quinta-feira, 23 de abril de 2026

Legado de Carlos Gomes une ancestralidade e arte lírica na Sala Cecília Meireles

Fotos: divulgação

 

Em espetáculo inédito que une ópera e balé, o diretor e tenor Fernando Portari destaca a "genuína brasilidade" do compositor que conquistou a Europa e colocou a figura do indígena no panteão dos grandes heróis da humanidade


Por Saulo Andrade

No mês em que se celebram os Povos Indígenas e os 190 anos de nascimento de Carlos Gomes, a Companhia de Ópera da Lapa apresenta o espetáculo “Carlos Gomes, O Selvagem da Ópera”. Sob a direção do renomado tenor Fernando Portari, a montagem — que acontece na sexta-feira (24), na Sala Cecília Meireles — promete ser mais que um concerto: uma imersão profunda na identidade sonora do Brasil.

Para Portari, o compromisso da obra é evocar a ancestralidade presente no povo brasileiro. "Não poderíamos ser mais felizes com esse legado de Gomes, que coloca a figura do indígena Pery e sua cultura no centro dos grandes heróis da humanidade", afirma o diretor do espetáculo, acrescentando que melodias icônicas de “O Guarani”, como o dueto de Pery e Ceci, são "células da mais pura expressão da música popular brasileira".

Trajetória

Embora O Guarani seja a peça central por seu simbolismo, a peça explora a versatilidade de um compositor que não teve medo de ousar. Portari destaca a inclusão de trechos de “Fosca”, obra influenciada pelo germanismo de Wagner, além do oratório Colombo, uma de suas últimas composições. "(Ela) conta a aventura épica do grande navegador Genoves, ao chegar às Américas. Gomes avança em sua escrita e usa os recursos do verismo, que já dominava o grande repertório italiano. Era definitivamente um homem destemido, que não se prendeu a seu tempo e se aventurou pelas novas linguagens com absoluta mestria”, detalha o tenor. 



A complexidade técnica das obras exige um elenco de excelência. O espetáculo contará com solistas como Michele Menezes, Marianna Lima, Ivan Jorgensen, Marcelo Coutinho, Flávio Mello e Pedro Olivero. Segundo o diretor, as vozes foram escolhidas pela capacidade dramática e timbres variados, criando uma experiência de "amplas e diversas sonoridades" sobre a base harmônica delicada do Quinteto de Cordas da Orquestra Jovem do Rio e da pianista Eliara Puggina.

Dança e Ópera

Um dos momentos mais aguardados é a participação dos primeiros bailarinos do Theatro Municipal, Márcia Jaqueline e Rodrigo Hesmermeyer. Eles interpretarão o pas de deux “Baccanale Indiano”, com uma coreografia criada especialmente para a ocasião, evocando a tensão de Pery e Ceci, capturados pelos índios Aymorés.

"Será uma epifania", entusiasma-se Portari. "É na ópera que todas as artes se fundem — música, canto, dança e teatro — para criar esse turbilhão de emoções".

O palco escolhido não poderia ser outro: a Sala Cecília Meireles. "Espaço ideal para apreciar as filigranas da voz humana. Proporciona uma sonoridade generosa e íntima, permitindo uma imersão profunda no universo lírico", conclui o diretor.

SERVIÇO:

Espetáculo: “Carlos Gomes, O Selvagem da Ópera”

Data: 24 de abril

Local: Sala Cecília Meireles (Largo da Lapa, 47)

Horário: 19h

Ingressos: R$ 40 (inteira) / R$ 20 (meia)

Classificação: Livre

Duração: 1h30

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