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| Foto: divulgação/redes sociais |
Com novo trabalho a caminho e pé na estrada, banda resgata a fúria dos anos 80 para combater o "atraso social"
Apesar de ser um dos berços de grandes nomes da música brasileira, Niterói (RJ)
não é uma Cidade Sorriso para quem faz música de guerrilha, “na raça”. É o que
avalia o vocalista da banda Recuse Resista, Victor Rocha, que, num contexto de
resistência – territorial e política – consolida o nome do grupo como uma das
vozes mais viscerais do punk rock fluminense atual.
A história da Recuse Resista é indissociável à da Nardones,
banda de horror punk que marcou a cena local, em meados dos anos 2010. Após um
longo período de hiato, forçado pela falta de um baterista, os integrantes
Ricardo, Luíza e Daniel (todos ex-Nardones) viram no encontro com o baterista
Marcos a oportunidade não apenas de voltar a tocar, mas de fundar algo novo.
"O Ricardo já tinha umas letras de protesto escritas e
aquela vontade de botar pra fora tudo o que vinha acontecendo na política
brasileira", revela Rocha, referindo-se ao governo de extrema direita que
vigorou entre 2019 a 2022. A decisão foi estratégica: deixar a Nardones
"dormindo" e começar do zero, sem anúncios grandiosos em redes
sociais, focando na construção de um projeto paralelo, que respondesse à
urgência do momento atual.
Veemência
O som da Recuse Resista não pede licença: bebe diretamente
da fonte do punk raiz do final dos anos 70 e início dos 80, utilizando a
música como arma contra a desinformação e as fake news.
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| Victor Rocha Foto @diasphotograph |
"O principal que essas pessoas propagadoras de
notícias falsas trazem é o atraso da sociedade, do pensamento comum. Eles
buscam sempre o antigo, o tradicional. Querem voltar àquelas mesmas regras morais,
que eram imorais", desabafa o artista, referindo-se ao conservadorismo e à
manipulação do povo.
Para Victor Rocha, que também é design e cineasta, o punk
rock é o veículo ideal para uma mensagem "crua e pesada", capaz de
atingir o público com a velocidade que o combate ao retrocesso exige.
O Desafio do Palco Autoral
Apesar do reconhecimento nacional — o grupo faz parte de uma
rede solidária com bandas como 808 Punks, Repressão Social e Boa
Noite Cinderela —, tocar em casa ainda é um desafio. Em Niterói, a banda
aponta uma carência crítica de espaços para o som autoral e independente.
"Normalmente, você tem que fazer o seu próprio evento,
tirar do bolso para custear equipamento. O cover tem sempre uma visibilidade
maior, porque a pessoa está ali para ouvir o que já conhece", explica o
cineasta. Enquanto os palcos de Niterói muitas vezes privilegiam o samba e o
choro, o rock agressivo da Recuse Resista encontra mais facilidade de
circulação em pontos tradicionais do Rio, como a Rua Ceará.
"Evangelistão"
O próximo passo da banda já tem nome: o EP "Evangelistão".
Com quatro faixas inéditas, o trabalho promete aprofundar a crítica social que
é marca registrada do grupo. Embora o financiamento para gravações de alta
fidelidade ainda seja um obstáculo para novas composições, a agenda de shows
segue pulsante.
Com apresentações previstas para os próximos meses,
incluindo uma data aguardada no Centro Cultural Cauby Peixoto, no Fonseca, Zona
Norte de Niterói, a Recuse Resista prova que, mesmo sem o apoio da mídia
corporativa, o punk rock de protesto segue firme, provando que a união entre as
bandas antifascistas é o que mantém a chama acesa.
Acompanhe as datas e lançamentos da banda no Instagram
oficial: @recuse_resista_punkrock


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