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| Foto: Elisa Braga |
Entre sambas indígenas e memórias de anciãos, novo álbum resgata a identidade da Aldeia Mãe e conquista reconhecimento nacional
Um Brasil que
canta para não esquecer quem é. Na Aldeia Mãe Barra Velha, ao pé do Monte
Pascoal, no sul da Bahia, o tempo não corre: ele ciranda. É na terra onde o país
começou que a resistência indígena se mantém viva e faz nascer o álbum "Cantigas
de Roda Ancestrais". Mais do que um projeto fonográfico, o trabalho dos Marujinhos
Pataxó é um manifesto sonoro de sobrevivência, unindo a pureza das vozes
infantis à sabedoria milenar de quem já viu a história arder.
O coração do
disco bate no ritmo de Maria Coruja. Aos 86 anos, a anciã surda é uma das
últimas memórias vivas do "Massacre do Fogo" de 1951. Hoje, ela
transforma o trauma em transmissão de saber. Foi através dos seus gestos e
ensinamentos que as cantigas tradicionais e o samba indígena foram resgatados
do esquecimento para serem entregues às mãos — e gargantas — das crianças da
comunidade.
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| Foto: Theo Bueno |
O resultado é
um encontro geracional potente: os pequenos Pataxó assumem o papel de guardiões
da cultura, gravando em estúdio, ao lado de suas mestras. O projeto é fruto de
um ano de oficinas e um mapeamento cultural que percorreu 35 aldeias, provando
que a oralidade é uma tecnologia de preservação imbatível.
Da aldeia ao Palácio
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| Foto: divulgação |
A força deste
movimento ultrapassou as fronteiras do território. Em março de 2025, o grupo
viajou até Brasília para receber o 38º Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, a
mais alta honraria do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional). O reconhecimento celebra a revitalização do samba indígena, um ritmo
que é, simultaneamente, ritual, espiritual e modo de vida.
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| Foto: Elisa Braga |
Enquanto o
mundo ouve o remix de "A Força dos Encantados" (produzido pelo duo Tropkillaz)
ou assiste ao documentário Pataxi Imamakã em festivais de cinema como o
de Trancoso, a Aldeia Mãe reafirma-se como um polo de produção cultural
vibrante. Ali, a música é uma ferramenta política, na luta pela demarcação de
terras e pela afirmação de um património que é vivo, pulsante e indomável.
“Cantigas de
Rodas Ancestrais” já está disponível em todas as plataformas de streaming.
Ouça: Cantigas de Roda Ancestrais
Mergulho na
Ancestralidade
Para quem
deseja conhecer as camadas mais profundas desta história, o projeto desdobra-se
em outras artes, como o livro Memórias
Ancestrais, o documentário
"Tecendo
Ancestralidade nas Linhas do Tucum", além dos bastidores "Cantigas de Roda
Ancestrais da Aldeia Mãe".





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