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| Fotos: divulgação |
Em espetáculo inédito que une ópera e balé, o diretor e tenor Fernando Portari destaca a "genuína brasilidade" do compositor que conquistou a Europa e colocou a figura do indígena no panteão dos grandes heróis da humanidade
Por Saulo Andrade
No mês em que se celebram os Povos Indígenas e os 190 anos
de nascimento de Carlos Gomes, a Companhia de Ópera da Lapa apresenta o
espetáculo “Carlos Gomes, O Selvagem da Ópera”. Sob a direção do renomado tenor
Fernando Portari, a montagem — que acontece na sexta-feira (24), na Sala
Cecília Meireles — promete ser mais que um concerto: uma imersão profunda na
identidade sonora do Brasil.
Para Portari, o compromisso da obra é evocar a
ancestralidade presente no povo brasileiro. "Não poderíamos ser mais
felizes com esse legado de Gomes, que coloca a figura do indígena Pery e sua
cultura no centro dos grandes heróis da humanidade", afirma o diretor do
espetáculo, acrescentando que melodias icônicas de “O Guarani”, como o dueto de
Pery e Ceci, são "células da mais pura expressão da música popular
brasileira".
Trajetória
Embora O Guarani seja a peça central por seu simbolismo, a
peça explora a versatilidade de um compositor que não teve medo de ousar.
Portari destaca a inclusão de trechos de “Fosca”, obra influenciada pelo
germanismo de Wagner, além do oratório Colombo, uma de suas últimas
composições. "(Ela) conta a aventura épica do grande navegador Genoves, ao
chegar às Américas. Gomes avança em sua escrita e usa os recursos do verismo,
que já dominava o grande repertório italiano. Era definitivamente um homem
destemido, que não se prendeu a seu tempo e se aventurou pelas novas linguagens
com absoluta mestria”, detalha o tenor.
A complexidade técnica das obras exige um elenco de
excelência. O espetáculo contará com solistas como Michele Menezes, Marianna
Lima, Ivan Jorgensen, Marcelo Coutinho, Flávio Mello e Pedro Olivero. Segundo o
diretor, as vozes foram escolhidas pela capacidade dramática e timbres
variados, criando uma experiência de "amplas e diversas sonoridades"
sobre a base harmônica delicada do Quinteto de Cordas da Orquestra Jovem do Rio
e da pianista Eliara Puggina.
Dança e Ópera
Um dos momentos mais aguardados é a participação dos
primeiros bailarinos do Theatro Municipal, Márcia Jaqueline e Rodrigo
Hesmermeyer. Eles interpretarão o pas de deux “Baccanale Indiano”, com uma
coreografia criada especialmente para a ocasião, evocando a tensão de Pery e
Ceci, capturados pelos índios Aymorés.
"Será uma epifania", entusiasma-se Portari.
"É na ópera que todas as artes se fundem — música, canto, dança e teatro —
para criar esse turbilhão de emoções".
O palco escolhido não poderia ser outro: a Sala Cecília
Meireles. "Espaço ideal para apreciar as filigranas da voz humana.
Proporciona uma sonoridade generosa e íntima, permitindo uma imersão profunda
no universo lírico", conclui o diretor.
SERVIÇO:
Espetáculo: “Carlos Gomes, O Selvagem da Ópera”
Data: 24 de abril
Local: Sala Cecília Meireles (Largo da Lapa, 47)
Horário: 19h
Ingressos: R$ 40 (inteira) / R$ 20 (meia)
Classificação: Livre


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