk. Produzido
há 10 anos, este disco foi o último solo, antes de “The Romantic”.
No novo
trabalho, o artista mergulhou em suas raízes e na riqueza rítmica da América
Latina (seu pai, Peter Hernandez, um percussionista nascido em Nova York, é de
origem porto-riquenha). O grande destaque de “The Romantic” é a faixa Risk It All.
Nela, Bruno não apenas flerta com a latinidade. Abraça-a com respeito e
autenticidade, ao incorporar elementos do bolero e do mariachi mexicano. Outra música
com pegada latina contagiante é Cha Cha Cha. Como o próprio nome diz, Bruno convida
seu público a bailar o cha cha cha com ele, provando que sua arte é transcendental.

Foto: Daniel Ramos
Aos críticos
que ainda "viram o nariz" para o artista por sua onipresença na mídia,
vale um olhar mais atento às camadas de sua discografia. Bruno Mars é um
curador de épocas: estuda o passado para ditar o futuro. Sua capacidade de se
reinventar — seja colaborando com Lady Gaga no hit "Die With A Smile"
ou explorando o soft soul — revela um artista que não está apenas
seguindo tendências, mas construindo um legado de longevidade.
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