sexta-feira, 17 de abril de 2026

Luis Felipe Gama debuta no universo instrumental com "Aluíada de Primavera"

 

Foto: redes sociais (Facebook)

Após 30 anos de carreira e parcerias com nomes como Guinga e Pablo Milanés, o compositor inaugura nova fase estétic,a inspirada pelo Jazz e pela música erudita

Há quase três décadas que o nome de Luis Felipe Gama circula entre a elite da música brasileira, associado a parcerias de peso e composições que já foram descritas por Chico Buarque como "a canção do século". Agora, o artista decide trilhar um caminho inédito: o da música puramente instrumental. Com o lançamento de "Aluíada de Primavera", Gama deixa as palavras de lado para permitir que a narrativa seja conduzida exclusivamente pela harmonia.

Lançada pelo selo Letra & Música, a faixa é o primeiro movimento de uma série dedicada à figura simbólica de Aluene. A composição é uma peça de ourivesaria sonora que funde o Samba Jazz à música erudita, revelando uma pesquisa estética que une a sensibilidade narrativa à sofisticação do jazz contemporâneo.

Ouça “Aluíada de Primavera”: https://ditto.fm/aluiada-de-primavera


De Chopin a Coltrane

A sonoridade de "Aluíada de Primavera" não esconde as suas raízes profundas. Luis Felipe Gama constrói uma paisagem sonora onde dialogam referências tão distintas quanto Milton Nascimento, Chopin, John Coltrane e até o cinema de Tarkovsky. O resultado é uma peça que se desenvolve como um fluxo de imagens, evocando atmosferas que remetem à linhagem de grandes orquestradores brasileiros, como Tom Jobim e Edu Lobo.

Trajetória

Com uma carreira consolidada por turnês na Europa e no Japão, e gravações históricas em Cuba, ao lado de Pablo Milanés, Gama se reafirma como um dos pilares da música autoral brasileira. A sua transição para o instrumental é apoiada pela curadoria criteriosa do selo Letra & Música, gerido por Valeria Sattamini e Juliano Juba, que procura conectar a tradição brasileira à world music contemporânea.



Esta nova fase criativa de Luis Felipe Gama não é apenas uma mudança de género, mas um convite para experienciar a música como um estado de espírito contemplativo e universal.

"Sentimento e Nada": Mari Romano une folclore argentino e sofisticação brasileira em novo single

 

Foto: Alexandre Romano

Artista antecipa o álbum Além da Pele com faixa inspirada na zamba e marcada por arranjos de sopro hipnóticos

O que acontece quando o samba brasileiro encontra a zamba argentina? Para a cantora, compositora e produtora Mari Romano, essa descoberta ocorreu durante uma temporada vivendo no país vizinho. Fascinada pelo ritmo folclórico popularizado por ícones como Mercedes Sosa, Mari deu vida a “Sentimento e Nada”, o novo single que pavimenta o caminho para seu próximo disco, Além da Pele.

A faixa é uma experiência polirrítmica que funde o rústico ao sofisticado. Enquanto a letra reflete sobre a modernidade — sob influência das obras do documentarista Adam Curtis —, a sonoridade se expande em uma atmosfera meditativa, comparada pela artista ao balanço contínuo de um barco.

Ouça “Sentimento e Nada”: http://tratore.ffm.to/sentimentoenada

A força dos arranjos

O grande destaque da canção surge em sua reta final: um longo trecho instrumental onde Mari brilha como arranjadora. Ela assina todos os sopros do álbum, e nesta faixa o trabalho ganha contornos épicos com a participação do trio Copacabana Horns (músicos que acompanham lendas como Caetano Veloso e Maria Bethânia) e de Aline Gonçalves.


Design: Sophia Poole 

A construção é progressiva, somando camadas de sax tenor, trompete, trombone, clarinete e flauta transversa sobre a bateria de Jeremy Gustin. O resultado é um jogo de vozes e contrapontos que convida o ouvinte a permanecer no fluxo, sem pressa para o fim.

Um mosaico sonoro

“Sentimento e Nada” dá sequência a uma série de lançamentos que revelam as múltiplas facetas de Mari Romano. No mosaico de Além da Pele, a artista já apresentou:

  • “Mosquito”: Sua primeira incursão no inglês com uma pegada soturna. Ouça aqui.
  • “Maluco da Retronoia”: Uma exploração de estados emocionais urbanos. Ouça aqui.
  • “Tudo Errado”: Mais uma peça desse quebra-cabeça sonoro. Ouça aqui.

Com mixagem de Angelo Wolf e um time de músicos de peso, Mari Romano consolida-se como uma das mentes mais inventivas da nova cena, provando que a música, em sua melhor forma, não conhece fronteiras.

Banda tributo aprovada por Robert Plant, Letz Zep desembarca em São Paulo



Único grupo com a chancela dos integrantes originais do Led Zeppelin se apresenta na Suhai Music Hall, em agosto

Para os órfãos de um dos maiores impérios do rock, o dia 8 de agosto (sábado) promete ser um marco. A banda inglesa Letz Zep, aclamada internacionalmente como a melhor representação do Led Zeppelin no mundo, chega a São Paulo para uma noite de imersão total na obra de Jimmy Page e Robert Plant. O show acontece na Suhai Music Hall, com produção assinada pela North Star.

O diferencial do Letz Zep não reside apenas na técnica, mas no "selo de autenticidade" que carregam. Eles são a única banda tributo no planeta a possuir a aprovação direta e pública dos membros originais. O reconhecimento é tamanho que o próprio Robert Plant, ao assistir a uma performance, declarou:

“Inacreditável. Quando entrei, me vi no palco — só que não era eu”.

Até mesmo o perfeccionista Jimmy Page rendeu-se ao talento do grupo, após uma apresentação em Londres. “Foi ambicioso, mas vocês conseguiram”, afirmou o guitarrista lendário.

Conexão histórica



A fidelidade sonora do grupo ganha um reforço genético: a bateria é comandada por Jake Blackwell, filho de Chris Blackwell, músico que acompanhou Robert Plant, em diversos álbuns solo. Essa proximidade com o "universo Zeppelin" permite que a banda entregue não apenas os hits, mas a energia crua e a sofisticação instrumental que definiram o gênero nos anos 70.

Com passagens lotadas pela Europa, Ásia e Américas, o Letz Zep traz para a capital paulista um repertório que atravessa gerações, garantindo que clássicos como Stairway to Heaven e Kashmir soem com a potência que o público espera.

Programe-se

A Suhai Music Hall, localizada no Shopping SP Market, oferece estrutura completa para receber os fãs, com acessibilidade e fácil acesso via CPTM. Os ingressos oficiais já estão disponíveis via Ticketmaster.

Serviço: Letz Zep em SP

  • Data: 8 de agosto (sábado)
  • Local: Suhai Music Hall (Av. das Nações Unidas, 22540 - Jurubatuba)
  • Horários: Abertura da casa às 20h | Show às 22h
  • Ingressos: Bilheteria física no Shopping Ibirapuera (sem taxa) ou pelo site ticketmaster.com.br

Xande de Pilares e Grupo Revelação anunciam turnê histórica de reencontro em 2026

Foto: Fernando Young

 

O que muitos fãs consideravam um sonho distante acaba de se tornar realidade. O Grupo Revelação e Xande de Pilares anunciaram a turnê nacional “Tava Escrito: O Reencontro Histórico”. O projeto vai percorrer as principais capitais brasileiras, entre junho e outubro de 2026, celebrando quase 30 anos de uma trajetória que transformou o samba em "quase uma religião", como define o integrante Rogerinho.

A história que começou no Varandão, no Méier, Zona Norte do Rio, agora ganha os palcos de arenas e estádios. O reencontro traz a formação clássica que consolidou o som do grupo: Mauro Júnior (banjo), Rogerinho (tan-tan), Beto Lima (violão), Sérgio Rufino (pandeiro) e Artur Luis (reco-reco).

A grande novidade nos vocais é a dobradinha entre Xande e seu sobrinho, Jonathan Alexandre (o Mamute), que já integra o grupo desde 2018. "Sou literalmente um fã que estará em cima do palco com seu ídolo", conta Mamute, reforçando a continuidade geracional desse legado.

Ingressos e Datas

A pré-venda exclusiva para clientes com Cartões BB Elo começa nos dias 20 e 21 de abril, com benefícios como parcelamento em até 10x sem juros e 20% de desconto. Para o público geral, as vendas abrem no dia 22 de abril.

📍 Datas Confirmadas:

  • 27/06: Rio de Janeiro (Farmasi Arena)
  • 04/07: Porto Alegre (Fly 51)
  • 11/07: Belo Horizonte (Arena MRV)
  • 18/07: São Paulo (Allianz Parque)
  • 08/08: Brasília (Arena BRB Mané Garrincha)
  • 22/08: Recife (Classic Hall)
  • 05/09: Florianópolis (Arena Opus)
  • 12/09: Curitiba (Pedreira Paulo Leminski)
  • 26/09: Salvador (Casa de Apostas Arena Fonte Nova)
  • 10/10: Fortaleza (Marina Park)

Serviço e Vendas Online

Os ingressos estarão disponíveis oficialmente apenas através da Ticketmaster Brasil. Evite plataformas secundárias para garantir sua segurança.

Dica do Cena: Prepare o gogó e o coração, porque sucessos como "Coração Radiante" e "Tá Escrito" prometem ser cantados a plenos pulmões, em uma celebração que conecta o passado, o presente e o futuro do nosso samba.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Centro de Artes UFF resgata sonoridade do século XVI

 

Foto: F. Rossignoli/divulgação

Cápsula do tempo sonora. Eis o que o público pode esperar, no próximo dia 5 de maio, terça-feira, do espetáculo “Que he o que vejo”, no Teatro da UFF, em Icaraí, Zona Sul de Niterói (RJ). O evento, que é parte da série Música de Câmara, no Centro de Artes da universidade, desembarca diretamente do Porto, em Portugal, para a Cidade Sorriso.

Mais do que um concerto, a apresentação é o resultado de uma rigorosa investigação acadêmica, financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia de Portugal. O objetivo é fazer o com que as pessoas ouçam música do século XVI, exatamente como ela soava em sua época, recuperando não apenas as notas, mas a pronúncia histórica do português quinhentista, do latim e do castelhano daquele período.

Autenticidade

Formado pelos músicos Ananda Roda, Thiago Vaz, Irene Brigitte e Teodora Tommasi, o quarteto utiliza réplicas fiéis de instrumentos históricos. Essa escolha permite a recriação dos timbres e articulações originais que se perderam ao longo dos séculos com a modernização das orquestras.

A experiência busca aproximar o ouvinte da estética da Renascença, onde a música e a literatura caminhavam de mãos dadas. O repertório é baseado nos antigos cancioneiros, revelando uma riqueza cultural que une o rigor da pesquisa europeia ao entusiasmo da performance ao vivo.

Formação de plateia

Para os curiosos e entusiastas da história, a programação começa mais cedo. Às 17h30, Irene Brigitte ministra uma palestra aberta sobre a variedade linguística dos cancioneiros portugueses. O encontro é uma oportunidade rara para entender como os pesquisadores conseguem "restaurar" uma língua falada há 500 anos e as curiosidades por trás da construção desse repertório.

Serviço

  • Evento: Concerto "Que he o que vejo?"
  • Data: 5 de maio (terça-feira)
  • Horários: Palestra às 17h30 | Concerto às 19h
  • Local: Teatro da UFF (Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí)
  • Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) | Preço único promocional: R$ 10
  • Vendas: No site ingressosuff.com.br ou na bilheteria do teatro.

Groove na veia: Caramelows retorna com "Versão Brasileira" e mergulha no instrumental

 

Fotos: divulgação

Após hiato de dois anos, banda inaugura o projeto audiovisual "Sala Alumiada" com single que funde funk setentista e sofisticação brasileira

O silêncio dos palcos deu lugar ao rugido do groove. Os Caramelows, uma das engrenagens mais potentes da música contemporânea nacional, oficializam seu retorno em 2026, com o lançamento de "Versão Brasileira". Mais do que um simples single, a faixa marca uma virada estética definitiva: o grupo agora se consolida como um projeto de música instrumental.

A composição é o cartão de visitas do projeto Sala Alumiada, uma série de registros audiovisuais, gravados ao vivo no Estúdio Karô. Sob a direção de Pedro Pipano, o vídeo de estreia utiliza a iluminação como metáfora para as diversas influências que a banda absorveu em uma década de estrada.



Ouça “Versão Brasileira”: https://onerpm.link/versaobrasileiracaramelows

Evolução

Na ativa desde 2016 e conhecidos mundialmente pela parceria histórica com Liniker — que os levou a palcos sagrados como Glastonbury e Rock in Rio —, os Caramelows agora exploram novas texturas sonoras.

Em "Versão Brasileira", a banda bebe na fonte do funk dos anos 70, com acenos claros ao balanço dos Jackson 5 e à elegância moderna do Silk Sonic. O resultado é uma sonoridade densa, que une o jazz e o soul a um "tempero tupiniquim" inconfundível.



"A faixa reafirma nossa identidade com o palco, trazendo uma atmosfera carregada de groove e sofisticação", pontua o grupo, que já dividiu holofotes com ícones como Elza Soares e Criolo.

Novo EP

O lançamento, que sai pelo selo Gorillas Records, é apenas o começo de um ano movimentado. Além da série audiovisual, o grupo já trabalha na produção de um novo EP e no desenvolvimento de um show inédito, que promete revisitar os sucessos dos álbuns Remonta (2016), Goela Abaixo (2019) e o recente Vira-Lata (2024), agora sob a nova ótica instrumental da banda.

Para quem busca música brasileira com pegada universal e execução técnica, o retorno dos Caramelows é, sem dúvida, o ponto alto do calendário musical deste semestre.

 

Núbia traz reggae maranhense a Florianópolis

Foto: Daniel Igor/Divulgação



Com a turnê nacional "Sabores", destaque da cena nordestina se apresenta no Bar DeRaiz

O balanço do reggae maranhense tem encontro marcado com o público catarinense. Neste sábado (18), a cantora Núbia traz a Florianópolis a “Sabores Tour 2026”. O palco escolhido é o tradicional Bar DeRaiz, na Lagoa da Conceição, que recebe a artista em uma das etapas mais aguardadas da turnê nacional da artista.

Após uma estreia de sucesso em São Paulo, Núbia busca conectar a sonoridade do Norte e Nordeste com os circuitos consolidados do Sul. Para ela, Santa Catarina é um ponto estratégico. "Estar ali é conectar o reggae maranhense a um público fiel ao gênero, fortalecendo a presença de uma artista nordestina, dentro da rota do reggae brasileiro", afirma.

Revolução sonora

O show é baseado no álbum visual Sabores (2024), que já ultrapassa 1,5 milhão de plays, nas plataformas digitais. O repertório funde o reggae jamaicano e o dub a elementos urbanos, entregando letras que alternam entre o afeto e a crítica social.



A experiência musical será ampliada por uma curadoria rítmica diversa. A abertura ficará por conta de Regiane Araújo (MA), trazendo a força da música latina com o afrobeat. Nas carrapetas, os sets das DJs LoveSteady e Anavá, mesclando gêneros que vão do dancehall, ao amapiano, passando pelo dub.

Garanta ingressos: https://shotgun.live/pt-br/events/nubia-sabores-tour-2026

Ouça Sabores: https://open.spotify.com/intl-pt/album/5my3zgk9Y6WgPZhwwN2Sdm?si=XLeiWzhfTcKQ3xVPSBeWRQ

Serviço

  • Onde: Bar DeRaiz (Lagoa da Conceição)
  • Quando: 18 de abril
  • Ingressos: A partir de R$ 40 (2º lote) | Promocional duplo por R$ 70.

 

Distraught despeja thrash cru e crítica social em novo clipe

Foto por Ricardo Silveira (@ric_silveira)

Com estética minimalista gravada em iPhones, veteranos do metal gaúcho lançam "Aether and Truth Denied", faixa que encerra o ciclo do EP conceitual "inVolution"

A longevidade no heavy metal brasileiro não é para amadores, e a Distraught parece dominar a fórmula da persistência com a precisão de um riff de thrash. Com mais de três décadas de estrada, a banda porto-alegrense acaba de apresentar o videoclipe de “Aether and Truth Denied”, uma obra que troca o verniz das grandes produções pela urgência do live rehearsal.

Registrado no Black Stork Studio, em Porto Alegre, o material audiovisual aposta no "menos é mais". Sob o olhar de Marcos “Lagarto” Neuberger, a performance foi capturada inteiramente por apenas dois iPhones. O resultado é um registro visceral, editado pelo guitarrista Ricardo Silveira, que prioriza a técnica e a agressividade orgânica do quinteto, sem os filtros que muitas vezes camuflam a essência do gênero.

Imersão e colapso social

A composição não chega de forma abrupta. Ela é precedida por “Aether”, uma peça de ambientação sonora que prepara o terreno psicológico para o ouvinte. Segundo o baterista Thiago Caurio, responsável pela mixagem do áudio, a introdução funciona como um portal de imersão, antes que o impacto seco de “Truth Denied” tome conta do ambiente.

Para além do peso, há uma carga intelectual densa. A letra mergulha no lodo da desinformação contemporânea e na fragilidade da percepção humana. Em tempos de narrativas conflitantes, a Distraught utiliza sua música como ferramenta de análise do colapso social, questionando a negação da realidade que permeia a convivência atual.

O manifesto dos elementos

A faixa é o ponto final — ou talvez o clímax — do EP “inVolution”, lançado em julho de 2025. O trabalho é um manifesto conceitual dividido em cinco atos, cada um representando um elemento da natureza: Terra, Água, Ar, Fogo e, finalmente, o Éter.

O vocalista André Meyer é enfático ao definir o conceito por trás do título: trata-se de um grito contra o retrocesso. Para o frontman, a humanidade atravessa uma "involução" deliberada, perdendo consciência e valores, em uma marcha acelerada rumo à degradação ambiental e ética.

Legado de peso


A ficha técnica de “inVolution” reafirma o status da banda no cenário nacional. Com guitarras, baixo e vozes gravados por Renato Osorio (Dry House Studio) e mixagem de Benhur Lima, o disco ainda ostenta a arte de capa de Marcelo Vasco, ilustrador de renome internacional que já assinou trabalhos para gigantes como Slayer e Kreator.

Com seis álbuns de estúdio e uma trajetória que atravessa gerações, a Distraught prova que a maturidade não amoleceu sua pegada. Pelo contrário: a escolha por uma produção crua e uma lírica afiada demonstra que, para estes veteranos, a verdade ainda é o elemento mais pesado da composição.


Serviço:

  • Assista: @distraughtofficial (Instagram/YouTube)
  • Informações: distraught.com.br

 

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Como a Roda de Ska transformou a orla carioca em uma pequena Jamaica

 

Fotos: divulgação/redes sociais

Unindo clássicos caribenhos à essência da música brasileira, projeto, que nasceu despretensioso no interior fluminense, hoje ocupa as praias do Rio e palcos históricos

Por Saulo Andrade
A orla extensa e o sol inclemente do Rio sempre guardaram semelhanças geográficas e espirituais com Kingston, a capital da Jamaica. Mas faltava à cidade um movimento que traduzisse o skanking – o passo clássico do ska – para o pé na areia do carioca. Não mais. Isso porque, em 2015, um grupo de amigos de Barra do Piraí (RJ) teve a ideia de, numa mesa de bar, reunir a rapaziada para tocar clássicos jamaicanos, em formato acústico.
 



E o que começou como um brinde entre amigos, no interior fluminense, atravessou a pandemia, ganhou o reforço de outros músicos da capital, sob a batuta de Paulo Monnerat, e encontrou guarida nos quiosques das praias do Rio. Hoje, a Roda de Ska é um coletivo que chega a reunir mais de 15 artistas, transformando o Alalaô Kiosk, no Arpoador, e o Ginga, no Leme, em autênticos redutos do ritmo caribenho.

A força do chão



Um desses fundadores é o dentista de profissão e ukelelista por paixão Leonardo Villa Verde, o Léo Murunga; para quem o pulo do gato do projeto é a subversão do palco. De acordo com o músico, ao adotar o formado de roda, tradicionalmente associado ao samba, o grupo rompe fronteiras artísticas:

"A interação e o calor do público ali, coladinho, nós ainda não conseguimos reproduzir, sem ser nesse formato de roda no chão".

Léo acrescenta que essa proximidade permite que o improviso dite o tom, criando uma fusão, onde o público não é apenas espectador, mas parte integrante da orquestra.

A pressão sonora é um capítulo à parte. Sem nunca terem realizado um único ensaio formal, os artistas confiam no talento de um "naipe de respeito", composto por nove metais (trombones, saxofones e trompetes). O risco é o combustível: quando uma música nova entra no setlist, músicos e público descobrem o resultado juntos, em tempo real.

Identidade, ocupação e diversidade


Na estratégia de popularizar o ska por aqui, o repertório é de fato uma ponte que interliga o Brasil à terra de Bob Marley. Isso passa por “jamaicanizar” o que o brasileiro já gosta, musicalmente. As apresentações vão de clássicos de Jimmy Cliff a The Specials, passando por releituras de Tim Maia e Jorge Ben Jor.

Essa autenticidade atraiu nomes de peso. De participações da saudosa Preta Gil ao ícone internacional Chris Murray, o projeto viveu um ápice recente, ao receber, no último domingo (12), B-Negão na areia, numa apresentação movida pela pura generosidade artística. "Ele colou com a gente para fazer um som na praia, sem cachê, só pelo prazer da diversão", recorda Murunga.

Além do entretenimento, a Roda de Ska se tornou um catalisador de ocupação cultural. O sucesso do grupo abriu portas para que outros ritmos, como a cumbia, a salsa e o afrojazz, também conquistassem espaço nos quiosques. "Há muita arte além de samba e sertanejo, que o público tem o direito de conhecer", defende o fundador.

Com um single já lançado, o grupo agora foca na captação de recursos para registrar em estúdio quatro novas canções, consolidando a trabalho num EP oficial. Enquanto o álbum não vem, o compromisso permanece o mesmo: manter o ska vivo, democrático e, acima de tudo, com o “pé na areia, a caipirinha, a água de coco e a cervejinha” do carioca.  















 

Jazz que transforma: Roberto Rutigliano promove diálogo entre erudito e improviso na Audio Rebel

Fotos: divulgação

 

Em dia dedicado à pesquisa musical, baterista realiza masterclass gratuita e concerto com septeto de cordas, no Programa Funarte Ações Continuadas

A fronteira entre o rigor da música de câmara e a liberdade do jazz será o ponto de partida para uma ocupação artística na Audio Rebel, em Botafogo, zona Sul do Rio, nesta quarta (16). Sob o guarda-chuva do Programa Funarte Ações Continuadas, o baterista e compositor argentino Roberto Rutigliano comanda uma programação que une o caráter pedagógico à performance de palco, reafirmando a casa como um dos principais eixos de inovação estética do Rio.

O dia começa cedo para os interessados na técnica por trás das baquetas. Às 16h, Rutigliano ministra a masterclass “Princípios Fundantes do Jazz na Bateria”. Com entrada gratuita, a atividade é voltada para músicos e estudantes, mas também para ouvintes curiosos sobre a linguagem rítmica. O encontro vai além do simples exercício técnico: é uma imersão na escuta, na interação entre músicos e na construção de um repertório jazzístico, consolidando décadas de pesquisa do baterista.

Concerto

Às 20h, a teoria dá lugar à prática com o espetáculo “Rutigliano com Septeto de Cordas”. A formação, curiosa e potente, une um quarteto de jazz a um trio de cordas, criando uma sonoridade híbrida. Sob a direção musical do próprio Roberto, o septeto conta com Leonardo Fantini (violino e arranjos), Líbano (violoncelo), Gabriel Tavares (viola), Arthur Trucco (contrabaixo), Alexandre Caldi (saxofone) e Martín Robbio (teclado). O resultado é um equilíbrio fino entre a densidade harmônica das cordas e o espírito improvisador do sax e da percussão.

Repertório



A versatilidade do projeto reflete-se na escolha das peças. O público poderá ouvir releituras de clássicos absolutos, como o tango arrebatador de “Adiós Nonino”, de Astor Piazzolla, e o standard imortal “Summertime”, de George Gershwin. Essas obras dialogam com composições autorais, a exemplo de “Terra Idílica”, evidenciando como a tradição e a contemporaneidade podem coexistir no mesmo compasso.

Resistência

Realizar este evento na Audio Rebel carrega um simbolismo próprio. Com mais de 20 anos de trajetória, o espaço resiste como um refúgio para o som independente e experimental. A parceria com a Funarte fortalece esse ecossistema, transformando o espaço num ponto de convergência para artistas que, como Rutigliano, não abrem mão da investigação sonora.


Serviço



Data: 16 de abril de 2026

Local: Audio Rebel (Rua Visconde de Silva, 55 – Botafogo, RJ)

Masterclass (16h): Gratuita ([Inscrições via Sympla]

Show (20h): R$ 25 (antecipado) / R$ 35 (na hora) ([Ingressos via Sympla]

Gratuidade: CadÚnico e Lista Trans

terça-feira, 14 de abril de 2026

Pulso da resistência na Barra, Espaço Tápias transforma aniversário em manifesto artístico

 

Foto: Divulgação

Com maratona gratuita e foco no fomento autoral, centro cultural celebra quatro anos se reafirmando como refúgio para a cena independente carioca

No ecossistema cultural do Rio, onde espaços independentes lutam diariamente para manter as luzes acesas, o Espaço Tápias surge não apenas como um sobrevivente, mas como um protagonista. Sob a batuta da coreógrafa Flávia Tápias, o centro fincado na Barra da Tijuca, zona Oeste do Rio, prepara uma celebração que vai muito além do "parabéns". Nos dias 29 e 30 de abril, quarta e quinta-feira, a casa promove uma imersão gratuita que une o Dia Internacional da Dança ao seu quarto ano de estrada, provando que o movimento, quando compartilhado, é a melhor forma de resistência.

O formato Open House, escolhido para a ocasião, é um convite ao desapego da poltrona. Das 9h às 22h, o endereço na Armando Lombardi vira um caldeirão de experimentação sonora e corporal. É música que vira gesto, é corpo que vira ritmo. A grade é um prato cheio para quem busca diversidade: tem a disciplina do Ballet, o magnetismo do Flamenco e a batida do K-pop. No Tápias, a ideia é que o público seja atravessado pela arte, quebrando a barreira invisível entre o palco e a plateia.

Conexão

A curadoria de Flávia Tápias entende que arte não tem validade, nem "cercadinho". A programação é um abraço geracional. Enquanto os pequenos se perdem no lúdico das aulas de circo e jazz infantil, o pessoal da dança 50+ mostra que a experiência traz uma cadência única ao movimento. Há ainda um olhar sensível para o fortalecimento de vínculos, em aulas compartilhadas entre pais e filhos, reforçando que a dança é, essencialmente, uma linguagem de afeto e presença.

Fomento


Flávia Tápias (foto: Rodrigo Ferraz)

Para quem respira a cena cultural independente, o grande trunfo do Tápias está nos bastidores. O espaço não é apenas um palco, mas um laboratório. Ao ceder salas de ensaio para grupos sem teto e manter editais abertos para a Sala Maria Thereza Tápias, o centro atua como um pulmão para artistas autorais que precisam de oxigênio para criar. É o fomento real, aquele que entende as dores da produção local e oferece o solo fértil necessário para a circulação de novas obras na cidade.

Em quatro anos de trajetória, o espaço se consolidou como um dos núcleos mais pulsantes da produção carioca. É o Rio de Janeiro mostrando sua face mais vibrante, provando que, mesmo em tempos complexos, a arte segue encontrando frestas para brilhar e convidar todo mundo para a roda.

Série de concertos gratuitos exalta mulheres da MPB

  Foto: Jéssica Borges/divulgação Sons Pelas Mulheres exalta trajetória de compositoras e intérpretes em Duque de Caxias, Rio e São Gonçalo ...