domingo, 19 de abril de 2026

Camaleão do mainstream, Bruno Mars rege a própria evolução

Foto: Daniel Ramos 



Por Saulo Andrade e Tati Martins

De acordo com o senso comum das redes sociais e da opinião pública musical, ser um artista “pop” que frequenta o topo das paradas carrega um estigma injusto de superficialidade. Mas o sucesso comercial não precisa, necessariamente, ser inimigo do bom conteúdo artístico. Prova disso é o cantor norte-americano Bruno Mars. Nascido no Havaí, em 8 de outubro de 1985, Peter Gene Hernandez (nome verdadeiro de Bruno) transforma sua plataforma global num constante laboratório de experimentação. Trata-se de um dos raros artistas que une a técnica rigorosa de um multi-instrumentista à ousadia de quem não tem medo de se aventurar em novos gêneros musicais.

Diferentemente de muitos ícones de sua geração, ‘Bruninho’ – como é carinhosamente chamado pelos fãs brasileiros – é um músico completo no sentido mais clássico do termo. Quem o assiste dominando a conga, a guitarra ou o piano em seus shows entende que o brilho dele não vem apenas de uma produção impecável, mas de um conhecimento profundo da estrutura musical. Tal técnica é o que permite que Bruno transite, com naturalidade, entre o R&B, o funk americano, o soul setentista do projeto Silk Sonic e, agora, as texturas latinas de “The Romantic” (2026), seu mais recente álbum.

Ousadia


A carreira de Bruno Mars sempre foi pautada por movimentos arriscados. Por exemplo, enquanto o mercado fonográfico exigia algo que o pudesse colocar numa “caixinha”, ele entregou 24K Magic (2016), mesclando pop, swingbeat, R&B e funk. Produzido há 10 anos, este disco foi o último solo, antes de “The Romantic”.

No novo trabalho, o artista mergulhou em suas raízes e na riqueza rítmica da América Latina (seu pai, Peter Hernandez, um percussionista nascido em Nova York, é de origem porto-riquenha). O grande destaque de “The Romantic” é a faixa Risk It All. Nela, Bruno não apenas flerta com a latinidade. Abraça-a com respeito e autenticidade, ao incorporar elementos do bolero e do mariachi mexicano. Outra música com pegada latina contagiante é Cha Cha Cha. Como o próprio nome diz, Bruno convida seu público a bailar o cha cha cha com ele, provando que sua arte é transcendental.


Foto: Daniel Ramos 

Aos críticos que ainda "viram o nariz" para o artista por sua onipresença na mídia, vale um olhar mais atento às camadas de sua discografia. Bruno Mars é um curador de épocas: estuda o passado para ditar o futuro. Sua capacidade de se reinventar — seja colaborando com Lady Gaga no hit "Die With A Smile" ou explorando o soft soul — revela um artista que não está apenas seguindo tendências, mas construindo um legado de longevidade.

Até aqui, não se trata apenas um cantor de sucessos passageiros. É um mestre de cerimônias da música global, que compreende que o entretenimento e a alta qualidade técnica podem, sim, caminhar de mãos dadas. Com "The Romantic", reafirma-se uma jornada pautada pela liberdade e pelo prazer das novas descobertas, mantendo-se como uma das figuras mais importantes e corajosas da cultura mundial.

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