domingo, 19 de abril de 2026

Recuse Resista lança EP Evangelistão e questiona falta de palcos em Niterói

 

Foto: divulgação/redes sociais

Com novo trabalho a caminho e pé na estrada, banda resgata a fúria dos anos 80 para combater o "atraso social"


Apesar de ser um dos berços de grandes nomes da música brasileira, Niterói (RJ) não é uma Cidade Sorriso para quem faz música de guerrilha, “na raça”. É o que avalia o vocalista da banda Recuse Resista, Victor Rocha, que, num contexto de resistência – territorial e política – consolida o nome do grupo como uma das vozes mais viscerais do punk rock fluminense atual.

A história da Recuse Resista é indissociável à da Nardones, banda de horror punk que marcou a cena local, em meados dos anos 2010. Após um longo período de hiato, forçado pela falta de um baterista, os integrantes Ricardo, Luíza e Daniel (todos ex-Nardones) viram no encontro com o baterista Marcos a oportunidade não apenas de voltar a tocar, mas de fundar algo novo.

"O Ricardo já tinha umas letras de protesto escritas e aquela vontade de botar pra fora tudo o que vinha acontecendo na política brasileira", revela Rocha, referindo-se ao governo de extrema direita que vigorou entre 2019 a 2022. A decisão foi estratégica: deixar a Nardones "dormindo" e começar do zero, sem anúncios grandiosos em redes sociais, focando na construção de um projeto paralelo, que respondesse à urgência do momento atual.

Veemência

O som da Recuse Resista não pede licença: bebe diretamente da fonte do punk raiz do final dos anos 70 e início dos 80, utilizando a música como arma contra a desinformação e as fake news.


Victor Rocha Foto @diasphotograph

"O principal que essas pessoas propagadoras de notícias falsas trazem é o atraso da sociedade, do pensamento comum. Eles buscam sempre o antigo, o tradicional. Querem voltar àquelas mesmas regras morais, que eram imorais", desabafa o artista, referindo-se ao conservadorismo e à manipulação do povo.

Para Victor Rocha, que também é design e cineasta, o punk rock é o veículo ideal para uma mensagem "crua e pesada", capaz de atingir o público com a velocidade que o combate ao retrocesso exige.

O Desafio do Palco Autoral

Apesar do reconhecimento nacional — o grupo faz parte de uma rede solidária com bandas como 808 Punks, Repressão Social e Boa Noite Cinderela —, tocar em casa ainda é um desafio. Em Niterói, a banda aponta uma carência crítica de espaços para o som autoral e independente.

"Normalmente, você tem que fazer o seu próprio evento, tirar do bolso para custear equipamento. O cover tem sempre uma visibilidade maior, porque a pessoa está ali para ouvir o que já conhece", explica o cineasta. Enquanto os palcos de Niterói muitas vezes privilegiam o samba e o choro, o rock agressivo da Recuse Resista encontra mais facilidade de circulação em pontos tradicionais do Rio, como a Rua Ceará.

"Evangelistão"

O próximo passo da banda já tem nome: o EP "Evangelistão". Com quatro faixas inéditas, o trabalho promete aprofundar a crítica social que é marca registrada do grupo. Embora o financiamento para gravações de alta fidelidade ainda seja um obstáculo para novas composições, a agenda de shows segue pulsante.

Com apresentações previstas para os próximos meses, incluindo uma data aguardada no Centro Cultural Cauby Peixoto, no Fonseca, Zona Norte de Niterói, a Recuse Resista prova que, mesmo sem o apoio da mídia corporativa, o punk rock de protesto segue firme, provando que a união entre as bandas antifascistas é o que mantém a chama acesa.

Acompanhe as datas e lançamentos da banda no Instagram oficial: @recuse_resista_punkrock

 

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